{"id":2055,"date":"2015-10-16T13:58:17","date_gmt":"2015-10-16T13:58:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/ocpm\/v2\/?p=2055"},"modified":"2015-10-16T13:58:17","modified_gmt":"2015-10-16T13:58:17","slug":"migracoes-e-atitudes-dos-europeus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/migracoes-e-atitudes-dos-europeus\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00f5es e atitudes dos europeus"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma pequena luz pode ser acesa em meio \u00e0s sombras<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com as observa\u00e7\u00f5es de alguns jornalistas, o recente fluxo de imigrantes sobre o velho continente europeu representa o maior deslocamento humano de massa depois da Segunda Guerra Mundial. Quatro aspectos (ou atitudes) merecem particular aten\u00e7\u00e3o. Em primeiro lugar, por parte dos que chegam, est\u00e1 em jogo uma necessidade urgente que obriga pessoas e fam\u00edlias inteiras a buscar abrigo em outros pa\u00edses. Os migrantes fogem em massa da guerra aberta e declarada (S\u00edria, Iraque, Afeganist\u00e3o&#8230;), ou de tens\u00f5es e conflitos armados internos, de origem \u00e9tnica, pol\u00edtica ou religiosa (Nig\u00e9ria, L\u00edbia, Sud\u00e3o&#8230;). Mas escapam tamb\u00e9m da pobreza e de car\u00eancias cr\u00f4nicas, de ordem hist\u00f3ricas e estruturais, bem como de calamidades \u201cnaturais\u201d (Bangladesh, Eritreia, Som\u00e1lia, Eti\u00f3pia&#8230;). Isso quer dizer que se trata, antes de tudo, de <strong>uma quest\u00e3o de vida ou morte, de sobreviv\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n<p>Depois, da parte dos \u201ct\u00e9cnicos\u201d, parece condenada ao fracasso a tentativa de separar nitidamente refugiados, pr\u00f3fugos e migrantes. De fato, se \u00e9 verdade que, para os refugiados e pr\u00f3fugos, retornar ao pa\u00eds de origem significa, em geral, a persegui\u00e7\u00e3o, o c\u00e1rcere ou at\u00e9 mesmo a morte, tamb\u00e9m \u00e9 certo os chamados migrantes socioecon\u00f4micos, em sua terra natal, est\u00e3o igualmente condenados a uma indig\u00eancia end\u00eamica, sem qualquer possibilidade de futuro. Pior ainda, convivem diariamente com uma morte a conta-gotas e sempre \u00e0s portas. <strong>A desesperada busca de uma sa\u00edda que leve em conta as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para a defesa dos direitos e da dignidade humana n\u00e3o discrimina uns dos outros<\/strong>. <strong>Todos procuram um lugar ao sol! <\/strong><\/p>\n<p>Em terceiro lugar, por parte da popula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses de chegada, em maior ou menor grau, verifica-se um sentimento misto de solidariedade e recha\u00e7o, acolhida e preconceito, medo do outro e obriga\u00e7\u00e3o moral da hospedagem. Os \u201cvalores ocidentais\u201d da cidadania e da conviv\u00eancia plural e pac\u00edfica contrastam com uma fobia mais ou menos oculta, difusa e disfar\u00e7ada. Igual sentimento se reflete na ambiguidade das autoridades do Parlamento Europeu e dos governos dos respectivos pa\u00edses. Ao mesmo tempo que se multiplicam reuni\u00f5es, encontros e promessas para distribuir os migrantes atrav\u00e9s de \u201cquotas equitativas\u201d, erguem-se muros fronteiri\u00e7os (entre S\u00e9rvia e Hungria) e se restringe a entrada com uma legisla\u00e7\u00e3o mais dura (Hungria, Inglaterra&#8230;). N\u00e3o faltam, ainda, os movimentos e partidos de extrema direita, cujo discurso vai na linha da recusa pura e simples, ou de uma sele\u00e7\u00e3o dos refugiados \u201cqualificados\u201d (Fran\u00e7a, It\u00e1lia&#8230;). Por fim, no interior das Igrejas, ONGs (organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais), entidades ligadas aos direitos humanos ou inst\u00e2ncias semelhantes, transparece uma amarga e dolorosa sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia. Diante do afluxo cada vez mais caudaloso e permanente de imigrantes \u2013 tanto pela rota do Mediterr\u00e2neo quanto pela rota balc\u00e2nica \u2013 qualquer coisa que se fa\u00e7a representar\u00e1 apenas uma gota de \u00e1gua num deserto ressequido.<\/p>\n<p>O campo da mobilidade humana \u00e9 vasto, variados s\u00e3o seus desafios e as for\u00e7as sociais e humanit\u00e1rias mais parecem formiguinhas insignificantes, tentando carregar um fardo maior que suas for\u00e7as. Certo, de um ponto de vista evang\u00e9lico, digamos, um sinal, um testemunho, uma pequena luz pode ser acesa em meio \u00e0s sombras e \u00e0 escurid\u00e3o de tanta injusti\u00e7a e assimetria social, econ\u00f4mica, pol\u00edtica e cultural. Mas a sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia se agrava diante de determinadas imagens chocantes, como aquela crian\u00e7a morta na praia, os cad\u00e1veres \u00e0 deriva nas ondas do mar ou o grande \u00eaxodo a p\u00e9 de Budapest em dire\u00e7\u00e3o a Viena. Migra\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201csinal dos tempos\u201d \u2013 dizem as declara\u00e7\u00f5es da Igreja \u2013 mas esse deslocamento atual, por suas dimens\u00f5es, reclama uma a\u00e7\u00e3o mais ampla, conjunta e planejada entre Estados e sociedade civil.<\/p>\n<p>Por: P. Alfredo Gon\u00e7alves, cs<\/p>\n<p>Acontecer Migrat\u00f3rio Vol. 38 N\u00ba 9 &#8211; setembro 2015<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Uma pequena luz pode ser acesa em meio \u00e0s sombras De acordo com as observa\u00e7\u00f5es de alguns jornalistas, o recente fluxo de imigrantes sobre o velho continente europeu representa o maior deslocamento humano de massa depois da Segunda Guerra Mundial. 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