{"id":3222,"date":"2018-03-15T15:25:19","date_gmt":"2018-03-15T15:25:19","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/?p=3222"},"modified":"2018-03-15T15:30:05","modified_gmt":"2018-03-15T15:30:05","slug":"5o-aniversario-de-eleicao-do-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/5o-aniversario-de-eleicao-do-papa-francisco\/","title":{"rendered":"5\u00ba anivers\u00e1rio de elei\u00e7\u00e3o do Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/alfredo640.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3223 alignleft\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/alfredo640.jpg\" alt=\"\" width=\"174\" height=\"261\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/alfredo640.jpg 640w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/alfredo640-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 174px) 100vw, 174px\" \/><\/a>Mais do que um simples \u201canivers\u00e1rio de elei\u00e7\u00e3o do Papa Francisco \u00e0 c\u00e1tedra de Pedro\u201d, neste 13 de mar\u00e7o comemora-se na Igreja Cat\u00f3lica a reemerg\u00eancia da pessoa e da Boa Nova de Jesus Cristo. E junto com o \u201cprofeta itinerante de Nazar\u00e9\u201d, reemerge igualmente uma dupla centralidade: o Reino de Deus como centro da mensagem do Mestre, de um lado, e, de outro, os pobres como centro do Reino. Esse retorno ao n\u00facleo<em> kerygm\u00e1tico<\/em> dos escritos neotestament\u00e1rios vem \u00e0 tona desde as primeiras palavras e os primeiros gestos do Pont\u00edfice, para consolidar-se em seus breves discursos, suas Cartas Enc\u00edclicas (<em>Lumen Fidei<\/em>, 2013 e <em>Laudato Si\u2019<\/em>, 2015) e sua Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica (<em>Evangelii Gaudium<\/em>, 2013).<\/p>\n<p>A centralidade do Reino de Deus vem atestada com for\u00e7a prof\u00e9tica e veemente em todas as p\u00e1ginas do Novo Testamento, mas de modo particular nos cap\u00edtulos sobre as par\u00e1bolas de Jesus. O Papa Francisco retoma, de forma complementar, seja a linguagem de tais narra\u00e7\u00f5es aleg\u00f3ricas, seja o seu conte\u00fado oculto. Quanto e este \u00faltimo, conv\u00e9m notar como Jorge Bergoglio tem insistido \u2013 e venha insistindo \u2013 sobre o fato de que a esperan\u00e7a escatol\u00f3gica do Reino tem primazia sobre os bens e riquezas deste mundo. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso! Enquanto os poderosos dominam as na\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de uma \u201cpol\u00edtica econ\u00f4mica que exclui, descarta e mata\u201d, o Senhor chama para si o servi\u00e7o aos mais necessitados. Os primeiros se disp\u00f5em a construir muros mediante uma \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a\u201d. Jesus, al\u00e9m da ponte entre o c\u00e9u e a terra, convida a estabelecer novas pontes que liguem pessoas, culturas e na\u00e7\u00f5es. A \u201ccultura da solidariedade\u201d constitui o alicerce para a preserva\u00e7\u00e3o da \u201cnossa casa comum\u201d (<em>Laudato Si\u2019<\/em>).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 diferente com a forma de comunica\u00e7\u00e3o. Em lugar de uma linguagem ret\u00f3rica e sofisticada, acad\u00eamica e at\u00e9 mesmo herm\u00e9tica, n\u00e3o raro auto-referente, o Pont\u00edfice concede prioridade \u00e0s express\u00f5es do dia-a-dia. A imagem da met\u00e1fora e a forma simb\u00f3lica lhe s\u00e3o extremamente caras. Aprendeu a ser popular sem cair na banaliza\u00e7\u00e3o do uso da l\u00edngua. Simples e profundo ao mesmo tempo, consegue extrair p\u00e9rolas novas de um tesouro velho de dois s\u00e9culos. Sabe que um \u201cbongiorno\u201d, \u201cbuonasera\u201d ou \u201cbuon pranzo\u201d, do ponto de vista da presen\u00e7a divina entre n\u00f3s, por vezes vale tanto quanto um tratado teol\u00f3gico ou doutrin\u00e1rio. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o conhe\u00e7a a teologia e a doutrina. Ao contr\u00e1rio, conhece-as t\u00e3o bem que \u00e9 capaz de traduzi-las em palavras e gestos ligados \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o cotidiana e transparente.<\/p>\n<p>No interior da centralidade do Reino, distingue-se claramente a centralidade dos pobres. Aqui corremos o perigo de repetir o \u00f3bvio. Bastaria um r\u00e1pido sobrevoo pelos cinco anos de seu pontificado para dar-se conta de que os pobres ocupam parte central de sua solicitude pastoral do Papa Francisco. Ou ainda ter em conta, sempre no mesmo per\u00edodo de cinco anos, o contato vivo e caloroso com a \u201covelha perdida\u201d do Evangelho (Lc 15.3-7): povo da rua, prisioneiros e menores abandonados; pessoas com necessidades especiais; migrantes, refugiados e pr\u00f3fugos; crian\u00e7as e mulheres v\u00edtimas da viol\u00eancia; trabalhadores sem terra, sem tecto e sem trabalho&#8230; Enfim, pessoas doentes e indefesas, oprimidas e marginalizadas, exclu\u00eddas e descart\u00e1veis no sistema da economia globalizada.<\/p>\n<p>Seguindo de perto as intui\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II, desde cedo o Pont\u00edfice fez quest\u00e3o de desfazer-se de solenidades demasiadamente pomposas e ostentat\u00f3rias, como tamb\u00e9m de costumes e indument\u00e1ria herdados de uma Igreja principesca e majestosa. Tampouco se apegou aos benef\u00edcios de uma alian\u00e7a com o poder e riqueza. O ritualismo liturg\u00edstico tamb\u00e9m lhe \u00e9 alheio. No seu modo de ser e de agir, a eclesiologia do Povo de Deus se sobrep\u00f5e \u00e0 eclesiologia hier\u00e1rquica. E isso n\u00e3o somente em discursos e promessas, mas na pr\u00e1tica de uma op\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica firme e determinada. Evidente que semelhante postura lhe acarretou inimizade e mesmo persegui\u00e7\u00e3o, seja no interior como no exterior da Igreja. Mas trouxe-lhe igualmente o carinho do povo e o reconhecimento de n\u00e3o poucas autoridades e meios de comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o que o Papa Francisco tenha reinventado a roda ou o Evangelho. Nada disso! Apenas fez da Boa Nova de Jesus seu lema, traduzindo-o em gestos, ac\u00e7\u00f5es e visitas concretas. Reavivou uma luz que, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, e mesmo depois do j\u00e1 citado Conc\u00edlio, andava meio esquecida e sepultada por um grande punhado de cinza.<\/p>\n<p><em>Pe. Alfredo J. Gon\u00e7alves, cs \u2013 Roma 12 de mar\u00e7o de 2018<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais do que um simples \u201canivers\u00e1rio de elei\u00e7\u00e3o do Papa Francisco \u00e0 c\u00e1tedra de Pedro\u201d, neste 13 de mar\u00e7o comemora-se na Igreja Cat\u00f3lica a reemerg\u00eancia da pessoa e da Boa Nova de Jesus Cristo. 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