{"id":1174,"date":"2014-05-09T15:56:12","date_gmt":"2014-05-09T15:56:12","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-05-22T16:02:41","modified_gmt":"2015-05-22T16:02:41","slug":"nota-pastoral-da-cep-sobre-votar-por-uma-europa-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/nota-pastoral-da-cep-sobre-votar-por-uma-europa-melhor\/","title":{"rendered":"Nota Pastoral da CEP sobre \u00abVotar por uma Europa melhor\u00bb"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Exercer o direito de votar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No pr&oacute;ximo dia 25 de maio, somos chamados a cumprir o direito e o dever de votar nos candidatos que se apresentam para fazer parte do Parlamento Europeu, representando o povo portugu&ecirc;s nesta grande comunidade de povos e na&ccedil;&otilde;es.  O regime democr&aacute;tico, em que felizmente vivemos, exige participa&ccedil;&atilde;o, que tem um momento alto quando h&aacute; elei&ccedil;&otilde;es. Neste ato eleitoral, com a responsabilidade pastoral que nos cabe como bispos cat&oacute;licos, exortamos &agrave; participa&ccedil;&atilde;o dos crist&atilde;os e de todos os que est&atilde;o abertos a ouvir a nossa voz. O absentismo &eacute; uma arma perigosa que facilmente acaba por penalizar quem a usa.  &Eacute; um sentimento comum experimentar a dist&acirc;ncia entre o nosso voto e as suas consequ&ecirc;ncias pr&aacute;ticas. Al&eacute;m disso, a Europa pode parecer uma entidade estranha, que est&aacute; para al&eacute;m das nossas fronteiras e n&atilde;o nos diz diretamente respeito. Por vezes, a onda de descr&eacute;dito que atinge alguns sectores pol&iacute;ticos &eacute; tendenciosamente generalizada. Estas elei&ccedil;&otilde;es, que marcar&atilde;o o futuro da Uni&atilde;o Europeia nos pr&oacute;ximos anos, devem ser encaradas como um momento privilegiado para colaborar na constru&ccedil;&atilde;o de uma Europa melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Europa, horizonte da nossa esperan&ccedil;a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Europa &eacute; muito mais do que um espa&ccedil;o geogr&aacute;fico. &Eacute; uma comunidade de ideais e valores, para a qual muito tem contribu&iacute;do a f&eacute; crist&atilde; ao longo dos s&eacute;culos. O ressurgir do ideal europeu, no rescaldo de duas guerras mundiais que tiveram origem no nosso Continente, em boa parte foi obra de l&iacute;deres pol&iacute;ticos crist&atilde;os. Tem se dado a evolu&ccedil;&atilde;o de um mercado comum ou de uma comunidade econ&oacute;mica para o ideal de uma uni&atilde;o europeia, que atualmente congrega 28 Estados. Estes encontram na Europa a sua casa comum, comprometidos na constru&ccedil;&atilde;o de um projeto de civiliza&ccedil;&atilde;o, orientado por crit&eacute;rios de paz e justi&ccedil;a social, de liberdade religiosa, de di&aacute;logo cultural e solidariedade, a n&iacute;vel interno e com a comunidade de todos os outros povos e na&ccedil;&otilde;es.  A Europa &eacute; um projeto sempre em constru&ccedil;&atilde;o, e as pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es s&atilde;o uma ocasi&atilde;o que n&atilde;o podemos desperdi&ccedil;ar para a sua edifica&ccedil;&atilde;o. A Igreja acompanha com respeito e aten&ccedil;&atilde;o as atividades das institui&ccedil;&otilde;es europeias que honrem a Europa como a sua casa moral e espiritual, promovendo os valores que s&atilde;o a matriz da sua identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Votar por uma Europa melhor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em diversas ocasi&otilde;es que precedem atos eleitorais, temos apresentado crit&eacute;rios para votar com consci&ecirc;ncia esclarecida. Votar n&atilde;o &eacute; um ato burocr&aacute;tico; &eacute; afirmar valores e exigir responsabilidades a quem deve servir os povos de uma Europa justa e solid&aacute;ria.  Numa vis&atilde;o realista do nosso Continente, dinamiza nos a esperan&ccedil;a de uma Europa melhor, em que seja salvaguardada a vida humana desde conce&ccedil;&atilde;o at&eacute; morte natural, em que o desemprego n&atilde;o pare&ccedil;a um mal inevit&aacute;vel mas um desafio a responder sem adiamentos, em que as fronteiras n&atilde;o se fechem &agrave; solidariedade com os povos maltratados pol&iacute;tica e economicamente, em que o di&aacute;logo inter-religioso e intercultural seja o caminho de sentido &uacute;nico para uma paz justa e duradoura, em que o capital n&atilde;o se arvore em governo autocr&aacute;tico mas sirva a pessoa humana e o bem comum.  Para cumprir este ideal precisamos de pol&iacute;ticos respons&aacute;veis e competentes, que nos cabe eleger. Fazemos nossas estas palavras do Papa Francisco: &laquo;Pe&ccedil;o a Deus que cres&ccedil;a o n&uacute;mero de pol&iacute;ticos capazes de entrar num aut&ecirc;ntico di&aacute;logo que vise efetivamente sanar as ra&iacute;zes profundas e n&atilde;o a apar&ecirc;ncia dos males do nosso mundo. A pol&iacute;tica, t&atilde;o denegrida, &eacute; uma sublime voca&ccedil;&atilde;o, &eacute; uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum&raquo;. Como ele, rezamos tamb&eacute;m n&oacute;s ao Senhor &laquo;para que nos conceda mais pol&iacute;ticos que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres. &Eacute; indispens&aacute;vel que os governantes e o poder financeiro levantem o olhar e alarguem as suas perspetivas, procurando que haja trabalho digno, instru&ccedil;&atilde;o e cuidados de sa&uacute;de para todos os cidad&atilde;os&raquo; (Evangelii gaudium, 205).  Em breve come&ccedil;ar&aacute; a campanha eleitoral. Urge ser esclarecida a opini&atilde;o p&uacute;blica a respeito dos programas partid&aacute;rios e das pessoas que se candidatam. A nossa democracia deve exigir de todos propostas realistas, geradoras de solu&ccedil;&otilde;es concretiz&aacute;veis, evitando falsas ilus&otilde;es.  No ato de votar, o eleitor crist&atilde;o tem o dever de n&atilde;o trair a sua consci&ecirc;ncia, iluminada pelos crit&eacute;rios e valores do evangelho de Jesus. Importa, tamb&eacute;m agora, exercer a virtude da cidadania participativa, assumida como uma obriga&ccedil;&atilde;o moral. Uma Europa melhor, que justamente desejamos, tamb&eacute;m depende de cada um de n&oacute;s.  F&aacute;tima, 1 de maio de 2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exercer o direito de votar &nbsp; No pr&oacute;ximo dia 25 de maio, somos chamados a cumprir o direito e o dever de votar nos candidatos que se apresentam para fazer parte do Parlamento Europeu, representando o povo portugu&ecirc;s nesta grande comunidade de povos e na&ccedil;&otilde;es. 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