{"id":298,"date":"2008-10-20T12:23:33","date_gmt":"2008-10-20T12:23:33","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-15T17:30:57","modified_gmt":"2015-03-15T17:30:57","slug":"migracoes-e-trafico-no-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/migracoes-e-trafico-no-feminino\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00f5es e Tr\u00e1fico no Feminino"},"content":{"rendered":"<p><P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: center\" align=center><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN style=\"FONT-SIZE: 18pt\">CAVITP<?xml:namespace prefix = o ns = \"urn:schemas-microsoft-com:office:office\" \/><o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: center\" align=center><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN style=\"FONT-SIZE: 18pt\">Comiss\u00e3o de Apoio \u00e0 V\u00edtima do Tr\u00e1fico de Pessoas<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: center\" align=center><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN style=\"FONT-SIZE: 18pt\">Confer\u00eancia dos Institutos Religiosos de Portugal \u2013 CIRP<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: center\" align=center><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt\">Jornada Nacional de Forma\u00e7\u00e3o<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: center\" align=center><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt\">18 de Outubro de 2008<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: center\" align=center><SPAN style=\"FONT-SIZE: 16pt\">Fr. Francisco Sales Diniz, ofm.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: center\" align=center>&nbsp;<SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt\">Universidade Lus\u00f3fona de Humanidades e Tecnologias<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: center\" align=center><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt\">Audit\u00f3rio Agostinho da Silva<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: center\" align=center><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt\">Lisboa<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Ao iniciar a minha participa\u00e7\u00e3o nesta Jornada Nacional de Forma\u00e7\u00e3o, que procura marcar o DIA EUROPEU DE LUTA CONTRA O TR\u00c1FICO DE SERES HUMANOS, as minhas palavras iniciais s\u00e3o de sauda\u00e7\u00e3o a cada um de v\u00f3s aqui presente e, duma forma particular, a todos os que se empenharam na organiza\u00e7\u00e3o da Jornada e, sobretudo os que se empenham na luta contra o drama humano ligado \u00e0s quest\u00f5es migrat\u00f3rias e ao tr\u00e1fico de seres humanos.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\">Introdu\u00e7\u00e3o<o:p><\/o:p><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Ao olharmos para o drama humanit\u00e1rio em que vivem milh\u00f5es de pessoas, provocado pelo crescente aquecimento do planeta que est\u00e1 a transformar vastas zonas do mundo em terra inabit\u00e1vel, por uma hist\u00f3ria humana caracterizada, e continuada ainda hoje, pela explora\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias primas dos pa\u00edses mais pobres, por parte dos chamados pa\u00edses ricos, esvaziando os meios que permitiriam a muitos desses pa\u00edses desenvolverem-se e garantirem \u00e0s suas popula\u00e7\u00f5es uma qualidade de vida digna, minimamente aceit\u00e1vel, um sistema econ\u00f3mico globalizado, ao qual s\u00f3 alguns t\u00eam acesso, onde a riqueza est\u00e1 nas m\u00e3os de poucos, que relegou a pessoa humana para o fundo da tabela das prioridades, que est\u00e1 a destruir os principais valores que dignificam e fazem com que o ser humano seja realmente humano, que atrav\u00e9s do capitalismo selvagem procura combater e destruir as institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 religi\u00e3o, procurando substituir \u201cDeus\u201d, objecto de f\u00e9 da quase totalidade da popula\u00e7\u00e3o mundial, pela grande deusa do neoliberalismo: a \u201cdeusa economia\u201d, criada pelo homem e que est\u00e1 a transformar o homem em seu escravo (devoto).<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Estes factores e tantos outros, est\u00e3o na g\u00e9nese duma mobilidade global de pessoas e bens, onde um pequeno grupo exerce a mobilidade em neg\u00f3cios ou busca do lucro f\u00e1cil, em turismo ou busca de prazer, enquanto a maioria a exerce numa luta desumana pela sobreviv\u00eancia, com risco da pr\u00f3pria vida. Basta recordar os milhares que morrem nas \u00e1guas do Mediterr\u00e2neo ou nas travessias de \u00c1frica, na busca de um lugar onde possam trabalhar para garantir uma vida com o m\u00ednimo de dignidade. (10% da popula\u00e7\u00e3o mundial come demais e vice preocupada em emagrecer, 90% vive preocupada em sobreviver)<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Falar do fen\u00f3meno migrat\u00f3rio hoje leva-nos \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de que, apesar da hist\u00f3ria humana ser marcada por grandes migra\u00e7\u00f5es, muitas vezes de popula\u00e7\u00f5es inteiras, motivadas por guerras, pobrezas, expans\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios, cat\u00e1strofes naturais, etc., o que se deve ao facto do ser humano ter um car\u00e1cter itinerante por natureza, a realidade migrat\u00f3ria actual apresenta caracter\u00edsticas que s\u00e3o diversas das do passado, o que, por si s\u00f3, requer um tipo de abordagem que, devido ao contexto social, pol\u00edtico e econ\u00f3mico do nosso tempo, n\u00e3o deixa de ser complexo.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">O mundo actual \u00e9 um mundo marcado por um permanente movimento de pessoas. Podemos afirmar que uma das caracter\u00edsticas marcantes da globaliza\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m da economia global, \u00e9 a mobilidade humana. \u00c9 dentro deste contexto que o nosso tema se situa, apesar das duas realidades: Migra\u00e7\u00f5es e Tr\u00e1fico de seres humanos fazerem parte do mesmo contexto, n\u00e3o deixam de ser realidades distintas, por isso, penso ser importante fazermos uma distin\u00e7\u00e3o como premissa para a nossa reflex\u00e3o.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">A imigra\u00e7\u00e3o tem duas facetas: imigra\u00e7\u00e3o legal e imigra\u00e7\u00e3o clandestina ou irregular.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN style=\"FONT-SIZE: 8pt\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\">Imigra\u00e7\u00e3o legal<\/B> \u2013 trata-se da pessoa que possui todos os meios l\u00edcitos para migrar, cumprindo todas as regras exigidas quer pelo pa\u00eds de origem, quer pelo pa\u00eds de acolhimento, adquirindo assim os direitos e garantias que o pa\u00eds de acolhimento concede aos seus cidad\u00e3os.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Imigra\u00e7\u00e3o clandestina ou irregular<\/SPAN><\/B><SPAN style=\"COLOR: black\"> \u2013 quando algu\u00e9m entra em determinado pa\u00eds e permanece sem autoriza\u00e7\u00e3o. Neste tipo de imigra\u00e7\u00e3o acontece muitas vezes um tipo de tr\u00e1fico que \u00e9 diferente do tr\u00e1fico para explora\u00e7\u00e3o sexual ou laboral: acontece quando \u00e9 estabelecido um acordo entre quem n\u00e3o disp\u00f5e de meios l\u00edcitos para migrar e os traficantes, para que estes o fa\u00e7am chegar ao destino que pretende, iludindo a vigil\u00e2ncia das autoridades. Este tipo de tr\u00e1fico extingue-se com o pagamento do pre\u00e7o estabelecido e, muitas vezes termina de forma dram\u00e1tica. Trata-se de um delito contra a lei de imigra\u00e7\u00e3o dos Estados.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Tr\u00e1fico de seres humanos<\/SPAN><\/B><SPAN style=\"COLOR: black\"> \u2013 quando as pessoas s\u00e3o levadas de um pa\u00eds para outro com o prop\u00f3sito de serem utilizadas para trabalho, casamentos for\u00e7ados, prostitui\u00e7\u00e3o, ou outras forma de explora\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma grave viola\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais da pessoa, do seu direito \u00e0 seguran\u00e7a, \u00e0 protec\u00e7\u00e3o e \u00e1 liberdade. O tr\u00e1fico para explora\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 dram\u00e1tico, mas o drama do tr\u00e1fico para extrac\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os \u00e9 a realidade mais abomin\u00e1vel que possa existir,<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"FONT-SIZE: 8pt; COLOR: black\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Depois desta distin\u00e7\u00e3o podemos avan\u00e7ar com a nossa reflex\u00e3o tocando apenas alguns elementos que julgamos ser pertinentes pois na verdade esta realidade \u00e9 t\u00e3o ampla que, no espa\u00e7o de tempo que possu\u00edmos, s\u00f3 h\u00e1 possibilidade de a tocar superficialmente.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN style=\"FONT-SIZE: 8pt; COLOR: black\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN style=\"COLOR: black\">1 \u2013 Tr\u00e1fico como escravatura<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"FONT-SIZE: 8pt; COLOR: black\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Segundo a UE, o tr\u00e1fico de seres humanos constitui um fen\u00f3meno abomin\u00e1vel e cada vez mais preocupante. A sua natureza \u00e9 mais estrutural do que epis\u00f3dica, n\u00e3o afectando apenas um n\u00famero limitado de pessoas, pois tem importantes consequ\u00eancias na estrutura social e econ\u00f3mica das nossas sociedades. O fen\u00f3meno \u00e9 facilitado pela mundializa\u00e7\u00e3o e pelas tecnologias modernas. O tr\u00e1fico de seres humanos n\u00e3o envolve apenas a explora\u00e7\u00e3o sexual, mas tamb\u00e9m a explora\u00e7\u00e3o pelo trabalho em condi\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas da escravatura. As v\u00edtimas sofrem viol\u00eancias, viola\u00e7\u00f5es, maus tratos e graves sev\u00edcias, bem como outros tipos de press\u00e3o e coac\u00e7\u00e3o.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Podemos considerar o tr\u00e1fico de seres humanos uma forma concreta de escravatura dos tempos modernos. Apesar da escravatura ter sido uma pr\u00e1tica humana desde a antiguidade e ser uma pr\u00e1tica proibida na actualidade, ocorrendo a sua aboli\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XIX. No entanto a luta contra a pr\u00e1tica da escravatura vem de longa data, como exemplos recordamos a campanha desenvolvida no s\u00e9culo XVI pelo dominicano Fr. Bartolomeu de Las Casas, com duras batalhas nas Universidades de Paris e de Salamanca e tamb\u00e9m as Bulas do Papa Paulo III, defendendo Fr. Bartolomeu e repreendendo os chamados Reis Cat\u00f3licos de Espanha pelas pr\u00e1ticas em vigor nas Am\u00e9ricas. A escravatura continua a existir em muitos pa\u00edses e, existe, de facto, disfar\u00e7ada de mil formas.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"mso-bidi-font-weight: bold\">Ao tomarmos conhecimento da exist\u00eancia de escravos em muitas partes do mundo, e se calhar mesmo \u00e0 nossa porta, podemos ser levados a pensar que isso n\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o nossa, mas de quem det\u00e9m o poder de resolver a quest\u00e3o e que a n\u00f3s basta o rep\u00fadio por tais pr\u00e1ticas, o que provavelmente esquecemos \u00e9 que muito do que comemos, vestimos ou outros produtos que utilizamos, podem estar ligados ao trabalho escravo e, indirectamente, estamos a contribuir para o perpetuar dessa situa\u00e7\u00e3o<\/SPAN>.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Segundo dados de diversas organiza\u00e7\u00f5es&nbsp;existem <SPAN style=\"mso-bidi-font-weight: bold\">27 milh\u00f5es de pessoas vendidas como escravos em todo o mundo<\/SPAN>.&nbsp;Ficamos escandalizados com a grandeza dos n\u00fameros, mas estes dados oficiais devem estar muito longe da realidade: Ser\u00e1 que foram contabilizadas as crian\u00e7as que diariamente s\u00e3o traficadas para est\u00e2ncias de turismo sexual? As jovens vendidas pelas fam\u00edlias como prostitutas para bordeis? As mulheres traficadas para explora\u00e7\u00e3o sexual? Os imigrantes clandestinos obrigados a escravizaram-se para poderem sobreviver? As mulheres for\u00e7adas a casarem-se com quem n\u00e3o desejam? Aquelas que vivem sob coac\u00e7\u00e3o e tratadas como escravas? Os toxicodependentes escravizados a troco de doses de droga? etc.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">O tr\u00e1fico de mulheres e crian\u00e7as \u00e9, na verdade, uma forma moderna de escravatura. Todos os anos muitos milhares de mulheres e crian\u00e7as s\u00e3o levados de um pa\u00eds para outro, frequentemente da Europa de Leste para a Ocidental, da \u00c1frica para a Europa, da Am\u00e9rica Latina para a Europa, como parte do com\u00e9rcio de seres humanos. Embora o principal objectivo deste com\u00e9rcio seja a explora\u00e7\u00e3o sexual, serve ainda como fonte de trabalho ilegal. O tr\u00e1fico representa uma forma agravada de viol\u00eancia sexualizada que \u00e9 incompat\u00edvel com o princ\u00edpio da igualdade entre sexos. As mulheres e crian\u00e7as atingidas pela pobreza s\u00e3o particularmente vulner\u00e1veis aos traficantes, que t\u00eam como motiva\u00e7\u00e3o o lucro e, em muitos casos, est\u00e3o envolvidos no crime organizado. O tr\u00e1fico de seres humanos \u00e9 uma forma grave de crime organizado e constitui uma grave viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Como no passado o<SPAN style=\"mso-bidi-font-weight: bold\"> trabalho escravo e as redes de prostitui\u00e7\u00e3o&nbsp;constituem neste momento,&nbsp;um dos neg\u00f3cios&nbsp;mais lucrativos em todo o mundo.<\/SPAN> <\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Muitas mulheres s\u00e3o raptadas, outras s\u00e3o simplesmente iludidas pela promessa de uma vida melhor. O fim para milh\u00f5es delas \u00e9 conhecido: a prostitui\u00e7\u00e3o ou a escravatura. As p\u00e1ginas da imprensa internacional enchem-se todos os dias destes casos:<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Mulheres do leste da Europa ap\u00f3s serem violadas e drogadas s\u00e3o for\u00e7adas a prostitu\u00edrem-se na It\u00e1lia, Alemanha e outros pa\u00edses. A maioria das vezes estas mulheres s\u00e3o atra\u00eddas pela promessa de empregos bem pagos e depois s\u00e3o enganadas. Muitas sabem que v\u00e3o para trabalhar em bares de alterne, mas desconhecem as regras como o neg\u00f3cio funciona, nomeadamente a reten\u00e7\u00e3o de documentos e retribui\u00e7\u00f5es. <\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN style=\"FONT-SIZE: 8pt\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\">2 \u2013 Tr\u00e1fico para explora\u00e7\u00e3o sexual<o:p><\/o:p><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN style=\"FONT-SIZE: 8pt\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Em Portugal tem sido impressionante o aumento do tr\u00e1fico de mulheres&nbsp;para explora\u00e7\u00e3o sexual, oriundas de pa\u00edses do Leste europeu, nomeadamente da Ucr\u00e2nia, R\u00fassia, Mold\u00e1via e Rom\u00e9nia, da Am\u00e9rica do Sul, particularmente Brasil, de \u00c1frica, em particular da Nig\u00e9ria.&nbsp; <\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">O tr\u00e1fico de seres humanos est\u00e1 amplamente espalhado por toda a Uni\u00e3o Europeia. S\u00f3 mulheres brasileiras e<SPAN style=\"mso-bidi-font-weight: bold\">stima-se que cerca de 75 mil s\u00e3o exploradas sexualmente na Europa (estimativa oficial de Setembro de 2004)<\/SPAN>.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Segundo dados da UE existe um tipo de tr\u00e1fico de pequena escala que implica apenas um pequeno n\u00famero de pessoas, e existe outro tipo de tr\u00e1fico em grande escala e redes internacionais que criam uma &#8220;ind\u00fastria&#8221; desenvolvida e bem organizada com apoio pol\u00edtico e recursos econ\u00f3micos nos pa\u00edses de origem, tr\u00e2nsito e destino, assim como a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios respons\u00e1veis e rela\u00e7\u00f5es com outras formas de criminalidade. O tr\u00e1fico de mulheres est\u00e1 a tornar-se uma fonte importante de rendimento para alguns grupos do crime organizado. Os elevados lucros obtidos por estas organiza\u00e7\u00f5es criminosas implicam muitas vezes a cria\u00e7\u00e3o de empresas-fachada envolvidas em actividades l\u00edcitas. Os lucros s\u00e3o igualmente objecto de branqueamento e introduzidos noutras actividades il\u00edcitas, incluindo o tr\u00e1fico de droga e de armas.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Os traficantes de mulheres e crian\u00e7as utilizam m\u00e9todos muito variados para transportarem as suas v\u00edtimas. Por vezes operam atrav\u00e9s de ag\u00eancias de emprego reputadas id\u00f3neas, ag\u00eancias de viagens, empresas de lazer, ag\u00eancias matrimoniais e outros meios. No caso das crian\u00e7as, chega-se a utilizar o recurso a procedimentos de adop\u00e7\u00e3o. Muitas vezes s\u00e3o obtidos e utilizados documentos de viagem legais para atravessar fronteiras internacionais; em seguida, as v\u00edtimas do tr\u00e1fico desaparecem ou excedem o tempo permitido nos respectivos vistos. No entanto, os traficantes tamb\u00e9m usam documentos falsos para obterem documentos de viagem aut\u00eanticos, utilizando igualmente documentos alterados ou contrafeitos.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Olhando mais de perto para o tr\u00e1fico de mulheres, verifica-se que o recrutamento das v\u00edtimas assume v\u00e1rias formas. Os traficantes aproveitam a fr\u00e1gil situa\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica das mulheres e aliciam as suas v\u00edtimas prometendo-lhes vastos ganhos no Ocidente, na mira de que a aceita\u00e7\u00e3o de tais ofertas poderia sustentar n\u00e3o s\u00f3 as pr\u00f3prias v\u00edtimas mas tamb\u00e9m as respectivas fam\u00edlias. Os traficantes abordam as mulheres atrav\u00e9s de an\u00fancios em jornais, procurando bailarinas, empregadas de mesa, animadoras de clubes nocturnos, etc. ou por recrutamento directo em bares e discotecas. Aliciam-nas igualmente por interm\u00e9dio de ag\u00eancias matrimoniais. Embora algumas mulheres v\u00edtimas de tr\u00e1fico saibam que v\u00e3o trabalhar como prostitutas, n\u00e3o sabem que muitas vezes ser\u00e3o mantidas em condi\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas da escravatura, sendo incapazes de escapar aos seus exploradores. Depois da sua exporta\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds de destino, existem v\u00e1rias formas de for\u00e7ar as mulheres a entrar e\/ou continuar na prostitui\u00e7\u00e3o. Muitas vezes s\u00e3o obrigadas a reembolsar pesadas d\u00edvidas que consistem nos custos da documenta\u00e7\u00e3o e do transporte, s\u00e3o-lhes retirados os passaportes e o dinheiro, ou s\u00e3o empurradas para a toxicodepend\u00eancia pelos seus exploradores.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">\u00c9 frequente as mulheres v\u00edtimas de tr\u00e1fico serem amea\u00e7adas com viol\u00eancia, sofrerem maus tratos e viola\u00e7\u00f5es e, em certos casos, serem sequestradas para evitar que fujam. Os traficantes tamb\u00e9m amea\u00e7am comunicar \u00e0 fam\u00edlia dessas mulheres que elas trabalham no estrangeiro como prostitutas; as v\u00edtimas sentem que ca\u00edram numa armadilha, devido \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o de imigrantes irregulares. Por \u00faltimo, o dom\u00ednio das v\u00edtimas \u00e9 ainda mais forte quando as organiza\u00e7\u00f5es criminosas controlam toda a cadeia, desde o recrutamento, passando pelo transporte e terminando no pr\u00f3prio local da explora\u00e7\u00e3o sexual.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\">3 \u2013 Causas e Recrutamento do Tr\u00e1fico<o:p><\/o:p><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">A pobreza, o desemprego, bem como a aus\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o e de acesso aos recursos constituem as causas subjacentes ao tr\u00e1fico de seres humanos. \u00c9 evidente que se, por um lado, algumas pessoas est\u00e3o dispostas a assumir o risco de cair nas m\u00e3os de traficantes para melhorarem as suas condi\u00e7\u00f5es de vida, por outro lado, existe nos pa\u00edses industrializados uma tend\u00eancia preocupante para a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra barata e clandestina, bem como para a explora\u00e7\u00e3o de mulheres e crian\u00e7as para fins de prostitui\u00e7\u00e3o e pornografia. As mulheres s\u00e3o particularmente vulner\u00e1veis ao tr\u00e1fico de seres humanos devido \u00e0 feminiza\u00e7\u00e3o da pobreza, \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres, \u00e0 falta de possibilidades de educa\u00e7\u00e3o e de emprego nos seus pa\u00edses de origem.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">A pobreza extrema e o sonho de uma vida melhor num pa\u00eds diferente, s\u00e3o quase sempre os elementos que levam milhares de mulheres, frequentemente quase crian\u00e7as, \u00e0 ang\u00fastia do tr\u00e1fico e da prostitui\u00e7\u00e3o nas ruas do Ocidente.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Maria Giovanna Ruggieri, vice-presidente de Umofc Europa, afirma: \u201cNesta praga de nosso tempo entrecruzam-se duas grandes novas formas de pobreza: a material, de quem se v\u00ea obrigado a usar o seu pr\u00f3prio corpo para sobreviver, e a moral, de quem est\u00e1 convencido de que tudo pode ser comprado, inclusive as mulheres e, com frequ\u00eancia, tamb\u00e9m as crian\u00e7as.\u00bb<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Um estudo da OIM, que se concentrou na Argentina, no Chile e no Uruguai, revela que as v\u00edtimas costumam ser mulheres de classe social baixa, que vivem num ambiente de marginalidade, com um ambiente familiar inst\u00e1vel, al\u00e9m do prec\u00e1rio n\u00edvel educacional. Com as pequenas possibilidades de trabalho que possuem, essas mulheres est\u00e3o predispostas a migrar e a cair em diferentes esquemas.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Segundo o mesmo estudo, existem muitas formas para atrair estas mulheres, mas na maioria das vezes, s\u00e3o outras mulheres, ligadas de alguma maneira com o \u00e2mbito familiar da v\u00edtima, e que t\u00eam a confian\u00e7a da v\u00edtima, como vizinhas ou at\u00e9 mesmo membros da pr\u00f3pria fam\u00edlia, que apresentam uma oferta de emprego bem remunerada no exterior, ou no seu pa\u00eds, mas longe da fam\u00edlia. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Muitas v\u00edtimas do tr\u00e1fico de mulheres transformam-se em captadoras ou exploradoras, seja por coa\u00e7\u00e3o ou como resultado dos abusos sofridos. Segundo os estudos, pelo menos 50% das mulheres n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia da sua condi\u00e7\u00e3o de v\u00edtima.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Os captadores tamb\u00e9m recorrem a t\u00e1cticas como a publica\u00e7\u00e3o de an\u00fancios, nos quais o trabalho a desenvolver n\u00e3o est\u00e1 claramente especificado, testes de elenco para trabalhar no mundo da publicidade, ou como modelos, e at\u00e9 sequestros.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Na maioria dos casos, os &#8220;contratantes&#8221; encarregam-se das despesas da viagem. Assim, quando as mulheres chegam a seu destino, j\u00e1 t\u00eam uma d\u00edvida contra\u00edda para pagar.<\/SPAN><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><o:p><\/o:p><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Al\u00e9m dos agentes directos, o tr\u00e1fico tamb\u00e9m conta com a interven\u00e7\u00e3o dos secund\u00e1rios, como motoristas de t\u00e1xis, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, policias, ju\u00edzes e pol\u00edticos, que colaboram implicitamente ou que, com sua indiferen\u00e7a, tornam poss\u00edvel este tipo de pr\u00e1tica.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">4 \u2013 Alguns n\u00fameros<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Segundo os dados dos organismos internacionais, pelo menos 12,5 milh\u00f5es de pessoas s\u00e3o v\u00edtimas do tr\u00e1fico no mundo, das quais ao menos meio milh\u00e3o est\u00e1 na Europa, com um lucro para o crime organizado estimado em cerca de 10 bilh\u00f5es de euros por ano.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">Segundo a ONU, esta estimado em cerca de $ 30 000 dollares o lucro que as redes de tr\u00e1fico para prostitui\u00e7\u00e3o ganham por cada mulher traficada. Depois do narcotr\u00e1fico e do contrabando de armas, o tr\u00e1fico de mulheres \u00e9 considerado o neg\u00f3cio mais lucrativo do mundo.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">O <A href=\"http:\/\/www.ces.uc.pt\/\" target=_blank><SPAN style=\"COLOR: windowtext; TEXT-DECORATION: none; mso-bidi-font-size: 12.0pt; text-underline: none; mso-ansi-font-size: 12.0pt; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'\">Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra <\/SPAN><\/A>realizou um estudo sobre o tr\u00e1fico humano para explora\u00e7\u00e3o sexual , coordenado pelo professor Boaventura Sousa Santos, no qual revela que a maior parte das mulheres que s\u00e3o trazidas para Portugal, v\u00edtimas do tr\u00e1fico, s\u00e3o brasileiras. Estima-se que este n\u00famero chegue a 80%. A pesquisa revelou ainda a exist\u00eancia de um grupo que trabalha exclusivamente com brasileiras. De acordo com o estudo, uma das caracter\u00edsticas do tr\u00e1fico \u00e9 o endividamento, o que leva \u00e0 escravid\u00e3o j\u00e1 que elas, sem o passaporte e sobre amea\u00e7a, acumulam d\u00edvidas que nunca conseguir\u00e3o pagar. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Segundo os dados do relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional de Migra\u00e7\u00f5es (OIM) de 2006, o tr\u00e1fico de mulheres gera receitas anuais de US$ 32 bilh\u00f5es no mundo, e 85% desse dinheiro \u00e9 da explora\u00e7\u00e3o sexual, que s\u00f3 na Am\u00e9rica Latina e no Caribe fez 100 mil v\u00edtimas em 2006. Segundo o mesmo relat\u00f3rio, uma mulher pode ser &#8220;vendida&#8221; para uma rede de explora\u00e7\u00e3o sexual por US$ 100 a US$ 1.600.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Um exemplo dram\u00e1tico na Europa \u00e9 a Bulg\u00e1ria. De acordo com o &#8220;Center for the Study of Democracy&#8221;, o tr\u00e1fico de mulheres b\u00falgaras como escravas sexuais gera cerca de US$ 2,6 bilh\u00f5es por ano para as m\u00e1fias que est\u00e3o por tr\u00e1s do esquema. \u00c9 a actividade criminosa mais lucrativa do pa\u00eds. A Bulg\u00e1ria tornou-se um dos principais exportadores de trabalhadoras sexuais para a Europa Ocidental, juntamente com a R\u00fassia, a Ucr\u00e2nia e a Rom\u00e9nia. O &#8220;Center for the Study of Democracy&#8221; culpa a pobreza, a corrup\u00e7\u00e3o, os problemas familiares, o sistema de justi\u00e7a corrupto e a localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da Bulg\u00e1ria como factores respons\u00e1veis por alimentar&nbsp;o com\u00e9rcio do sexo. <\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\">5 \u2013 Portugal na Rota do Tr\u00e1fico<o:p><\/o:p><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"mso-bidi-font-weight: bold\">Portugal \u00e9 um dos pa\u00edses de tr\u00e2nsito e destino de tr\u00e1fico sexual e laboral. As mulheres brasileiras s\u00e3o as principais v\u00edtimas.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Do outro lado do Atl\u00e2ntico, sonham com uma vida melhor na Europa. A falta de condi\u00e7\u00f5es financeiras ou a fuga \u00e0 <A href=\"http:\/\/jpn.icicom.up.pt\/2008\/03\/20\/violencia_domestica_trinta_anos_a_viver_no_inferno.html\"><SPAN style=\"COLOR: windowtext; TEXT-DECORATION: none; mso-bidi-font-size: 12.0pt; text-underline: none; mso-ansi-font-size: 12.0pt; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'\">viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/SPAN><\/A> leva muitas brasileiras a viajar para Portugal, descobrindo os perigos do tr\u00e1fico de mulheres.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">O Estado de Pernambuco, no nordeste brasileiro, por exemplo, \u00e9 um dos locais de origem das mulheres traficadas em Portugal. Calcula-se que existam, desde 2002, em Pernambuco, cerca de 150 casos de tr\u00e1fico. 70% destas mulheres s\u00e3o exploradas na Europa (Portugal, Espanha, Alemanha). Os restantes 30% correspondem a tr\u00e1fico interno.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"BACKGROUND: white; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"mso-bidi-font-weight: bold\">Os pa\u00edses da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica s\u00e3o os destinos preferenciais no estrangeiro de redes de prostitui\u00e7\u00e3o que aliciam jovens brasileiras, com baixo grau de escolaridade, em regi\u00f5es pobres do pa\u00eds.<\/SPAN> <\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"BACKGROUND: white; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">As maiores v\u00edtimas de tr\u00e1fico para prostitui\u00e7\u00e3o continuam a ser as brasileiras (80 por cento). A percentagem de mulheres que entram em Portugal via Madrid e Paris \u00e9 mais significativa do que as que v\u00eam directamente do Brasil. <\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"BACKGROUND: white; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Portugal come\u00e7a a integrar a rota do tr\u00e1fico de mulheres chinesas para explora\u00e7\u00e3o sexual. O fen\u00f3meno foi identificado num estudo apresentado \u00e0 Comiss\u00e3o para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, elaborado por investigadores do Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"BACKGROUND: white; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">As mulheres asi\u00e1ticas que chegam a Portugal para prostitui\u00e7\u00e3o entram no pa\u00eds de avi\u00e3o e escondem-se em apartamentos e casas particulares, refere o estudo. Segundo a pol\u00edcia, n\u00e3o se trata de prostitui\u00e7\u00e3o de rua, nem \u00e9 de alterne, \u00e9 normalmente prostitui\u00e7\u00e3o de apartamento, casa de massagens, com contacto de telem\u00f3vel ou Internet.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"BACKGROUND: white; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Apesar das nigerianas estarem no topo na rota do tr\u00e1fico que vem de \u00c1frica, situando-se particularmente no Algarve, as mulheres oriundas de Cabo Verde e Serra Leoa come\u00e7am a ter tamb\u00e9m alguma express\u00e3o num\u00e9rica.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><A name=5485137857833440243><\/A><SPAN style=\"COLOR: black\">No relat\u00f3rio sobre Tr\u00e1fico de Pessoas de 2007, encomendado pelo governo dos Estados Unidos, Portugal aparece como destino e local de passagem para o tr\u00e1fico de seres humanos e n\u00e3o cumpre os requisitos m\u00ednimos recomendados para o combate a este fen\u00f3meno.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Neste Relat\u00f3rio Portugal integra o segundo grupo do ranking de pa\u00edses que n\u00e3o cumprem os requisitos m\u00ednimos recomendados para o combate ao tr\u00e1fico de seres humanos, mas que se esfor\u00e7am para erradic\u00e1-lo.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">O relat\u00f3rio, produzido anualmente pelos EUA, descreve Portugal como sendo essencialmente um pa\u00eds de destino e de tr\u00e2nsito para o tr\u00e1fico de mulheres, homens e crian\u00e7as oriundas do Brasil, Ucr\u00e2nia, Mold\u00e1via, R\u00fassia e Rom\u00e9nia, assim como de alguns pa\u00edses africanos.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">A maioria das brasileiras \u00e9 usada para a explora\u00e7\u00e3o sexual, enquanto os homens do Leste europeu s\u00e3o obrigados a trabalho for\u00e7ado na constru\u00e7\u00e3o, l\u00ea-se no relat\u00f3rio. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">O documento adianta ainda que Portugal demonstrou, em 2006, fracos esfor\u00e7os em mover processos judiciais nesta \u00e1rea, apesar de a pr\u00e1tica ser considerada crime. Por outro lado, diz o documento, os condenados pela pr\u00e1tica deste crime ficam, na maioria das vezes, com pena suspensa.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">O documento, contudo, salienta o esfor\u00e7o portugu\u00eas na preven\u00e7\u00e3o destes crimes, desenvolvendo campanhas de sensibiliza\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, assim como a cria\u00e7\u00e3o de um site portugu\u00eas sobre o tr\u00e1fico humano.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Em Portugal existir\u00e3o, actualmente, cerca de cinco mil mulheres traficadas ou sequestradas, segundo a Associa\u00e7\u00e3o para o Planeamento da Fam\u00edlia (APF). Segundo os n\u00fameros referidos pela APF, o tr\u00e1fico de seres humanos gera, anualmente, cerca de 9,5 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares (cerca de 6,5 mil milh\u00f5es de euros). Por outro lado, cerca de quatro milh\u00f5es de mulheres e crian\u00e7as, das quais 700 mil para os EUA e meio milh\u00e3o para a Europa Ocidental, s\u00e3o traficadas anualmente. Para os respons\u00e1veis da APF, com o volume de neg\u00f3cios gerado d\u00e1 para perceber que esta \u00e9 uma actividade altamente lucrativa e com um baixo n\u00edvel de risco. (DN, 15-12-2007)<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Portugal faz parte das rotas da escravatura sexual \u00e0 dimens\u00e3o global. Esta \u00e9 uma ind\u00fastria quase invis\u00edvel que se vai adaptando \u00e0s leis da oferta e da procura, fazendo com que as mulheres-objecto sejam protagonistas de uma rotatividade no territ\u00f3rio nacional.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\">6 \u2013 Estere\u00f3tipos e exclus\u00e3o social<o:p><\/o:p><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">As v\u00edtimas de tr\u00e1fico encontram-se numa posi\u00e7\u00e3o particularmente vulner\u00e1vel \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e \u00e0 exclus\u00e3o social.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">As sociedades t\u00eam sempre tend\u00eancia a criar estereotipos generalistas que estigmatizam e contribuem para a real exclus\u00e3o. Por exemplo, no momento presente em Portugal criou-se o esterotipo: ser brasileira e ser imigrante, significa ser prostituta. A maioria da sociedade n\u00e3o sabe, infelizmente, diferenciar \u201co trigo do joio\u201d, e, por isso, acaba por esteriotipar e generalizar todas as mulheres (ou a grande maioria delas) de nacionalidade brasileira como imigrantes prostitutas. <\/SPAN><SPAN style=\"COLOR: black\"><o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">A pesquisadora Madalena Duarte, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra toca no \u00e2mago da quest\u00e3o ao dizer: \u201c<I>O tr\u00e1fico criou um esteri\u00f3tipo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s brasileiras. Estamos a verificar at\u00e9 que ponto no discurso das pol\u00edcias se repercute a imagem esteriotipada das brasileiras como prostitutas. \u00c9 necess\u00e1rio desconstruir a id\u00e9ia de que todas as mulheres brasileiras imigrantes que v\u00eam para trabalhar s\u00e3o prostitutas<\/I><SPAN style=\"mso-bidi-font-style: italic\">\u201d.<B><o:p><\/o:p><\/B><\/SPAN><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN style=\"COLOR: black\">7 \u2013 Apoio legal \u00e0s V\u00edtimas<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN style=\"COLOR: black\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">O artigo 1\u00ba da Conven\u00e7\u00e3o da ONU para a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o contra a Mulher (CEDAW), ratificada por Portugal em 1980, com Protocolo Adicional ratificado em 2002, <SPAN style=\"mso-spacerun: yes\">&nbsp;<\/SPAN>define a discrimina\u00e7\u00e3o contra a mulher, como sendo toda a forma de distin\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o, restri\u00e7\u00e3o ou prefer\u00eancia que prejudique ou anule o reconhecimento, o gozo ou o exerc\u00edcio de direitos pelas mulheres, em igualdade de condi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos homens. O artigo 6\u00ba da mesma Conven\u00e7\u00e3o faz refer\u00eancia expl\u00edcita \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o dos Estados de reprimir e suprimir todas as formas de tr\u00e1fico de mulheres e explora\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o da mulher. Ressalte-se que as medidas punitivas e repressivas a serem adoptadas devem recair, necessariamente, sobre aquele que explora comercialmente a sexualidade das mulheres. Caso contr\u00e1rio seria refor\u00e7ado o estigma da mulher que, em tal situa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 se encontra demasiadamente vulner\u00e1vel. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\"><A href=\"http:\/\/www.ces.uc.pt\/lab2004\/inscricao\/pdfs\/painel16\/IgorMachado.pdf\" target=_blank><SPAN style=\"COLOR: windowtext; TEXT-DECORATION: none; mso-bidi-font-size: 12.0pt; text-underline: none; mso-ansi-font-size: 12.0pt; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'\">Num estudo<\/SPAN><\/A>, realizado pelo pesquisador Igor Jose de Ren\u00f3 Machado, entre outras coisas, especula que \u201d \u00e9 porque o imigrante \u00e9 visto como coisa pelos Estados e pelas sociedades civis que a possibilidade do trafico de pessoas se torna um neg\u00f3cio vi\u00e1vel\u201d. De facto, a luta contra esse tipo de explora\u00e7\u00e3o humana, por parte dos Estados \u201creceptores\u201d, n\u00e3o pode ser feita de forma repressiva para as v\u00edtimas. Muitas dessas mulheres n\u00e3o passariam por situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o degradantes e sofridas se n\u00e3o tivessem medo das consequ\u00eancias. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt 36pt; TEXT-INDENT: -18pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-list: l0 level1 lfo9\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">8<SPAN style=\"FONT: 7pt 'Times New Roman'\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/SPAN><\/SPAN><\/B><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">\u2013 Preven\u00e7\u00e3o<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 18pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">Apesar das v\u00edtimas serem, na sua maioria, pobres, todas as mulheres s\u00e3o alvo. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio investir na preven\u00e7\u00e3o, alertando e informando, atrav\u00e9s de campanhas locais, nacionais, internacionais e mesmo universais para prvenir o flagelo. Sempre que <SPAN style=\"mso-bidi-font-weight: bold\">algu\u00e9m recebe uma proposta com refer\u00eancias para melhorar de vida fora do seu local de resid\u00eancia ou noutro pa\u00eds, deve desconfiar<\/SPAN>. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 18pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-weight: bold\">O aliciador pode ser uma mulher<\/SPAN><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">. As mulheres, principalmente as conhecidas, aproximam-se mais facilmente das v\u00edtimas. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 18pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-weight: bold\">Propostas amorosas s\u00fabitas<\/SPAN><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\"> devem ser vistas com muita desconfian\u00e7a. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 18pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-weight: bold\">Nunca se deve entregar o passaporte a ningu\u00e9m quando se est\u00e1 fora do pa\u00eds<\/SPAN><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 18pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-weight: bold\">Deve-se manter um contacto permanente com os familiares<\/SPAN><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\"> sempre que se est\u00e1 fora da terra natal. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 18pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-weight: bold\">Antes de viajar \u00e9 necess\u00e1rio saber os n\u00fameros de telefone da embaixada ou consulado do seu pa\u00eds no pa\u00eds de destino<\/SPAN><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 18pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-weight: bold\">Em caso de emerg\u00eancia h\u00e1 que procurar sempre a embaixada, o consulado ou as autoridades policiais locais<\/SPAN><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">.<SPAN style=\"mso-spacerun: yes\">&nbsp; <\/SPAN><o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt 36pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN style=\"COLOR: black\">9 \u2013 O Papel da Igreja Cat\u00f3lica<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">A quest\u00e3o da luta pela defesa dos mais pobres, pequenos, marginalizados e injusti\u00e7ados da sociedade sempre foi uma das bandeiras da Igreja que procura seguir a filosofia de vida inspirada no seu fundador, Jesus Cristo. No contexto da publica\u00e7\u00e3o da Mensagem do Papa, publicada por ocasi\u00e3o da 92\u00aa Jornada Mundial do Imigrante e do Refugiado, realizada em 15 de Janeiro de 2006, cujo lema foi &#8220;Migra\u00e7\u00f5es, sinal dos tempos&#8221;, este denunciou o tr\u00e1fico de seres humanos, sobretudo o tr\u00e1fico de mulheres, favorecido pela imigra\u00e7\u00e3o, e condenou a cultura hedonista e comercial que promove a explora\u00e7\u00e3o sexual sistem\u00e1tica feminina.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">O Papa Bento XVI assinalou que, cada vez mais, os que imigram por motivos econ\u00f3micos s\u00e3o mulheres, que se tornaram a principal fonte de renda para suas fam\u00edlias. &#8220;A presen\u00e7a da mulher acontece, sobretudo, nos sectores que oferecem sal\u00e1rios baixos&#8221;, afirmou o Papa; e, em alguns casos, acrescentou, h\u00e1 mulheres e jovens que s\u00e3o exploradas no trabalho quase como escravas, sobretudo na ind\u00fastria do sexo.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">Na sua condena\u00e7\u00e3o \u00e0 &#8220;cultura hedonista e comercial&#8221;, o Papa pediu aos crist\u00e3os que se comprometam na defesa da mulher, no respeito pela sua feminilidade e no reconhecimento dos seus direitos de igualdade em rela\u00e7\u00e3o ao homem. <\/SPAN><SPAN style=\"COLOR: black\">. <\/SPAN><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\"><o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.45pt; LINE-HEIGHT: 19.2pt; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Na Quarta-Feira, 13 de Fevereiro de 2008, o arcebispo Agostino Marchetto, secret\u00e1rio do Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, interveio, em representa\u00e7\u00e3o do Papa, no F\u00f3rum contra o Tr\u00e1fico de Seres Humanos convocado pelo Gabinete das Na\u00e7\u00f5es Unidas contra as Drogas e o Delito (UNODD), que se realizou em Viena de 13 a 15 de Fevereiro, denunciando que o tr\u00e1fico de seres humanos \u00e9 um dos fen\u00f3menos mais vergonhosos da nossa \u00e9poca. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 19.2pt; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">A Santa S\u00e9, disse o representante do Papa, \u00abvaloriza e impulsiona os esfor\u00e7os empreendidos em v\u00e1rios \u00e2mbitos para combater o tr\u00e1fico de seres humanos, que \u00e9 um problema multidimensional e um dos fen\u00f3menos mais vergonhosos de nossa era\u00bb. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 19.2pt; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Destacou que, segundo as pesquisas da R\u00e1dio Vaticano, existe um perigo real sofrido por numerosas pessoas que, perante a pobreza, assim como pela falta de oportunidades e de coes\u00e3o social, se v\u00eaem impulsionadas a deixar os seus pa\u00edses de origem, procurando um futuro melhor\u00bb. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 19.2pt; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Sem esquecer que tamb\u00e9m existem outros factores que contribuem para o estender deste crime, como os conflitos armados, a aus\u00eancia de regras espec\u00edficas e de estruturas s\u00f3cio-culturais em alguns pa\u00edses, assim como a falta de conhecimento dos pr\u00f3prios direitos por parte das v\u00edtimas, salientou que \u00aba Santa S\u00e9 apoia todas as iniciativas justas que contribuem para suprimir este fen\u00f3meno imoral e criminoso e para promover a recupera\u00e7\u00e3o e o bem-estar de todas as v\u00edtimas\u00bb. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 19.2pt; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">\u00abA Santa S\u00e9 acompanhou constantemente a gravidade do tr\u00e1fico de seres humanos\u00bb, disse Dom Marchetto, evocando o Papa Paulo VI que, em 1970, estabeleceu a Comiss\u00e3o Pontif\u00edcia \u2013 hoje Conselho \u2013 para o cuidado da Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, dedicando-se com especial esmero \u00e0s v\u00edtimas deste crime, que s\u00e3o \u00abos escravos da \u00e9poca moderna.\u00bb<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 19.2pt; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Nesta mesma perspectiva, o Conselho Pontif\u00edcio organizou dois Congressos Mundiais. O primeiro, para a liberta\u00e7\u00e3o das mulheres de rua e, o segundo, para as crian\u00e7as de rua. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 19.2pt; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">A Santa S\u00e9 indica sem cessar que todos os esfor\u00e7os para enfrentar as actividades criminosas relacionadas com este flagelo devem centrar-se nos direitos humanos e dirigir-se tamb\u00e9m aos que protagonizam a procura da explora\u00e7\u00e3o sexual. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 19.2pt; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">D. Marchetto, em nome do Papa, fez o apelo os homens \u2013 jovens e adultos \u2013 aos maridos e aos pais, para intervir nas raz\u00f5es que motivam o mau trato e a falta de respeito pelas mulheres e que muitas vezes s\u00e3o a causa que as leva a cair nas teias de redes criminosas.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 19.2pt; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Entre as actividades concretas impulsionadas pela Igreja Cat\u00f3lica, recordamos as que numerosos bispos e confer\u00eancias episcopais realizam, citando exemplos como Espanha, Nig\u00e9ria e Irlanda e mesmo Portugal. Actividades que envolvem a ac\u00e7\u00e3o directa de organiza\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas, que assistem as v\u00edtimas. Escutam-nas, d\u00e3o-lhes ajuda material, inclusive a forma de escapar de quem as escraviza por meio da viol\u00eancia sexual, criando lares de acolhimento, promovendo os passos necess\u00e1rios para a reinser\u00e7\u00e3o na sociedade e patrocinando a preven\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 19.2pt; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">A Igreja Cat\u00f3lica exerce uma actividade importante nos pa\u00edses que sofrem violentos conflitos, como a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, a Serra Leoa, a Lib\u00e9ria\u2026, para salvar as crian\u00e7as-soldado, que acabam sendo vendidas como escravos muitas vezes para explora\u00e7\u00e3o sexual.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 19.2pt; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">S\u00e3o numerosas as ac\u00e7\u00f5es da Igreja Cat\u00f3lica, dentro dessas \u00e9 importante salientar as iniciativas que as Ordens, Institutos e Congrega\u00e7\u00f5es Religiosas impulsionam em favor destes pobres em todo o mundo, numa rede que chega a onde a maioria das institui\u00e7\u00f5es civis n\u00e3o chega. Em Portugal salienta-se o trabalho do CAVITP, da CIRP, trabalho que procura congregar todos os Institutos de Portugal, numa grande rede de solidariedade e apoio \u00e0s v\u00edtimas, assim como de luta contra este flagelo.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 19.2pt; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">D. Marchetto afirma que a ac\u00e7\u00e3o da Igreja \u00abn\u00e3o trata s\u00f3 de salvar as v\u00edtimas de semelhantes horrores, mas tamb\u00e9m de curar as suas feridas f\u00edsicas e emocionais e de sustentar as fam\u00edlias e comunidades. Admitindo que n\u00e3o existem solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis, a Santa S\u00e9 sublinha a import\u00e2ncia de tutelar as v\u00edtimas do tr\u00e1fico de seres humanos, de estabelecer penas justas para castigar este crime e de promover medidas preventivas. A preven\u00e7\u00e3o abarca o conhecimento das causas deste horr\u00edvel fen\u00f3meno, inclusive a situa\u00e7\u00e3o macroecon\u00f3mica\u00bb, afirmou. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 19.2pt; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">No que se refere \u00e0 ajuda que se deve dar \u00e0s v\u00edtimas, a Igreja insiste nos cuidados m\u00e9dicos e psicol\u00f3gicos, assim como nas permiss\u00f5es de resid\u00eancia e de emprego que facilitem a sua reinser\u00e7\u00e3o social. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 19.2pt; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"COLOR: black\">Segundo a opini\u00e3o de D. Marchetto, com a qual estou totalmente de acordo, quando se ajuda as pessoas a voltarem para seus pa\u00edses de origem, \u00e9 indispens\u00e1vel que se acompanhe esta ajuda com projectos e micro-cr\u00e9ditos, que podem ser financiados atrav\u00e9s da confisca\u00e7\u00e3o dos bens dos pr\u00f3prios traficantes. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">Conclus\u00e3o<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN lang=PT-BR style=\"mso-ansi-language: PT-BR\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/B><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Em jeito de conclus\u00e3o gostaria de vos dizer que o que fica dito \u00e9 apenas uma pequena, \u00ednfima parcela do que \u00e9 a complexidade da realidade e do drama que envolve o fen\u00f3meno das migra\u00e7\u00f5es e do tr\u00e1fico de seres humanos, particularmente o tr\u00e1fico de mulheres para explora\u00e7\u00e3o sexual.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">A miss\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica e das suas Institui\u00e7\u00f5es no trabalho de apoio e defesa dos direitos dos migrantes e das v\u00edtimas de tr\u00e1fico e de qualquer explora\u00e7\u00e3o do der humano, tem de ter sempre como objectivo e como medida preventiva, uma coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento integral dos povos. Tem que ter como objectivo a luta contra tudo o que \u00e9 discrimina\u00e7\u00e3o, injusti\u00e7a, explora\u00e7\u00e3o do ser humano por outro ser humano, explora\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00e3o contra na\u00e7\u00e3o, ou explora\u00e7\u00e3o dos poucos detentores das riquezas do mundo contra a maioria da popula\u00e7\u00e3o que s\u00e3o os pobres deste mundo.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">A miss\u00e3o real da Igreja \u00e9 estar ao lado dos mais fr\u00e1geis e, no contexto do nosso tempo integram-se todos os migrantes e v\u00edtimas do tr\u00e1fico que, por uma raz\u00e3o ou outra, livremente ou obrigados, tiveram que deixar a sua terra, deixar a seguran\u00e7a do espa\u00e7o que conhecem, partindo para o desconhecido. \u00c9 estar ao lado e chorar com os que choram; \u00e9 alegrar-se com os que est\u00e3o felizes, \u00e9 dar a m\u00e3o aos que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam for\u00e7as para caminhar, fazendo brilhar a esperan\u00e7a nos cora\u00e7\u00f5es tristes e abandonados. \u00c9 lutar contra o ego\u00edsmo, rejeitando o desespero, a viol\u00eancia, o \u00f3dio e a discrimina\u00e7\u00e3o que desfiguram e empobrecem o mundo em que vivemos.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Numa palavra, \u00e9 escutar o grito dos pobres, contribuindo para que o mundo seja realmente uma casa comum para todos os povos, independentemente da sua diversidade e riqueza de culturas, de perspectivas e de sonhos. Quem se integra na miss\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica pondo-se ao lado de todos os pobres, marginalizados, e v\u00edtimas deste mundo, que n\u00e3o v\u00eaem reconhecidos os seus direitos, \u00e9-lhe exigido que seja verdadeiramente construtor de Justi\u00e7a, de fraternidade, de esperan\u00e7a e de paz.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 18pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">\u00c9 na convic\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da mensagem de Jesus que sempre se colocou ao lado dos mais fr\u00e1geis, denunciando sem medo todas as injusti\u00e7as; \u00e9 face \u00e0 pobreza, \u00e0s situa\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas de muitos pa\u00edses; \u00e9 face \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o de tantos governos que se apoderam das riquezas que s\u00e3o dos seus povos; \u00e9 face ao endurecimento das pol\u00edticas de conten\u00e7\u00e3o dos fluxos migrat\u00f3rios, quer na Europa, quer nos Estados Unidos, quer no Canad\u00e1, etc., \u00e9 face \u00e0 hipocrisia de uma sociedade que lutou tanto para a queda do muro de Berlim, e hoje levanta muros mais vergonhosos, que me atrevo a deixar algumas quest\u00f5es no ar, para reflex\u00e3o, sobre o contexto em que vivemos que est\u00e1 a criar todas estas aberra\u00e7\u00f5es destrutivas do que a dignidade humana tem de mais sagrado:<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 18pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-INDENT: 18pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Ter\u00e1 futuro um sistema neoliberal de globaliza\u00e7\u00e3o da economia e dos mercados, que favorece apenas uma pequena faixa da popula\u00e7\u00e3o mundial, favorecendo, particularmente, as empresas multinacionais, que est\u00e1 a destruir as pequenas e m\u00e9dias empresas e a alargar, cada vez mais, o fosso entre ricos e pobres, levando popula\u00e7\u00f5es, e mesmo na\u00e7\u00f5es inteiras, \u00e0 mis\u00e9ria, \u00e0 fome, a situa\u00e7\u00f5es de desespero total, onde n\u00e3o se vislumbra um horizonte de esperan\u00e7a ou uma perspectiva de sa\u00edda, criando as causas que conduzem ao drama migrat\u00f3rio e de todas as formas de explora\u00e7\u00e3o humana que conhecemos?<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-INDENT: 18pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Ter\u00e1 sentido a conten\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos, s\u00f3 para que os pre\u00e7os e os grandes lucros das multinacionais sejam mantidos, quando milh\u00f5es de pessoas morrem \u00e0 fome? Ter\u00e1 sentido conceder subs\u00eddios para n\u00e3o produzir, aplicando-se pesadas multas a quem excede os limites impostos pelo sistema de cotas, ficando grandes extens\u00f5es de terra por trabalhar, ou seja, improdutivas? Ter\u00e1 sentido a conten\u00e7\u00e3o quando tantos homens e mulheres n\u00e3o conseguem encontrar um trabalho que lhes garanta o manterem a sua dignidade, a sua sobreviv\u00eancia sem dependerem da esmola dos subs\u00eddios que humilham? Ter\u00e1 sentido esta situa\u00e7\u00e3o que s\u00f3 contribui para o desvio atrav\u00e9s de caminhos considerados ilegais, mas que s\u00e3o, muitas vezes, o \u00faltimo meio encontrado para a sobreviv\u00eancia?<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-INDENT: 18pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Ter\u00e1 sentido o suporte, por meros interesses econ\u00f3micos, que os pa\u00edses ocidentais fazem aos governos corruptos de \u00c1frica e de outras zonas do mundo, que se apoderam das riquezas dos seus pa\u00edses e dos meios que chegam do exterior como coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento, mantendo-se, assim, o eterno ciclo de pobreza, de sofrimento e de morte das popula\u00e7\u00f5es, obrigando tantos a fugirem para campos de refugiados ou a tentar alcan\u00e7ar a Europa e outros pa\u00edses ricos, com todos os riscos que essa aventura acarreta?<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-INDENT: 18pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\">Ter\u00e1 sentido que a ONU tenha promulgado uma <I style=\"mso-bidi-font-style: normal\">\u201cConven\u00e7\u00e3o Internacional sobre a Protec\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes e das sua Fam\u00edlias\u201d<\/I> e que, 18 anos depois da promulga\u00e7\u00e3o da referida Conven\u00e7\u00e3o, s\u00f3 38 pa\u00edses a tenha ratificado, mantendo-se de fora os outros 154 estados membros da ONU, particularmente todos os pa\u00edses ocidentais que acolhem imigrantes? \u00c9 o caso de Portugal que esteve totalmente empenhado na redac\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o mas, at\u00e9 hoje, n\u00e3o a ratificou.<\/P><br \/>\n<P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify\"><SPAN style=\"mso-tab-count: 1\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/SPAN>Tantas outras quest\u00f5es se poderiam p\u00f4r, deixo-as para v\u00f3s. Espero que esta partilha, particularmente para todos os que at\u00e9 ao presente tiveram pouco ou nenhum contacto com esta realidade, provoque alguma inquieta\u00e7\u00e3o e compromisso na luta contra o flagelo do sofrimento provocado pelas migra\u00e7\u00f5es e pelo drama do tr\u00e1fico de seres humanos, particularmente do tr\u00e1fico feminino para explora\u00e7\u00e3o sexual e do tr\u00e1fico de crian\u00e7as para extrac\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os.<\/P><SPAN style=\"FONT-SIZE: 12pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT; mso-fareast-language: PT; mso-bidi-language: AR-SA\">Para terminar, permitem-me citar as palavras de Bento XVI expressas no n\u00ba 38 da sua enc\u00edclica <I>Spe Salvi<\/I><SPAN style=\"mso-bidi-font-style: italic\"> onde diz<\/SPAN>: \u00abA grandeza da humanidade determina-se essencialmente na rela\u00e7\u00e3o com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto para o indiv\u00edduo como para a sociedade. Uma sociedade que n\u00e3o consegue aceitar os que sofrem e n\u00e3o \u00e9 capaz de contribuir, mediante a compaix\u00e3o, para fazer com que o sofrimento seja compartilhado e assumido mesmo interiormente \u00e9 uma sociedade cruel e desumana\u00bb.<\/SPAN><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><P class=MsoNormal style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: center\" align=justify><B style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><SPAN style=\"FONT-SIZE: 14pt\"><FONT size=1>DIA EUROPEU DE LUTA CONTRA O TR\u00c1FICO DE SERES HUMANOS<?xml:namespace prefix = o ns = \"urn:schemas-microsoft-com:office:office\" \/><o:p><\/o:p><\/FONT><\/SPAN><\/B><\/P><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-298","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=298"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/298\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1361,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/298\/revisions\/1361"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}