{"id":3109,"date":"2018-01-08T12:32:38","date_gmt":"2018-01-08T12:32:38","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/?p=3109"},"modified":"2018-01-08T16:41:37","modified_gmt":"2018-01-08T16:41:37","slug":"migracoes-oportunidade-para-a-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/migracoes-oportunidade-para-a-paz\/","title":{"rendered":"MIGRA\u00c7\u00d5ES, OPORTUNIDADE PARA A PAZ"},"content":{"rendered":"<p>Quando cada vez mais, em diversos pa\u00edses, se refor\u00e7am correntes hostis a migrantes e refugiados, o Papa Francisco, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano, associa as migra\u00e7\u00f5es \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da paz. Afirma, referindo-se a estas: \u00ab<em>Alguns consideram-nas uma amea\u00e7a. Eu, pelo contr\u00e1rio, convido-vos a olh\u00e1-las com um olhar repleto de confian\u00e7a, como oportunidade para construir um futuro de paz<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>A paz \u00e9 o que buscam muitos dos migrantes e refugiados: os que fogem da guerra, mas tamb\u00e9m os que fogem da fome ou da opress\u00e3o. Para a encontrar, diz a mensagem, \u00ab<em>muitos deles est\u00e3o prontos a arriscar a vida numa viagem que se revela, em grande parte dos casos, longa e perigosa, a sujeitar-se a fadigas e sofrimentos, a enfrentar arames farpados e muros erguidos para os manter longe da meta<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Mas em que medida podem as migra\u00e7\u00f5es contribuir para a constru\u00e7\u00e3o da paz?<\/p>\n<p>\u00ab<em>O desenvolvimento \u00e9 o novo nome da paz<\/em>\u00bb &#8211; disse Paulo VI h\u00e1 cinquenta anos na enc\u00edclica <em>Popolorum progressio<\/em>. \u00ab<em>Todos t\u00eam o mesmo direito de usufruir dos bens da terra, cujo destino \u00e9 universal, como ensina a doutrina social da Igreja<\/em>\u00bb &#8211; diz o Papa Francisco nesta mensagem, citando o Papa em\u00e9rito Bento XVI. As migra\u00e7\u00f5es podem contribuir para concretizar este direito. E- dizem-no v\u00e1rios estudos- contribuem para o desenvolvimento quer dos pa\u00edses de origem dos migrantes, quer dos pa\u00edses de destino.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 esse o contributo que podem dar os migrantes e refugiados aos pa\u00edses de destino Nesta mensagem, o Papa Francisco afirma que eles \u00ab<em>n\u00e3o chegam de m\u00e3os vazias: trazem uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e aspira\u00e7\u00f5es, para al\u00e9m dos tesouros das suas culturas nativas, e deste modo enriquecem a vida das na\u00e7\u00f5es que os acolhem.<\/em>\u00bb. O di\u00e1logo de culturas traduz-se em enriquecimento rec\u00edproco. E disse o Papa noutra ocasi\u00e3o (no discurso que deixou escrito quando visitou a Universidade <em>Roma Tre<\/em>, em 17 de fevereiro passado): \u00ab<em>Uma cultura consolida-se atrav\u00e9s da abertura e do confronto com as outras culturas, desde que haja uma consci\u00eancia clara e madura dos pr\u00f3prios princ\u00edpios e valores<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p><em>Acolher<\/em>, <em>proteger<\/em>, <em>promover <\/em>e <em>integrar<\/em>: s\u00e3o os quatro verbos que devem inspirar as pol\u00edticas dos governos e as a\u00e7\u00f5es das sociedades de acolhimento- j\u00e1 o disse o Papa Francisco em v\u00e1rias ocasi\u00f5es.<\/p>\n<p>A mensagem sublinha a import\u00e2ncia de que se revestem os dois pactos globais sobre migra\u00e7\u00f5es (seguras, ordenadas e regulares) e refugiados que se espera venham a ser aprovados em 2018 no \u00e2mbito das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Porque se exigem solu\u00e7\u00f5es globais, n\u00e3o isoladas ou unilaterais. Afirma o Papa a respeito destes pactos: \u00ab<em>\u00e9 importante que sejam inspirados por sentimentos de compaix\u00e3o, clarivid\u00eancia e coragem, de modo a aproveitar todas as ocasi\u00f5es para fazer avan\u00e7ar a constru\u00e7\u00e3o da paz: s\u00f3 assim o necess\u00e1rio realismo da pol\u00edtica internacional n\u00e3o se tornar\u00e1 uma capitula\u00e7\u00e3o ao cinismo e \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 bom que estas palavras tenham um particular eco em Portugal, um pa\u00eds marcado pela emigra\u00e7\u00e3o desde h\u00e1 s\u00e9culos (e que dela tanto beneficiou e continua a beneficiar) e tamb\u00e9m, mais recentemente, pela imigra\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m esta vem beneficiando o nosso pa\u00eds. Os dados mais recentes, do Observat\u00f3rio para as Migra\u00e7\u00f5es (ver <em>www.om.acm.gov.pt<\/em>) revelam, mais uma vez, que os contributos financeiros dos imigrantes para o Estado portugu\u00eas s\u00e3o maiores do que as presta\u00e7\u00f5es de que beneficiam. E apesar de estes conhecerem maior risco de pobreza e priva\u00e7\u00e3o material severa do que os nacionais.<\/p>\n<p>As migra\u00e7\u00f5es podem ser uma oportunidade para a paz- \u00e9 o que diz, em s\u00edntese, esta mensagem e que a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz quer sublinhar. Como disse S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, citado na mensagem: \u00ab<em>Se o \u201csonho\u201d de um mundo em paz \u00e9 partilhado por tantas pessoas, se se valoriza o contributo dos migrantes e dos refugiados, a humanidade pode tornar-se sempre mais fam\u00edlia de todos e a nossa terra uma real \u201ccasa comum\u201d<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Lisboa, 28 de dezembro de 2017<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz quer chamar a aten\u00e7\u00e3o para a mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz de 2018 <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2003,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-3109","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3109"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3109\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3110,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3109\/revisions\/3110"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2003"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}