{"id":1220,"date":"2014-09-19T11:30:38","date_gmt":"2014-09-19T11:30:38","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-05-22T15:43:13","modified_gmt":"2015-05-22T15:43:13","slug":"portugal-nao-pode-esquecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/portugal-nao-pode-esquecer\/","title":{"rendered":"Portugal n\u00e3o pode esquecer &#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3os e Irm\u00e3s peregrinos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3os e Irm\u00e3s Emigrantes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">1. O texto do Evangelho, agora proclamado, descreve-nos o ambiente da hora da paix\u00e3o de Jesus e narra-nos em pormenor o que Jesus, sua M\u00e3e e Jo\u00e3o, o disc\u00edpulo, ali viveram. Da palavra de Jesus depreendemos a import\u00e2ncia daquele momento e aprendemos o significado daquele gesto. Jesus quis confiar sua M\u00e3e a Jo\u00e3o, o disc\u00edpulo sempre presente. \u00c9, assim, como filhos e irm\u00e3os, que aqui estamos, hoje, tamb\u00e9m n\u00f3s, protagonistas desta hora, como se a cada um de n\u00f3s Jesus confiasse sua M\u00e3e e nos entregasse a n\u00f3s ao seu cuidado e ao seu desvelo de M\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9 o sentido maior desta peregrina\u00e7\u00e3o: confiarmo-nos \u00e0 b\u00ean\u00e7\u00e3o e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da M\u00e3e de Jesus e levar a partir daqui Nossa Senhora connosco para nossas casas. Recordo o que um emigrante, natural daqui bem perto, meu paroquiano, em Paris, que ali vivia sem a fam\u00edlia, me contou, h\u00e1 muitos anos. Ele foi a salto para Fran\u00e7a no in\u00edcio dos anos setenta. Passou dias e semanas de ansiedade e de medo, numa longa e arriscada viagem, guiado pelo desejo de encontrar um pa\u00eds que o acolhesse e um trabalho que garantisse um futuro digno para os seus filhos e para a sua esposa. Quando chegou a Fran\u00e7a, ali mesmo \u00e0s portas de Paris, encontrou amigos e conterr\u00e2neos que o receberam em sua casa e lhe procuraram trabalho. Ao abrir a mala, que levara de Portugal, descobriu, no meio da roupa, que a esposa preparara, uma imagem de Nossa Senhora com esta mensagem: \u201cGuarda contigo esta imagem, porque onde Nossa Senhora estiver tamb\u00e9m a\u00ed estamos n\u00f3s: os teus filhos e eu\u201d. Esta certeza de f\u00e9, assim convictamente afirmada pela esposa, ajudara este homem bom a guardar \u00edntegra a sua comunh\u00e3o com a fam\u00edlia e dava-lhe for\u00e7a di\u00e1ria para viver sereno, para estar confiante e para trabalhar com coragem, sabendo que da sua vida digna e do seu trabalho honesto dependiam a vida e o futuro da fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">2.Portugal \u00e9, desde h\u00e1 muitos s\u00e9culos, na\u00e7\u00e3o de emigrantes e terra de imigrantes. Portugal deve assumir com alegria este des\u00edgnio da sua hist\u00f3ria e acolher com generosidade os novos imigrantes, que procuram o nosso pa\u00eds. Honra-nos este nosso passado, lido em chave de emigra\u00e7\u00e3o. Recordamos hoje, na nossa ora\u00e7\u00e3o, homens e mulheres emigrantes, protagonistas desta hist\u00f3ria. N\u00e3o podemos ignorar nem deixar de lamentar as raz\u00f5es que levam hoje tantos portugueses, cheios de dons e de talentos, a sair de Portugal, porque aqui n\u00e3o encontram trabalho. A falta de trabalho desumaniza as pessoas e coloca em perigo o futuro de um Pa\u00eds. Portugal n\u00e3o pode esquecer que sem os emigrantes de ontem n\u00e3o era o Pa\u00eds que hoje \u00e9 e sem os emigrantes de hoje n\u00e3o consegue vencer a crise que tem vivido. Recusar, por seu lado, a entrada a quem procura imigrar para viver em fam\u00edlia com dignidade e para trabalhar com honestidade \u00e9 um pecado! Ningu\u00e9m pode roubar aos emigrantes o encanto do sonho e a alegria da esperan\u00e7a!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro passo da miss\u00e3o da Igreja no campo espec\u00edfico das migra\u00e7\u00f5es e da mobilidade humana consiste em perceber que este \u00e9 um tempo novo e que habitamos uma terra nova, no cora\u00e7\u00e3o de um mundo global (Is 11, 1-5). Queremos acreditar e devemos trabalhar para que esta seja tamb\u00e9m a hora da reconcilia\u00e7\u00e3o entre as pessoas estrangeiras e da paz entre os povos desavindos, como nos dizia S. Paulo na segunda leitura (2 Cor 5, 17-21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Ao olhar o enorme movimento migrat\u00f3rio que caracteriza o nosso tempo e define o rumo da nossa hist\u00f3ria temos consci\u00eancia de que o desejo de um futuro digno, justo e solid\u00e1rio esteve sempre presente no cora\u00e7\u00e3o de quem emigra. Os emigrantes s\u00e3o embaixadores desta esperan\u00e7a e protagonistas da constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor, com rosto humano, esculpido com as linhas crist\u00e3s da bondade, da hospitalidade, da universalidade e da fraternidade. Apesar das injusti\u00e7as e das guerras que continuam a permitir ou mesmo a promover o tr\u00e1fico das pessoas, a aniquilar os sonhos das crian\u00e7as, a matar inocentes e a p\u00f4r em risco o futuro de tantos povos, os crentes s\u00e3o convidados, como nos exorta o Papa Francisco na Mensagem para a Jornada Mundial do Migrante de 2014 a \u201cn\u00e3o perder a esperan\u00e7a de que lhe est\u00e1 reservado um futuro mais seguro e que nos caminhos da migra\u00e7\u00e3o encontrar\u00e3o sempre uma m\u00e3o estendida que lhe far\u00e1 experimentar a solidariedade fraterna e o calor da amizade\u201d (cf. MJMM 2014). \u00c0 Igreja n\u00e3o pertence decidir pol\u00edticas de emigra\u00e7\u00e3o mas incumbe-lhe alertar com coragem e determina\u00e7\u00e3o os governantes para as causas da justi\u00e7a e para os valores do bem comum, em ordem a promover uma economia de rosto humano e solid\u00e1rio e um sistema financeiro assente na verdade. Esta solicitude pastoral concretiza-se na lucidez evang\u00e9lica do magist\u00e9rio da Igreja e na disponibilidade dos sacerdotes e agentes de pastoral para partirem com os emigrantes para os pa\u00edses de destino. Esta solicitude pastoral manifesta-se igualmente na forma acolhedora das comunidades crist\u00e3s de origem neste tempo de f\u00e9rias e no regresso definitivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Se assim vivermos e trabalharmos na Igreja em Portugal estamos a \u201cenvolver a todos no amor de Deus pelo mundo\u201d, como nos prop\u00f5e o Santu\u00e1rio de F\u00e1tima no tema escolhido para este ano pastoral. Muitas t\u00eam sido ao longo dos s\u00e9culos as transgress\u00f5es \u00e0 lei de Deus e grandes os pecados cometidos contra os nossos irm\u00e3os neste campo espec\u00edfico do reconhecimento do pr\u00f3ximo, da hospitalidade dada aos estrangeiros, da busca da fraternidade, do respeito pela dignidade humana, da constru\u00e7\u00e3o do bem comum e da promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social. Tamb\u00e9m aqui sentimos ser de cada um de n\u00f3s o pecado da Humanidade. E dizemos: \u201cPerdoai-me, porque pequei\u201d (cf Sl 51). Pe\u00e7amos perd\u00e3o por todas as vezes em que nos acomodamos e nos fechamos no nosso bem-estar, por todas as vezes em que se anestesiou o nosso cora\u00e7\u00e3o! Mas mais do que julgar os erros do passado importa \u201cdespertar as nossas consci\u00eancias a fim de que n\u00e3o se repita o que de mal aconteceu at\u00e9 aqui\u201d, assim nos dizia o Papa Francisco na Eucaristia que celebrou em Lampedusa, na It\u00e1lia, frente ao mar onde morreram centenas de emigrantes. O Papa Francisco agradeceu, naquele momento de dor e de gratid\u00e3o, \u00e0 Comunidade crist\u00e3 de habitantes de Lampedusa e Linosa, \u00e0s suas associa\u00e7\u00f5es e aos volunt\u00e1rios pela aten\u00e7\u00e3o dada aos emigrantes e \u00e0s pessoas em viagem, dizendo-lhes: \u201cSois uma realidade pequena mas ofereceis-nos um belo exemplo de solidariedade\u201d (Homilia do Papa Francisco em Lampedusa, 8 de julho de 2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m a hist\u00f3ria da emigra\u00e7\u00e3o em Portugal e a a\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja com os emigrantes se faz de pequenos gestos prof\u00e9ticos e de sinais vis\u00edveis que serviram para abrir caminhos novos, rumo a um mundo melhor na vida dos emigrantes. Quero, tamb\u00e9m eu, ser voz da Igreja para agradecer aos sacerdotes, aos consagrados (as), aos agentes de pastoral, \u00e0s fam\u00edlias, \u00e0s comunidades e \u00e0s miss\u00f5es cat\u00f3licas dispersas pelo mundo o bem realizado na vanguarda desta miss\u00e3o ao servi\u00e7o dos emigrantes. Agrade\u00e7o e louvo, igualmente, o trabalho feito pela Obra Cat\u00f3lica Portuguesa das Migra\u00e7\u00f5es, pelos Secretariados Diocesanos da Mobilidade Humana e pelas Associa\u00e7\u00f5es de Migrantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que Deus a todos recompense! Tem esta Peregrina\u00e7\u00e3o a sugestiva particularidade de testemunhar a generosidade dos agricultores de Leiria e de Portugal que, cumprindo uma bela tradi\u00e7\u00e3o, oferecem trigo dos seus campos, fruto da bondade de Deus e do trabalho humano, para aqui ser transformado, na Eucaristia, em P\u00e3o da Vida e Corpo de Cristo para a vida do Mundo. Rezamos por v\u00f3s, irm\u00e3os e irm\u00e3s, e agradecemo-vos este gesto t\u00e3o magn\u00e2nimo e t\u00e3o eloquente da vossa generosidade!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">5. E agora com o olhar do cora\u00e7\u00e3o voltado para a M\u00e3e de Jesus, Senhora de F\u00e1tima, rezai comigo, irm\u00e3os e irm\u00e3s: Senhora de F\u00e1tima, sentimos a vossa presen\u00e7a na viagem di\u00e1ria da nossa vida, como peregrinos e emigrantes que somos. Sempre estivestes e estais connosco, a inspirar a nossa ora\u00e7\u00e3o, a alimentar a nossa esperan\u00e7a e a vencer os nossos medos. Hoje, vimos a este Santu\u00e1rio, para Vos agradecer e para levar daqui \u00e2nimo novo, vontade firme, serenidade confiante e b\u00ean\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para continuarmos o caminho rumo a um mundo melhor. Senhora do Ros\u00e1rio de F\u00e1tima, aben\u00e7oai Portugal! Protegei os peregrinos e os emigrantes, reunidos neste Santu\u00e1rio! Iluminai os caminhos de todos os que procuram Deus! Aliviai as dores dos que sofrem! Acolhei as l\u00e1grimas dos que choram! Dai a paz ao Mundo! Beatos Francisco e Jacinta, intercedei por n\u00f3s! \u00c1men!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, 13 de agosto de 2014<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, bispo do Porto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia na Eucaristia da Peregrina\u00e7\u00e3o Anivers\u00e1ria de 13 de agosto ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-1220","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1220","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1220"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1220\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1616,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1220\/revisions\/1616"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1220"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1220"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}