{"id":1193,"date":"2013-05-08T15:04:47","date_gmt":"2013-05-08T15:04:47","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-15T17:30:03","modified_gmt":"2015-03-15T17:30:03","slug":"comunidade-celebra-60-anos-de-emigracao-para-o-canada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/comunidade-celebra-60-anos-de-emigracao-para-o-canada\/","title":{"rendered":"Comunidade celebra 60 anos de emigra\u00e7\u00e3o para o Canad\u00e1"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Foi na doca Pier 21 em Halifax, no dia 13 de maio de 1953, que o &laquo;Saturnia&raquo; atracou, desembarcando os primeiros 218 imigrantes portugueses, com os respetivos vistos de trabalho, muitos deles provenientes dos A&ccedil;ores, madeirenses e alguns do continente. &ldquo;(Os portugueses) &#8230; &#8230;Foram ficando em v&aacute;rias regi&otilde;es do Canad&aacute;, para trabalhar principalmente em &aacute;reas como a agricultura e constru&ccedil;&atilde;o de caminhos de ferro&rdquo;, disse &agrave; Lusa Joe Est&aacute;quio, presidente da ACAPO, entidade que re&uacute;ne 43 associa&ccedil;&otilde;es portuguesas da prov&iacute;ncia do Ont&aacute;rio, promotora das comemora&ccedil;&otilde;es. A programa&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a a 11 de maio, com uma Gala de homenagem aos pioneiros da emigra&ccedil;&atilde;o portuguesa para o pa&iacute;s, em que j&aacute; est&atilde;o confirmadas as presen&ccedil;as do secret&aacute;rio de Estado das Comunidades Portuguesas, Jos&eacute; Ces&aacute;rio, do ministro das Finan&ccedil;as do Ont&aacute;rio, o luso-canadiano Charles Sousa, entre outras entidades oficiais que v&atilde;o estar representadas.  No dia 12 de maio, decorrer&aacute; uma homenagem no &laquo;Monumento aos Pioneiros&raquo; no High Park, inaugurado em 1978, quando se comemoraram 25 anos da emigra&ccedil;&atilde;o portuguesa), e ainda nesse dia, haver&aacute; uma missa em honra dos emigrantes pioneiros, na Igreja de Santa Maria, a primeira portuguesa no Canad&aacute;. Em colabora&ccedil;&atilde;o com o Consulado Geral de Portugal em Toronto, est&aacute; tamb&eacute;m programada uma exposi&ccedil;&atilde;o de fotografias, que vai ser inaugurada a 13 de maio, na C&acirc;mara Municipal de Toronto, e estar&aacute; patente durante um m&ecirc;s. As comemora&ccedil;&otilde;es prolongam-se at&eacute; julho e englobam as celebra&ccedil;&otilde;es do Dia de Portugal, de Cam&otilde;es e das Comunidades Portuguesas, a 10 de junho. Apesar de a emigra&ccedil;&atilde;o ter come&ccedil;ado h&aacute; 60 anos, h&aacute; registos que provam que os portugueses j&aacute; passaram pelo Canad&aacute; h&aacute; mais de 500 anos, e a prov&aacute;-lo est&aacute; o monumento em St. John&rsquo;s, na Terra Nova, que homenageia os pescadores de bacalhau que por ali estiveram h&aacute; meio s&eacute;culo. O monumento foi inaugurado em 2001 pelo Presidente da Rep&uacute;blica na altura, Jorge Sampaio.  Ant&oacute;nio Sousa trocou &ldquo;a caneta&rdquo; por &ldquo;uma p&aacute; e picareta&rdquo; Ant&oacute;nio Sousa foi um dos &ldquo;pioneiros&rdquo; portugueses no Canad&aacute;. Sessenta anos depois de ter chegado ao pa&iacute;s confessa que o que mais lhe custou foi ter de deixar &ldquo;a caneta&rdquo; para pegar &ldquo;na p&aacute; e na picareta&rdquo;. &ldquo;Ap&oacute;s 40 anos de ditadura de Salazar, ainda fui acusado de ser comunista por isso decidi aventurar-me&rdquo;, come&ccedil;ou por explicar &agrave; ag&ecirc;ncia Lusa o empres&aacute;rio de 87 anos. Viajou no navio Saturnia, que chegou ao porto de Halifax a 13 de maio de 1953 e era um dos 218 emigrantes, com os respetivos vistos autorizados por ambos os governos. Ant&oacute;nio Sousa deixava para tr&aacute;s a Nazar&eacute; natal e a vida de estudante para &ldquo;meter m&atilde;os &agrave; obra&rdquo;. Da&iacute; a met&aacute;fora de que trocou &ldquo;a caneta e o l&aacute;pis&rdquo; em Portugal por &ldquo;uma p&aacute; e picareta&rdquo; no Canad&aacute;. Estudante do curso comercial da Escola Bordal Pinheiro das Caldas da Ra&iacute;nha, recorda que n&atilde;o foi dif&iacute;cil arranjar trabalho. Ap&oacute;s ter feito o pedido de visto, com a ajuda de um amigo em Montreal, um dia ap&oacute;s chegar ao continente americano, arranjou trabalho na prov&iacute;ncia do Labrador, como &ldquo;ajudante de cozinha&rdquo;. Com o lema &ldquo;se tens doze, n&atilde;o gastes dez&rdquo;, nove meses depois chegou &agrave; conclus&atilde;o que Toronto, a atual &ldquo;capital&rdquo; econ&oacute;mica canadiana, seria o &ldquo;local ideal&rdquo; para se implantar. &ldquo;Quando cheguei a Toronto, tinha dinheiro suficiente para comprar uma casa, mas s&oacute; me vendiam se comprasse tr&ecirc;s, o que teve de ser&rdquo;, recorda. Em Toronto, abriu o primeiro restaurante portugu&ecirc;s, come&ccedil;ou a importar produtos de Portugal e da Europa, fundou a primeira coletividade portuguesa, o &laquo;First Portuguese&raquo;, e tamb&eacute;m criou o Rancho Folcl&oacute;rico da Nazar&eacute;, em 1956. &ldquo;A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; a nossa arma&rdquo;, foi a mensagem que quis transmitir aos seus filhos, J&uacute;lio e Charles, que optaram por &aacute;reas diferentes em termos profissionais, o primeiro, pela educa&ccedil;&atilde;o, &eacute; professor, o segundo, pela economia, &eacute; hoje ministro das Finan&ccedil;as do governo do Ont&aacute;rio. &ldquo;Eles s&atilde;o &oacute;timos trabalhadores e estudantes, pois ensinei-lhes que quando se trabalha com dedica&ccedil;&atilde;o, com o cora&ccedil;&atilde;o, com for&ccedil;a, nunca se perde&rdquo;, explicou, acrescentando que &ldquo;quando n&atilde;o se faz algo bem, aprende-se, para que, na pr&oacute;xima vez, se fa&ccedil;a de maneira diferente&rdquo;. &laquo;Quem respeita &eacute; respeitado&raquo;, e &laquo;nunca semeies cardos &agrave; espera de colher rosas&raquo;, s&atilde;o filosofias de vida que diz ter passado para os seus filhos. O seu pensamento no &ldquo;amanh&atilde;&rdquo; est&aacute; sempre presente. Com seis netos, o &ldquo;pioneiro&rdquo; decidiu abrir uma conta banc&aacute;ria para que eles possam frequentar a universidade com tranquilidade, tendo o futuro garantido.  Ant&oacute;nio Sousa diz que aquela gera&ccedil;&atilde;o que chegou &agrave; Am&eacute;rica em 1953 &ldquo;contribuiu para o desenvolvimento da imigra&ccedil;&atilde;o dos portugueses no Canad&aacute;&rdquo;. &ldquo;Somos iguais a todas as outras comunidades, mas individualmente somos diferentes&rdquo; considera. Na altura, os portugueses &ldquo;eram muitos respeitados, quer pelas entidades oficiais, quer, por exemplo, pr&oacute;prios bancos&rdquo;. Hoje, diz, os portugueses continuam por isso a ser respeitados, mas h&aacute; exce&ccedil;&otilde;es. Porque &ldquo;nem todos s&atilde;o iguais&rdquo;, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">http:\/\/www.mundoportugues.org\/content\/1\/11309\/comunidade-celebra-anos-emigracao-para-canada\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os 60 anos da emigra\u00e7\u00e3o portuguesa para o Canad\u00e1 ser\u00e3o assinalados durante dois meses com v\u00e1rias cerim\u00f3nias oficiais e uma exposi\u00e7\u00e3o, numa homenagem aos \u00abPioneiros\u00bb organizada pela Alian\u00e7a dos Clubes e Associa\u00e7\u00f5es Portuguesas do Ont\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-1193","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1193"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1315,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1193\/revisions\/1315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}