{"id":1198,"date":"2014-09-30T11:58:10","date_gmt":"2014-09-30T11:58:10","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-04-15T16:17:51","modified_gmt":"2015-04-15T16:17:51","slug":"os-filhos-da-jihad-nossos-filhos-sao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/os-filhos-da-jihad-nossos-filhos-sao\/","title":{"rendered":"Os filhos da Jihad nossos filhos s\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nos &uacute;ltimos tempos, teve-se conhecimento de alguns jovens portugueses, ou luso-descendentes, que se converteram ao Isl&atilde;o e aderiram posteriormente ao autodenominado Estado Isl&acirc;mico (EI), deslocando-se para a S&iacute;ria e Iraque a fim de se alistarem na Jihad que proclamam, como referia em entrevista Omar, nome de convers&atilde;o de um jovem portugu&ecirc;s, ao Expresso do passado dia 13.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crescente actividade do EI tem despertado uma enorme curiosidade por parte dos jovens europeus que, pelas mais diversas raz&otilde;es &ndash; falta de trabalho digno, condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, identifica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, religiosa &ndash; se sentem vazios e sem ideais, cada vez mais desligados do suposto Ocidente e do que ele representa. Aproveitando esse vazio identit&aacute;rio, o EI tem apostado nas convers&otilde;es desses jovens com a posterior ou imediata ades&atilde;o &agrave; sua Jihad, sobretudo por via das redes sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao darem aos jovens uma causa pela qual lutar, mais que preencher o vazio que o suposto Ocidente deixou nascer por n&atilde;o dar respostas aos seus anseios e aos seus problemas, este radicalismo pretensamente isl&acirc;mico re-ligou estes jovens a um sentido que, gostemos ou n&atilde;o, lhes passou a preencher a totalidade da vida. De um momento para o outro, os jovens passam de um &ldquo;peso morto&rdquo; da sociedade onde nasceram, para elementos fundamentais numa luta contra as injusti&ccedil;as desse mesmo mundo que acabam de rejeitar. Deixam de se sentir perif&eacute;ricos de uma Europa que rejeitam, para renascerem centrais nesse Estado Isl&acirc;mico que contra ela luta. Estes jovens, de que temos ouvido\/lido relatos e entrevistas, n&atilde;o t&ecirc;m, por norma, ao longo do seu crescimento e forma&ccedil;&atilde;o, qualquer contacto com o Isl&atilde;o enquanto religi&atilde;o ou enquanto cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como os seus pais, a sua forma&ccedil;&atilde;o &eacute; profundamente &ldquo;Ocidental&rdquo;, marcada por uma quase nula viv&ecirc;ncia religiosa e nenhum contacto com pa&iacute;ses do M&eacute;dio Oriente. Voltando ao caso de Omar, filho de pais residentes numa aldeia algures em Tr&aacute;s-os-Montes, que se viu obrigado a emigrar para Fran&ccedil;a a fim de procurar melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida, um emprego que teimava em n&atilde;o aparecer, um futuro que se fechava a cada dia.&nbsp;A dor da partida, j&aacute; por si violenta, era colmatada (segundo o pr&oacute;prio) por visitas anuais aos pais e &agrave; aldeia. Nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos, Omar estava j&aacute; convertido ao Isl&atilde;o, mas nada fazia prever que essa liga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fosse &agrave; religi&atilde;o mas sim ao Estado Isl&acirc;mico. A &uacute;ltima visita foi, muito provavelmente, a &uacute;ltima vez que a fam&iacute;lia se viu. Omar, diz, partiu para n&atilde;o mais voltar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fam&iacute;lia chora de cada vez que falam por telefone. N&atilde;o se conforma com esta mudan&ccedil;a e com a perda do filho. De facto, para uma fam&iacute;lia que n&atilde;o tem qualquer rela&ccedil;&atilde;o com os ideais, com os pa&iacute;ses, com as &ldquo;causas&rdquo; do EI, &eacute; uma dor visceral a de ver um filho ou uma filha juntar-se a um movimento onde dificilmente se percebe alguma razoabilidade. Acresce a tudo isto, o facto de todos os dias surgirem novas not&iacute;cias, novos horrores cometidos em nome de um fanatismo que se aproveitou de uma base religiosa, extrapolando para interesses e motivos que pouco ou nada se identificam com o Isl&atilde;o. A incerteza de saber se foi o seu filho ou filha que cometeu tal acto, a constante interroga&ccedil;&atilde;o pessoal sobre o que ter&aacute; falhado na forma&ccedil;&atilde;o que deram ao seu filho, o perscrutar as etapas e o acompanhamento, a culpabiliza&ccedil;&atilde;o, o sentimento de dor que os acompanha dia ap&oacute;s dia, s&atilde;o sentimentos e sentires que apenas quem os vive lhes consegue dar dimens&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Estado Isl&acirc;mico &eacute; mais um de tantos exemplos em que a religi&atilde;o &eacute; utilizada para se atingirem fins que nada t&ecirc;m a ver com a ess&ecirc;ncia religiosa. Atr&aacute;s da m&aacute;scara da religi&atilde;o escondem-se interesses econ&oacute;micos, pol&iacute;ticos e, acima de tudo, um desejo pelo controlo psicol&oacute;gico e mental dos indiv&iacute;duos, anulando a sua capacidade cr&iacute;tica e levando-os a cometerem actos que em nada contribuem para o bem comum ou para a edifica&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filhos de pais muito concretos, estes jovens europeus s&atilde;o filhos de todos n&oacute;s. Eles s&atilde;o a imagem e a marca de um insucesso que n&atilde;o se mede nos &iacute;ndices ou taxas. Mede-se na incapacidade de transmitir o que de fundamental dizemos que o Ocidente deu ao Mundo: o Humanismo e o que est&aacute; presente da carta dos Direitos do Homem. Esta &eacute; a nossas fal&ecirc;ncia dentro de portas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os autores s&atilde;o professores de Ci&ecirc;ncia das Religi&otilde;es, da Universidade Lus&oacute;fona<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a href=\"http:\/\/lifestyle.publico.pt\/religiaonacidade\/339655_os-filhos-da-jihad-nossos-filhos-sao\">http:\/\/lifestyle.publico.pt\/religiaonacidade\/339655_os-filhos-da-jihad-nossos-filhos-sao<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reuters &#8211; 29.09.2014<br \/>\nPor Paulo Mendes Pinto e Fernando Catarino<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1198","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1198"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1198\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1429,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1198\/revisions\/1429"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}