{"id":207,"date":"2008-04-02T10:52:39","date_gmt":"2008-04-02T10:52:39","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-15T17:30:57","modified_gmt":"2015-03-15T17:30:57","slug":"anticiganismo-e-uma-teologia-da-libertacao-dos-ciganos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/anticiganismo-e-uma-teologia-da-libertacao-dos-ciganos\/","title":{"rendered":"Anticiganismo e uma teologia da liberta\u00e7\u00e3o dos ciganos"},"content":{"rendered":"<p><TABLE class=texto cellSpacing=0 cellPadding=0 width=560 align=center border=0><br \/>\n<TBODY><br \/>\n<TR><br \/>\n<TD class=manchete height=19>Anticiganismo e uma teologia da liberta\u00e7\u00e3o dos ciganos<\/TD><\/TR><br \/>\n<TR><br \/>\n<TD class=texto10 vAlign=center height=12><STRONG class=texto><EM><\/EM><\/STRONG><\/TD><\/TR><br \/>\n<TR><br \/>\n<TD height=16><BR><SPAN class=texto14><SPAN class=\"ta3  style37\"><\/SPAN>Na reuni\u00e3o anual do Comit\u00e9 Cat\u00f3lico Internacional para os Ciganos (CCIT) apelou-se para que todos sejamos instrumentos de paz face ao anticiganismo actual e afirmou-se que a inclus\u00e3o social libertar\u00e1 os ciganos do ostracismo, no seguimento da ac\u00e7\u00e3o libertadora de Jesus relativamente aos exclu\u00eddos do seu tempo.<br \/>\n<P><br \/>\n<P>Na reuni\u00e3o que decorreu de 28 a 30 de Mar\u00e7o em Trogir, Cro\u00e1cia e em que participaram cerca de 140 pessoas \u2013 15% de etnia cigana -, oriundas de 20 pa\u00edses europeus, come\u00e7ou por se rezar pela paz: a paz tem um rosto humano.<br \/>\n<P>Os ciganos, tal como todas as minorias, t\u00eam o direito de exprimir o seu pr\u00f3prio caminho espiritual (manifestando dessa forma Deus que opera neles), de um modo consequente com a condi\u00e7\u00e3o de \u201cser cigano\u201d.<br \/>\n<P><br \/>\n<P>A situa\u00e7\u00e3o actual \u00e9 que na sociedade europeia, as formas de intoler\u00e2ncia e de \u00f3dio relativamente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o cigana manifestam-se num crescendo preocupante, em cada dia que passa.<br \/>\n<P>Historicamente, o anticiganismo tem tomado as formas do exterm\u00ednio, da expuls\u00e3o (ainda actual), da repress\u00e3o e, actualmente, da repatria\u00e7\u00e3o. Infelizmente \u00e9 rara a inclus\u00e3o dos ciganos na sociedade, mantendo, ao mesmo tempo, a sua identidade.<br \/>\n<P>O mais chocante \u00e9 a fragilidade da \u201cmem\u00f3ria\u201d das formas de anticiganismo, a qual acaba por banalizar os acontecimentos at\u00e9 ao seu esquecimento; isso \u00e9 sintom\u00e1tico do lugar que os ciganos ocupam na escala de valores e na cultura da mem\u00f3ria da sociedade maiorit\u00e1ria.<br \/>\n<P>A aus\u00eancia de reconhecimento da culpabilidade pela viol\u00eancia exercida contra os ciganos, impede a cria\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es novas baseadas nos valores humanos e nos direitos do homem. O esquecimento das manifesta\u00e7\u00f5es de anticiganismo \u00e9 ele pr\u00f3prio uma forma de exclus\u00e3o com efeitos devastadores.<br \/>\n<P>A pobreza n\u00e3o \u00e9 uma fatalidade, \u00e9 criada. O mecanismo anticigano de exclus\u00e3o da sociedade, reproduz-se na Igreja. As grandes religi\u00f5es tendem a concluir que uma liga\u00e7\u00e3o confessional t\u00e9nue, significa uma religiosidade d\u00e9bil. N\u00e3o encorajar a inclus\u00e3o religiosa, \u00e9 uma forma de anticiganismo religioso, com a desculpa falsa de que \u201celes n\u00e3o t\u00eam religi\u00e3o\u201d.<br \/>\n<P>Uma Pastoral da Encarna\u00e7\u00e3o dar\u00e1 aos ciganos a oportunidade de sentir que Deus conhece os seus sofrimentos e ouve o seu clamor, que os ama com um amor preferencial. A teologia da liberta\u00e7\u00e3o dos ciganos revela-lhes a sua dignidade humana e salva a pr\u00f3pria dignidade dos membros da sociedade maiorit\u00e1ria.<br \/>\n<P>A forma\u00e7\u00e3o e o trabalho \u201clibertam\u201d os ciganos. A liberta\u00e7\u00e3o dos ciganos passa pelas seguintes atitudes por parte dos n\u00e3o ciganos: respeito, escuta, confian\u00e7a e amizade.<br \/>\n<P>Em Fran\u00e7a, C\u00e2maras Municipais preferem pagar as multas por n\u00e3o cumprirem as leis relativamente ao acolhimento dos ciganos n\u00f3madas. Em It\u00e1lia, na actualidade, vive-se o sil\u00eancio de institui\u00e7\u00f5es da Igreja relativamente \u00e0 onda n\u00e3o denunciada de anticiganismo.<br \/>\n<P>Na Cro\u00e1cia, 85% dos ciganos est\u00e3o desempregados; por\u00e9m, existe um representante cigano no Parlamento e, ao abrigo do Projecto de Ac\u00e7\u00e3o do dec\u00e9nio (2005 \u2013 2015) para a integra\u00e7\u00e3o dos Ciganos, em diversos pa\u00edses do Leste, existem esfor\u00e7os para incluir os ciganos no ensino pr\u00e9-escolar, para promover o seu realojamento e a discrimina\u00e7\u00e3o positiva na qualifica\u00e7\u00e3o dos ciganos para a sua empregabilidade. Nas palavras de um cigano croata que falou no Encontro, o Estado deveria colaborar mais estreitamente com a Igreja na solu\u00e7\u00e3o dos problemas dos ciganos, dada a maior experi\u00eancia e conhecimento da Igreja relativamente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o real dos ciganos.<br \/>\n<P>O Cardeal Renato Martino, Presidente do Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, enviou uma mensagem aos participantes no Encontro,em que se afirma que a presen\u00e7a dos membros do CCIT junto dos ciganos permite constatar as dimens\u00f5es intoler\u00e1veis do anticiganismo actual na Europa e o racismo, a marginaliza\u00e7\u00e3o, a guetiza\u00e7\u00e3o e a intoler\u00e2ncia que cada dia se tornam mais graves e que culminam em agress\u00f5es f\u00edsicas, em expuls\u00f5es, em evacua\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, inc\u00eandios, discursos de \u00f3dio, controles vexat\u00f3rios,entre outras formas de anticiganismo.<br \/>\n<P>O Cardeal Martino constata a mobiliza\u00e7\u00e3o e a preocupa\u00e7\u00e3o de organismos internacionais e nacionais, dando o exemplo da resolu\u00e7\u00e3o do Parlamento Europeu sobre uma estrat\u00e9gia europeia para os ciganos, tomada em 31 de Janeiro de 2008.<br \/>\n<P>A delega\u00e7\u00e3o portuguesa ao Encontro foi constitu\u00edda por: P. Frei Francisco Diniz, OFM; Francisco Monteiro e Eva Gon\u00e7alves, da ONPC; e Fernanda Reis e Manuela Mendon\u00e7a do Secretariado Diocesano de Lisboa da Pastoral dos Ciganos.<\/P><\/SPAN><\/TD><\/TR><\/TBODY><\/TABLE><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anticiganismo e uma teologia da liberta\u00e7\u00e3o dos ciganos Na reuni\u00e3o anual do Comit\u00e9 Cat\u00f3lico Internacional para os Ciganos (CCIT) apelou-se para que todos sejamos instrumentos de paz face ao anticiganismo actual e afirmou-se que a inclus\u00e3o social libertar\u00e1 os ciganos do ostracismo, no seguimento da ac\u00e7\u00e3o libertadora de Jesus relativamente aos exclu\u00eddos do seu tempo. 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