{"id":209,"date":"2008-02-25T14:17:45","date_gmt":"2008-02-25T14:17:45","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-15T17:30:57","modified_gmt":"2015-03-15T17:30:57","slug":"recomendacoes-para-a-pastoral-dos-sem-abrigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/recomendacoes-para-a-pastoral-dos-sem-abrigo\/","title":{"rendered":"Recomenda\u00e7\u00f5es para a pastoral dos sem-abrigo"},"content":{"rendered":"<p><P>CIDADE DO VATICANO, s\u00e1bado, 24 de fevereiro de 2008 (<A onclick=\"return top.js.OpenExtLink(window,event,this)\" href=\"http:\/\/www.zenit.org\/\" target=_blank>ZENIT.org<\/A>).- Publicamos as conclus\u00f5es do primeiro encontro internacional sobre a pastoral dos sem-teto sobre o tema \u00abEm Cristo e com a Igreja ao servi\u00e7o dos sem abrigo\u00bb, que a entidade organizadora, o Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes distribuiu agora. O encontro aconteceu em 26 e 27 de novembro de 2007.<\/P><br \/>\n<P>&nbsp;&nbsp;* * *<\/P><br \/>\n<P>&nbsp;<B>I. <I>O evento&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/I><\/B><\/P><br \/>\n<P><B>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/B>O III Encontro Internacional sobre a Pastoral de Rua realizou-se nos dias 26 e 27 de novembro de 2007, na sede do Conselho Pontif\u00edcio da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes, Pal\u00e1cio S\u00e3o Calixto, Cidade do Vaticano.<\/P><br \/>\n<P>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Estavam presentes quatro Bispos, muitos Diretores Nacionais e Representantes de Confer\u00eancias Episcopais e peritos, provenientes de vinte e oito pa\u00edses, entre os quais \u00c1frica do Sul, Alemanha, Argentina, Austr\u00e1lia, B\u00e9lgica, Bol\u00edvia, B\u00f3snia-Herzeg\u00f3vina, Brasil, Burundi, Canad\u00e1, Chile, China, Cor\u00e9ia, Egito, Eritr\u00e9ia, Eslov\u00e1quia, Estados Unidos da Am\u00e9rica, Fran\u00e7a, Holanda, \u00cdndia, Inglaterra, It\u00e1lia, Jap\u00e3o, Portugal, Rep\u00fablica Tcheca, Rom\u00eania, Taiwan e Zimb\u00e1bue. Entre as ordens religiosas estavam presentes Capuchinhos, Mission\u00e1rias da Caridade e Combonianas e Pequenas Irm\u00e3s de Jesus. Tamb\u00e9m estavam representados o Soberano da Ordem de Malta, o SECAM e o CCEE. Estavam ainda presentes associa\u00e7\u00f5es e movimentos, entre os quais \u201cAux Captifs la Liberation\u201d, FEANTSA, FIO, a Comunidade Jo\u00e3o XXIII e a de Santo Eg\u00eddio, a Sociedade de S\u00e3o Vicente de Paulo e SELAVIP.<\/P><br \/>\n<P>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Presidente do Conselho Pontif\u00edcio, Sua Emin\u00eancia o Cardeal Renato Raffaele Martino, acolheu e saudou os participantes. Ele fez notar que a presen\u00e7a de um n\u00famero t\u00e3o consider\u00e1vel de pessoas de v\u00e1rias partes do mundo j\u00e1 atestava que nos confront\u00e1vamos com um fen\u00f4meno de car\u00e1ter global. Al\u00e9m disso, relevou que a realidade dos sem abrigo n\u00e3o era totalmente nova. Desde as origens, com a expuls\u00e3o dos nossos antepassados do jardim do \u00c9den, homens e mulheres foram errando nos caminhos do mundo. Em efeito, desde tempos remotos os Crist\u00e3os se esfor\u00e7aram de responder, com solicitude pastoral, \u00e0s desventuras dos pobres e dos sem abrigo. O Em.mo Presidente indicou uma s\u00e9rie de indicadores na vida da Igreja, do Magist\u00e9rio ordin\u00e1rio e v\u00e1rias regras diretivas, que guiaram os Crist\u00e3os na sua cura pastoral dos sem abrigo. Enfim, retomando a mensagem proposta pelo Santo Padre Bento XVI na Carta Enc\u00edclica \u201c<I>Deus caritas<\/I> <I>est<\/I>\u201d, ele sublinhou que embora o Evangelho n\u00e3o ofere\u00e7a imediatas solu\u00e7\u00f5es aos problemas, devemos todavia deixar-nos guiar pelo desejo de amar o pr\u00f3ximo e de reconhecer nele o rosto de Cristo. Portanto, o servi\u00e7o aos sem abrigo \u201cse torna uma profunda revela\u00e7\u00e3o do amor de Deus para a humanidade\u201d.<\/P><br \/>\n<P>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Arcebispo Agostino Marchetto, Secret\u00e1rio do Dicast\u00e9rio, depois pronunciou o discurso program\u00e1tico, intitulado \u201c<I>Senhor, quando te vimos<\/I>&#8230;?\u201d (Mt 25,44).&nbsp; Ele focalizou seja o tom, que o desafio do encontro, reenviando ao mandamento do Senhor de saber reconhecer sempre o rosto de Cristo nos mais pobres e marginalizados. O Ex.mo Secret\u00e1rio, antes de tudo esclareceu que quando se fala dos sem abrigo, de fato a pessoa se confronta com a falta de tutela dos direitos humanos fundamentais. Ele n\u00e3o se limitou somente a descrever a realidade deste fen\u00f4meno global, mas disse que este se manifesta em muitas facetas diferentes. N\u00e3o obstante tais diversidades, a falta de um abrigo, quase sempre reduz as pessoas \u00e0 \u00ednfima espiral da car\u00eancia sanit\u00e1ria, da pobreza e da marginaliza\u00e7\u00e3o. Por esta raz\u00e3o, as necessidades dos sem abrigo fazem apelo a uma resposta clara, seja humana que eclesial, procurando n\u00e3o somente de satisfazer as suas necessidades fundamentais, mas tamb\u00e9m em tutelar a sua dignidade como pessoa. Do mesmo modo, a Igreja deve desenvolver uma espec\u00edfica atividade pastoral, que saiba v\u00ea-a enquanto tal, al\u00e9m das suas necessidades, pelo fato que verdadeiramente esta \u00e9 feita \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus. Este \u00e9 o desafio dado \u00e0s comunidades crist\u00e3s: tornar-se lugares de acolhida, onde n\u00e3o s\u00f3 se recebe o mesmo Senhor nas pessoas sem abrigo, mas que ali tenham tamb\u00e9m um acompanhamento no processo de sua reestrutura\u00e7\u00e3o e reintegra\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/P><br \/>\n<P>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sempre no primeiro dia os participantes tiveram a ocasi\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de se apresentarem, mas tamb\u00e9m, de trocarem opini\u00f5es sobre as respectivas experi\u00eancias de apostolado. Estes confirmaram a importante contribui\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 em a\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito do cuidado pastoral dos sem abrigo, assim como a extraordin\u00e1ria diversidade das situa\u00e7\u00f5es nas quais cada um se encontra e realiza a sua obra.<\/P><br \/>\n<P>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No decorrer dos dois dias, os congressistas se dividiram em v\u00e1rios grupos ling\u00fc\u00edsticos, a fim de partilhar experi\u00eancias de boas realiza\u00e7\u00f5es, metodologias, sucessos e fracassos no que diz respeito ao cuidado pastoral dos sem abrigo. No segundo dia, os grupos aprofundaram as caracter\u00edsticas que deveriam constituir o fundamento da resposta eclesial. A eles foram colocadas algumas perguntas para facilitar a reflex\u00e3o e o di\u00e1logo.<\/P><br \/>\n<P>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O principal empenho do segundo dia foi a escuta da longa interven\u00e7\u00e3o do Professor Mario Pollo da LUMSA e da Universidade Salesiana de Roma. Ele tra\u00e7ou um quadro panor\u00e2mico total do fen\u00f4meno dos sem abrigo e das consecutivas respostas pastorais, tiradas de uma pesquisa conduzida em preced\u00eancia, pelo Conselho Pontif\u00edcio, entre os diversos participantes.<\/P><br \/>\n<P>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O per\u00edodo da tarde do segundo dia foi dedicado \u00e0 Mesa Redonda sobre o tema: \u201cO <I>empenho humano e o cuidado pastoral dos sem abrigo<\/I>\u201d. A Baronesa Martine Jonet da Soberana Ordem de Malta, o Sr. Roger Playwin, Diretor Nacional da Sociedade de S\u00e3o Vicente de Paulo, nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, Pe. Barnab\u00e9 d\u2019Souza, Diretor do abrigo \u201cDom Bosco\u201d, na \u00cdndia, o Sr. Kristian Gianfreda da Comunidade de Santo Eg\u00eddio e Irm\u00e3 Maria Cristina Bove Roletti, Coordenadora Nacional da Pastoral do Povo de Rua do Brasil, apresentaram as suas experi\u00eancias de situa\u00e7\u00f5es particulares dos respectivos pa\u00edses e das suas organiza\u00e7\u00f5es, \u201cdescobrindo\u201d os princ\u00edpios que deveriam guiar a atividade pastoral em palavra e as suas novas estrat\u00e9gias. Em especial, eles sublinharam n\u00e3o somente a import\u00e2ncia de assumir o cuidado dos sem abrigo, mas tamb\u00e9m, de manifestar o valor e a dignidade das suas exist\u00eancias individuais.<\/P><br \/>\n<P>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A parte conclusiva do Encontro foi reservada \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o dos trabalhos de grupo e \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de conclus\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es. O Congresso terminou com a express\u00e3o do vivo desejo de continuar o di\u00e1logo e a troca fraterna de experi\u00eancias no campo do cuidado pastoral para os sem abrigo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/P><br \/>\n<P><B>II. Conclus\u00f5es&nbsp;&nbsp;<\/B><\/P><br \/>\n<P>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por motivo da sua condi\u00e7\u00e3o, a pessoa sem abrigo tem uma singularidade e uma unicidade irrepet\u00edvel. Numa sociedade que interpreta as rela\u00e7\u00f5es sociais em fun\u00e7\u00e3o de interesses econ\u00f4micos, a Igreja assume a miss\u00e3o de restituir o valor da gratuidade, da rela\u00e7\u00e3o no seu sentido mais profundo.<\/P><br \/>\n<P>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No nosso contexto hist\u00f3rico e social existem pessoas que, propositadamente, identificam o pobre com aquele que caiu numa experi\u00eancia de fracasso, seja na ordem da natureza humana que das necessidades humanas. Isto leva a considerar a pobreza como o resultado de uma vida sem valores e, conseq\u00fcentemente, uma culpa. Portanto a pobreza \u00e9 vista como uma situa\u00e7\u00e3o da qual \u00e9 quase imposs\u00edvel emancipar-se. A sua dura\u00e7\u00e3o \u00e9 um sinal capaz de estigmatizar para sempre a exist\u00eancia humana.<\/P><br \/>\n<P>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O destino de uma pessoa sem abrigo \u00e9 ulteriormente \u201cmarcado\u201d se se considera a sua situa\u00e7\u00e3o uma \u201cescolha\u201d. Quem poderia escolher uma vida de expedientes ou uma exist\u00eancia marcada pela instabilidade para si e para a pr\u00f3pria fam\u00edlia? Apesar disso, a procura da justi\u00e7a nasce do reconhecimento do pobre, na convic\u00e7\u00e3o que defini-lo com um nome errado significa acrescentar injusti\u00e7a a injusti\u00e7a.<\/P><br \/>\n<P>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Normalmente somos colocados em confronto com a id\u00e9ia de que a pessoa que n\u00e3o tem abrigo \u00e9 \u201cdiferente\u201d. Parece que a pobreza \u00e9 um problema que diz respeito ao outro. Na realidade n\u00e3o existe diferen\u00e7a, porque vivemos numa \u201csociedade de risco\u201d, na qual ningu\u00e9m pode estar seguro de n\u00e3o se tornar pobre.<\/P><br \/>\n<P>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em cada um dos cinco continentes o exemplo e a dedica\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s nos confrontos dos \u201c\u00faltimos entre os \u00faltimos\u201d s\u00e3o um sinal vis\u00edvel do amor de Deus para com as pessoas, onde quer que estas vivam, e, em qualquer situa\u00e7\u00e3o existencial se encontrem. Isto \u00e9 ainda mais vis\u00edvel nas atividades espec\u00edficas que se promovem, tamb\u00e9m se s\u00e3o adotadas diferentes metodologias e as escolhas organizacionais s\u00e3o condicionadas pelos lugares nos quais se concretiza a atividade pastoral. De qualquer maneira, v\u00e1rios valores fundamentais caracterizam o que se realiza e constituem o seu fundo teleol\u00f3gico.<\/P><br \/>\n<P>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entre todos os valores tem particular import\u00e2ncia a dimens\u00e3o relacional. Se aceitamos a defini\u00e7\u00e3o do sem abrigo como \u201c<I>um sujeito que se encontra em condi\u00e7\u00f5es de pobreza material e n\u00e3o material, portador de necessidade complexa, din\u00e2mica e multiforme<\/I>\u201d, manifestada precisamente no seu ser sem abrigo, constata-se que a dimens\u00e3o da car\u00eancia relacional \u00e9 elemento que pode circunscrever e provocar uma vida de pobreza. Partindo disso tra\u00e7a-se um itiner\u00e1rio rumo a uma maior confian\u00e7a, uma vida verdadeira e significativa, na qual toda pessoa pode ser considerada um amigo, e \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m nos lugares onde n\u00e3o existem \u201cestruturas\u201d, como a rua. Esta pode ser ent\u00e3o um lugar pedag\u00f3gico, mas tamb\u00e9m pastoral, com a finalidade de alcan\u00e7ar a promo\u00e7\u00e3o humana e a mudan\u00e7a.<\/P><br \/>\n<P>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A tal fim, a Igreja, a comunidade local, atua no territ\u00f3rio, solicita para as necessidades emergentes e oferece apoio para individuar as solu\u00e7\u00f5es. Neste itiner\u00e1rio as pessoas sem abrigo s\u00e3o inseridas num percurso de reconcilia\u00e7\u00e3o, assim como s\u00e3o envolvidos tamb\u00e9m aqueles que residem num determinado territ\u00f3rio. Este processo de reconcilia\u00e7\u00e3o pede necessariamente uma complementaridade existencial. S\u00f3 mediante as rela\u00e7\u00f5es, de fato, a pessoa humana pode descobrir-se e reconhecer-se a si mesma.<\/P><br \/>\n<P>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As mudan\u00e7as pol\u00edticas e os fen\u00f4menos sociais em continua transforma\u00e7\u00e3o exigem uma a\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica por parte das Igrejas locais. Atualmente constatamos que estes est\u00e3o constantemente empenhados na tutela da vida, mediante as suas escolhas e do testemunho que o amor por Cristo \u00e9 uma fonte de cura das feridas da indiferen\u00e7a.<\/P><br \/>\n<P>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alguns elementos essenciais orientam uma \u201cmelhor atividade pastoral\u201d entre os sem abrigo que implica partilha. Fazer-se participe de um comum destino \u00e9 fruto de rela\u00e7\u00f5es profundas, nas quais o olhar para o pobre \u00e9 purificado. Esta vis\u00e3o purificada confirma a convic\u00e7\u00e3o que existem pessoas capazes de levar no seu cora\u00e7\u00e3o o destino dos outros, e no mesmo tempo atesta \u2013 mediante o empenho dos agentes pastorais \u2013 que Deus ama <I>hic et nunc<\/I> (aqui e agora).<\/P><br \/>\n<P>10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acreditar na import\u00e2ncia das rela\u00e7\u00f5es, p\u00f4r a dimens\u00e3o da promo\u00e7\u00e3o humana ao lado daquela do socorro material, ser agentes pedag\u00f3gicos e considerar que o caminho para percorrer, para evitar graves formas de marginaliza\u00e7\u00e3o, seja inovador e importante, implica pensar, propor e acreditar numa a\u00e7\u00e3o pastoral global.<\/P><br \/>\n<P>11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os sem abrigo representam, todavia, um desafio para toda a sociedade, que \u00e9 chamada \u00e0 co-responsabilidade na promo\u00e7\u00e3o de um aproximar-se com paix\u00e3o ao problema. Trata-se de compreender a situa\u00e7\u00e3o, mais do que encontrar uma explica\u00e7\u00e3o, que poderia degenerar em classifica\u00e7\u00e3o impr\u00f3pria. Trata-se de considerar a pessoa n\u00e3o como um objeto, ao qual destinar interven\u00e7\u00f5es estabelecidas <I>a<\/I> <I>priori<\/I>. Isto requer um projeto de interven\u00e7\u00e3o que n\u00e3o estigmatize, mas que esteja numa l\u00f3gica de verdadeira inclus\u00e3o. N\u00e3o obstante, a acolhida permanece limitada, fr\u00e1gil, insuficiente, por\u00e9m \u00e9 nutrida por um empenho deliberado e constante. Espontanismo, fragmenta\u00e7\u00e3o e obst\u00e1culo contrastam-se com o apoio integral, dur\u00e1vel e sustent\u00e1vel.<\/P><br \/>\n<P>12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A conseq\u00fcente sensibiliza\u00e7\u00e3o \u2013 no contexto de um processo hermen\u00eautico \u2013 \u00e9 a via mediante a qual se pensa e se projeta um futuro diferente, no qual a dignidade \u00e9 redescoberta (e n\u00e3o somente restitu\u00edda). Pr\u00f3prio pelo fato de que, toda pessoa constitui em si mesma o seu ser \u00fanico e irrepet\u00edvel, enquanto filho de Deus, essencial \u00e9 respeitar o tempo necess\u00e1rio para o crescimento e para a mudan\u00e7a. Isto vale tamb\u00e9m para a comunidade eclesial envolvida na solicitude para o pr\u00f3ximo.<\/P><br \/>\n<P>13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 necess\u00e1rio ser \u201cverdadeiros\u201d em toda rela\u00e7\u00e3o de natureza pastoral. Viver a verdade no exerc\u00edcio da caridade deveria constituir o fundamento de toda eventual atividade. Esta verdade exige uma demonstra\u00e7\u00e3o da sua gratuidade, da sua origem e das suas raz\u00f5es profundas. Resumindo, podemos dizer que o paradigma de uma Igreja que est\u00e1 pr\u00f3xima aos seus filhos, n\u00e3o obstante estes estejam com freq\u00fc\u00eancia longe de \u201ccasa\u201d, deveria consistir no seu \u201cser sal e luz\u201d.<\/P><br \/>\n<P>14.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Proporcionar uma \u201ccasa\u201d \u00e9 portanto a miss\u00e3o intr\u00ednseca de toda atividade pastoral. N\u00e3o se trata simplesmente de oferecer um abrigo, mas um \u201clugar\u201d no qual as pessoas possam ser elas mesmas em plenitude e com dignidade. E isto \u00e9, portanto, um lugar onde se pode construir a pr\u00f3pria morada relacional e desenvolver toda dimens\u00e3o da exist\u00eancia, inclusive a espiritual.<\/P><br \/>\n<P>15.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O n\u00famero das pessoas sem abrigo tende a aumentar seja nos pa\u00edses industrializados que naqueles em via de desenvolvimento, nas grandes cidades e nas zonas rurais. Entre cidad\u00e3os residentes e imigrantes, incluindo homens, mulheres de idade e crian\u00e7as.<\/P><br \/>\n<P>16.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Igreja, mediante as suas institui\u00e7\u00f5es, se empenhou a socorrer os sem abrigo gra\u00e7as a refei\u00e7\u00f5es, abrigos, cursos de forma\u00e7\u00e3o profissional, emprego e <I>advocacy<\/I>, fornecendo est\u00e1gios para a admiss\u00e3o ao emprego laboral como parte do processo de integra\u00e7\u00e3o na comunidade e garantindo assist\u00eancia pastoral.<\/P><br \/>\n<P>17.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Existe aqui espa\u00e7o para a ordin\u00e1ria, territorial, pastoral da Igreja, mas tamb\u00e9m para aquela espec\u00edfica, que deve ser hol\u00edstica, multidimensional, espiritual, social e relacional.<\/P><br \/>\n<P>18.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O cuidado pastoral deveria ser entendido no sentido amplo, enquanto resposta \u00e0s&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; necessidades materiais e espirituais.<\/P><br \/>\n<P>19.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O minist\u00e9rio da hospitalidade, sobretudo nos confrontos dos marginalizados, \u00e9 tamb\u00e9m parte integrante da vida paroquial. Quando na comunidade n\u00e3o est\u00e3o presentes o pobre e o sem abrigo, a Igreja n\u00e3o \u00e9 \u201ccompleta\u201d. Existe, pois, uma clara conex\u00e3o entre as obras da caridade e as exig\u00eancias da justi\u00e7a.<\/P><br \/>\n<P><B>III<I>. Recomenda\u00e7\u00f5es<\/I><\/B><\/P><br \/>\n<P><B>Para a sociedade<\/B><\/P><br \/>\n<P>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A partir do momento que a realidade socioecon\u00f4mica \u00e9 complexa, e, fazer obras de justi\u00e7a significa viver a justi\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio operar na complexidade evitando a fragmenta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a perda dos valores desestabiliza a conviv\u00eancia social assim que as Igrejas locais deveriam apresentar uma perspectiva axiol\u00f3gica que reconduza o homem ao homem.<\/P><br \/>\n<P>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para alcan\u00e7ar estes objetivos \u00e9 importante formar uma \u201crede\u201d local, na qual sejam reconhecidas as responsabilidades e as compet\u00eancias, dando prefer\u00eancia \u00e0 programa\u00e7\u00e3o antes que a interven\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. Promovam-se por esta raz\u00e3o encontros de coordena\u00e7\u00e3o intra-eclesial e extra-eclesial para definir objetivos comuns. Haja tamb\u00e9m rec\u00edproca compreens\u00e3o das linguagens usadas para analisar e enfrentar as necessidades dos sem abrigo. Deste modo tamb\u00e9m se desenvolver\u00e1 para eles um cuidado pastoral purificado de estere\u00f3tipos, \u201cpr\u00e9-conceitos\u201d e de divis\u00f5es ideol\u00f3gicas.<\/P><br \/>\n<P>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo existindo organiza\u00e7\u00f5es ou grupos que se ocupam dos sem abrigo, \u00e9 oportuno reconsignar as respectivas responsabilidades \u00e0s autoridades civis, centrais e locais.&nbsp;<\/P><br \/>\n<P>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Promovam-se trabalhos e habita\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m na perspectiva dos direitos fundamentais. Entre estes se encontra o da sa\u00fade, compreendida n\u00e3o s\u00f3 como aus\u00eancia de patologias, mas tamb\u00e9m como possibilidade de acesso ao bem-estar existencial.<\/P><br \/>\n<P>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 todavia oportuno que toda a\u00e7\u00e3o pastoral para os sem abrigo \u2013 como a acolhida habitacional, o trabalho, as curas psicol\u00f3gicas, o acompanhamento educativo, etc. \u2013 assumam, na medida do poss\u00edvel, os limites da pessoa, com o intento de evitar o fracasso. Isto significa que \u00e9 necess\u00e1rio ter objetivos poss\u00edveis e alcan\u00e7\u00e1veis.<\/P><br \/>\n<P>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Falando de pessoas que vivem sem abrigo, desenvolvam-se novas e respeitosas express\u00f5es ling\u00fc\u00edsticas para indic\u00e1-las.<\/P><br \/>\n<P>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sem julgar as pessoas, as atividades de seus servi\u00e7os sejam voltadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da qualidade da vida e a solu\u00e7\u00f5es a longo prazo, propostas com respeito, levando em considera\u00e7\u00e3o a Doutrina social da Igreja sobre a dignidade da pessoa humana. Mais ainda estas interven\u00e7\u00f5es devem aspirar \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o total.&nbsp;<\/P><br \/>\n<P><B>Para a Igreja<\/B><\/P><br \/>\n<P>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O empenho eclesial a favor dos sem abrigo seja baseado na verdade fundamental que neles se faz presente o Cristo sofredor e ressuscitado. Seguindo o exemplo de Cristo, \u00e9 necess\u00e1rio escut\u00e1-los, dar espa\u00e7o \u00e0 confian\u00e7a e criar rela\u00e7\u00f5es. A este fim, a Igreja v\u00e1 ao encontro deles na rua, em positivo envolvimento.<\/P><br \/>\n<P>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em vista de oferecer um melhor servi\u00e7o aos sem abrigo, \u00e9 necess\u00e1rio promover a colabora\u00e7\u00e3o entre as institui\u00e7\u00f5es eclesiais, pondo fim \u00e0 tend\u00eancia de operar sozinhos, \u00e0s vezes com esp\u00edrito de competi\u00e7\u00e3o. Encoraje-se, outrossim, uma apropriada coopera\u00e7\u00e3o com as Autoridades civis, com outras cren\u00e7as religiosas e com institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o confessionais para que partilhem as mesmas preocupa\u00e7\u00f5es e finalidades. Tamb\u00e9m as iniciativas ecum\u00eanicas sejam ativamente encorajadas.<\/P><br \/>\n<P>10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As pessoas sem abrigo recebam est\u00edmulo para que na medida do poss\u00edvel participem na vida social e eclesial. Que os programas a favor deles considerem as suas respectivas experi\u00eancias, convic\u00e7\u00f5es, culturas e necessidades, envolvendo as pessoas na sua obra de recupera\u00e7\u00e3o e evitando criar depend\u00eancias.<\/P><br \/>\n<P>11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As pessoas sejam aproximadas como sujeitos \u00fanicos, reconhecendo nelas a imagem e a semelhan\u00e7a de Deus, e chamando cada uma pelo seu nome.<\/P><br \/>\n<P>12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o obstante as dificuldades do ambiente onde se atua precisa-se percorrer com convic\u00e7\u00e3o os caminhos da justi\u00e7a, confirmando a especificidade da miss\u00e3o da Igreja.<\/P><br \/>\n<P>13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto \u00e9 necess\u00e1rio e oportuno conhecer esta realidade seja atrav\u00e9s do estudo ou atrav\u00e9s da acolhida, como resultado da rela\u00e7\u00e3o. Os pobres s\u00e3o parte da comunidade eclesial e como tais devem ser acolhidos da mesma maneira como se acolhem as fam\u00edlias em dificuldade, as vi\u00favas, etc. Toda pessoa tem a sua hist\u00f3ria e problemas espec\u00edficos que dever\u00e3o ser conhecidos e enfrentados. Os sem abrigo devem ser considerados portadores de direitos e n\u00e3o somente como um cat\u00e1logo de necessidades para satisfazer.<\/P><br \/>\n<P>14.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sejam dadas \u00e0s pessoas sem abrigo, condi\u00e7\u00f5es e possibilidades de se exprimirem, na Igreja e nos eventos p\u00fablicos. Isto pode acontecer tamb\u00e9m na dimens\u00e3o t\u00edpica do teatro ou dos outros meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/P><br \/>\n<P>15.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Envolvam-se os estudantes nos diversos n\u00edveis de forma\u00e7\u00e3o, a fim de que aprendam o que est\u00e1 submerso na situa\u00e7\u00e3o dos sem abrigo e estejam em condi\u00e7\u00f5es de ajudar, segundo o seu n\u00edvel.<\/P><br \/>\n<P>16.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nas par\u00f3quias promovam-se boas rela\u00e7\u00f5es familiares e comunit\u00e1rias, em modo que sejam individuadas as necessidades emergentes em loco e se providencie uma a\u00e7\u00e3o preventiva, capaz de travar o insurgir do fen\u00f4meno dos sem abrigo.<\/P><br \/>\n<P>17.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os Documentos eclesiais ser\u00e3o utilizados como recurso para oferecer um minist\u00e9rio eficaz.<\/P><br \/>\n<P>18.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sejam dispostas medidas adequadas de financiamento para permitir aos leigos de oferecer a pr\u00f3pria contribui\u00e7\u00e3o ao cuidado pastoral das pessoas em abrigo.<\/P><br \/>\n<P>Para as Confer\u00eancias Episcopais e as correspondentes Estruturas Hier\u00e1rquicas das Igrejas Orientais Cat\u00f3licas<\/P><br \/>\n<P>19.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As Confer\u00eancias Episcopais e as correspondentes Estruturas Hier\u00e1rquicas das Igrejas Orientais Cat\u00f3licas fa\u00e7am obras de <I>advocacy<\/I> para os direitos \u00e0 casa e ao desenvolvimento, no esp\u00edrito da <I>Populorum Progressio<\/I>. Uma boa atividade de <I>advocacy <\/I>deriva de informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis. Os Bispos locais podem obter conhecimento do argumento em quest\u00e3o mediante as pr\u00f3prias associa\u00e7\u00f5es e de outros que atuam nas suas dioceses\/Eparquias.<\/P><br \/>\n<P>20.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um caminho de forte empenho implica a ativa\u00e7\u00e3o das Confer\u00eancias Episcopais, e das correspondentes estruturas Hier\u00e1rquicas das Igrejas Orientais Cat\u00f3licas, o auxilio da Santa S\u00e9 e a ilumina\u00e7\u00e3o do Magist\u00e9rio pontif\u00edcio.<\/P><br \/>\n<P>21.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em tal contexto, as Confer\u00eancias Episcopais e as correspondentes Estruturas Hier\u00e1rquicas das Igrejas Orientais Cat\u00f3licas proponham orienta\u00e7\u00f5es para a obra de financiamento, a fim de sustentar as atividades espec\u00edficas para o apoio das pessoas sem abrigo, projetar um futuro diferente, ajudar aqueles que j\u00e1 trabalham para os pobres (geralmente tamb\u00e9m esses em condi\u00e7\u00f5es de pobreza).<\/P><br \/>\n<P>22.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Sagrada Liturgia poderia exprimir essa solicitude mediante sinais lit\u00fargicos que manifestem a centralidade dos pobres no cora\u00e7\u00e3o de Deus. Um dia de ora\u00e7\u00e3o para recordar as pobrezas extremas (qui\u00e7\u00e1 o dia 17 de outubro, dia mundial contra a pobreza), poderia contribuir neste sentido.<\/P><br \/>\n<P>Para as Dioceses\/Eparquias<\/P><br \/>\n<P>23.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os bens eclesiais inutilizados (edif\u00edcios) poderiam ser colocados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para habita\u00e7\u00f5es de baixo custo e as de acolhida. As Dioceses\/Eparquias considerem a oportunidade de predispor um projeto para as habita\u00e7\u00f5es dos sem abrigo como sinal concreto deste primeiro Encontro internacional, se j\u00e1 n\u00e3o o fizeram.<\/P><br \/>\n<P>24.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;Os seminaristas, os religiosos\/as e os agentes pastorais recebam elementos de forma\u00e7\u00e3o sobre a Doutrina social da Igreja e sobre o cuidado pastoral dos pobres e dos marginalizados.<\/P><br \/>\n<P>25.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Encoraje-se uma maior presen\u00e7a do Diaconato permanente no servi\u00e7o aos pobres e aos sem abrigo.<\/P><br \/>\n<P>26.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seja estimulada uma melhor interconex\u00e3o nas atividades dos religiosos e das religiosas e das associa\u00e7\u00f5es que contam uma longa tradi\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o social em favor dos sem abrigo.<\/P><br \/>\n<P><B>Para as par\u00f3quias e as comunidades<\/B><\/P><br \/>\n<P>27.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As par\u00f3quias sejam \u201ccomunidades de acolhimento\u201d. Favore\u00e7a-se a constitui\u00e7\u00e3o de \u201ccomit\u00e9s sociais\u201d para promover e colocar em ac\u00e7\u00e3o as obras de miseric\u00f3rdia corporal.<\/P><br \/>\n<P>28.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Homilias e formas de catequeses sejam atentas quando tratam as desventuras dos sem abrigo e as conseq\u00fcentes respostas crist\u00e3s.<\/P><br \/>\n<P>29.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para ser comunidade de acolhida, aquela crist\u00e3 deve deixar de lado os pr\u00e9-conceitos, operando uma a\u00e7\u00e3o de reconhecimento. Neste sentido n\u00e3o existem pobres que s\u00e3o prerrogativa exclusiva para a a\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m. De todo modo, \u00e9 sempre a comunidade a que deve se responsabilizar por eles, tamb\u00e9m quando se trate de uma a\u00e7\u00e3o de reconsigna\u00e7\u00e3o das responsabilidades. Em um determinado territ\u00f3rio, uma comunidade \u00e9 acolhedora quando individua a necessidade e oferece respostas flex\u00edveis, que fogem da \u201cburocratiza\u00e7\u00e3o\u201d. Portanto, as comunidades eclesiais podem assumir-se o risco de viver uma caridade prof\u00e9tica.<\/P><br \/>\n<P>30.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 oportuno que em seu pr\u00f3prio interior, as comunidades eclesiais reconhe\u00e7am a presen\u00e7a de compet\u00eancias para p\u00f4-las a disposi\u00e7\u00e3o. Tais compet\u00eancias sejam acompanhadas de propostas formativas capazes de fornecer elementos que sejam \u00fateis para a compreens\u00e3o da realidade.<\/P><br \/>\n<P>31.&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nas par\u00f3quias \u00e9, pois, poss\u00edvel promover \u201cobras que sejam sinais\u201d, para afirmar profecia, interesse e empenho da comunidade crist\u00e3 para os sem abrigo. Em particular, a n\u00edvel local, \u00e9 oportuno colher os sintomas do sofrimento e, antes de tudo, aqueles do desconforto. Este \u00faltimo se pode prevenir quando se d\u00e1 amplo espa\u00e7o \u00e0 escuta daquilo que a pessoa est\u00e1 vivendo e experimentando.<\/P><br \/>\n<P>32.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todas as par\u00f3quias e os outros grupos eclesi\u00e1sticos aceitem o mandato evang\u00e9lico de acolher os forasteiros e, entre eles, de cuidar da melhor maneira poss\u00edvel do necessitado e de quem est\u00e1 sem teto. Os sacerdotes e os directores espirituais estejam dispon\u00edveis nos confrontos dos sem abrigo, sobretudo nas situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas da sua vida e em ocasi\u00f5es de luto.<\/P><br \/>\n<P>33.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A comunidade local, a Igreja, o povo de Deus, s\u00e3o chamados a acreditar no futuro das pessoas tamb\u00e9m sem abrigo. Isto pode realizar-se mediante a constante comunica\u00e7\u00e3o, nas formas e nos tempos oportunos. Toda ocasi\u00e3o destinada a \u201cdar voz a quem n\u00e3o tem voz\u201d (ver a experi\u00eancia dos assim chamados jornais de rua) \u00e9 uma possibilidade capaz de mudar a percep\u00e7\u00e3o que as pessoas sem abrigo t\u00eam de si mesmas, e tamb\u00e9m a considera\u00e7\u00e3o e a compreens\u00e3o da sociedade com rela\u00e7\u00e3o a elas. Tudo isso \u00e9 um passo no crescimento da confian\u00e7a em si e na vida.<\/P><br \/>\n<P><B>Para o Conselho Pontif\u00edcio<\/B><\/P><br \/>\n<P>34.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Conselho Pontif\u00edcio da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes, com a ajuda dos participantes, estenda uma lista das organiza\u00e7\u00f5es que atuam com os sem abrigo, de maneira que seja facilitada a troca dos \u201cmodelos\u201d e simplificadas a comunica\u00e7\u00e3o e a coordena\u00e7\u00e3o.<\/P><br \/>\n<P>35.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Conselho Pontif\u00edcio dedique cada ano, uma semana \u00e0 sensibiliza\u00e7\u00e3o sobre as necessidades pastorais das pessoas sem abrigo, em concomit\u00e2ncia qui\u00e7\u00e1 com os dias internacionais a elas dedicados.<\/P><br \/>\n<P>36.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O presente Encontro n\u00e3o deveria ser o primeiro e nem o \u00faltimo; \u00e9 importante que haja uma continua\u00e7\u00e3o.<\/P><br \/>\n<P><br \/>\n<P><A href=\"#1184d5457ca78980_top\">top<\/A><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conclus\u00f5es do primeiro congresso internacional<BR><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-209","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/209","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=209"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/209\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1367,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/209\/revisions\/1367"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=209"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=209"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=209"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}