{"id":2162,"date":"2015-11-24T15:04:52","date_gmt":"2015-11-24T15:04:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/ocpm\/v2\/?p=2162"},"modified":"2015-11-24T15:12:42","modified_gmt":"2015-11-24T15:12:42","slug":"emergencia-educativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/emergencia-educativa\/","title":{"rendered":"Emerg\u00eancia educativa"},"content":{"rendered":"<ol>\n<li><strong>Terrorismo e educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Na \u00faltima nota escrevia o seguinte: <em>A educa\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia, na escola, nas comunidades religiosas deve ajudar a construir a paz. Bem-aventurados os que sofrem por causa da paz, proclamou Jesus<\/em>. Sem avaliar todo o alcance desta afirma\u00e7\u00e3o, nesta semana, no torvelinho dos acontecimentos, recebi muitos incentivos para a explicitar melhor e aplicar aos ambientes que nos envolvem.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, ao ler as propostas do s\u00ednodo sobre a fam\u00edlia, percebi que h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o global, que dificulta a tarefa educativa. Na miragem ideol\u00f3gica dum mundo envolvido na terceira guerra mundial em fragmentos, como se expressa o Papa Francisco, afirma-se o individualismo e o direito aos bens de consumo e esquece-se a educa\u00e7\u00e3o primordial para a rela\u00e7\u00e3o e a perten\u00e7a, a come\u00e7ar pela fam\u00edlia. Por isso os outros, a pr\u00f3pria natureza, s\u00e3o vistos como concorrentes e obst\u00e1culos a eliminar, <em>como o inferno<\/em>, como se expressava Sartre, e n\u00e3o como fazendo parte de n\u00f3s, do nosso bem estar e aos quais somos devedores. Como diz S. Paulo (Rm 13, 8): <em>n\u00e3o fiqueis a dever nada a ningu\u00e9m, a n\u00e3o ser o amor.<\/em><\/p>\n<p>Em segundo lugar, foi o Congresso Mundial promovido em Roma pela Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, na semana passada. No encontro com o Papa, a 21 de novembro, uma respons\u00e1vel educativa perguntava como podem os educadores ser construtores da paz. <strong>Na sua resposta espont\u00e2nea o Papa afirmava que \u00e9 preciso ir \u00e0s periferias, ao mundo dos pobres e n\u00e3o apenas fazer obras de benific\u00eancia para eles, dar-lhes de comer e ensin\u00e1-los a ler, mas a caminhar juntos com a sua experi\u00eancia de pessoas feridas na sua humanidade. N\u00e3o basta educar dentro de muros, cultivar uma cultura seletiva, de seguran\u00e7a, da intelig\u00eancia formal, mas arriscar no cumprimento das quatorze obras de miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p>Em contraste com estes pensamentos estavam as not\u00edcias veiculadas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social: a ca\u00e7a aos terroristas, os ataques aos focos de terrorismo, o controle dos refugiados, a constru\u00e7\u00e3o de defesas, o estado de emerg\u00eancia. Ser\u00e1 este o caminho da constru\u00e7\u00e3o da paz, n\u00e3o apenas em algumas partes do mundo, mas para todos e com todos?<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o para os valores humanos, implica tamb\u00e9m a abertura \u00e0 transcend\u00eancia, expressa de muitas maneiras, tamb\u00e9m a religiosa, mas nunca proselitismo ou fundamentalismo religioso, como dizia o Papa no di\u00e1logo atr\u00e1s referido. Um sistema educativo fechado, neopositivista, sem abertura \u00e0 transcend\u00eancia, que n\u00e3o toca o cora\u00e7\u00e3o, os comportamentos e as rela\u00e7\u00f5es fundamentais da pessoa, fecha o homem em si mesmo e n\u00e3o pode educar para o verdadeiro humanismo, por mais g\u00e9nios que produza, mas, infelizmente, tamb\u00e9m monstros.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>Como educar para um humanismo crist\u00e3o?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Como escrevi atr\u00e1s, a educa\u00e7\u00e3o, mesmo em fam\u00edlias e escolas cat\u00f3licas, nunca pode ser proselitista ou neopositivista, mas educar para os valores, aberta \u00e0 transcend\u00eancia, \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com os outros e com a natureza, procurando o seu bem.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o para a f\u00e9 e a sua explicita\u00e7\u00e3o religiosa, na escuta da Palavra de Deus, no conhecimento da mensagem e pessoa de Jesus Cristo, na ora\u00e7\u00e3o, na pr\u00e1tica dos mandamentos e das obras de miseric\u00f3rdia, ajuda a fazer crescer a pessoa na verdade do seu ser e a desenvolver a sociedade nas suas m\u00faltiplas rela\u00e7\u00f5es, construindo a paz na verdade, na justi\u00e7a, na igualdade, na fraternidade.<\/p>\n<p>Campos de refugiados, situa\u00e7\u00e3o prolongada de desemprego, sobretudo de jovens, a fome, condi\u00e7\u00f5es sub-humanas de vida, n\u00e3o s\u00e3o ambiente prop\u00edcio para a constru\u00e7\u00e3o da paz mundial. Por isso n\u00e3o podemos pactuar com estas situa\u00e7\u00f5es ou praticar apenas as obras de miseric\u00f3rdia corporais. \u00c9 preciso despertar as pessoas para a sua dignidade, que se realiza nas m\u00faltiplas rela\u00e7\u00f5es e no sentido de perten\u00e7a a uma \u00fanica humanidade, a fam\u00edlia humana, para cujo desenvolvimento todos devemos contribuir. \u00c9 caminhando que se faz caminho, como se ouve repetir. A educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser apenas para o conhecimento, mas para o cora\u00e7\u00e3o, os afetos, os sentimentos e a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Resta-nos um longo caminho a percorrer. Mas com lamentos, de bra\u00e7os ca\u00eddos, n\u00e3o avan\u00e7aremos. Os governos devem estar abertos e apoiar as experi\u00eancias educativas que v\u00e3o nesse sentido, em vez de querer prescrever um \u00fanico tipo de escola, que muda conforme as mudan\u00e7as dos partidos no governo. Basta de experimentalismos e deixemos que a sociedade civil com a fam\u00edlia, avance e possa transmitir os valores em que acredita.<\/p>\n<p>A Igreja termina o seu ano lit\u00fargico com a solenidade de Cristo Rei, que afirma a sua soberania, n\u00e3o pelo poder das armas, pelo medo, pela ditadura da opress\u00e3o, mas pela verdade do amor, pelo perd\u00e3o, pelo dom da vida na cruz. O seu poder n\u00e3o \u00e9 deste mundo, mas \u00e9 oferecido a todos os que viveram, vivem e h\u00e3o-de viver neste mundo. S\u00f3 Ele nos pode salvar desta gera\u00e7\u00e3o perversa, mas carente de amor. E quem \u00e9 da verdade ou a busca de todo o cora\u00e7\u00e3o reconhecer\u00e1 n\u2019Ele a fonte que sacia a sua sede e mata a sua fome, pois Ele \u00e9 <em>caminho, verdade e vida<\/em>.<\/p>\n<p>\u2020 Ant\u00f3nio Vitalino, bispo de Beja<\/p>\n<p>e\u00a0Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sua resposta espont\u00e2nea o Papa afirmava que \u00e9 preciso ir \u00e0s periferias, ao mundo dos pobres e n\u00e3o apenas fazer obras de benific\u00eancia para eles, dar-lhes de comer e ensin\u00e1-los a ler, mas a caminhar juntos com a sua experi\u00eancia de pessoas feridas na sua humanidade. 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