{"id":230,"date":"2008-06-11T10:29:10","date_gmt":"2008-06-11T10:29:10","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-15T17:26:31","modified_gmt":"2015-03-15T17:26:31","slug":"mensagem-para-o-dia-de-portugal-de-camoes-e-das-comunidades-portuguesas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/mensagem-para-o-dia-de-portugal-de-camoes-e-das-comunidades-portuguesas\/","title":{"rendered":"Mensagem para o Dia de Portugal, de Cam\u00f5es e das Comunidades Portuguesas"},"content":{"rendered":"<p><P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">1. Portugal, mais uma vez, se prepara para celebrar, no dia 10 de Junho, o <SPAN lang=PT-BR style=\"COLOR: black; mso-ansi-language: PT-BR\">Dia de Portugal, de Cam\u00f5es e das Comunidades Portuguesas<\/SPAN><SPAN lang=PT-BR> <\/SPAN>espalhadas pelo mundo. A Igreja Cat\u00f3lica em Portugal, atrav\u00e9s do Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana, associa-se a esta celebra\u00e7\u00e3o, num acto de gratid\u00e3o a Deus, pelo importante papel desempenhado por tantos milh\u00f5es de portugueses e luso-descendentes a viver fora do pa\u00eds, n\u00e3o s\u00f3 pelo seu papel na expans\u00e3o da cultura e dos valores da p\u00e1tria, mas, sobretudo, porque, atrav\u00e9s deles, se fortalece a nossa identidade lusa e a esperan\u00e7a de vencermos as depress\u00f5es e crises do torr\u00e3o natal.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>Numa altura em que prevalece um ambiente de contesta\u00e7\u00e3o social na Europa, sobretudo por causa da subida dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis e dos cereais, fazendo resvalar atr\u00e1s de si o agravamento das desigualdades entre os portugueses, faz-nos bem lan\u00e7ar o olhar para as nossas comunidades espalhadas pelos cinco continentes. Isso fortalece em todos n\u00f3s a auto-estima e a esperan\u00e7a de que a valentia dos descobridores e emigrantes \u00e9 capaz de vencer as crises e conseguir para as suas fam\u00edlias o bem-estar que na p\u00e1tria lhes foi negado.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>Hoje como outrora, temos de olhar para estes portugueses ousados como s\u00edmbolos das potencialidades da nossa identidade, forjada ao longo dos s\u00e9culos pelos valores da esperan\u00e7a crist\u00e3, que nos alarga os horizontes e desperta as virtualidades para vencer os desafios e as crises do presente, mas de um modo solid\u00e1rio e fraterno.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>Por outro lado, o fen\u00f3meno das migra\u00e7\u00f5es recorda-nos a nossa qualidade essencial de seres em mobilidade, homens sempre a caminho (\u201chomo viator\u201d, como diria o fil\u00f3sofo Gabriel Marcel) e que \u00e9 nesta condi\u00e7\u00e3o que conseguiremos superar as crises e dar novos horizontes \u00e0s nossas fam\u00edlias, a Portugal e ao mundo.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>&nbsp;<?xml:namespace prefix = o ns = \"urn:schemas-microsoft-com:office:office\" \/><o:p><\/o:p><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>2. Contemplando, neste Ano Europeu do Di\u00e1logo Intercultural, a viagem hist\u00f3rica da di\u00e1spora portuguesa, podemos ver o como os emigrantes portugueses foram capazes de se estender por toda a parte, levando a nossa l\u00edngua, a nossa cultura e tamb\u00e9m a f\u00e9, ao seio de outras comunidades e de outros povos. Na verdade, se algum povo, ao longo da hist\u00f3ria humana, foi capaz de viver profundamente a interculturalidade e a toler\u00e2ncia face a outras culturas e outras gentes, este povo foi, e ainda \u00e9, o povo portugu\u00eas.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>Como se diz, Deus criou o ser humano e as diferentes ra\u00e7as, mas os portugueses criaram o mesti\u00e7o. A mesti\u00e7agem das culturas e das ra\u00e7as \u00e9 um fen\u00f3meno que se imp\u00f5e cada vez mais e, num mundo global, onde alguns nacionalismos e fundamentalismos criam guetos e tens\u00f5es, o di\u00e1logo intercultural e a mesti\u00e7agem podem dar um forte contributo para a coes\u00e3o mundial, sem deixar aniquilar a identidade de cada povo, mas afirmada num pluralismo ecum\u00e9nico e pac\u00edfico, reconhecendo no outro, no diferente, um irm\u00e3o no percurso do caminho rumo \u00e0 maturidade, que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com os outros e n\u00e3o contra os outros. Os milh\u00f5es de pessoas que se lan\u00e7am na aventura de procurar um lugar onde se possam estabelecer e trabalhar, na busca de condi\u00e7\u00f5es de vida com o m\u00ednimo de dignidade e com algum horizonte de esperan\u00e7a, entre eles cinco milh\u00f5es de portugueses, precisam de se dar as m\u00e3os, para construir uma nova civiliza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia humana, no respeito m\u00fatuo pela diversidade e pela natureza envolvente.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>&nbsp;<o:p><\/o:p><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>3. A depress\u00e3o econ\u00f3mica, o abrandamento do crescimento nos pa\u00edses desenvolvidos n\u00e3o pode arrastar-nos para uma crise dos valores da solidariedade, da compreens\u00e3o, do amor ao necessitado, ao menos capaz de acompanhar o ritmo acelerado do desenvolvimento econ\u00f3mico e tecnol\u00f3gico. Ou damos as m\u00e3os uns aos outros ou ficamos todos pelo caminho.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>Neste sentido, apelo aos nossos governantes e aos governos dos pa\u00edses de destino dos emigrantes, mas tamb\u00e9m aos pr\u00f3prios portugueses que vivem e trabalham longe do solo da p\u00e1tria, para que apoiem os novos emigrantes, sobretudo as jovens fam\u00edlias no seu in\u00edcio de vida comunit\u00e1ria, e n\u00e3o fa\u00e7am aos outros aquilo que n\u00e3o gostar\u00edamos que nos fizessem a n\u00f3s. Nesta nova gera\u00e7\u00e3o de migrantes penso sobretudo naqueles que, provenientes da \u00c1frica e da Am\u00e9rica do sul, rumam aos pa\u00edses do norte, fugindo \u00e0 mis\u00e9ria que mata milh\u00f5es de seres humanos. N\u00e3o podemos continuar a assistir, im\u00f3veis, \u00e0 hecatombe de emigrantes, muitos deles mulheres e crian\u00e7as, que sucumbem nos mares ou diante de fronteiras de arame farpado.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>&nbsp;<o:p><\/o:p><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>4. Apesar de Portugal, no contexto da Europa, se ter tornado tamb\u00e9m um pa\u00eds de acolhimento de imigrantes, continuamos a assistir \u00e0 sa\u00edda de muitos milhares de portugueses, que procuram noutras paragens, principalmente nos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, a oportunidade para construir uma vida melhor, sendo estes, na sua grande maioria, jovens. Este fen\u00f3meno traz novos desafios e exig\u00eancias \u00e0 miss\u00e3o da Igreja no seio das comunidades, aos quais procuraremos estar atentos e ir ao seu encontro, dentro das limita\u00e7\u00f5es da situa\u00e7\u00e3o actual da Igreja que, muitas vezes, tem dificuldade de dar a resposta necess\u00e1ria, devido \u00e0 crise vocacional dos \u00faltimos dec\u00e9nios e que tem levado \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do n\u00famero de sacerdotes e de religiosos consagrados. Mas na Igreja trabalhamos em rede fraterna. Por isso estamos a redobrar esfor\u00e7os no sentido de as Igrejas dos pa\u00edses de origem e dos pa\u00edses de destino se entreajudarem, para que, como no in\u00edcio da era crist\u00e3, tamb\u00e9m hoje, povos de v\u00e1rias l\u00ednguas e proveni\u00eancias se compreendam, se sintam amados e em casa e colaborem na constru\u00e7\u00e3o da nova humanidade, onde a ningu\u00e9m falte o essencial para viver dignamente. <\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>&nbsp;<o:p><\/o:p><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>5. A conviv\u00eancia com povos de outras culturas fortalece a nossa identidade e a afirma\u00e7\u00e3o dos nossos valores, algo mais profundo que o simples facto de sermos luso-descendentes por raz\u00f5es gen\u00e9ticas. Todos n\u00f3s sentimos a garra como os nossos emigrantes vivem a sua identidade e se afirmam por esse mundo fora. Como se alegram e transmitem alegria, quando celebram a sua f\u00e9, fazem as suas prociss\u00f5es, muitas vezes \u00e0 volta da imagem de Nossa Senhora de F\u00e1tima, fundam as suas associa\u00e7\u00f5es e clubes, recebem a visita de algum membro do governo do nosso pa\u00eds ou representante da Igreja portuguesa, ouvem algum grupo ou artista, exibindo as nossas dan\u00e7as e os nossos cantares ou v\u00eam ao seu pa\u00eds em gozo merecido de f\u00e9rias ou de visita \u00e0 sua terra e familiares\u2026 Que o diga a selec\u00e7\u00e3o de Portugal agora a disputar o campeonato europeu de futebol na Su\u00ed\u00e7a e na \u00c1ustria!<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>&nbsp;<o:p><\/o:p><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>6. Recordo a todos os dois grandes eventos que se aproximam: o Encontro Nacional da Pastoral das Migra\u00e7\u00f5es, subordinado ao tema: <I style=\"mso-bidi-font-style: normal\">\u201cAs migra\u00e7\u00f5es e os desafios pastorais da Igreja num pa\u00eds em muta\u00e7\u00e3o cultural\u201d,<\/I> o qual se realizar\u00e1 no Santu\u00e1rio de Nossa Senhora do Sameiro, em Braga, de 7 a 10 de Julho; e a 36\u00aa Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es, de 10 a 17 de Agosto, a qual ter\u00e1 como tema: <I style=\"mso-bidi-font-style: normal\">\u201cJovens Migrantes Protagonistas da Esperan\u00e7a\u201d<\/I>, cujo ponto alto \u00e9 a Peregrina\u00e7\u00e3o dos Migrantes a F\u00e1tima, nos dias 12 e 13 de Agosto.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>&nbsp;<o:p><\/o:p><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>7. Dirijo uma sauda\u00e7\u00e3o particular a todos os mission\u00e1rios: sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos, que, ao servi\u00e7o das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, d\u00e3o o seu melhor na constru\u00e7\u00e3o da Igreja de Cristo, procurando incarnar no seio das comunidades os valores do humanismo evang\u00e9lico, que, durante s\u00e9culos, identificou Portugal e que tem sido levado, pelos portugueses, \u00e0s cinco partidas do mundo. Viva Portugal e todos os seus filhos dispersos pelo mundo!<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>&nbsp;<o:p><\/o:p><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify>Beja, 8 de Junho de 2008<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center\" align=center>Ant\u00f3nio Vitalino Dantas, bispo de Beja<\/P><SPAN style=\"FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT; mso-fareast-language: PT; mso-bidi-language: AR-SA\">Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana<\/SPAN><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center\" align=center><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><I style=\"mso-bidi-font-style: normal\">Comunidades Portuguesas, baluarte da afirma\u00e7\u00e3o da nossa identidade<?xml:namespace prefix = o ns = \"urn:schemas-microsoft-com:office:office\" \/><o:p><\/o:p><\/I><\/B><\/P><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-230","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=230"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1293,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230\/revisions\/1293"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}