{"id":2002,"date":"2015-09-17T13:40:30","date_gmt":"2015-09-17T13:40:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/ocpm\/v2\/?p=2002"},"modified":"2015-09-17T13:40:30","modified_gmt":"2015-09-17T13:40:30","slug":"o-que-fizeste-do-teu-irmao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/o-que-fizeste-do-teu-irmao\/","title":{"rendered":"\u00abO que fizeste do teu irm\u00e3o\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nota da CNJP sobre o acolhimento de refugiados<\/strong><\/p>\n<div>\n<p>1. Somos hoje confrontados com o mais grave \u00eaxodo de refugiados na Europa desde os tempos da 2\u00aa Guerra Mundial. De um modo geral, estas pessoas s\u00e3o v\u00edtimas da guerra, da opress\u00e3o ou da mis\u00e9ria extrema. O desespero e a vontade de salvar as suas vidas e de assegurar um futuro para as suas fam\u00edlias levou-as a efetuar viagens em condi\u00e7\u00f5es desumanas, muitas vezes \u00e0 merc\u00ea de associa\u00e7\u00f5es criminosas. N\u00e3o s\u00e3o potenciais terroristas; pelo contr\u00e1rio, muitas delas fogem da viol\u00eancia gerada pelo fundamentalismo.<\/p>\n<p>Quando estas pessoas nos batem \u00e0 porta, n\u00e3o podemos reagir com indiferen\u00e7a. S\u00e3o nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s, membros da \u00fanica fam\u00edlia humana, que reclamam a nossa ajuda.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 por muitos foi afirmado, trata-se de um desafio \u00e0 Europa como comunidade de valores: os das suas ra\u00edzes crist\u00e3s, que encontram reflexo no respeito pela dignidade da pessoa humana e seus direitos fundamentais. As palavras da B\u00edblia, palavra de Deus e c\u00f3digo da cultura europeia, v\u00eam a prop\u00f3sito: \u00abQue fizeste do teu irm\u00e3o?\u00bb (Gen 4,9); \u00abSempre que fizeste isto a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, a Mim mesmo o fizeste\u00bb (Mt 25, 40).<\/p>\n<p>2. Ser fiel \u00e0s ra\u00edzes crist\u00e3s da cultura europeia n\u00e3o pode reduzir-se a uma proclama\u00e7\u00e3o formal, ou \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de sinais externos. \u00c9, acima de tudo, adotar comportamentos coerentes com a mensagem crist\u00e3. N\u00e3o h\u00e1 essa coer\u00eancia quando se recusa o acolhimento de refugiados por estes n\u00e3o partilharem a f\u00e9 crist\u00e3. A defesa da identidade europeia n\u00e3o pode servir de pretexto para distinguir entre refugiados crist\u00e3os perseguidos por causa da sua f\u00e9 (como s\u00e3o, na verdade, alguns deles) e outros refugiados. A novidade do cristianismo reside no amor universal, que n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas, que n\u00e3o se limita aos c\u00edrculos da fam\u00edlia, do cl\u00e3, dos amigos ou da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>3. \u00c9 verdade que tamb\u00e9m entre n\u00f3s h\u00e1 quem passe por dificuldades e situa\u00e7\u00f5es graves de pobreza. Mas as situa\u00e7\u00f5es de onde fogem estes refugiados, que os fazem assumir os riscos que assumem, s\u00e3o, de um modo geral, muito mais graves do que aquelas com que nos deparamos em Portugal.<\/p>\n<p>N\u00e3o pode, por isso, contrapor-se a solidariedade para com estes refugiados \u00e0 solidariedade que continua a ser devida aos portugueses que sofrem: uma n\u00e3o exclui a outra.<\/p>\n<p>4. A Europa n\u00e3o pode pretender ser um o\u00e1sis de paz e prosperidade, protegido por fronteiras ou muros, num mundo onde prevalece a guerra e a pobreza. No mundo globalizado de hoje, o que acontece no M\u00e9dio Oriente em \u00c1frica ou noutras zonas do globo tem sempre repercuss\u00e3o na Europa, e este \u00eaxodo de refugiados comprova-o.<\/p>\n<p>Por isso, o imperativo do acolhimento destes refugiados responde a uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, que n\u00e3o pode levar-nos a esquecer a import\u00e2ncia de atacar na raiz os problemas que est\u00e3o na origem deste \u00eaxodo; guerras, viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, mis\u00e9ria extrema.<\/p>\n<p>De modo especial e de imediato, h\u00e1 que buscar incessantemente o fim das guerras de onde fogem estes refugiados: na S\u00edria, no Iraque, na L\u00edbia ou no Sud\u00e3o. Para tal, h\u00e1 que, antes de tudo, mobilizar todos os esfor\u00e7os diplom\u00e1ticos da comunidade internacional e p\u00f4r termo ao fornecimento de armas que alimenta tais guerras.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos ignorar os apelos de representantes das Igrejas presentes na S\u00edria e no Iraque, preocupados com o fim da presen\u00e7a secular dos crist\u00e3os nesses pa\u00edses. A solu\u00e7\u00e3o definitiva n\u00e3o passa, pois, pela fuga cont\u00ednua.<\/p>\n<p>5. Este drama dos refugiados tem suscitado em muitos pa\u00edses europeus um movimento espont\u00e2neo de solidariedade que envolve pessoas de diferentes convic\u00e7\u00f5es. Est\u00e1 a vir ao de cima uma generosidade que parecia escondida nas nossas sociedades marcadas pelo ego\u00edsmo e onde se temem os perigos do recrudescer do racismo e da xenofobia.<\/p>\n<p>Os cat\u00f3licos s\u00e3o interpelados pelos apelos vibrantes do Papa Francisco: que cada par\u00f3quia acolha, pelo menos, uma fam\u00edlia de refugiados.<\/p>\n<p>J\u00e1 noutros per\u00edodos da sua hist\u00f3ria, o povo portugu\u00eas deu provas de generosidade no acolhimento de refugiados.<\/p>\n<p>Entre n\u00f3s, foi constitu\u00edda a Plataforma de Apoio aos Refugiados (<a href=\"http:\/\/www.refugiados.pt\/\">www.refugiados.pt<\/a>). A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz aderiu a esta plataforma e apela a que todos com ela colaborem.<\/p>\n<p>\u00c9 importante que este esp\u00edrito cres\u00e7a cada vez mais, para al\u00e9m das emo\u00e7\u00f5es do momento, no \u00e2mbito de uma educa\u00e7\u00e3o para a cidadania solid\u00e1ria, e se mantenha vivo mesmo diante das dificuldades que o acolhimento destes refugiados possa vir a trazer no futuro.<\/p>\n<p>Lisboa, 14 de setembro de 2015<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ecclesia.pt\/cnjp\">www.ecclesia.pt\/cnjp<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota da CNJP sobre o acolhimento de refugiados 1. Somos hoje confrontados com o mais grave \u00eaxodo de refugiados na Europa desde os tempos da 2\u00aa Guerra Mundial. De um modo geral, estas pessoas s\u00e3o v\u00edtimas da guerra, da opress\u00e3o ou da mis\u00e9ria extrema. 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