{"id":2599,"date":"2016-07-27T10:14:09","date_gmt":"2016-07-27T10:14:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/ocpm\/v2\/?p=2599"},"modified":"2016-07-27T10:14:09","modified_gmt":"2016-07-27T10:14:09","slug":"hoje-em-dia-os-emigrantes-precisam-de-proximidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/hoje-em-dia-os-emigrantes-precisam-de-proximidade\/","title":{"rendered":"&#8220;Hoje em dia os emigrantes precisam de proximidade&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Vitalino Dantas, Bispo de Beja, completa em Novembro pr\u00f3ximo 75 anos. \u201cj\u00e1 ando nisto h\u00e1 muito tempo\u201d, refere depois de ter come\u00e7ado h\u00e1 20 anos na Comiss\u00e3o do Ecumenismo, passando depois para Comiss\u00e3o encarregue da Comunica\u00e7\u00e3o Social. Atualmente \u00e9 na Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana onde, depois de suceder a D. Janu\u00e1rio se mant\u00e9m h\u00e1 alguns anos. Foi com muita simpatia e amabilidade que recebeu o jornal \u201cMundo Portugu\u00eas\u201d na Casa Episcopal da sua diocese em Beja e proporcionou esta entrevista em que demonstra um amplo conhecimento e experi\u00eancia de vida adquiridos em plena viv\u00eancia junto das Comunidades Portugueses residentes no estrangeiro e uma vis\u00e3o muito atual acerca dos novos fluxos de emigra\u00e7\u00e3o e das tend\u00eancias que ocorrem na sociedade de informa\u00e7\u00e3o em que vivemos.<\/p>\n<p><strong>Os portugueses no estrangeiro continuam a precisar de ler not\u00edcias de Portugal?<\/strong><br \/>\nHoje em dia os emigrantes precisam de proximidade. Claro que h\u00e1 hoje outros meios que n\u00e3o havia antigamente. Eu tinha que ir \u00e0s empresas e falar com os chefes do pessoal e com os emigrantes para ver quais os problemas que tinham, ia \u00e0 seguran\u00e7a social, \u00e0 pol\u00edcia dos estrangeiros ou aos tribunais. Isso punha-me muito a par daquilo que acontecia e escrev\u00edamos sobre isso. Eram temas muito queridos dos emigrantes. Depois a situa\u00e7\u00e3o mudou e os jornais tamb\u00e9m tiveram que mudar. Hoje os emigrantes t\u00eam todo o dia a televis\u00e3o portuguesa ligada. Seja na Am\u00e9rica, seja na Alemanha, seja onde for e podem at\u00e9 saber mais not\u00edcias de Portugal que n\u00f3s, isto se a televis\u00e3o comunicar. Esta \u00e9 a ideia que eu tenho da altura, porque mais tarde n\u00e3o acompanhei tanto o evoluir dos tempos. Mas quando vou \u00e0s Comunidades de Portugueses vejo que hoje reparam mais para os mass media do que leem.<\/p>\n<p>(&#8230;) Muitos pais querem que as crian\u00e7as frequentem a catequese paroquial por causa de aprender a l\u00edngua portuguesa, n\u00e3o \u00e9 por causa da f\u00e9. \u00c9 para saberem falar com os av\u00f3s quando v\u00eam a Portugal nas f\u00e9rias (&#8230;)<\/p>\n<p><strong>O D. Ant\u00f3nio \u00e9 um Bispo muito atento \u00e0s novas tecnologias e meios de informa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEu dedico quase metade do meu tempo de secretaria e \u00e9 muito, muitas vezes at\u00e9 \u00e0 uma da manh\u00e3, a responder a e-mails quer seja ao n\u00edvel da Igreja, quer dos emigrantes, seja o que for. E normalmente escrevo mensagens muito completas, normalmente procuro ser original para cada um. \u00c9 um problema pessoal que cada um p\u00f5e e \u00e9 a isso que lhe respondo.<\/p>\n<p><strong>E costuma ler jornais em que formato?<\/strong><br \/>\nHoje quase s\u00f3 leio digital, papel j\u00e1 quase n\u00e3o uso. At\u00e9 a correspond\u00eancia \u00e9 digital, imprimo apenas para fins de arquivamento. O \u00fanico jornal em papel que eu leio \u00e9 um jornal cat\u00f3lico alem\u00e3o que fazem o favor de me enviar de l\u00e1 todos os dias. \u00c9 para mim uma forma de eu continuar a par daquilo que se passa na igreja alem\u00e3.<\/p>\n<p>(&#8230;) Esta gera\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o recorre tanto \u00e1 Igreja como a gera\u00e7\u00e3o anterior. Antigamente muitos emigravam, saiam das suas aldeias e viam nas par\u00f3quias as suas refer\u00eancias, depois as fam\u00edlias envolviam-se muito nas miss\u00f5es que ajudavam a encontrar contratos de trabalho para a esposa, para os filhos, ajudavam a juntar as fam\u00edlias, a conseguir o pr\u00f3prio abono de fam\u00edlia, ajudei muitas pessoas (&#8230;)<\/p>\n<p><strong>Qual a sua opini\u00e3o acerca do ensino de L\u00edngua Portuguesa no estrangeiro?<\/strong><br \/>\nMuitos pais querem que as crian\u00e7as frequentem a catequese paroquial por causa de aprender a l\u00edngua portuguesa, n\u00e3o \u00e9 por causa da f\u00e9. \u00c9 para saberem falar com os av\u00f3s quando v\u00eam a Portugal nas f\u00e9rias.<br \/>\nHoje em dia, as maiores catequeses de Portugal est\u00e3o no estrangeiro. Na missa em Genebra, por exemplo, tem cerca de 2000 crian\u00e7as na miss\u00e3o, todos os dias com catequese. N\u00e3o h\u00e1 em Portugal nenhuma par\u00f3quia com 2000 crian\u00e7as. O ano passado fui crismar a Zurique e nunca tinha tido uma igreja t\u00e3o cheia, a maior igreja de Zurique que leva cerca de 3000 pessoas, com tantas pessoas de p\u00e9. Os portugueses, sobretudo esta emigra\u00e7\u00e3o mais recente, que ainda n\u00e3o est\u00e1 muito inserida no meio, recorrem muito \u00e0s miss\u00f5es.<br \/>\nAqueles que s\u00e3o mais cultos, com cursos superiores v\u00e3o menos \u00e0 igreja, t\u00eam menos associativismo lingu\u00edstico, digamos assim.<\/p>\n<p><strong>Por essa ordem de ideias, as novas vagas de emigrantes frequentam menos a igreja?<\/strong><br \/>\nEsta gera\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o recorre tanto \u00e1 Igreja como a gera\u00e7\u00e3o anterior. Antigamente muitos emigravam, saiam das suas aldeias e viam nas par\u00f3quias a suas refer\u00eancias, depois as fam\u00edlias envolviam-se muito nas miss\u00f5es que ajudavam a encontrar contratos de trabalho para a esposa, para os filhos, ajudavam a juntar as fam\u00edlias, a conseguir o pr\u00f3prio abono de fam\u00edlia, ajudei muitas pessoas, at\u00e9 aos bancos. Mas nunca quis enfeudar-me a banco nenhum, sempre estive habituado ao mercado livre e nunca quis o apoio de nenhum banco.<br \/>\nApesar de estar a aumentar, a emigra\u00e7\u00e3o hoje em dia \u00e9 completamente diferente do que h\u00e1 50 anos. Ainda hoje tive que resolver uma situa\u00e7\u00e3o de uma pessoa que reside no estrageiro e quer casar em Portugal mas n\u00e3o sabia como.<br \/>\nQuando n\u00e3o h\u00e1 miss\u00e3o, ou as pessoas n\u00e3o est\u00e3o inseridas nas igrejas locais \u00e9 dif\u00edcil. Quando h\u00e1 uma miss\u00e3o por perto encaminhamos as pessoas para l\u00e1. Muitas vezes as pessoas emigram por motivos econ\u00f3micos e s\u00f3 quando precisam \u00e9 que se lembram da igreja, depois s\u00e3o quase como desconhecidos no meio em que vivem.<br \/>\nNormalmente tentamos orientar as pessoas e caso seja necess\u00e1rio enviamos um e-mail para a par\u00f3quia local a indicar o contato da pessoa para facilitar as coisas.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 falta de Padres de origem portuguesa para as miss\u00f5es portuguesas no estrangeiro?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 falta de padres, a igreja esta espalhada por toda a Europa, o que h\u00e1 em Portugal \u00e9 uma crise de voca\u00e7\u00f5es e no centro da Europa ainda mais. Por vezes os Bispos escrevem-me a pedir um padre para a miss\u00e3o portuguesa, mas pedem tamb\u00e9m que fale a l\u00edngua nativa para lhe poderem confiar uma par\u00f3quia. Por exemplo, a Alemanha ou a Su\u00ed\u00e7a t\u00eam muitos padres vindos da \u00cdndia ou de \u00c1frica. Os Padres indianos s\u00e3o muito humildes e aprendem mais depressa, muitos falam ingl\u00eas tamb\u00e9m como \u00e9 sabido e acabam por ter mais facilidade em adaptar-se. H\u00e1 muitos padres indianos na Alemanha, no princ\u00edpio t\u00eam que aprender a l\u00edngua alem\u00e3 e depois acabam por se adaptar. \u00c9 cada vez mais dif\u00edcil enviar Padres portugueses.<\/p>\n<p>(&#8230;) N\u00e3o h\u00e1 falta de padres, a igreja est\u00e1 espalhada por toda a Europa, o que h\u00e1 em Portugal \u00e9 uma crise de voca\u00e7\u00f5es e no centro da Europa ainda mais (&#8230;)<\/p>\n<p><strong>Qual a sua opini\u00e3o da Campanha de preven\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria \u201cCIRCULE PELA VIA DA DIREITA\u201d promovida pelo \u201cMundo Portugu\u00eas\u201d com o apoio de, entre outras entidades, a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa?<\/strong><br \/>\nNa Alemanha, j\u00e1 em 1966, o Cardeal de Mainz que foi meu professor de Teologia, um homem muito famoso, era muito solicitado para confer\u00eancias na altura, ia a caminho da Baviera, pela autoestrada, num domingo de manh\u00e3 e circulava pela via da esquerda, mesmo depois de ter ultrapassado, mas manteve-se na via da esquerda quando, de repente, foi abordado por um helic\u00f3ptero que, por cima dele, atrav\u00e9s de uns grandes altifalantes o advertiu: &#8211; sr. automobilista encoste-se \u00e0 via da direita e pare no pr\u00f3ximo parque por favor! E ele assim o fez.<br \/>\nNo parque l\u00e1 estava a pol\u00edcia que o avisou de que teria que usar a via da direita sempre que a mesma estiver dispon\u00edvel. Ele contou-me isto, por isso como se v\u00ea \u00e9 uma hist\u00f3ria que j\u00e1 tem muitos anos, isto aconteceu h\u00e1 mais de 40 anos.<\/p>\n<p>Mundo Portugu\u00eas &#8211;\u00a0http:\/\/www.mundoportugues.pt\/article\/view\/64299<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Vitalino Dantas, Bispo de Beja, completa em Novembro pr\u00f3ximo 75 anos. \u201cj\u00e1 ando nisto h\u00e1 muito tempo\u201d, refere depois de ter come\u00e7ado h\u00e1 20 anos na Comiss\u00e3o do Ecumenismo, passando depois para Comiss\u00e3o encarregue da Comunica\u00e7\u00e3o Social. Atualmente \u00e9 na Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana onde, depois de suceder a D. 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