{"id":2502,"date":"2016-06-20T14:22:08","date_gmt":"2016-06-20T14:22:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/ocpm\/v2\/?p=2502"},"modified":"2016-06-20T14:22:08","modified_gmt":"2016-06-20T14:22:08","slug":"portugueses-empurrados-para-a-emigracao-para-salvar-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/portugueses-empurrados-para-a-emigracao-para-salvar-a-vida\/","title":{"rendered":"Portugueses \u00abempurrados\u00bb para a emigra\u00e7\u00e3o para \u201csalvar a vida\u201d"},"content":{"rendered":"<p>A 10 de junho, dia de Portugal, de Cam\u00f5es e das Comunidades Portuguesas. Este ano, pela primeira vez, as comemora\u00e7\u00f5es oficiais acontecem tamb\u00e9m fora de Portugal, em Paris, junto de uma das mais antigas comunidades portuguesas. Jos\u00e9 Coutinho da Silva faz parte dessa comunidade h\u00e1 45 anos e foi com ele que a Ag\u00eancia ECCLESIA quis saber como \u00e9 vivido cada 10 de junho. Apesar da dist\u00e2ncia, tamb\u00e9m numa conversa pelo telefone, falar de Portugal \u201cmexe por dentro\u201d e h\u00e1 uma palavra que est\u00e1 sempre presente: saudade.<!--more--><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entrevista conduzida por S\u00f3nia Neves<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Ag\u00eancia ECCLESIA (AE)<\/em><\/strong> \u2013 Que significado tem a comemora\u00e7\u00e3o do Dia de Portugal, de Cam\u00f5es e das Comunidades Portuguesas, este ano com a presen\u00e7a do presidente da Rep\u00fablica?<\/p>\n<p><strong><em>Jos\u00e9 Coutinho da Silva (JCS)<\/em><\/strong> \u2013 Esta comemora\u00e7\u00e3o com o presidente da Rep\u00fablica aqui em Fran\u00e7a, al\u00e9m de surpreendente, corresponde a uma tentativa de recuperar o tempo perdido. Tenho refletido sobre os motivos que o ter\u00e3o levado a esta decis\u00e3o e penso que pode ser entendido como uma maneira de\u00a0voltar a dar a esperan\u00e7a a muitas pessoas, sobretudo aos emigrantes mais recentes em Fran\u00e7a, \u00e0s camadas mais jovens da Na\u00e7\u00e3o portuguesa que n\u00e3o encontrou futuro em Portugal e que, para muitos, foi uma esperan\u00e7a perdida. Esta \u00e9 uma tentativa de dizer que ainda continuamos a ser portugueses e que Portugal, o nosso ret\u00e2ngulo, continua a pensar em n\u00f3s. Eu leio este acontecimento como um voltar a dar a esperan\u00e7a a muitas pessoas que podemos e devemos reconhecer como portugueses.<\/p>\n<p><strong><em>AE<\/em><\/strong> \u2013 Os jovens licenciados portugueses foram \u2018\u2019empurrados\u2019\u2019 para emigrar\u2026 Acredita que esta atitude de comemorar o Dia de Portugal junto de uma comunidade portuguesa emigrante, pode ser considerado um ato de reconcilia\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong><em>JCS<\/em><\/strong> \u2013 N\u00e3o sei se ser\u00e1 de reconcilia\u00e7\u00e3o, mas uma janela aberta para perspetivas de esperan\u00e7a, isso sim. \u00c9 evidente que a vida se torna cada vez mais dura para as pessoas. Isto de serem empurrados para fora, por muitas raz\u00f5es mas a maior por necessidade, marca muito e fere muito profundamente a vida\u2026 Mas penso que o facto de dizer que foram empurrados e agora h\u00e1 algu\u00e9m que pensa em n\u00f3s e o pa\u00eds vai estar focado na nossa realidade, atrav\u00e9s das televis\u00f5es, ou outros meios de comunica\u00e7\u00e3o social, atrav\u00e9s dos discursos.<\/p>\n<p>Eu sei que a emigra\u00e7\u00e3o durante muito tempo foi deixada de lado, sentimo-nos esquecidos, ou incompreendidos, ignorados, torn\u00e1mo-nos transparentes para o nosso pa\u00eds, mas penso que esta \u00e9 uma tentativa. Ser\u00e1 interessante ver como \u00e9 que nos podemos reconhecer como portugueses. \u00c9 evidente que a situa\u00e7\u00e3o, hoje, com os anos que passam, as nossas gera\u00e7\u00f5es s\u00e3o diferentes, os novos que vieram com quem me vou encontrando est\u00e3o muito revoltados com a situa\u00e7\u00e3o em Portugal e h\u00e1 outros que t\u00eam uma maneira de olhar para Portugal como n\u00f3s, que viemos para c\u00e1 h\u00e1 40 anos. \u00c9 um mau momento a passar. Talvez possamos voltar a Portugal, mas h\u00e1 muita gente revoltada e, outros, que se foram acomodando a esta vida normal de 20, 30, 40 anos de emigra\u00e7\u00e3o, j\u00e1 com filhos, netos e, alguns, j\u00e1 com bisnetos aqui nestas terras de emigra\u00e7\u00e3o. Cada vez mais somos gente daqui com ra\u00edzes e mem\u00f3ria em Portugal.<\/p>\n<p>A saudade ganha uma dimens\u00e3o muito particular \u00e0 for\u00e7a de passar os anos aqui em Fran\u00e7a, mas julgo que pode ser um momento interessante. Conhecendo um pouco do que \u00e9 a nossa emigra\u00e7\u00e3o, estes milhares de pessoas est\u00e3o completamente desligados de Portugal, a n\u00e3o ser pela fam\u00edlia. V\u00ea-se isso pelo reduzido n\u00famero de participa\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es (97% de absten\u00e7\u00e3o). Estamos ligados \u00e0 nossa fam\u00edlia, aldeias e festas. Para n\u00f3s, tudo o que passa em Portugal \u00e9 uma presen\u00e7a permanente, que vivemos com apreens\u00e3o. Estamos muito mais ligados aos feitos dos futebolistas e de alguns cantores &#8211; nem sempre os melhores que por aqui v\u00eam ganhar dinheiro -, mas h\u00e1 sempre uma liga\u00e7\u00e3o sentimental.<\/p>\n<p><strong><em>AE <\/em><\/strong>\u2013 Entendo que ainda faz sentido falar em saudade\u2026<\/p>\n<p><strong><em>JCS<\/em><\/strong> \u2013 Eu penso que sim. Aquilo que nos caracteriza como povo pertencente \u00e0 portugalidade s\u00e3o as l\u00e1grimas que nos v\u00eam aos olhos quando pensamos em Portugal, quando vemos na televis\u00e3o acontecimentos que nos chocam, situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, tudo isto mexe muito c\u00e1 por dentro. N\u00e3o estamos insens\u00edveis ao que vive o nosso povo.<\/p>\n<p><strong><em>Emigra\u00e7\u00e3o coloca portugueses a explorar outros portugueses<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>AE<\/em><\/strong> \u2013 H\u00e1 cerca de 45 anos, quando foi para Fran\u00e7a, levava muitos sonhos e desejos. Como \u00e9 que olha para a\u00a0juventude portuguesa que agora chega a\u00ed?<\/p>\n<p><strong><em>JCS<\/em><\/strong> \u2013 A juventude que chega\u2026 (suspira) Eu tenho falado com v\u00e1rias pessoas e \u00e9 curioso que temos dificuldade em reconhecer-nos do\u00a0mesmo povo. N\u00f3s \u00e9ramos gente fabricada no tempo da ditadura, com um certo n\u00edvel escolar muito inferior aos que aqui chegam e hoje sentimos que os jovens chegam com a ideia que \u2018sou europeu, tenho direitos e reivindico-os\u2019. A nossa maneira de pensar era virmos de \u2018orelha baixa\u2019 para nos sujeitarmos a tudo. Talvez a dece\u00e7\u00e3o maior e o choque ainda maior \u00e9 que muita gente chega c\u00e1 e depois encontra-se em situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, sujeito a aceitar todo o tipo de trabalho e, infelizmente, e digo isto com muita vergonha, caindo nas m\u00e3os de portugueses exploradores que, estando c\u00e1 h\u00e1 muito tempo, criaram fortuna e se esqueceram de onde vieram.<\/p>\n<p>A emigra\u00e7\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o e um tempo favor\u00e1vel a que cada um de n\u00f3s se posicione em rela\u00e7\u00e3o a uma Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Eu sei de onde vim, procuro um caminho para onde vou e h\u00e1 muita gente que o dinheiro os fez esquecer de onde vieram\u2026 Conhe\u00e7o imensa gente nova que chegou c\u00e1 e caiu\u00a0nessas m\u00e3os. Felizmente que os empres\u00e1rios portugueses n\u00e3o s\u00e3o todos assim mas h\u00e1 muita gente que se aproveita desta novas vagas migrat\u00f3rias e ainda me choca mais quando alguns s\u00e3o considerados empres\u00e1rios de sucesso e at\u00e9 recebem medalhas mas ningu\u00e9m se preocupa sobre quem se apoia o sucesso deles. \u00c9 uma linguagem dura mas, infelizmente, \u00e9 o que vou verificando por c\u00e1.<\/p>\n<p><strong><em>Portugueses ajudam a ser Igreja nestes locais<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>AE <\/em><\/strong>\u2013 Os novos emigrantes procuram menos a comunidade portuguesa\u2026 e a comunidade cat\u00f3lica? H\u00e1 uma procura de espiritualidade por parte de quem chega?<\/p>\n<p><strong><em>JCS<\/em><\/strong> \u2013 A comunidade cat\u00f3lica atualmente vai-se situando \u00e0 parte de algumas comunidades ainda constitu\u00eddas na regi\u00e3o parisiense. Na quase totalidade das dioceses de Fran\u00e7a, os portugueses que se aproximaram ou que se deixaram aproximar pela Igreja t\u00eam uma presen\u00e7a importante na vida das diferentes comunidades paroquiais. Eu vejo, por exemplo, na minha par\u00f3quia, em que somos crist\u00e3os de 20 ou 30 nacionalidades diferentes e os portugueses aqui, como em muitas comunidades, ajudam a construir a Igreja e a ser Igreja nestes locais. \u00c9 evidente que ainda h\u00e1 na regi\u00e3o parisiense algumas comunidades portuguesas, mas h\u00e1 muito poucos sacerdotes portugueses presentes e, ali\u00e1s, foi uma norma corrente, nunca houve muitos sacerdotes que pudessem ou que aceitassem vir ou que a Igreja portuguesa quisesse enviar para Fran\u00e7a. Em cada par\u00f3quia h\u00e1 ainda a presen\u00e7a de um punhado muito significativo de portugueses que procuram ter as suas manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias em volta da Nossa Senhora de F\u00e1tima, manifestando e participando nas atividades da par\u00f3quia. Penso que muito poder\u00edamos dar mas ainda estamos marcados por uma Igreja em que s\u00f3 consum\u00edamos, n\u00e3o nos era nada pedido, n\u00e3o nos puxava para sermos mais respons\u00e1veis. Falo das gera\u00e7\u00f5es mais antigas porque as novas gera\u00e7\u00f5es v\u00eam marcadas por um afastamento da pr\u00e1tica religiosa que n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio ao facto de estar em Fran\u00e7a, mas j\u00e1 o viviam antes de virem para c\u00e1.<\/p>\n<p><strong><em>AE <\/em><\/strong>\u2013 H\u00e1 assim algum desejo para este Dia de Portugal, de Cam\u00f5es e das Comunidades Portuguesas? Algo que sente como emigrante\u2026<\/p>\n<p><strong><em>JCS<\/em><\/strong> \u2013 O desejo que posso manifestar \u00e9 que continuemos a abrir os olhos para as realidades concretas do nosso povo e das pessoas que v\u00eam. Quem emigrou n\u00e3o veio para ser rico mas para \u201csalvar a vida\u201d, ou seja, construir um futuro. As pessoas podem vir\u00a0com ilus\u00f5es, esperan\u00e7a mas s\u00f3 tentando abrir os olhos para a realidade poderemos construir este povo dentro e fora do pa\u00eds. Fala-se agora do europeu de Futebol, \u2018n\u00e3o somos 11 mas 11 milh\u00f5es\u2019 era preciso que isto criasse ra\u00edzes profundas em cada um de n\u00f3s para que continuemos a ser o que somos, um povo de cabe\u00e7a levantada no meio de outros povos com outros povos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 10 de junho, dia de Portugal, de Cam\u00f5es e das Comunidades Portuguesas. Este ano, pela primeira vez, as comemora\u00e7\u00f5es oficiais acontecem tamb\u00e9m fora de Portugal, em Paris, junto de uma das mais antigas comunidades portuguesas. Jos\u00e9 Coutinho da Silva faz parte dessa comunidade h\u00e1 45 anos e foi com ele que a Ag\u00eancia ECCLESIA [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4,7],"tags":[],"class_list":["post-2502","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","category-recortes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2502","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2502"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2502\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2504,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2502\/revisions\/2504"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}