{"id":318,"date":"2008-12-18T14:01:49","date_gmt":"2008-12-18T14:01:49","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-15T17:30:56","modified_gmt":"2015-03-15T17:30:56","slug":"dia-internacional-do-migrante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/dia-internacional-do-migrante\/","title":{"rendered":"Dia Internacional do Migrante"},"content":{"rendered":"<p>Na celebra&ccedil;&atilde;o do Dia Internacional do Migrante e no contexto natal&iacute;cio em que Jesus Cristo d&aacute; o sentido profundo &agrave;s celebra&ccedil;&otilde;es, o FORCIM &ndash; F&oacute;rum de Organiza&ccedil;&otilde;es Cat&oacute;licas para a Imigra&ccedil;&atilde;o e Asilo, quer proclamar uma mensagem de esperan&ccedil;a e de compromisso para todos os migrantes e para os que lutam pela defesa dos seus direitos.<\/p>\n<p>Esperan&ccedil;a porque Ele veio colocar a pessoa &#8211; e com um especial carinho a pessoa do pobre &#8211; no primeiro lugar, elevando-a acima dos interesses ego&iacute;stas do poder econ&oacute;mico, pol&iacute;tico e at&eacute; da religi&atilde;o.<\/p>\n<p>Compromisso com os pobres porque, perante a crise que a todos nos atinge, eles estar&atilde;o entre os mais duramente afectados. Se a vida est&aacute; cara, muito mais dif&iacute;cil se torna para quem tem rendimentos baixos, para quem vive de um trabalho prec&aacute;rio ou se encontra no desemprego. Castigados ainda porque desprovidos de capacidade reivindicativa e sem la&ccedil;os corporativos que os constituam como for&ccedil;a perante o poder.<\/p>\n<p>Por isso apelamos ao Governo para que, no desempenho da sua miss&atilde;o, procure corrigir o desequil&iacute;brio entre os interesses particulares ou corporativos dos mais fortes e as necessidades daqueles cujo &uacute;nico poder consiste na consci&ecirc;ncia que t&ecirc;m da sua dignidade, como &eacute; o caso de muitos cidad&atilde;os imigrantes.<\/p>\n<p>Desejamos que, ao encerrar o Ano Europeu do Di&aacute;logo Intercultural, n&atilde;o se fique apenas nas celebra&ccedil;&otilde;es desta efem&eacute;ride sem que dela se retirem consequ&ecirc;ncias para o futuro, mas que se avalie at&eacute; que ponto se avan&ccedil;ou no caminho de uma maior integra&ccedil;&atilde;o e num enriquecimento cultural da sociedade de acolhimento, para que este seja o inicio do caminho da interculturalidade, a semente lan&ccedil;ada para o di&aacute;logo futuro.<\/p>\n<p>Tendo presentes algumas iniciativas a n&iacute;vel europeu, questionamo-nos sobre a bondade das medidas tomadas, como foi o caso da Directiva acerca do Retorno dos imigrantes, j&aacute; que elas tiveram mais em conta o bem-estar imediato dos pa&iacute;ses desenvolvidos, secundarizando ou esquecendo o interesse dos imigrantes e dos seus pa&iacute;ses de origem, altamente carenciados e v&iacute;timas de um ego&iacute;smo end&eacute;mico por parte dos pa&iacute;ses do Norte enriquecido e das suas cumplicidades com os que impedem o desenvolvimento dos pa&iacute;ses do Sul.<\/p>\n<p>Continuamos a insistir na necessidade de acelerar a legaliza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores imigrantes, aplicando com abertura a legisla&ccedil;&atilde;o em vigor. E consideramos importante o balan&ccedil;o da aplica&ccedil;&atilde;o da lei da imigra&ccedil;&atilde;o com vista &agrave; correc&ccedil;&atilde;o dos preceitos que se t&ecirc;m mostrado menos adequados &agrave; realidade.<\/p>\n<p>Ainda no contexto da crise global n&atilde;o podemos deixar de considerar a crise do sistema em si mesmo e a necessidade de encontrar rapidamente solu&ccedil;&otilde;es adequadas para a regula&ccedil;&atilde;o da economia globalizada e do sistema financeiro que a sustenta.<\/p>\n<p>No que diz respeito a Portugal, a crise levantou o v&eacute;u que escondia alguns dos defeitos do sistema, designadamente os objectivos do lucro a todo o custo, sem olhar a meios, e o enriquecimento por apropria&ccedil;&atilde;o indevida do rendimento gerado pelo sistema financeiro. A pessoa humana ficou para segundo lugar ou foi esquecida. Em particular, &eacute; escandaloso o grau atingido pelas desigualdades de rendimentos e de riqueza existentes entre n&oacute;s. Os honor&aacute;rios escandalosos de alguns e os gastos ileg&iacute;timos de outros constituem uma inj&uacute;ria perante uma grande parte da popula&ccedil;&atilde;o que vive no limiar ou abaixo do limiar da pobreza. Neste pormenor, em vez de nos aproximarmos do pelot&atilde;o da frente da Uni&atilde;o Europeia &ndash; onde h&aacute; maior riqueza, mas tamb&eacute;m maior participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, maior proximidade entre governantes e governados, maior desenvolvimento e equidade na distribui&ccedil;&atilde;o da riqueza e do rendimento &ndash; mais nos assemelh&aacute;mos a um qualquer pa&iacute;s sub-desenvolvido, apresentando um fosso escandaloso entre os muitos com pouco e os poucos com muito.<\/p>\n<p>A celebra&ccedil;&atilde;o dos 60 anos da Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos, ocorrida h&aacute; poucos dias, deve levar-nos a questionar as op&ccedil;&otilde;es assumidas pelos governantes e por n&oacute;s pr&oacute;prios relativamente &agrave; vida econ&oacute;mica e social.<\/p>\n<p>Sem os valores da justi&ccedil;a e da paz, seguramente que os cidad&atilde;os e as cidad&atilde;s ficar&atilde;o em posi&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria. Nesse caso, a efem&eacute;ride n&atilde;o passar&aacute; de uma hipocrisia travestida de honorabilidade.<\/p>\n<p>Que as celebra&ccedil;&otilde;es deste Natal possam ir ao encontro da mensagem d&rsquo;Aquele que manifestou a import&acirc;ncia da pessoa humana, n&atilde;o por aquilo que tem, mas sim pelo que ela &eacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lisboa, 18 de Dezembro de 2008<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-318","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=318"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1358,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318\/revisions\/1358"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=318"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=318"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=318"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}