{"id":327,"date":"2009-01-30T12:09:32","date_gmt":"2009-01-30T12:09:32","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-15T17:30:56","modified_gmt":"2015-03-15T17:30:56","slug":"dialogo-e-motor-da-integracao-dos-migrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/dialogo-e-motor-da-integracao-dos-migrantes\/","title":{"rendered":"Di\u00e1logo \u00e9 \u00abmotor da integra\u00e7\u00e3o dos migrantes\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><P>Por Roberta Sciamplicotti<\/P><br \/>\n<P><BR>SAN DIEGO, quinta-feira, 29 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O di\u00e1logo \u00e9 o \u00abmotor\u00bb da integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes nas sociedades de acolhida: assim afirmou na ter\u00e7a-feira passada Dom Agostino Marchetto, secret\u00e1rio do Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes. <BR>O prelado interveio na Universidade de San Diego (Calif\u00f3rnia) sobre o tema \u00abReligi\u00e3o, migra\u00e7\u00e3o e identidade nacional\u00bb, sublinhando que as migra\u00e7\u00f5es constituem \u00abum dram\u00e1tico sinal de nossa \u00e9poca atormentada\u00bb, \u00abum vasto fen\u00f4meno que algumas institui\u00e7\u00f5es e governos querem controlar ou inclusive deter, porque n\u00e3o se d\u00e3o conta de que se trata de um componente estrutural da realidade s\u00f3cio-econ\u00f4mica e pol\u00edtica da sociedade atual\u00bb. <BR>Por isso, explicou, \u00ab\u00e9 in\u00fatil tentar eliminar o fen\u00f4meno\u00bb; \u00e9 necess\u00e1rio, ao contr\u00e1rio, \u00abenfrent\u00e1-lo e concentrar todos os esfor\u00e7os em responder aos desafios que apresenta; e identificar os benef\u00edcios que pode oferecer\u00bb, usando em primeiro lugar o instrumento do di\u00e1logo. <BR>Quando as pessoas migram, explicou o arcebispo, \u00ablevam consigo n\u00e3o s\u00f3 a capacidade de trabalhar e de produzir, mas tamb\u00e9m suas caracter\u00edsticas pessoais, o trato, a educa\u00e7\u00e3o, as convic\u00e7\u00f5es, as conven\u00e7\u00f5es sociais, os costumes, as tradi\u00e7\u00f5es, as cren\u00e7as, a religi\u00e3o, ou seja, todos os elementos est\u00e1veis e duradouros, e tamb\u00e9m os mut\u00e1veis e contingentes, que caracterizam uma cultura\u00bb. <BR>O contraste que se verifica quando os imigrantes chegam a um pa\u00eds de cultura e tradi\u00e7\u00e3o diferentes \u00abpode desorientar, sobretudo porque o imigrante se v\u00ea diferente da maioria\u00bb. <BR>Por esta raz\u00e3o, observou Dom Marchetto, \u00aba Igreja Cat\u00f3lica sublinhou a necessidade de preparar as pessoas para a migra\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de programas pr\u00e9-migrat\u00f3rios de forma\u00e7\u00e3o e instru\u00e7\u00e3o, para que sejam capazes de enfrentar esta situa\u00e7\u00e3o\u00bb. <BR>Imigrantes e sociedade de acolhida<BR>Em um ambiente novo, os imigrantes buscam geralmente companhia e seguran\u00e7a em quem procede de sua pr\u00f3pria na\u00e7\u00e3o e cultura, mas \u00abse n\u00e3o se abrem lentamente \u00e0 vida e \u00e0 cultura da sociedade de acolhida, rejeitando o que cr\u00eaem que p\u00f5e em perigo sua identidade, podem adotar uma postura fechada, que leva \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de guetos com seus compatriotas e, infelizmente, \u00e0 sua marginaliza\u00e7\u00e3o\u00bb. <BR>No outro extremo se situa a ado\u00e7\u00e3o in toto da cultura do pa\u00eds de acolhida, \u00absem sequer avaliar suas consequ\u00eancias sobre o pr\u00f3prio estilo de vida\u00bb. <BR>\u00abTendo desatendido ou inconscientemente suprimido a pr\u00f3pria identidade cultural\u00bb, os imigrantes \u00abse convertem quase em uma \u2018c\u00f3pia\u2019 dos residentes locais, privando a sociedade de acolhida da contribui\u00e7\u00e3o enriquecedora que sua cultura teria podido oferecer-lhes\u00bb. <BR>Frente a estas duas alternativas extremas, a melhor solu\u00e7\u00e3o para a rela\u00e7\u00e3o entre os imigrantes e a popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds de acolhida \u00e9 \u00aba via de uma aut\u00eantica integra\u00e7\u00e3o, com um olhar aberto que rejeite considerar s\u00f3 as diferen\u00e7as entre imigrantes e locais\u00bb, e que esteja preparada para acolher as contribui\u00e7\u00f5es positivas de todos.<BR>O \u00abmotor\u00bb deste processo, constatou Dom Marchetto, \u00e9 o di\u00e1logo, porque a verdadeira integra\u00e7\u00e3o acontece quando se verifica uma intera\u00e7\u00e3o entre imigrantes e popula\u00e7\u00e3o local \u00abno \u00e2mbito n\u00e3o s\u00f3 s\u00f3cio-econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m cultural\u00bb. <BR>\u00abQuando se reconhece a contribui\u00e7\u00e3o positiva do imigrante para a sociedade de acolhida, atrav\u00e9s de sua cultura e de seus talentos, o pr\u00f3prio imigrante est\u00e1 mais motivado para chegar a um alto grau de intera\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o local, e isso leva a uma integra\u00e7\u00e3o cultural saud\u00e1vel\u00bb, revelou. <BR>O resultado deste di\u00e1logo, acrescenta o prelado, \u00e9 \u00abum enriquecimento rec\u00edproco das culturas, e a sociedade se transforma em um mosaico no qual cada cultura tem seu pr\u00f3prio lugar para compor um \u00fanico desenho, que se torna mais belo \u00e0 medida que aumenta a multiplicidade cultural\u00bb. <BR>Cultura e religi\u00e3o<BR>Em sua interven\u00e7\u00e3o, Dom Marchetto sublinhou tamb\u00e9m a exist\u00eancia de \u00abum forte v\u00ednculo cultural entre cultura e religi\u00e3o, como se pode ver pelo fato de que, para algumas religi\u00f5e,s a identidade religiosa e a cultura coincidem\u00bb. <BR>\u00abNa realidade \u2013 admitiu \u2013, as migra\u00e7\u00f5es internacionais se converteram em uma preciosa oportunidade n\u00e3o s\u00f3 para o di\u00e1logo entre as culturas, mas tamb\u00e9m para o inter-religioso\u00bb, porque alguns pa\u00edses com antigas ra\u00edzes crist\u00e3s hospedam agora a sociedades multiculturais. <BR>Neste contexto, \u00e9 necess\u00e1rio garantir a todos a liberdade religiosa, como expressa o artigo 18 da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos. \u00abSe a sociedade quer beneficiar-se das migra\u00e7\u00f5es internacionais \u2013 advertiu o arcebispo \u2013, deve respeitar a liberdade dos imigrantes de professar, praticar e tamb\u00e9m de mudar sua pr\u00f3pria religi\u00e3o.\u00bb<BR>Deste ponto de vista, o prelado recordou o princ\u00edpio da reciprocidade, que deve ser entendido \u00abn\u00e3o s\u00f3 como uma atitude para fazer reclama\u00e7\u00f5es, mas como uma rela\u00e7\u00e3o baseada no respeito rec\u00edproco e na justi\u00e7a em quest\u00f5es jur\u00eddicas e religiosas\u00bb. <BR>A reciprocidade, observou, \u00ab\u00e9 tamb\u00e9m uma atitude do cora\u00e7\u00e3o e do esp\u00edrito, que nos permite viver juntos com os mesmos direitos e deveres\u00bb. <BR>S\u00f3 deste modo, concluiu, poderemos ser conscientes do que o Papa Bento XVI fala em sua Mensagem para a Jornada Mundial da Paz 2009, ou seja, que \u00abtodos somos part\u00edcipes de um \u00fanico projeto divino, o da voca\u00e7\u00e3o a constituir uma \u00fanica fam\u00edlia, na qual todos \u2013 indiv\u00edduos, povos e na\u00e7\u00f5es \u2013 regulem seu comportamento com os princ\u00edpios da fraternidade e da responsabilidade\u00bb.<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Marchetto,<BR>Interven\u00e7\u00e3o na Universidade de San Diego 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