{"id":233,"date":"2009-08-13T10:49:25","date_gmt":"2009-08-13T10:49:25","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-15T17:30:55","modified_gmt":"2015-03-15T17:30:55","slug":"homilia-da-missa-da-vigilia-12-08-2009","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/homilia-da-missa-da-vigilia-12-08-2009\/","title":{"rendered":"Homilia da Missa da Vig\u00edlia, 12.08.2009"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\">LEITURAS:<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>1. 1&ordf; leitura: Is 32, 15-18:<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>15Uma vez mais vir&aacute; sobre n&oacute;s o esp&iacute;rito do alto.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Ent&atilde;o o deserto se converter&aacute; em pomar,<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>e o pomar ser&aacute; como uma floresta.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><a name=\"BM32_16\"><\/a>&nbsp;16Na terra, agora deserta, habitar&aacute; o direito,<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>e a justi&ccedil;a no pomar.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><a name=\"BM32_17\"><\/a>&nbsp;17A paz ser&aacute; obra da justi&ccedil;a,<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>e o fruto da justi&ccedil;a ser&aacute; a tranquilidade<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>e a seguran&ccedil;a para sempre.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><a name=\"BM32_18\"><\/a>&nbsp;18O povo de Deus repousar&aacute; numa mans&atilde;o serena,<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>em moradas seguras e em lugares tranquilos.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><o:p><\/o:p><\/p>\n<p>2. 2&ordf; leitura: Tiago 3, 13-14.17:<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>13Existe algu&eacute;m entre v&oacute;s que seja s&aacute;bio e entendido? Mostre, ent&atilde;o, pelo seu bom procedimento, que as suas obras est&atilde;o repassadas da mansid&atilde;o pr&oacute;pria da sabedoria.<v:shapetype id=\"_x0000_t75\" coordsize=\"21600,21600\" o:spt=\"75\" o:preferrelative=\"t\" path=\"m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe\" filled=\"f\" stroked=\"f\"> <v:stroke joinstyle=\"miter\"><\/v:stroke><v:formulas><v:f eqn=\"if lineDrawn pixelLineWidth 0\"><\/v:f><v:f eqn=\"sum @0 1 0\"><\/v:f><v:f eqn=\"sum 0 0 @1\"><\/v:f><v:f eqn=\"prod @2 1 2\"><\/v:f><v:f eqn=\"prod @3 21600 pixelWidth\"><\/v:f><v:f eqn=\"prod @3 21600 pixelHeight\"><\/v:f><v:f eqn=\"sum @0 0 1\"><\/v:f><v:f eqn=\"prod @6 1 2\"><\/v:f><v:f eqn=\"prod @7 21600 pixelWidth\"><\/v:f><v:f eqn=\"sum @8 21600 0\"><\/v:f><v:f eqn=\"prod @7 21600 pixelHeight\"><\/v:f><v:f eqn=\"sum @10 21600 0\"><\/v:f><\/v:formulas><v:path o:extrusionok=\"f\" gradientshapeok=\"t\" o:connecttype=\"rect\"><\/v:path><o:lock v:ext=\"edit\" aspectratio=\"t\"><\/o:lock><\/v:shapetype><v:shape id=\"Imagem_x0020_1\" o:spid=\"_x0000_i1029\" type=\"#_x0000_t75\"><v:imagedata src=\"file:\/\/\/C:\\DOCUME~1\\Eugenia\\DEFINI~1\\Temp\\msohtmlclip11\\clip_image001.png\" o:title=\"\"><\/v:imagedata><\/v:shape><a name=\"BM3_14\"><\/a>14Mas, se tendes no vosso cora&ccedil;&atilde;o uma inveja amarga e um esp&iacute;rito dado a contendas, n&atilde;o vos vanglorieis nem falseeis a verdade.<a name=\"BM3_15\"><\/a> 15Essa n&atilde;o &eacute; a sabedoria que vem do alto, mas &eacute; a terrena, a da natureza corrompida, a diab&oacute;lica.<a name=\"BM3_16\"><\/a> 16Pois, onde h&aacute; inveja e esp&iacute;rito faccioso tamb&eacute;m h&aacute; perturba&ccedil;&atilde;o e todo o g&eacute;nero de obras m&aacute;s.<a name=\"BM3_17\"><\/a> 17Mas a sabedoria que vem do alto &eacute;, em primeiro lugar, pura; depois, &eacute; pac&iacute;fica, indulgente, d&oacute;cil, cheia de miseric&oacute;rdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia;<a name=\"BM3_18\"><\/a> 18e &eacute; com a paz que uma colheita de justi&ccedil;a &eacute; semeada pelos obreiros da paz.<v:shape id=\"Imagem_x0020_2\" o:spid=\"_x0000_i1028\" type=\"#_x0000_t75\"> <v:imagedata src=\"file:\/\/\/C:\\DOCUME~1\\Eugenia\\DEFINI~1\\Temp\\msohtmlclip11\\clip_image001.png\" o:title=\"\"><\/v:imagedata><\/v:shape><o:p><\/o:p><\/p>\n<p><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p>3. Evangelho: Jo 14, 23-29:<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><a name=\"BM14_22\"><\/a>22Perguntou-lhe Judas, n&atilde;o o Iscariotes: &laquo;Porque te h&aacute;s-de manifestar a n&oacute;s e n&atilde;o te manifestar&aacute;s ao mundo?&raquo;<v:shape id=\"Imagem_x0020_3\" o:spid=\"_x0000_i1027\" type=\"#_x0000_t75\"> <v:imagedata src=\"file:\/\/\/C:\\DOCUME~1\\Eugenia\\DEFINI~1\\Temp\\msohtmlclip11\\clip_image001.png\" o:title=\"\"><\/v:imagedata><\/v:shape><a name=\"BM14_23\"><\/a>23Respondeu-lhe Jesus: &laquo;Se algu&eacute;m me tem amor, h&aacute;-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amar&aacute;, e N&oacute;s viremos a ele e nele faremos morada.<a name=\"BM14_24\"><\/a> 24Quem n&atilde;o me tem amor n&atilde;o guarda as minhas palavras; e a palavra que ouvis n&atilde;o &eacute; minha, mas &eacute; do Pai, que me enviou.&raquo;<v:shape id=\"Imagem_x0020_4\" o:spid=\"_x0000_i1026\" type=\"#_x0000_t75\"> <v:imagedata src=\"file:\/\/\/C:\\DOCUME~1\\Eugenia\\DEFINI~1\\Temp\\msohtmlclip11\\clip_image001.png\" o:title=\"\"><\/v:imagedata><\/v:shape>25&laquo;Fui-vos revelando estas coisas enquanto tenho permanecido convosco;<a name=\"BM14_26\"><\/a> 26mas o Par&aacute;clito, o Esp&iacute;rito Santo que o Pai enviar&aacute; em meu nome, esse &eacute; que vos ensinar&aacute; tudo, e h&aacute;-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse.&raquo;<v:shape id=\"Imagem_x0020_5\" o:spid=\"_x0000_i1025\" type=\"#_x0000_t75\"> <v:imagedata src=\"file:\/\/\/C:\\DOCUME~1\\Eugenia\\DEFINI~1\\Temp\\msohtmlclip11\\clip_image001.png\" o:title=\"\"><\/v:imagedata><\/v:shape><o:p><\/o:p><\/p>\n<p><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p>1. Vir&aacute; sobre n&oacute;s o esp&iacute;rito do alto. Ent&atilde;o o deserto se converter&aacute; em pomar, e o pomar ser&aacute; como uma floresta (Is 32, 15), assim nos falou Deus atrav&eacute;s do profeta Isa&iacute;as, na primeira leitura desta Missa pela paz e pela justi&ccedil;a.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Amados peregrinos, estamos aqui neste lugar sagrado da Cova da Iria, vindos de muitos pontos da terra, formando uma assembleia orante, convocada pela f&eacute; e pela devo&ccedil;&atilde;o a Maria, a Senhora de F&aacute;tima, a M&atilde;e de Jesus e nossa M&atilde;e tamb&eacute;m. Somos um povo em mobilidade, que n&atilde;o resigna perante as dificuldades e a aridez de muitos ambientes, mas procura transformar o deserto de uma sociedade ego&iacute;sta e injusta em pomar frondoso, onde h&aacute; frutos suficientes para todos viverem, reinando a&iacute; o direito e a justi&ccedil;a, dos quais brotam como frutos apetec&iacute;veis a paz, a seguran&ccedil;a e a tranquilidade. Que belas promessas feitas a um povo oprimido, a viver no ex&iacute;lio, longe da sua terra natal! Quem n&atilde;o anseia estes dons para a sua vida? Mas tamb&eacute;m quem n&atilde;o constata &agrave; sua volta a falta de tudo isso? Quem n&atilde;o verifica constantemente pessoas, grupos e at&eacute; povos inteiros a cair nos caminhos da vida, v&iacute;timas das injusti&ccedil;as, do ego&iacute;smo, da fome e das guerras?<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>O nosso mundo poderia ser um pomar com frutos suficientes para todos, se nos deix&aacute;ssemos inundar pelo Esp&iacute;rito que Jesus prometeu aos Ap&oacute;stolos e que enviou sobre eles no Pentecostes e tamb&eacute;m sobre n&oacute;s, quando nos convertemos, escutamos e seguimos a Palavra de Jesus, o Evangelho, a Boa nova de salva&ccedil;&atilde;o para todos os que peregrinam a caminho do Reino de Deus, que &eacute; uma semente sempre a ser lan&ccedil;ada &agrave; terra e uma sementeira sempre em crescimento, mas onde tamb&eacute;m cresce muito joio, muitas ervas daninhas, que retiram a for&ccedil;a &agrave;s boas plantas e as impede de dar fruto abundante para todos.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p>2. Viemos aqui a este lugar aben&ccedil;oado fortalecer as nossas m&atilde;os d&eacute;beis, robustecer os nossos joelhos vacilantes, animar o nosso cora&ccedil;&atilde;o pusil&acirc;nime, para podermos continuar o nosso caminho, o nosso crescimento, e n&atilde;o nos deixarmos abafar pelas for&ccedil;as do mal. Esta peregrina&ccedil;&atilde;o de Agosto, dedicada aos migrantes e refugiados, &eacute;, mais que qualquer outra, um sinal concreto da mensagem do profeta Isa&iacute;as. Aqui estamos para receber a for&ccedil;a de Deus.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Hoje, mais que nunca, vivemos num mundo em constante mobilidade e, mesmo aqueles que aguentam permanecer nas suas aldeias, partilham das alegrias e tristezas, esperan&ccedil;as e des&acirc;nimos dos seus vizinhos ou familiares que se puseram a caminho &agrave; procura de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida ou at&eacute; mesmo da liberdade, que, por diferentes raz&otilde;es, lhes era negada na sua terra natal.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Nesta Vig&iacute;lia da nossa peregrina&ccedil;&atilde;o estamos a celebrar a Missa votiva pela paz e pela justi&ccedil;a, dons necess&aacute;rios para que haja verdadeiro crescimento e desenvolvimento. Quando elas faltam, o progresso n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ou s&ecirc;-lo-&aacute; apenas para alguns, aumentam as desigualdades, o fosso entre ricos e pobres torna-se cada vez mais profundo, o pomar dos ricos sobranceia com o deserto de grande parte da humanidade. Aqui surgem a inveja, o descontentamento e at&eacute; a revolta, que minam a paz, a tranquilidade e a seguran&ccedil;a de todos. J&aacute; S. Tiago, de que escut&aacute;mos um trecho na segunda leitura, nos advertia neste mesmo sentido. Passados dois mil anos parece que ainda n&atilde;o aprendemos muito. Na sua recente enc&iacute;clica sobre o desenvolvimento integral da pessoa humana e da humanidade com o t&iacute;tulo de Caridade na Verdade, o Santo Padre Bento XVI apontava tamb&eacute;m estas e outras causas que impedem a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade justa e d&atilde;o origem a muitas crises, sendo a financeira e econ&oacute;mica a &uacute;ltima a assolar o nosso mundo globalizado.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p>3. Como poderemos vencer estas crises que assolam a humanidade? Estamos todos condenados &agrave; fal&ecirc;ncia, ao fracasso? Ou temos possibilidade de as superar?<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Aqui estamos, amados peregrinos, para agradecer a Deus, por interm&eacute;dio de Maria, a sua protec&ccedil;&atilde;o no meio de uma sociedade ego&iacute;sta e corrupta e tamb&eacute;m para pedir-lhe que continue a enviar sobre n&oacute;s o Esp&iacute;rito do alto, que nos faz compreender toda a mensagem de Jesus, que nos d&aacute; a verdadeira sabedoria, para vencermos a mentira e a injusti&ccedil;a dos nossos ambientes, quem sabe se mesmo dentro da nossa pr&oacute;pria fam&iacute;lia! Quantas vezes temos desaven&ccedil;as, contendas e querelas nos tribunais, por nos sentirmos v&iacute;timas das injusti&ccedil;as daqueles com quem vivemos ou ent&atilde;o para tentarmos impor a nossa vontade aos outros?<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Precisamos de nos abrir ao Esp&iacute;rito de Jesus. A convers&atilde;o, a ora&ccedil;&atilde;o, aqui pedida e recomendada por Nossa Senhora aos tr&ecirc;s Pastorinhos de F&aacute;tima, ajudar-nos-&atilde;o a acolher a Boa Nova do Reino de Deus e a partilh&aacute;-la com os nossos semelhantes. N&atilde;o desistamos de rezar pela nossa convers&atilde;o e pela dos pecadores. A ora&ccedil;&atilde;o abre o nosso cora&ccedil;&atilde;o ao amor, &agrave; verdade que nos liberta. A nossa ora&ccedil;&atilde;o, aqui unida &agrave; de muitos irm&atilde;os nossos, mas sobretudo em un&iacute;ssono com a de Jesus na celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, ser&aacute; a arma que vencer&aacute; as divis&otilde;es e injusti&ccedil;as deste mundo. Este &eacute; um milagre que sempre acontece quando cumprimos os pedidos de Nossa Senhora, como outrora nas bodas de Cana (fazei o que Ele vos disser) e h&aacute; 92 anos, em 1917, quando se aconteceram as apari&ccedil;&otilde;es e reinava o flagelo da primeira guerra mundial. Com esta arma tamb&eacute;m n&oacute;s venceremos as crises e as guerras de hoje.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p>4. N&atilde;o resisto em citar a Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, apresentando S. Paulo como modelo de evangelizador e de construtor de uma nova sociedade, onde todos vivem como irm&atilde;os, sem discrimina&ccedil;&atilde;o de pessoas e que constitui tamb&eacute;m o tema desta peregrina&ccedil;&atilde;o: Guiado pelo Esp&iacute;rito Santo, S. Paulo prodigalizou-se sem reservas para que fosse anunciado a todos, sem distin&ccedil;&atilde;o de nacionalidade e de cultura, o Evangelho que &eacute; &laquo;poder de Deus para a salva&ccedil;&atilde;o de todos os fi&eacute;is&#8230; Nas suas viagens apost&oacute;licas, n&atilde;o obstante as reiteradas oposi&ccedil;&otilde;es, proclamava primeiro o Evangelho nas sinagogas, chamando a aten&ccedil;&atilde;o sobretudo dos seus compatriotas na di&aacute;spora (cf. Act 18, 4-6). Se eles o rejeitavam, dirigia-se aos pag&atilde;os, fezendo-se aut&ecirc;ntico &laquo;mission&aacute;rio dos migrantes&raquo;, ele mesmo migrante e embaixador itinerante de Jesus Cristo, para convidar todas as pessoas a tornarem-se, no Filho de Deus, &laquo;novas criaturas&raquo; (2 Cor 5, 17).<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Tamb&eacute;m n&atilde;o resisto em citar um trecho da recente enc&iacute;clica do nosso Papa Bento XVI, Caridade na Verdade, quando se refere directamente aos emigrantes, n&ordm; 62: Outro aspecto merecedor de aten&ccedil;&atilde;o, ao tratar do desenvolvimento humano integral, &eacute; o fen&oacute;meno das migra&ccedil;&otilde;es. &#8230; Pode-se dizer que estamos perante um fen&oacute;meno social de natureza epocal, que requer uma forte e clarividente pol&iacute;tica de coopera&ccedil;&atilde;o internacional para ser convenientemente enfrentado. Esta pol&iacute;tica h&aacute;-de ser desen&shy;volvida a partir de uma estreita colabora&shy;&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses donde partem os emi&shy;grantes e os pa&iacute;ses de chegada&#8230; Nenhum pa&iacute;s se pode considerar capaz de enfrentar, sozinho, os problemas migrat&oacute;rios do nosso tempo. Todos somos testemunhas da carga de sofrimentos, contrariedades e aspira&ccedil;&otilde;es que acompa&shy;nham os fluxos migrat&oacute;rios. Como &eacute; sabido, o fen&oacute;meno &eacute; de gest&atilde;o complicada; todavia &eacute; certo que os trabalhadores estrangeiros, n&atilde;o obstante as dificuldades relacionadas com a sua integra&ccedil;&atilde;o, pres&shy;tam com o seu trabalho um contributo significativo para o desenvolvimento eco&shy;n&oacute;mico do pa&iacute;s de acolhimento e tamb&eacute;m do pa&iacute;s de origem com as remessas monet&aacute;rias. Obviamente, tais trabalhado&shy;res n&atilde;o podem ser considerados como simples mercadoria ou mera for&ccedil;a de tra&shy;balho; por isso, n&atilde;o devem ser tratados como qualquer outro factor de produ&ccedil;&atilde;o. Todo o imigrante &eacute; uma pessoa humana e, enquanto tal, possui direitos fundamentais inalien&aacute;veis que h&atilde;o-de ser respeitados por todos em qualquer situa&ccedil;&atilde;o [142].<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Se todos os pa&iacute;ses, tamb&eacute;m o nosso, tivessem isto em conta, como seria mais f&aacute;cil viver e conviver uns com os outros, sem leis restritivas, que criam guetos, fortalezas e a exclus&atilde;o dos pobres da mesa dos ricos. Um mundo assim n&atilde;o tem futuro. Pelo menos n&atilde;o ter&aacute; a paz e a seguran&ccedil;a, que todos ambicionamos e pela qual Nossa Senhora aqui em F&aacute;tima pediu que rez&aacute;ssemos e por ela nos sacrific&aacute;ssemos.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>5. Nesta medita&ccedil;&atilde;o da Missa da Vig&iacute;lia da Peregrina&ccedil;&atilde;o Internacional dedicada aos Migrantes e Refugiados convosco, amados peregrinos, pe&ccedil;o a Deus, por intercess&atilde;o de Nossa Senhora de F&aacute;tima, para que surjam entre as comunidades emigrantes as voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais necess&aacute;rias ao seu desenvolvimento humano integral, do qual faz parte a rela&ccedil;&atilde;o com Deus, que precisa de ser alimentada com a Palavra de Jesus Cristo e com o P&atilde;o do C&eacute;u, que &eacute; Ele pr&oacute;prio e que se torna presente na celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, dom da Vida de Jesus para a vida do mundo. Pe&ccedil;amos a Deus este alimento que vem do alto e para cuja recep&ccedil;&atilde;o precisamos da media&ccedil;&atilde;o da Igreja e dos seus sacerdotes. Sem Eucaristia, sem o P&atilde;o do C&eacute;u, em v&atilde;o lutaremos pelo progresso. Este nunca ser&aacute; integral e capaz de saciar a fome do ser humano, feito para o eterno.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Estamos num Ano sacerdotal. Continuamente nos chegam pedidos de sacerdotes para acompanharem os nossos emigrantes nas v&aacute;rias partes do mundo e nem sempre temos capacidade de resposta, porque as nossas dioceses tamb&eacute;m n&atilde;o t&ecirc;m suficientes para as suas necessidades, embora eu esteja convencido que poder&iacute;amos ser mais generosos e imbu&iacute;dos de maior esp&iacute;rito mission&aacute;rio. No entanto n&atilde;o podemos limitar-nos a pedir ajuda. Temos tamb&eacute;m que contribuir para que entre os filhos dos emigrantes surjam as voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais necess&aacute;rias &agrave; vida da Igreja onde residem e trabalham. Aqui e acol&aacute; v&atilde;o aparecendo algumas, mas ainda estamos muito dependentes da ajuda exterior. Por isso, reunidos em ora&ccedil;&atilde;o neste santu&aacute;rio bendito, rezemos pelos nossos mission&aacute;rios, testemunhas do Evangelho nas v&aacute;rias partes do mundo onde se encontram emigrantes de l&iacute;ngua portuguesa, mas rezemos tamb&eacute;m pelas voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais entre os pr&oacute;prios filhos dos emigrantes.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p>6. Aqui, junto da M&atilde;e de Jesus, viemos fortalecer a nossa esperan&ccedil;a, a nossa f&eacute; e caridade, para sabermos viver em paz e em comunh&atilde;o com todos os nossos irm&atilde;os, sejam eles da nossa fam&iacute;lia ou de outros pa&iacute;ses, e que em Portugal procuram o que n&atilde;o encontraram noutra parte. Connosco eles querem contribuir para o desenvolvimento da Europa e do nosso pais, que, apesar da trag&eacute;dia do desemprego crescente, j&aacute; n&atilde;o consegue subsistir sem o contributo dos imigrantes. A redu&ccedil;&atilde;o da natalidade entre n&oacute;s deixou muitas aldeias desertas e muitos sectores da vida social e laboral sem as for&ccedil;as activas necess&aacute;rias.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>A comunidade dos irm&atilde;os brasileiros &eacute; a mais numerosa entre n&oacute;s. Por isso convid&aacute;mos para presidir &agrave; peregrina&ccedil;&atilde;o deste ano o nosso colega no episcopado D. Alessandro Carmelo Ruffinoni, encarregado, a n&iacute;vel da Confer&ecirc;ncia Episcopal do Brasil, dos emigrantes brasileiros, o maior pa&iacute;s da Am&eacute;rica Latina e um dos maiores do mundo e que fala a nossa l&iacute;ngua. Sabendo que muitos portugueses encontraram estabilidade pessoal e familiar no Brasil, sejamos hoje tamb&eacute;m agradecidos a Deus pelo bem que os nossos antepassados encontraram nesse grande pa&iacute;s. E a gratid&atilde;o mostra-se no acolhimento, na hospitalidade, nas rela&ccedil;&otilde;es fraternas, fazendo do imigrante um membro da nossa fam&iacute;lia humana.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p>Que Nossa Senhora de F&aacute;tima interceda por todos n&oacute;s, para que nos tornemos numa grande fam&iacute;lia de irm&atilde;os, sem discrimina&ccedil;&otilde;es nem acep&ccedil;&atilde;o de pessoas, n&atilde;o apenas aqui em F&aacute;tima, mas em todo o lado onde vivemos e trabalhamos. Que esta peregrina&ccedil;&atilde;o seja um forte impulso no aprofundamento dos la&ccedil;os fraternos e na constru&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia humana, onde n&atilde;o h&aacute; senhores e escravos, cidad&atilde;os e estrangeiros, mas s&oacute; concidad&atilde;os e peregrinos, de m&atilde;os dadas e cora&ccedil;&otilde;es unidos, a caminho da Jerusal&eacute;m celeste, a p&aacute;tria definitiva, de que esta assembleia lit&uacute;rgica &eacute; um grande sinal. &Aacute;men!<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p>&dagger; Ant&oacute;nio Vitalino, Bispo de Beja<o:p><\/o:p><\/p>\n<p><o:p>Presidente da Comiss&atilde;o Episcopal da Mobilidade Humana<\/o:p><\/p>\n<p><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Missa pela Paz e pela Justi\u00e7a. Peregrina\u00e7\u00e3o internacional dos Migrantes a F\u00e1tima<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-233","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/233","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=233"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/233\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1349,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/233\/revisions\/1349"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}