{"id":121,"date":"2010-02-25T15:20:59","date_gmt":"2010-02-25T15:20:59","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-15T17:26:30","modified_gmt":"2015-03-15T17:26:30","slug":"mensagem-do-papa-bento-xvi-para-o-96o-dia-mundial-do-migrante-e-do-refugiado-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/mensagem-do-papa-bento-xvi-para-o-96o-dia-mundial-do-migrante-e-do-refugiado-2010\/","title":{"rendered":"Mensagem do Papa Bento XVI para o 96\u00ba Dia Mundial do Migrante e do Refugiado (2010)"},"content":{"rendered":"<div><i><span>Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s<\/span><\/i><\/div>\n<div><span>A celebra&ccedil;&atilde;o do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado oferece-me novamente a ocasi&atilde;o de manifestar a solicitude constante que a Igreja alimenta por aqueles que vivem, de v&aacute;rios modos, a experi&ecirc;ncia da emigra&ccedil;&atilde;o. Trata-se de um fen&oacute;meno que, como escrevi na Enc&iacute;clica <i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\"><span>Caritas in veritate<\/span><\/a>, <\/i>impressiona pelo n&uacute;mero de pessoas envolvidas, pelas problem&aacute;ticas sociais, econ&oacute;micas, pol&iacute;ticas, culturais e religiosas que levanta, pelos desafios dram&aacute;ticos que apresenta &agrave;s comunidades nacionais e internacional. O migrante &eacute; uma pessoa humana com direitos fundamentais inalien&aacute;veis que devem ser respeitados sempre, e por todos (cf. n. 62). O tema deste ano, <i>&laquo;Os migrantes e os refugiados menores&raquo;<\/i>, refere-se a um aspecto que os crist&atilde;os avaliam com grande aten&ccedil;&atilde;o, recordando-se da admoesta&ccedil;&atilde;o de Cristo, que no ju&iacute;zo final considerar&aacute; referido a Ele mesmo tudo o que &eacute; feito ou negado &laquo;a um s&oacute; destes pequeninos&raquo; (cf. <i>Mt <\/i>25, 40.45). E como n&atilde;o considerar entre os &laquo;pequeninos&raquo; tamb&eacute;m os migrantes e refugiados menores? O pr&oacute;prio Jesus, quando era crian&ccedil;a, viveu a experi&ecirc;ncia do migrante porque, como narra o Evangelho, para fugir &agrave;s amea&ccedil;as de Herodes, teve que se refugiar no Egipto juntamente com Jos&eacute; e Maria (cf. <i>Mt <\/i>2, 14).<\/span><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div><span>Embora a Conven&ccedil;&atilde;o dos Direitos da Crian&ccedil;a afirme com clareza que deve ser sempre salvaguardado o interesse do menor (cf. art. 3), ao qual se devem reconhecer os direitos fundamentais da pessoa ao mesmo n&iacute;vel do adulto, infelizmente na realidade isto n&atilde;o acontece. Com efeito, enquanto aumenta na opini&atilde;o p&uacute;blica a consci&ecirc;ncia da necessidade de uma ac&ccedil;&atilde;o pontual e incisiva em protec&ccedil;&atilde;o dos menores, de facto muitos s&atilde;o abandonados e, de v&aacute;rios modos, encontram-se em perigo de explora&ccedil;&atilde;o. Da condi&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica em que eles vivem fez-se int&eacute;rprete o meu venerado Predecessor, <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/john_paul_ii\/letters\/1990\/documents\/hf_jp-ii_let_19900922_de-cuellar_it.html\"><span>Jo&atilde;o Paulo II, na mensagem enviada a 22 de Setembro de 1990<\/span><\/a> ao Secret&aacute;rio-Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, por ocasi&atilde;o do Encontro Mundial para as Crian&ccedil;as. &laquo;Sou testemunha &ndash; ele escreveu &ndash; da condi&ccedil;&atilde;o lancinante de milh&otilde;es de crian&ccedil;as de todos os continentes. Elas s&atilde;o mais vulner&aacute;veis, porque menos capazes de fazer ouvir a sua voz&raquo; (<i>Insegnamenti <\/i>XIII, 2, 1990, p&aacute;g. 672). Formulo votos de cora&ccedil;&atilde;o para que se reserve a justa aten&ccedil;&atilde;o aos migrantes menores, necessitados de um ambiente social que permita e favore&ccedil;a o seu desenvolvimento f&iacute;sico, cultural, espiritual e moral. Viver num pa&iacute;s estrangeiro sem pontos de refer&ecirc;ncia efectivos cria-lhes, especialmente &agrave;queles que est&atilde;o desprovidos do apoio da fam&iacute;lia, in&uacute;meros e por vezes graves inc&oacute;modos e dificuldades.<\/span><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div><span>Um aspecto t&iacute;pico da migra&ccedil;&atilde;o de menores &eacute; constitu&iacute;do pela situa&ccedil;&atilde;o dos jovens nascidos nos pa&iacute;ses receptores, ou ent&atilde;o por aquela dos filhos que n&atilde;o vivem com os pais emigrados depois do seu nascimento, mas que se re&uacute;nem a eles sucessivamente. Estes adolescentes fazem parte de duas culturas, com as vantagens e as problem&aacute;ticas ligadas &agrave; sua d&uacute;plice perten&ccedil;a, condi&ccedil;&atilde;o esta que todavia pode oferecer a oportunidade de experimentar a riqueza do encontro entre diferentes tradi&ccedil;&otilde;es culturais. &Eacute; importante que lhes seja oferecida a possibilidade da frequ&ecirc;ncia escolar e da sucessiva inser&ccedil;&atilde;o no mundo do trabalho, e que seja facilitada a integra&ccedil;&atilde;o social gra&ccedil;as a oportunas estruturas formativas e sociais. Nunca se esque&ccedil;a que a adolesc&ecirc;ncia representa uma etapa fundamental para a forma&ccedil;&atilde;o do ser humano.<\/span><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div><span>Uma categoria particular de menores &eacute; a dos refugiados que pedem asilo, fugindo por v&aacute;rios motivos do pr&oacute;prio pa&iacute;s, onde n&atilde;o recebem uma protec&ccedil;&atilde;o adequada. As estat&iacute;sticas revelam que o seu n&uacute;mero est&aacute; a aumentar. Por conseguinte, trata-se de um fen&oacute;meno que deve ser avaliado com aten&ccedil;&atilde;o e enfrentado com ac&ccedil;&otilde;es coordenadas, com oportunas medidas de preven&ccedil;&atilde;o, de salvaguarda e de acolhimento, segundo quanto prev&ecirc; tamb&eacute;m a pr&oacute;pria Conven&ccedil;&atilde;o dos Direitos da Crian&ccedil;a (cf. art. 22).<\/span><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div><span>Dirijo-me agora particularmente &agrave;s par&oacute;quias e &agrave;s muitas associa&ccedil;&otilde;es cat&oacute;licas que, animadas por um esp&iacute;rito de f&eacute; e de caridade, envidam grandes esfor&ccedil;os para ir ao encontro das necessidades destes nossos irm&atilde;os e irm&atilde;s. Enquanto exprimo gratid&atilde;o por quanto se est&aacute; a realizar com grande generosidade, gostaria de convidar todos os crist&atilde;os a tomar consci&ecirc;ncia do desafio social e pastoral que apresenta a condi&ccedil;&atilde;o dos menores migrantes e refugiados. Ressoam no nosso cora&ccedil;&atilde;o as palavras de Jesus: &laquo;Era peregrino e recolhestes-me&raquo; (<i>Mt <\/i>25, 35), assim como o mandamento central que Ele nos deixou: amar a Deus com todo o cora&ccedil;&atilde;o, com toda a alma e com toda a mente, mas unido ao amor ao pr&oacute;ximo (cf. <i>Mt <\/i>22, 37-39). Isto leva-nos a considerar que cada uma das nossas interven&ccedil;&otilde;es concretas deve nutrir-se antes de tudo de f&eacute; na ac&ccedil;&atilde;o da gra&ccedil;a e da Provid&ecirc;ncia divina. De tal modo, tamb&eacute;m o acolhimento e a solidariedade para com o estrangeiro, especialmente se se trata de crian&ccedil;as, torna-se an&uacute;ncio do Evangelho da solidariedade. A Igreja proclama-o, quando abre os seus bra&ccedil;os e trabalha para que sejam respeitados os direitos dos migrantes e dos refugiados, estimulando os respons&aacute;veis das Na&ccedil;&otilde;es, dos Organismos e das Institui&ccedil;&otilde;es internacionais, a fim de que promovam iniciativas oportunas em seu benef&iacute;cio. Vele materna sobre todos a Bem-Aventurada Virgem Maria, e ajude-nos a compreender as dificuldades daqueles que est&atilde;o distantes da pr&oacute;pria p&aacute;tria. A quantos est&atilde;o empenhados no vasto mundo dos migrantes e refugiados, asseguro a minha ora&ccedil;&atilde;o e concedo de cora&ccedil;&atilde;o a B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica.<\/span><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div><i><span>Vaticano, 16 de Outubro de 2009.<\/span><\/i><\/div>\n<div><b><span>BENEDICTUS PP. XVI<\/span><\/b><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os migrantes e os refugiados menores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-121","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=121"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1292,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121\/revisions\/1292"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}