{"id":1212,"date":"2014-03-18T13:02:09","date_gmt":"2014-03-18T13:02:09","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-05-22T16:09:07","modified_gmt":"2015-05-22T16:09:07","slug":"ate-a-emigracao-se-tornou-precaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/ate-a-emigracao-se-tornou-precaria\/","title":{"rendered":"\u201cAt\u00e9 a emigra\u00e7\u00e3o se tornou prec\u00e1ria\u201d"},"content":{"rendered":"<p> Em termos de volume de emigra\u00e7\u00e3o, \u00e9 consensual a ideia de que se voltou a n\u00fameros de sa\u00eddas semelhantes aos da d\u00e9cada de 1960, mas agora \u201ca emigra\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente&#8221;. &#8220;Nesse tempo, quando se sa\u00eda era para a vida, hoje em dia as sa\u00eddas n\u00e3o t\u00eam a mesma estabilidade. Quando saem, t\u00eam trabalhos prec\u00e1rios, sazonais. Muitos dos que v\u00e3o voltam\u201d, afirma o coordenador do projeto de investiga\u00e7\u00e3o Regresso ao Futuro: a Nova Emigra\u00e7\u00e3o e a Rela\u00e7\u00e3o com a Sociedade Portuguesa, Jo\u00e3o Peixoto.<br \/>\nO soci\u00f3logo do Instituto Superior de Economia e Gest\u00e3o da Universidade de Lisboa chama-lhes \u201cmovimentos itinerantes\u201d, notando que \u201cat\u00e9 a emigra\u00e7\u00e3o se tornou prec\u00e1ria\u201d, querendo com esta express\u00e3o dizer que quem est\u00e1 num pa\u00eds muitas vezes j\u00e1 viveu noutro antes e, quando deixa de ter trabalho no s\u00edtio onde est\u00e1, pode \u201creimigrar\u201d. \u201cN\u00e3o h\u00e1 mais carreiras longas e trabalho para a vida toda\u201d, a esse fator junta-se o facto de \u201cmuitas vezes os trabalhos mais prec\u00e1rios serem para estrangeiros\u201d.<br \/>\nEsse vai e vem nota-se. Entre 2001 e 2011, havia em Portugal 230 mil pessoas que tinham estado a viver fora mais de um ano, refere Jo\u00e3o Peixoto, que vai apresentar dados da investiga\u00e7\u00e3o que \u00e9 financiada pela Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e Tecnologia (FCT). Neste universo, est\u00e3o tamb\u00e9m os emigrantes tradicionais que v\u00eam passar a sua reforma a Portugal. Mas estes s\u00e3o uma minoria, representam cerca de um ter\u00e7o; os restantes s\u00e3o pessoas mais jovens que regressaram a Portugal. \u201cO grupo onde h\u00e1 mais gente a entrar em Portugal que tinha estado l\u00e1 fora tem entre 30 e 34 anos. Isto \u00e9 uma novidade.\u201d<br \/>\n\u201cO que falta saber \u00e9 por que voltam \u2013 &#8216;porque deixaram de ter trabalho? Porque deixaram c\u00e1 fam\u00edlia?&#8217; \u2013, e se ficam em Portugal ou se voltam a sair.\u201d Jo\u00e3o Peixoto diz que \u201ca situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o pode ser considerada mais dram\u00e1tica [em termos demogr\u00e1ficos] porque as pessoas n\u00e3o v\u00e3o para sempre. S\u00e3o raz\u00f5es para manter algum optimismo.\u201d<br \/>\nMas n\u00e3o foi apenas este aspecto que mudou. Quando o objecto de estudo s\u00e3o portugueses com habilita\u00e7\u00f5es mais altas que sa\u00edram do pa\u00eds, \u00e9 delicado usar o termo \u201cemigrante\u201d, constata a investigadora do Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Lisboa Marta Vilar Rosales. Na investiga\u00e7\u00e3o de que \u00e9 coordenadora, Travessias do Atl\u00e2ntico: Materialidade, Movimentos Contempor\u00e2neos e Pol\u00edticas de Perten\u00e7a, est\u00e3o a acompanhar portugueses que foram viver para o Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, assim como brasileiros que vieram para Portugal.<br \/>\nA investiga\u00e7\u00e3o, que \u00e9 financiada pela FCT, ainda est\u00e1 no in\u00edcio mas uma coisa \u00e9 certa: \u201cSentem-se ofendidos se os chamamos emigrantes. V\u00eaem-se como expatriados, pessoas em tr\u00e2nsito, tudo menos emigrantes\u201d, diz a antrop\u00f3loga. \u201c\u00c9 rara a fam\u00edlia portuguesa que n\u00e3o tem um tio, um tio-av\u00f4 emigrante. H\u00e1 o estigma de ser emigrante para sobreviver\u201d, diz.<br \/>\n\u201cO conceito de emigra\u00e7\u00e3o introduz a quest\u00e3o do determinismo e n\u00e3o de escolha. \u00c9 para aquela pessoa que, coitada, teve de sair.\u201d Quando se emigra, \u201ccada pessoa constr\u00f3i uma hist\u00f3ria para fazer sentido para si, essa hist\u00f3ria do tr\u00e2nsito \u00e9 muito valorizada. Falar de emigra\u00e7\u00e3o atrapalha o discurso da mobilidade transnacional, da globaliza\u00e7\u00e3o e do cosmopolitismo\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>http:\/\/www.publico.pt\/sociedade\/noticia\/ate-a-emigracao-se-tornou-precaria-1627557<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CATARINA GOMES <\/p>\n<p>10\/03\/2014 &#8211; 07:51<\/p>\n<p>\u201cSentem-se ofendidos se os chamamos emigrantes. 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