{"id":231,"date":"2009-06-09T11:11:34","date_gmt":"2009-06-09T11:11:34","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-15T17:30:56","modified_gmt":"2015-03-15T17:30:56","slug":"identidade-dos-portugueses-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/identidade-dos-portugueses-no-mundo\/","title":{"rendered":"IDENTIDADE DOS PORTUGUESES NO MUNDO"},"content":{"rendered":"<p><P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center\" align=justify><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">Nesta semana n\u00e3o vou reflectir sobre acontecimentos do passado, mas pretendo apresentar alguns pontos de vista sobre o DIA DE PORTUGAL, DE CAM\u00d5ES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS, que celebramos no dia 10 de Junho.<?xml:namespace prefix = o ns = \"urn:schemas-microsoft-com:office:office\" \/><o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 6pt 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">J\u00e1 se tornou uma rotina celebrarmos dias e anos dedicados \u00e0s mais diversas causas nacionais e mundiais. Mas na celebra\u00e7\u00e3o do Dia de Portugal, a 10 de Junho, data da morte do grande cantor \u00e9pico das gl\u00f3rias de Portugal, Lu\u00eds Vaz de Cam\u00f5es, al\u00e9m de real\u00e7armos a nossa identidade nacional, alargamos as comemora\u00e7\u00f5es ao autor dos Lus\u00edadas e \u00e0s comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, pois s\u00e3o elas as continuadoras daqueles que <I style=\"mso-bidi-font-style: normal\">por mares nunca de antes navegados passaram ainda al\u00e9m da Taprobana,<\/I> como cantou Cam\u00f5es acerca dos nossos descobridores.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 6pt 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">Na verdade, cerca de um ter\u00e7o dos portugueses, uns cinco milh\u00f5es, est\u00e1 espalhado pelos cinco continentes, muitas vezes organizados em comunidades significativas e orgulhosas do nome, da l\u00edngua e da cultura portuguesa. S\u00e3o os grandes embaixadores de Portugal, que, nada custando ao er\u00e1rio p\u00fablico, ainda o enriquecem com as suas remessas, contribuindo para construir e afirmar Portugal no mundo. Mas n\u00e3o \u00e9 apenas o aspecto econ\u00f3mico e financeiro que nos interessa, mas sobretudo o contributo dos nossos emigrantes em tornar o mundo uma p\u00e1tria comum, onde nunca nos sentimos estrangeiros.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 6pt 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">Diz-se que Deus criou o mundo e as diferentes ra\u00e7as, mas os portugueses criaram os mesti\u00e7os. A mesti\u00e7agem \u00e9 um fen\u00f3meno que muito contribuiu para ultrapassar as diverg\u00eancias e lutas racistas, dando origem \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o da unidade do g\u00e9nero humano, onde n\u00e3o h\u00e1 ra\u00e7as superiores e inferiores, senhores e escravos, mas semelhantes, pr\u00f3ximos, irm\u00e3os.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 6pt 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">Mas esta mentalidade fraterna tem dificuldade em espelhar-se em todas as dimens\u00f5es do ser e da ac\u00e7\u00e3o de todas as pessoas e sociedades, tamb\u00e9m no que diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e financeiras. Ainda h\u00e1 uns que s\u00e3o mais iguais que outros.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 6pt 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">Precisamente aqui interv\u00e9m a f\u00e9 dos crist\u00e3os, radicada na f\u00e9 b\u00edblica, sobretudo na pessoa de Jesus de Nazar\u00e9, que fez do amor ao pr\u00f3ximo, sem acep\u00e7\u00e3o de pessoas, com especial aten\u00e7\u00e3o aos doentes e aos pobres, sacramento, sinal do amor e do conhecimento de Deus. O grande ap\u00f3stolo S. Paulo, a quem a Igreja dedicou um ano, desde 29 de Junho de 2008 at\u00e9 \u00e0 mesma data do corrente ano, recordando os dois mil anos do seu nascimento, escreve v\u00e1rias vezes nas suas cartas de que diante de Deus n\u00e3o h\u00e1 judeu nem grego, senhor e escravo, estrangeiros e emigrantes, mas concidad\u00e3os do Reino de Deus (Ef 2, 19).<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 6pt 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">Tendo em conta este ano Paulino, o Papa Bento XVI dedicou a sua mensagem para o Dia mundial do migrante e refugiado a S. Paulo, visto como migrante e ap\u00f3stolo das <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 6pt 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 6pt 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">gentes, isto \u00e9, de todos os povos al\u00e9m fronteiras e limites do seu povo. Ele tornou vis\u00edvel a mensagem universalista e humanit\u00e1ria de Jesus, confrontando-se com mentalidades nacionalistas, fechadas, farisaicas. Isto transmitiu-nos na sua ac\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e nos seus escritos, que bem podemos considerar a magna carta dos direitos fundamentais do homem e da liberdade religiosa.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 6pt 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">Na sequ\u00eancia desta mensagem papal, a Igreja portuguesa ir\u00e1 celebrar toda uma semana dedicada aos migrantes, de 9 a 16 de Agosto e uma peregrina\u00e7\u00e3o internacional a F\u00e1tima, a 12 e 13 do mesmo m\u00eas do corrente ano, dando-lhe como tema: \u201cviver o amor fraterno sem distin\u00e7\u00f5es nem discrimina\u00e7\u00f5es\u201d. Como diz um ditado do nosso povo, \u201c\u00e1gua mole em pedra dura tanto d\u00e1 at\u00e9 que fura\u201d, tamb\u00e9m eu acredito que estas repeti\u00e7\u00f5es, estes slogans, escritos, proclamados e explicados acabar\u00e3o por penetrar nas nossas mentalidades e influenciar todas as dimens\u00f5es do nosso agir. Sabemos que ainda h\u00e1 um longo caminho a percorrer, mas n\u00e3o podemos calar, esconder esta verdade, sobretudo em tempos de crise, humanit\u00e1ria mais que financeira. Enquanto n\u00e3o tirarmos as conclus\u00f5es deste ideal evang\u00e9lico e bem presente na nossa cultura e entre os nossos emigrantes, n\u00e3o teremos paz e n\u00e3o conseguiremos ultrapassar as crises.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 6pt 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">Por isso, no dia 10 de Junho deste ano, como bispo de Beja e tamb\u00e9m Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana, aqui deixo este apelo aos meus diocesanos e a todos os nossos emigrantes espalhados pelo mundo, para que n\u00e3o esmore\u00e7am na constru\u00e7\u00e3o duma sociedade mais fraterna e mais universalista, tornando-se arautos e mission\u00e1rios desta maneira de ser e de estar que tornaram grande o nome de Portugal.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 6pt 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">N\u00e3o quero terminar esta breve nota sem mencionar um outro personagem que mais que ningu\u00e9m contribuiu para a defini\u00e7\u00e3o da nossa identidade e unidade nacional: Nuno \u00c1lvares Pereira, o Santo Condest\u00e1vel, a 26 de Abril proclamado santo da Igreja universal como S. Nuno de Santa Maria. Foi um homem de vis\u00e3o clarividente e de her\u00f3ico na defesa dos seus nobres ideais, que se identificavam com os da p\u00e1tria e do seu povo, sempre inspirado no Evangelho, em Jesus Cristo e tamb\u00e9m sempre confiado na protec\u00e7\u00e3o de Maria. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 6pt 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">Ao mesmo tempo agrade\u00e7o a todos os que est\u00e3o bem na vida e aos emigrantes mais integrados nos pa\u00edses onde se encontram, para que continuem a ser solid\u00e1rios com os novos emigrantes e os pobres, que debandam outras terras \u00e0 procura de melhor governo&#8230; da vida.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 6pt 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\" align=justify><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">Com amizade, extensiva hoje de modo especial a todos os nossos emigrantes, mas tamb\u00e9m aos imigrantes a residir e trabalhar no nosso pa\u00eds, despe\u00e7o-me sempre ao vosso dispor.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center\" align=center><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">\u2020 Ant\u00f3nio Vitalino, Bispo de Beja<\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center\" align=center><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow','sans-serif'; mso-bidi-font-size: 10.0pt\">Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana<\/SPAN><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><P>Mensagem para o 10 de Junho, <\/P><br \/>\n<P>&nbsp;<\/P><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-231","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=231"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/231\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1353,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/231\/revisions\/1353"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}