{"id":340,"date":"2011-01-21T15:41:53","date_gmt":"2011-01-21T15:41:53","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-15T17:30:25","modified_gmt":"2015-03-15T17:30:25","slug":"esta-de-volta-a-europa-dos-muros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/esta-de-volta-a-europa-dos-muros\/","title":{"rendered":"Est\u00e1 de volta a Europa dos muros?"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;ROMA, quinta-feira, 20 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) &#8211;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Europa tamb&eacute;m poderia ter em breve o seu &quot;muro da vergonha&quot;. A Gr&eacute;cia, governada pelo primeiro-ministro socialista Giorgios Papandreou, est&aacute; projetando a constru&ccedil;&atilde;o de um muro de 12,5 km (chegou-se antes a falar at&eacute; de 206 km) para frear o fluxo cont&iacute;nuo de imigrantes asi&aacute;ticos e africanos ilegais, que entram no pa&iacute;s pelo trecho mais sens&iacute;vel e perme&aacute;vel da sua fronteira com a Turquia, nos arredores da cidade de Orestiada, &uacute;nico ponto em que n&atilde;o existem obst&aacute;culos naturais. A informa&ccedil;&atilde;o foi confirmada no &uacute;ltimo 4 de janeiro pelo ministro grego para a Prote&ccedil;&atilde;o dos Cidad&atilde;os, Christos Papoutsis.<br \/>\nConforme o Spiegel Online (de 1&ordm; de janeiro), durante o per&iacute;odo de janeiro a novembro do ano passado foram detidos 32.500 clandestinos na passagem de Orestiada. Atenas pediu ajuda &agrave; Ag&ecirc;ncia Europeia para o controle das fronteiras externas da Uni&atilde;o Europeia, a Frontex.<br \/>\nFundada em 2004, esta ag&ecirc;ncia, com sede em Vars&oacute;via (Pol&ocirc;nia), enviou em novembro de 2007, pela primeira vez desde a sua cria&ccedil;&atilde;o, um grupo de mais de 200 peritos do RABIT (Rapid Border Intervention Teams) at&eacute; Orestiada. Embora a sua miss&atilde;o tenha sido prorrogada at&eacute; mar&ccedil;o de 2011, pode-se dizer que o resultado foi insuficiente, apesar de uma queda do n&uacute;mero de ilegais detidos a cada dia, de 250 para 140. Esta constata&ccedil;&atilde;o motivou a Gr&eacute;cia a propor o muro, um plano que se baseia na longu&iacute;ssima cerca de separa&ccedil;&atilde;o constru&iacute;da pelos Estados Unidos ao longo da fronteira com o M&eacute;xico, da Calif&oacute;rnia at&eacute; o Texas.<br \/>\nA iniciativa de Atenas foi criticada por organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais e por grupos de defesa dos direitos humanos. Laura Boldrini, porta-voz na It&aacute;lia do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados (ACNUR), escreve em seu blog na Repubblica.it que o plano reflete a tenta&ccedil;&atilde;o europeia de &quot;se tornar uma fortaleza inexpugn&aacute;vel para os emigrantes e para os que pedem asilo&quot;. &quot;Erigir muros, levantar cercas, rejeitar clandestinos em pleno mar, s&atilde;o medidas baseadas na press&atilde;o migrat&oacute;ria, que raramente resolvem os&nbsp; problemas, inclusive os problemas de quem procura prote&ccedil;&atilde;o&quot;, escreveu em 7 de janeiro.<br \/>\nBill Frelick, da Human Rights Watch (HRW), comenta que o projeto &quot;&eacute; uma tentativa de resolver &agrave;s pressas um problema que &eacute; muito mais amplo&quot; (BBC, 4 de janeiro). Tamb&eacute;m Michele Cercone, porta-voz da Comiss&aacute;ria Europeia da Seguran&ccedil;a, Cecilia M&auml;lstrom, usou palavras semelhantes: &quot;Os muros ou cercas s&atilde;o medidas de curto prazo que n&atilde;o permitem encarar de maneira estrutural a quest&atilde;o da imigra&ccedil;&atilde;o clandestina&quot;, (Le Monde, 4 de janeiro).<br \/>\nPara o governador da prov&iacute;ncia turca de Edirne, G&ouml;khan S&ouml;zer, o muro ter&aacute; pouca efic&aacute;cia. &quot;H&aacute; um rio de 200 km (o Maritsa ou Evros), que pode ser atravessado de barco durante o inverno e a p&eacute; no ver&atilde;o, quando o n&iacute;vel da &aacute;gua &eacute; baixo&quot;, declarou &agrave; emissora televisiva turca NTV.<br \/>\nBem dura foi a analista turca Beril Dedeoglu, diretora do departamento de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da Universidade Galatasaray de Istambul. &quot;&Eacute; quase como se um pa&iacute;s da Uni&atilde;o Europeia que n&atilde;o quer a ades&atilde;o da Turquia estivesse em dificuldades, porque parece que est&atilde;o procurando desesperadamente novas medidas de exclus&atilde;o&quot;, afirmou em 5 de janeiro no site Zaman News,observando a possibilidade de que a ideia do muro tenha vindo dos israelenses, &quot;que agora s&atilde;o bons amigos dos gregos&quot;. Para Dedeoglu, que fala de &quot;uma vergonha para o s&eacute;culo XXI&quot;, &quot;este muro simboliza uma &uacute;nica cosa: declara materialmente que a Turquia est&aacute; fora da Europa&quot;.<br \/>\nPor sua vez, o ministro Papoutsis denunciou &quot;a hipocrisia dos que criticam&quot;. &quot;O plano responde ao dever do governo de proteger os direitos dos cidad&atilde;os gregos e dos que residem legalmente no pa&iacute;s&quot;. A respeito do muro, ele afirmou que &quot;n&atilde;o &eacute; algo contra a Turquia&quot; (Le monde, 4 de janeiro).<br \/>\nPapoutsis recebeu o apoio inesperado do primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan. Depois de uma visita de seu hom&oacute;logo grego Papandreou, Erdogan expressou, na &uacute;ltima sexta-feira, a sua compreens&atilde;o pela situa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s vizinho. &quot;Compreendemos a gravidade do problema que a imigra&ccedil;&atilde;o ilegal constitui para a Gr&eacute;cia&quot;, declarou o premier turco, citado pelo jornal espanhol ABC em 16 de janeiro.<br \/>\nPara o pol&iacute;tico do partido filo-isl&acirc;mico AKP (Partido da Justi&ccedil;a e do Desenvolvimento), &eacute; um erro ver no plano grego uma postura antiturca. Al&eacute;m disso, segundo ele, n&atilde;o se trata de um muro, e sim de &quot;s&oacute; uma barreira&quot;.<br \/>\nA quest&atilde;o do muro ilustra novamente como o fen&ocirc;meno da imigra&ccedil;&atilde;o &eacute; um quebra-cabe&ccedil;a para a pol&iacute;tica europeia, especialmente para governos como a Gr&eacute;cia, que talvez esteja na pior situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e financeira de toda a Uni&atilde;o Europeia. Atenas est&aacute; desenvolvendo um sever&iacute;ssimo plano de austeridade e sofre um crescente descontentamento popular.<br \/>\nComo observa o Papa Bento XVI na mensagem para a 97&ordf; Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrada no &uacute;ltimo domingo, 16 de janeiro, o fen&ocirc;meno da emigra&ccedil;&atilde;o &eacute; &quot;um sinal eloquente do nosso tempo&quot;. No texto, o papa Ratzinger recorda as palavras escritas por seu predecessor Jo&atilde;o Paulo II, que falou de um &quot;direito a emigrar&quot;. &quot;A Igreja reconhece este direito a cada homem, em duplo aspecto: a possibilidade de sair do pr&oacute;prio pa&iacute;s e a possibilidade de entrar em outro, em busca de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida&quot;. Wojtyla escreveu o texto na 87&ordf; edi&ccedil;&atilde;o da Jornada, acrescentando, por&eacute;m, que &quot;o exerc&iacute;cio deste direito deve ser regulado, porque uma aplica&ccedil;&atilde;o indiscriminada acarretaria danos e preju&iacute;zos ao bem comum das comunidades que acolhem o emigrante&quot; (n&ordm;3).<br \/>\n&Eacute; este, em resumo, o desafio atual n&atilde;o s&oacute; da Gr&eacute;cia de Papandreou ou da It&aacute;lia dos desembarques de clandestinos, mas de toda a Europa. A emigra&ccedil;&atilde;o &eacute; um fen&ocirc;meno global: segundo o &uacute;ltimo informe da OIM (Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional para as Migra&ccedil;&otilde;es), com sede em Genebra (Su&iacute;&ccedil;a), publicado em 29 de novembro, o mundo conta atualmente com 214 milh&otilde;es de emigrantes internacionais. Em 2050, poder&atilde;o ser 405 milh&otilde;es<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Gr\u00e9cia anuncia um muro anti-imigrantes na fronteira com a Turquia<br \/>\nPor Paul de Maeyer<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-340","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=340"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1334,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340\/revisions\/1334"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}