{"id":3286,"date":"2018-06-14T10:07:53","date_gmt":"2018-06-14T10:07:53","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/?p=3286"},"modified":"2018-06-14T10:07:53","modified_gmt":"2018-06-14T10:07:53","slug":"santo-antonio-quando-ser-naufrago-era-ter-a-certeza-de-ser-acolhido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/santo-antonio-quando-ser-naufrago-era-ter-a-certeza-de-ser-acolhido\/","title":{"rendered":"Santo Ant\u00f3nio: Quando ser n\u00e1ufrago era ter a certeza de ser acolhido"},"content":{"rendered":"<p>Uma vida aventurosa no rasto do Evangelho e em grande sintonia com Francisco de Assis, que conheceu pessoalmente. Infinitas viagens pela Europa, da natal Lisboa at\u00e9 \u00e0 \u00faltima etapa em P\u00e1dua. E encontros, muito estudo, medita\u00e7\u00f5es, ora\u00e7\u00f5es, prega\u00e7\u00f5es (nas quais era um verdadeiro mestre), caridade.<\/p>\n<p>Santo Ant\u00f3nio (Lisboa, 1195 &#8211; P\u00e1dua, 1231) \u00e9 certamente uma das figuras mais veneradas do catolicismo. Em cada canto da Europa e em numerosas localidades do mundo surgem igrejas e santu\u00e1rios dedicadas ao frade franciscano, a ele se elevam s\u00faplicas, contam-se os seus milagres.<\/p>\n<p>Hoje, em P\u00e1dua, um cortejo hist\u00f3rico com mais de 150 figurantes, que remonta a 1931, s\u00e9timo centen\u00e1rio da morte, recorda as \u00faltimas horas de vida do santo, culminando com o concerto dos sinos que anuncia o in\u00edcio das celebra\u00e7\u00f5es solenes do 13 de junho.<\/p>\n<p>\u00c9 reconhecido como protetor dos pobres, dos oprimidos, das gr\u00e1vidas, dos prisioneiros, dos viajantes e dos n\u00e1ufragos, e tamb\u00e9m dos animais. A festa lit\u00fargica de 13 de junho \u00e9 ocasi\u00e3o para dirigir ora\u00e7\u00f5es e pedidos de ajuda ao &#8220;l\u00edrio-c\u00e2ndido&#8221;, um dos seus m\u00faltiplos s\u00edmbolos. Entrevista ao diretor editorial das Edi\u00e7\u00f5es Messaggero Padova, Fabio Scarsato, frade menor conventual.<\/p>\n<p><em>Quais s\u00e3o hoje, em s\u00edntese, os contornos e as particularidades da devo\u00e7\u00e3o a Santo Ant\u00f3nio?<\/em><\/p>\n<p>Creio que a devo\u00e7\u00e3o de muitas pessoas que ainda encontram em Ant\u00f3nio um ponto de refer\u00eancia pode definir-se como uma esp\u00e9cie de milagre, porque foi capaz de evoluir no tempo. Passou-se de uma devo\u00e7\u00e3o baseada apenas nos milagres a uma em que as pessoas veem em Ant\u00f3nio um estilo de vida, a ideia de que \u00e9 poss\u00edvel para cada um de n\u00f3s encontrar o caminho para uma santidade quotidiana.<br \/>\nOutra coisa que me toca, e que pode parecer paradoxal, \u00e9 que Ant\u00f3nio foi um apurado exegeta e um grande te\u00f3logo, mas o seu p\u00fablico de refer\u00eancia, chamando-o assim, foi sempre, e continua a ser hoje, formado sobretudo por gente simples.<\/p>\n<p><em>Qual \u00e9 a geografia desta devo\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 muitos lugares ligados \u00e0 figura de Ant\u00f3nio: a partir de Lisboa, onde nasceu, ou Coimbra, sempre em Portugal, onde se fez monge agostinho; mas h\u00e1 tamb\u00e9m um santu\u00e1rio em Fran\u00e7a ou o de Samposampiero, pr\u00f3ximo de P\u00e1dua. Mas o que \u00e9 impressionante, e digo-o por experi\u00eancia direta, \u00e9 que para al\u00e9m destes lugares hist\u00f3ricos \u00e9 dif\u00edcil encontrar no mundo uma igreja onde n\u00e3o haja uma est\u00e1tua, um ex-voto ou uma imagem de Ant\u00f3nio ou quaisquer tradi\u00e7\u00f5es ligadas a ele, por exemplo com refer\u00eancia \u00e0 caridade e ao famoso &#8220;p\u00e3o de Santo Ant\u00f3nio&#8221;.<\/p>\n<p><em>Pela sua biografia, Ant\u00f3nio foi um verdadeiro &#8220;santo europeu&#8221;: o que \u00e9 que diz hoje a um Velho Continente algo perdido?<\/em><\/p>\n<p>Seria quase demasiado f\u00e1cil ou ret\u00f3rico fazer atualiza\u00e7\u00f5es. Mas \u00e9 assim, \u00e9 in\u00fatil neg\u00e1-lo. Ant\u00f3nio fala-nos de uma Europa que seguramente tinha fronteiras diferentes das nossas, mas era um continente que podia ser &#8220;caminhado&#8221; de um lado ao outro e que se misturava. Ant\u00f3nio parte de Portugal, chega a It\u00e1lia, depois passa um per\u00edodo em Fran\u00e7a&#8230;<br \/>\nEra uma Europa em que, de certa forma, onde quer que estivesses, sentias-te em casa, sentias-te cidad\u00e3o. Sentias que havia um espa\u00e7o para ti. Ant\u00f3nio, por exemplo, trouxe para a It\u00e1lia uma importante cultura teol\u00f3gica e enriqueceu o franciscanismo. \u00c9 nesta mistura que, de certa maneira, todos ganham e todos podem dar passos em frente. Parece-me ser esta a bela ideia de cidadania que Ant\u00f3nio nos d\u00e1. Depois h\u00e1 um epis\u00f3dio muito significativo.<\/p>\n<p><em>Qual?<\/em><\/p>\n<p>O naufr\u00e1gio nas costas da Sic\u00edlia, no regresso de Marrocos. \u00c9 um facto que h\u00e1 contornos hist\u00f3ricos que n\u00e3o s\u00e3o precisos, mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que aconteceu, e \u00e9 um facto que tem uma atualidade fort\u00edssima. Ant\u00f3nio, a certo ponto da sua vida, \u00e9 um n\u00e1ufrago, mas vive a experi\u00eancia do acolhimento dos seus confrades. A mim agrada-me a ideia de que se possa naufragar em qualquer lado onde n\u00e3o se conhece pessoalmente ningu\u00e9m, sabendo que haver\u00e1 algu\u00e9m que te acolher\u00e1. E hoje esta experi\u00eancia \u00e9 cada vez mais rara.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agensir.it\/chiesa\/2018\/06\/12\/santantonio-cittadino-deuropa-sandali-e-vangelo-lattualita-del-frate-che-fu-naufrago-sulle-coste-di-sicilia\/\">Gianni Borsa\/SIR<\/a><br \/>\nTrad.\/edi\u00e7\u00e3o: SNPC<br \/>\nPublicado em\u00a012.06.2018<\/p>\n<p>http:\/\/www.snpcultura.org\/santo_antonio_quando_ser_naufrago_era_ter_a_certeza_de_ser_acolhido.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio, a certo ponto da sua vida, \u00e9 um n\u00e1ufrago, mas vive a experi\u00eancia do acolhimento dos seus confrades. 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