{"id":1215,"date":"2014-05-09T14:52:13","date_gmt":"2014-05-09T14:52:13","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-15T17:30:03","modified_gmt":"2015-03-15T17:30:03","slug":"temos-um-sonho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/temos-um-sonho\/","title":{"rendered":"Temos um sonho!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"\/ocpm\/ficheiros\/image\/Photo%20COMECE-Caritas%20(2).jpg\" width=\"0\" height=\"0\" alt=\"\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"\/ocpm\/ficheiros\/image\/NEW%20logo%20COMECE%20Email%20(2).jpg\" width=\"60\" height=\"59\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">P<strong>. Daly:<\/strong> O projeto europeu foi o resultado de um sonho. Depois do pesadelo da guerra surgiu um sonho de que a guerra podia ser banida para sempre do nosso continente e que se podia criar uma sociedade em que as pessoas pudessem viver em liberdade e em paz. Setenta anos depois o sonho dos pais fundadores da UE &ndash; a maioria dos quais crist&atilde;os empenhados que trabalharam incansavelmente para transpor a sua vis&atilde;o para a esfera pol&iacute;tica e social &ndash; transformou-se numa realidade que ultrapassa aquilo que poderiam imaginar. H&aacute; cerca de quarenta anos, quando eu, jovem estudante universit&aacute;rio irland&ecirc;s, vim prosseguir os meus estudos na B&eacute;lgica, tamb&eacute;m estava muito inspirado por este ideal europeu. Atualmente, em 2014, a UE est&aacute; na sua terceira gera&ccedil;&atilde;o: a crise econ&oacute;mica\/da banca est&aacute;, infelizmente, a lan&ccedil;ar uma sombra sobre o projeto europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jorge Nu&ntilde;o Mayer:<\/strong> &Eacute; verdade. Muitos europeus foram fortemente atingidos pela crise. Do nosso posto de observa&ccedil;&atilde;o europeu na Caritas Europa vemos o sofrimento de muitos dos nossos concidad&atilde;os. Em Espanha, o meu pa&iacute;s natal, 50% dos jovens est&atilde;o desempregados. H&aacute; mais desigualdade e mais pobreza na Europa. Ao mesmo tempo, um n&uacute;mero infind&aacute;vel de pobres batem &agrave; porta da Europa, procurando atravessar as nossas fronteiras. Um quinto da popula&ccedil;&atilde;o mundial passa fome. E apesar disso, para os que est&atilde;o no poder s&oacute; conta a economia. O PIB e o crescimento n&atilde;o s&atilde;o tudo! Os seres humanos e a sociedade est&atilde;o a ser esquecidos. As previs&otilde;es econ&oacute;micas indicam que h&aacute; milh&otilde;es que nunca encontrar&atilde;o emprego nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas. A UE vive numa situa&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia: os pobres n&atilde;o podem esperar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Daly:<\/strong> Esta situa&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica deve-se ao facto de termos ido demasiado longe na integra&ccedil;&atilde;o europeia ou de n&atilde;o termos ido suficientemente longe? Pode ser que nos tenhamos afastado demasiado do plano inicial dos pais fundadores.  Robert Schuman, Alcide de Gasperi e Konrad Adenauer tinham em mente um projeto centrado na paz e na solidariedade. Era um projeto assente nos valores crist&atilde;os. No relat&oacute;rio da COMECE intitulado Uma Europa de Valores [A Europe of Values] (2007) fizemos um invent&aacute;rio desses valores. A reconcilia&ccedil;&atilde;o era uma condi&ccedil;&atilde;o sine qua non do projeto nos seus primeiros tempos. O aumento atual do populismo em diferentes partes da Europa mostra que nunca podemos dar como garantida a reconcilia&ccedil;&atilde;o. A nossa gera&ccedil;&atilde;o e as pr&oacute;ximas gera&ccedil;&otilde;es de Crist&atilde;os precisam de trabalhar afincadamente e dar testemunho dos valores fundamentais do Evangelho, come&ccedil;ando nas nossas par&oacute;quias, em todo o continente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jorge Nu&ntilde;o Mayer:<\/strong> Certamente! Se n&oacute;s, Crist&atilde;os, incitados pela nossa devo&ccedil;&atilde;o por esses valores crist&atilde;os fundamentais (e n&atilde;o apenas aos domingos!), pud&eacute;ssemos assumir mais responsabilidades na sociedade a n&iacute;vel europeu e fazer ouvir a nossa voz na pol&iacute;tica, nos neg&oacute;cios e no setor financeiro, como fazemos nos c&iacute;rculos eclesiais e nas nossas fam&iacute;lias (a Igreja dom&eacute;stica de S. Jo&atilde;o Paulo II), poder&iacute;amos dar uma nova face &agrave; Europa. Na verdade, uma face mais humana. Temos de voltar a colocar a pessoa humana no centro da economia e das pol&iacute;ticas europeias. Os neg&oacute;cios e o crescimento devem servir esta miss&atilde;o. O objetivo &uacute;ltimo de qualquer decis&atilde;o deve ser servir cada pessoa e o povo como um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Daly:<\/strong> Tens toda a raz&atilde;o. Na verdade, a pobreza &eacute; uma das muitas agress&otilde;es &agrave; dignidade humana. A vida humana devia gozar de prote&ccedil;&atilde;o desde o momento da conce&ccedil;&atilde;o at&eacute; &agrave; morte natural. N&atilde;o se trata apenas de um direito passivo, algo que toleramos. Qualquer ser humano, seja cidad&atilde;o europeu ou migrante, devia ter oportunidade de atingir o seu desenvolvimento integral. Temos o direito de determinar as nossas pr&oacute;prias vidas! A educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, trabalho (e n&atilde;o apenas o emprego) e cultura s&atilde;o dimens&otilde;es essenciais do nosso desenvolvimento pessoal e um respeito rigoroso do princ&iacute;pio da subsidiariedade implica que eles obter&atilde;o o respeito que merecem na UE e nos seus Estados-Membros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jorge Nu&ntilde;o Mayer:<\/strong> Sem d&uacute;vida! A UE devia concentrar-se na procura e na defesa do bem comum, deixando os seus cidad&atilde;os participarem o mais poss&iacute;vel na constru&ccedil;&atilde;o da comunidade de valores &uacute;nica que &eacute; a UE. O bem comum da comunidade da minha aldeia est&aacute; ligado ao bem comum mais vasto de todos os europeus. Se uma decis&atilde;o criar mais pobreza ou sofrimento em qualquer parte do mundo, &eacute; uma m&aacute; decis&atilde;o. Montesquieu disse-o de forma admir&aacute;vel: &ldquo;Se soubesse de alguma coisa &uacute;til para a minha p&aacute;tria e que fosse prejudicial para a Europa, ou que fosse &uacute;til &agrave; Europa e prejudicial para o g&eacute;nero humano, consideraria isso um crime.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Daly: <\/strong>De facto somos membros da fam&iacute;lia humana, todos irm&atilde;os e irm&atilde;s. E partilhamos a responsabilidade de guardi&atilde;es da cria&ccedil;&atilde;o. Para n&oacute;s, Crist&atilde;os, as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas s&atilde;o uma quest&atilde;o fundamental e uma pol&iacute;tica da UE harmonizada, partilhada e apoiada por todos permitir-nos-&aacute; agir eficazmente e evitar potenciais desastres. Em 2008 a COMECE publicou um relat&oacute;rio sobre o clima e o modo de vida crist&atilde;o. A mensagem era que dev&iacute;amos aspirar a viver de modo mais simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jorge Nu&ntilde;o Mayer:<\/strong> Justamente. A longo prazo, a temperan&ccedil;a e a vida simples s&atilde;o o &uacute;nico caminho realista e justo a seguir. Dev&iacute;amos falar sobre estas coisas  entre n&oacute;s: nas nossas fam&iacute;lias, na nossa vizinhan&ccedil;a, no trabalho. Dev&iacute;amos velar para que os nossos princ&iacute;pios informem as decis&otilde;es econ&oacute;micas e pol&iacute;ticas. &Eacute; preciso que as nossas sociedades sejam mais compassivas. N&atilde;o podemos fechar os olhos ao sofrimento dos outros, sejam pobres, desempregados ou sem-abrigo. Dev&iacute;amos estender uma m&atilde;o hospitaleira aos estranhos que vivem na mis&eacute;ria &ndash; n&atilde;o apenas aos migrantes ou refugiados, mas tamb&eacute;m aos nossos vizinhos que enfrentam dificuldades em tempo de crise. Algo t&atilde;o simples como dar a outra pessoa oportunidade de falar pode fazer uma grande diferen&ccedil;a, mesmo que n&atilde;o possa transformar uma vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Daly:<\/strong> A busca de uma identidade europeia que corresponda aos nossos sonhos estabelece padr&otilde;es elevados para um crist&atilde;o. Temos de nos abrir aos estranhos, &agrave;quilo que inicialmente nos pode parecer desconhecido, e ao mesmo tempo renovar constantemente o nosso comprometimento com as nossas ra&iacute;zes crist&atilde;s. Devemos permanecer t&atilde;o abertos ao di&aacute;logo como esteve Cristo terreno durante o seu minist&eacute;rio p&uacute;blico. O Papa Francisco convida-nos a desenvolver uma nova atitude: &ldquo;Os outros t&ecirc;m sempre algo para nos dar se soubermos aproximar-nos deles num esp&iacute;rito de abertura e sem preconceitos. Defino esta atitude aberta, dispon&iacute;vel e sem preconceitos como humildade social e &eacute; isto que favorece o di&aacute;logo.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jorge Nu&ntilde;o Mayer: <\/strong>Foi exatamente este esp&iacute;rito que esteve na origem do projeto europeu e que o movimento de integra&ccedil;&atilde;o lan&ccedil;ou em 1950. Este esp&iacute;rito permitir&aacute; que abandonemos os nossos modos de vida individualistas, muitas vezes centrados no consumo, e mostremos abertura aos estranhos. Eu sou o guardi&atilde;o do meu irm&atilde;o. Devo promover ativamente o bem-estar do meu pr&oacute;ximo. A ideia de pr&oacute;ximo tem de ser entendida de maneira diferente numa sociedade pluralista e multicultural. Como nos lembrou S. Jo&atilde;o Paulo II: &ldquo;Europa significa abertura.&rdquo;  Pe. Patrick H. Daly e Jorge Nu&ntilde;o Mayer: Apelamos a todos os Crist&atilde;os que t&ecirc;m uma responsabilidade pol&iacute;tica, social ou econ&oacute;mica para reanimarem o sonho europeu. Se os Crist&atilde;os se empenharem nos valores que est&atilde;o no cerne do projeto europeu e da doutrina social da Igreja, contribuir&atilde;o para dar forma a um mundo melhor. H&aacute; um sonho europeu inabal&aacute;vel &ndash; cabe-nos a n&oacute;s torn&aacute;-lo realidade!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas vozes, mas uma vis\u00e3o comum em tempos de crise<\/p>\n<p>O Padre Patrick H. Daly \u00e9 Secret\u00e1rio-Geral da COMECE<br \/>\nJorge Nu\u00f1o Mayer \u00e9 Secret\u00e1rio-Geral da Caritas Europa<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es europeias est\u00e3o \u00e0 porta. Tendo bem presente o sonho que inspirou os fundadores da Comunidade Europeia, os dois secret\u00e1rios-gerais pensam que \u00e9 uma boa ideia conversar sobre o projeto europeu. A convic\u00e7\u00e3o que partilham \u00e9 que para lhe dar um novo impulso \u00e9 preciso um empenhamento renovado por parte de todos os Crist\u00e3os respons\u00e1veis.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-1215","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1215","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1215"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1215\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1311,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1215\/revisions\/1311"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1215"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1215"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1215"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}