{"id":3259,"date":"2018-04-23T16:15:49","date_gmt":"2018-04-23T16:15:49","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/?p=3259"},"modified":"2018-04-23T16:15:49","modified_gmt":"2018-04-23T16:15:49","slug":"complexos-fronteiricos-muros-ou-pontes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/complexos-fronteiricos-muros-ou-pontes\/","title":{"rendered":"COMPLEXOS FRONTEIRI\u00c7OS: MUROS OU PONTES?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/alfredo640.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3223 alignleft\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/alfredo640.jpg\" alt=\"\" width=\"132\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/alfredo640.jpg 640w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/alfredo640-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 132px) 100vw, 132px\" \/><\/a>A globaliza\u00e7\u00e3o da economia abre as portas \u00e0s fontes energ\u00e9ticas, \u00e0 tecnologia e \u00e0s mercadorias, mas tende a fech\u00e1-las aos trabalhadores e suas fam\u00edlias. \u00c0 medida que a migra\u00e7\u00e3o legal, devidamente documentada, torna-se cada vez mais dif\u00edcil, especialmente a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001, aumenta a press\u00e3o dos migrantes sobre as fronteiras geogr\u00e1ficas ou territoriais, bem como a visibilidade global e estridente do fen\u00f3meno migrat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Os casos se multiplicam a olhos vistos: o limite entre M\u00e9xico e Estados Unidos ou entre M\u00e9xico e Guatemala, a rota mediterr\u00e2nea entre L\u00edbia, It\u00e1lia e outros pa\u00edses europeus, a rota balc\u00e2nica entre Turquia, Gr\u00e9cia, Hungria e Europa em geral, as fronteiras d\u00faplices e tr\u00edplices na \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica Latina. Isso sem levar em conta outras dimens\u00f5es da fronteira, tais como a fronteira pol\u00edtico-social (legisla\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria) e a fronteira cultural-religiosa (confronto dial\u00f3gico entre express\u00f5es e valores).<\/p>\n<p>Com isso, os complexos fronteiri\u00e7os tornam-se verdadeiras panelas de press\u00e3o, como se v\u00ea hoje ao norte da L\u00edbia, nos confins da Turquia, na Mal\u00e1sia, no Sud\u00e3o do Sul, em Myanmar e Bangladesh, na Venezuela com Col\u00f4mbia e Brasil, entre outros lugares. Assim, proliferam como cogumelos os acampamentos de refugiados e pr\u00f3fugos, em condi\u00e7\u00f5es humanas extremamente prec\u00e1rias. \u201cA tens\u00e3o nos territ\u00f3rios de fronteira constitui o retrato mais vivo de uma globaliza\u00e7\u00e3o desigual, em que a concentra\u00e7\u00e3o da riqueza convive com a crescente exclus\u00e3o social\u201d, dizia h\u00e1 anos o soci\u00f3logo paraguaio Tomaz Palau.<\/p>\n<p>Do ponto de vista pol\u00edtico, a situa\u00e7\u00e3o se agrava com a tend\u00eancia de uma virada \u00e0 direita mais ou menos generalizada. Basta ver o que acontece em diversos processos eleitorais recentes. Os exemplos s\u00e3o conhecidos: \u00c1ustria, Alemanha, It\u00e1lia, Inglaterra, Pol\u00f4nia, Fran\u00e7a (em menor grau), para n\u00e3o falar da elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump \u00e0 Casas Branca. No programa desses novos governos est\u00e1 a deporta\u00e7\u00e3o dos imigrantes irregulares e um bloqueio selecionado na fronteira, que peneira a m\u00e3o-de-obra qualificada e recusa os demais trabalhadores.<\/p>\n<p>Tais medidas, por sua vez, respondem \u00e0 voz oculta e silenciosa do medo e da amea\u00e7a vivida pela popula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses de destino. Os deslocamentos humanos de massa passam a ser um dos itens fundamentais do debate e da disputa pelo processo eleitoral. Pior \u00e9 que, em geral, politiza\u00e7\u00e3o das migra\u00e7\u00f5es \u00e9 sin\u00f4nimo de criminaliza\u00e7\u00e3o dos migrantes, de modo particular no clima atual da atua\u00e7\u00e3o terrorista e do tr\u00e1fico de pessoas. Crescem, desse modo, os grupos neofacistas e neonazistas, onde prolifera a discrimina\u00e7\u00e3o e o preconceito, a xenofobia e a hostilidade; em alguns casos, at\u00e9 mesmo persegui\u00e7\u00e3o direta. E crescem, paralelamente, os fantasmas do nacionalismo exacerbado e do protecionismo, com danos \u00e0s oportunidades de melhor futuro para os estrangeiros.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio da mobilidade humana atual, tais atitudes evidenciam uma rota de contram\u00e3o com o empenho evang\u00e9lico do Papa Francisco. Enquanto o pont\u00edfice insiste na \u201cnecessidade de acolher, proteger promover e integrar\u201d, o que prevalece \u00e9 o repuls\u00e3o e o descarte de milh\u00f5es de migrantes, pr\u00f3fugos e refugiados. Ainda nas palavras do Papa, \u201ca cultura do di\u00e1logo, do encontro e da solidariedade\u201d cede lugar \u00e0 \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a\u201d. Os muros, vis\u00edveis ou invis\u00edveis, se sobrep\u00f5em \u00e0s pontes.<\/p>\n<p>Para reverter semelhante quadro, n\u00e3o bastam boas inten\u00e7\u00f5es e bons discursos eleitoreiros. Imp\u00f5e-se um duplo desafio: de um lado, defender os direitos do migrante e sua dignidade humana, combatendo toda e qualquer esp\u00e9cie de abuso e viola\u00e7\u00e3o. De outro lado, lutar por novas leis migrat\u00f3rias, mais abertas, porosas e arejadas, em vista de uma vis\u00e3o de cidadania universal, vers\u00e3o civil do Reino de Deus.<\/p>\n<p><em>Pe. Alfredo J. Gon\u00e7alves, cs \u2013 S\u00e3o Paulo, 23 de abril de 2018<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A globaliza\u00e7\u00e3o da economia abre as portas \u00e0s fontes energ\u00e9ticas, \u00e0 tecnologia e \u00e0s mercadorias, mas tende a fech\u00e1-las aos trabalhadores e suas fam\u00edlias. \u00c0 medida que a migra\u00e7\u00e3o legal, devidamente documentada, torna-se cada vez mais dif\u00edcil, especialmente a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001, aumenta a press\u00e3o dos migrantes sobre as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3262,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-3259","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3259","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3259"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3259\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3264,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3259\/revisions\/3264"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3262"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}