{"id":1572,"date":"2015-05-22T13:45:39","date_gmt":"2015-05-22T13:45:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/ocpm\/v2\/?p=1572"},"modified":"2015-05-22T13:54:27","modified_gmt":"2015-05-22T13:54:27","slug":"igreja-sem-fonteiras-mae-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/igreja-sem-fonteiras-mae-de-todos\/","title":{"rendered":"Igreja sem Fonteiras: M\u00e3e de todos"},"content":{"rendered":"<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>Jesus \u00e9 \u00abo evangelizador por excel\u00eancia e o Evangelho em pessoa\u00bb (Exort. ap. Evangelii gaudium, 209). A sua solicitude, especialmente pelos mais vulner\u00e1veis e marginalizados, a todos convida a cuidar das pessoas mais fr\u00e1geis e reconhecer o seu rosto de sofrimento sobretudo nas v\u00edtimas das novas formas de pobreza e escravid\u00e3o. Diz o Senhor: \u00abTive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber, era peregrino e recolhestes-Me, estava nu e destes-Me que vestir, adoeci e visitastes-Me, estive na pris\u00e3o e fostes ter comigo\u00bb (Mt25, 35-36). Por isso, a Igreja, peregrina sobre a terra e m\u00e3e de todos, tem por miss\u00e3o amar Jesus Cristo, ador\u00e1-Lo e am\u00e1-Lo, particularmente nos mais pobres e abandonados; e entre eles contam-se, sem d\u00favida, os migrantes e os refugiados, que procuram deixar para tr\u00e1s duras condi\u00e7\u00f5es de vida e perigos de toda a esp\u00e9cie. Assim, neste ano, o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado tem por tema: Igreja sem fronteiras, m\u00e3e de todos.<\/p>\n<p>Com efeito, a Igreja estende os seus bra\u00e7os para acolher todos os povos, sem distin\u00e7\u00e3o nem fronteiras, e para anunciar a todos que \u00abDeus \u00e9 amor\u00bb (1 Jo 4, 8.16). Depois da sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, Jesus confiou aos disc\u00edpulos a miss\u00e3o de ser suas testemunhas e proclamar o Evangelho da alegria e da miseric\u00f3rdia. Eles, no dia de Pentecostes, sa\u00edram do Cen\u00e1culo cheios de coragem e entusiasmo; sobre d\u00favidas e incertezas, prevaleceu a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, fazendo com que cada um compreendesse o an\u00fancio dos Ap\u00f3stolos na pr\u00f3pria l\u00edngua; assim, desde o in\u00edcio, a Igreja \u00e9 m\u00e3e de cora\u00e7\u00e3o aberto ao mundo inteiro, sem fronteiras. Aquele mandato abrange j\u00e1 dois mil\u00e9nios de hist\u00f3ria, mas, desde os primeiros s\u00e9culos, o an\u00fancio mission\u00e1rio p\u00f4s em evid\u00eancia a maternidade universal da Igreja, posteriormente desenvolvida nos escritos dos Padres e retomada pelo Conc\u00edlio Vaticano II. Os Padres conciliares falaram de Ecclesia mater para explicar a sua natureza; na verdade, a Igreja gera filhos e filhas, sendo \u00abincorporados\u00bb nela que \u00abos abra\u00e7a com amor e solicitude\u00bb (Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 14).<\/p>\n<p>A Igreja sem fronteiras, m\u00e3e de todos, propaga no mundo a cultura do acolhimento e da solidariedade, segundo a qual ningu\u00e9m deve ser considerado in\u00fatil, intruso ou descart\u00e1vel. A comunidade crist\u00e3, se viver efetivamente a sua maternidade, nutre, guia e aponta o caminho, acompanha com paci\u00eancia, solidariza-se com a ora\u00e7\u00e3o e as obras de miseric\u00f3rdia. Nos nossos dias, tudo isto assume um significado particular. Com efeito, numa \u00e9poca de t\u00e3o vastas migra\u00e7\u00f5es, um grande n\u00famero de pessoas deixa os locais de origem para empreender a arriscada viagem da esperan\u00e7a com uma bagagem cheia de desejos e medos, \u00e0 procura de condi\u00e7\u00f5es de vida mais humanas. N\u00e3o raro, por\u00e9m, estes movimentos migrat\u00f3rios suscitam desconfian\u00e7a e hostilidade, inclusive nas comunidades eclesiais, mesmo antes de se conhecer as hist\u00f3rias de vida, de persegui\u00e7\u00e3o ou de mis\u00e9ria das pessoas envolvidas. Neste caso, as suspeitas e preconceitos est\u00e3o em contraste com o mandamento b\u00edblico de acolher, com respeito e solidariedade, o estrangeiro necessitado.<\/p>\n<p>Por um lado, no sacr\u00e1rio da consci\u00eancia, adverte-se o apelo a tocar a mis\u00e9ria humana e p\u00f4r em pr\u00e1tica o mandamento do amor que Jesus nos deixou, quando Se identificou com o estrangeiro, com quem sofre, com todas as v\u00edtimas inocentes da viol\u00eancia e explora\u00e7\u00e3o. Mas, por outro, devido \u00e0 fraqueza da nossa natureza, \u00absentimos a tenta\u00e7\u00e3o de ser crist\u00e3os, mantendo uma prudente dist\u00e2ncia das chagas do Senhor\u00bb (Exort. ap. Evangelii gaudium, 270).<\/p>\n<p>A coragem da f\u00e9, da esperan\u00e7a e da caridade permite reduzir as dist\u00e2ncias que nos separam dos dramas humanos. Jesus Cristo est\u00e1 sempre \u00e0 espera de ser reconhecido nos migrantes e refugiados, nos deslocados e exilados e, assim mesmo, chama-nos a partilhar os recursos e por vezes a renunciar a qualquer coisa do nosso bem-estar adquirido. Assim no-lo recordava o Papa Paulo VI, ao dizer que \u00abos mais favorecidos devem renunciar a alguns dos seus direitos, para poderem colocar, com mais liberalidade, os seus bens ao servi\u00e7o dos outros\u00bb [Carta ap. Octogesima adveniens (14 de Maio de 1971), 23].<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o car\u00e1cter multicultural das sociedades de hoje encoraja a Igreja a assumir novos compromissos de solidariedade, comunh\u00e3o e evangeliza\u00e7\u00e3o. Na realidade, os movimentos migrat\u00f3rios solicitam que se aprofundem e reforcem os valores necess\u00e1rios para assegurar a conviv\u00eancia harmoniosa entre pessoas e culturas. Para isso, n\u00e3o \u00e9 suficiente a mera toler\u00e2ncia, que abre caminho ao respeito das diversidades e inicia percursos de partilha entre pessoas de diferentes origens e culturas. Aqui se insere a voca\u00e7\u00e3o da Igreja a superar as fronteiras e favorecer \u00aba passagem de uma atitude de defesa e de medo, de desinteresse ou de marginaliza\u00e7\u00e3o (&#8230;) para uma atitude que tem por base a \u201ccultura de encontro\u201d, a \u00fanica capaz de construir um mundo mais justo e fraterno\u00bb (Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado &#8211; 2014).<\/p>\n<p>Mas os movimentos migrat\u00f3rios assumiram tais propor\u00e7\u00f5es que s\u00f3 uma colabora\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e concreta, envolvendo os Estados e as Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais, poder\u00e1 ser capaz de os regular e gerir de forma eficaz. Na verdade, as migra\u00e7\u00f5es interpelam a todos, n\u00e3o s\u00f3 por causa da magnitude do fen\u00f3meno, mas tamb\u00e9m \u00abpelas problem\u00e1ticas sociais, econ\u00f3micas, pol\u00edticas, culturais e religiosas que levantam, pelos desafios dram\u00e1ticos que colocam \u00e0 comunidade nacional e internacional\u00bb [BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate (29 de Junho de 2009), 62].<\/p>\n<p>Na agenda internacional, constam frequentes debates sobre a oportunidade, os m\u00e9todos e os regulamentos para lidar com o fen\u00f3meno das migra\u00e7\u00f5es. Existem organismos e institui\u00e7\u00f5es a n\u00edvel internacional, nacional e local, que p\u00f5em o seu trabalho e as suas energias ao servi\u00e7o de quantos procuram, com a emigra\u00e7\u00e3o, uma vida melhor. Apesar dos seus esfor\u00e7os generosos e louv\u00e1veis, \u00e9 necess\u00e1ria uma a\u00e7\u00e3o mais incisiva e eficaz, que lance m\u00e3o de uma rede universal de colabora\u00e7\u00e3o, baseada na tutela da dignidade e centralidade de toda a pessoa humana. Assim ser\u00e1 mais incisiva a luta contra o tr\u00e1fico vergonhoso e criminal de seres humanos, contra a viola\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais, contra todas as formas de viol\u00eancia, opress\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o \u00e0 escravid\u00e3o. Entretanto trabalhar em conjunto exige reciprocidade e sinergia, com disponibilidade e confian\u00e7a, sabendo que \u00abnenhum pa\u00eds pode enfrentar sozinho, as dificuldades associadas a este fen\u00f3meno, que, sendo t\u00e3o amplo, j\u00e1 afecta todos os continentes com o seu duplo movimento de imigra\u00e7\u00e3o e emigra\u00e7\u00e3o\u00bb (Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado &#8211; 2014). \u00c0 globaliza\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno migrat\u00f3rio \u00e9 preciso responder com a globaliza\u00e7\u00e3o da caridade e da coopera\u00e7\u00e3o, a fim de se humanizar as condi\u00e7\u00f5es dos migrantes. Ao mesmo tempo, \u00e9 preciso intensificar os esfor\u00e7os para criar as condi\u00e7\u00f5es aptas a garantirem uma progressiva diminui\u00e7\u00e3o das raz\u00f5es que impelem popula\u00e7\u00f5es inteiras a deixar a sua terra natal devido a guerras e carestias, sucedendo muitas vezes que uma \u00e9 causa da outra.<\/p>\n<p>\u00c0 solidariedade para com os migrantes e os refugiados h\u00e1 que unir a coragem e a criatividade necess\u00e1rias para desenvolver, a n\u00edvel mundial, uma ordem econ\u00f3mico-financeira mais justa e equitativa, juntamente com um maior empenho a favor da paz, condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel de todo o verdadeiro progresso.<\/p>\n<p>Queridos migrantes e refugiados! V\u00f3s ocupais um lugar especial no cora\u00e7\u00e3o da Igreja e sois uma ajuda para alargar as dimens\u00f5es do seu cora\u00e7\u00e3o a fim de manifestar a sua maternidade para com a fam\u00edlia humana inteira. N\u00e3o percais a vossa confian\u00e7a e a vossa esperan\u00e7a! Pensemos na Sagrada Fam\u00edlia exilada no Egipto: como no cora\u00e7\u00e3o materno da Virgem Maria e no cora\u00e7\u00e3o sol\u00edcito de S\u00e3o Jos\u00e9 se manteve a confian\u00e7a de que Deus nunca nos abandona, tamb\u00e9m em v\u00f3s n\u00e3o falte a mesma confian\u00e7a no Senhor. Confio-vos \u00e0 sua prote\u00e7\u00e3o e de cora\u00e7\u00e3o concedo a todos a B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica.<\/p>\n<p>Vaticano, 3 de Setembro de 2014.<\/p>\n<p>FRANCISCUS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Igreja sem fronteiras, m\u00e3e de todos<br \/>\n(Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado &#8211; 18 de janeiro de 2015)<\/p>\n<p>A Igreja sem fronteiras, m\u00e3e de todos, propaga no mundo a cultura do acolhimento e da solidariedade, segundo a qual ningu\u00e9m deve ser considerado in\u00fatil, intruso ou descart\u00e1vel. A comunidade crist\u00e3, se viver efetivamente a sua maternidade, nutre, guia e aponta o caminho, acompanha com paci\u00eancia, solidariza-se com a ora\u00e7\u00e3o e as obras de miseric\u00f3rdia.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1573,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-1572","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1572","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1572"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1572\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1577,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1572\/revisions\/1577"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1573"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1572"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1572"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1572"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}