{"id":3558,"date":"2019-02-13T15:43:01","date_gmt":"2019-02-13T15:43:01","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/?p=3558"},"modified":"2019-02-13T15:47:16","modified_gmt":"2019-02-13T15:47:16","slug":"sumo-construtor-de-pontes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/sumo-construtor-de-pontes\/","title":{"rendered":"SUMO CONSTRUTOR DE PONTES"},"content":{"rendered":"<p>Quanto mais as margens est\u00e3o separadas, maior tem que ser a ponte para as unir. Maior tamb\u00e9m precisa de ser a coragem e a arte para construir tal ponte.<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es que vou fazer n\u00e3o pertencem ao campo da engenharia civil, mas sim \u00e0 arquitetura humana, inspirada pela f\u00e9. Certamente que homens e mulheres n\u00e3o se medem aos palmos, como nos lembra o ditado popular. Somos grandes na medida em que conseguimos unir margens distantes; aproximar pessoas e grupos diferentes na sua hist\u00f3ria e cultura, na diversidade de credos e estilos de vida.<\/p>\n<p>Construir pontes de acolhimento e compreens\u00e3o, de di\u00e1logo e encontro \u00e9 uma tarefa de todo o ser humano. A lei da selva vai em sentido oposto: para uma fera ser grande precisa de vencer, de aniquilar a concorr\u00eancia. A fam\u00edlia \u00e9 a escola primordial da arquitetura de pontes de fraternidade. Mais velhos e mais novos, mulheres e homens, de feitios e aptid\u00f5es diferentes, vamos aprendendo a conviver amistosamente, completando-nos na aceita\u00e7\u00e3o da diversidade. \u00c9 o puzzle da fraternidade, em que todos somos precisos e importantes.<\/p>\n<p>O Papa da Igreja Cat\u00f3lica costuma apelidar-se de \u201cSumo Pont\u00edfice\u201d. Poder\u00e1 parecer um t\u00edtulo solene e pomposo. Mas n\u00e3o: descreve uma miss\u00e3o de servi\u00e7o. A palavra \u201cpont\u00edfice\u201d, indo \u00e0 sua raiz latina, significa construtor de pontes. Neste caso significa construir pontes entre Deus e a humanidade, entre os fi\u00e9is da Igreja de Cristo e com todas as pessoas de boa vontade. Todos temos a miss\u00e3o de sermos \u201cpont\u00edfices\u201d, construtores de pontes de encontro e fraternidade, evitando divisionismos, afastamentos, separa\u00e7\u00f5es. Ali\u00e1s Cristo, no seu discurso da \u00faltima ceia, como testamento pediu aos seus seguidores: \u201cQue todos sejam um\u201d. E o Papa \u00e9 quem tem a m\u00e1xima responsabilidade de uma Igreja apostada em construir pontes de unidade. \u00c9 o Sumo Pont\u00edfice.<\/p>\n<p>O Papa Francisco tem sentido a urg\u00eancia desta miss\u00e3o de construir pontes especialmente com as margens mais distantes: com as \u201cperiferias geogr\u00e1ficas e existenciais\u201d, com os que n\u00e3o vivem segundo as normas da Igreja Cat\u00f3lica, com os crentes de outras religi\u00f5es, com o mundo dos agn\u00f3sticos e ateus, sublinhando que ningu\u00e9m deve ser exclu\u00eddo da solicitude pastoral da Igreja, que o crist\u00e3o deve ter cora\u00e7\u00e3o e bra\u00e7os abertos para acolher a todos.<\/p>\n<p>Esta atitude fundamental tem-se verificado nos crit\u00e9rios com que organiza a agenda das suas viagens apost\u00f3licas, dando prioridade a pa\u00edses em que os cat\u00f3licos s\u00e3o uma minoria, onde n\u00e3o pode esperar banhos de multid\u00e3o e vai encontrar \u201cmargens\u201d distantes. Por isso, mais importante \u00e9 construir \u201cpontes\u201d. Vou agora apenas referir-me \u00e0 sua \u00faltima visita que foi aos Emirados \u00c1rabes Unidos, de 3 a 5 de fevereiro.<\/p>\n<p>O Papa Francisco sublinhou que esta viagem pertence \u00e0s \u201csurpresas de Deus\u201d, imprevistos que t\u00eam o dedo divino. Oito s\u00e9culos antes, em 1219, outro gesto percursor deste: Francisco de Assis ousou ir ao Egito encontrar-se com o Sult\u00e3o Malik al-Kamil, em conversa\u00e7\u00f5es de paz e bem. Como referiu o Santo Padre, escreveu-se uma original e importante \u201cnova p\u00e1gina na hist\u00f3ria do di\u00e1logo entre o cristianismo e o islamismo\u201d. Contrariando a escalada de fundamentalismos e terrorismos, o Papa corajosamente visitou quem poderia ser considerado estranho, sen\u00e3o inimigo. Assim, afirmou: \u201cNuma \u00e9poca em que a tenta\u00e7\u00e3o de ver um choque entre civiliza\u00e7\u00f5es crist\u00e3s e isl\u00e2micas \u00e9 forte, quer\u00edamos dar um sinal mais claro e decisivo que, em vez disso, \u00e9 poss\u00edvel encontrar, \u00e9 poss\u00edvel respeitar e dialogar\u201d. O beijo entre o Papa e o Grande Im\u00e3 de Al-Azhar al-Sharif \u00e9 muito mais que uma cortesia. \u00c9 uma audaz profecia de que \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel viver como irm\u00e3os na diferen\u00e7a de tradi\u00e7\u00f5es culturais e religiosas e de que os desentendimentos e confrontos violentos devem ser sepultados no passado. \u00c9 dado um passo de gigante com o documento assinado por ambos sobre \u201ca fraternidade humana em prol da paz mundial e da conviv\u00eancia comum\u201d.<\/p>\n<p>Deste documento, rico de humanidade e de gra\u00e7a divina, cito apenas esta breve passagem: \u201cEm nome de Deus e de tudo isto, Al-Azhar al-Sharif \u2013 com os mu\u00e7ulmanos do Oriente e do Ocidente \u2013 juntamente com a Igreja Cat\u00f3lica \u2013 com os cat\u00f3licos do Oriente e do Ocidente \u2013 declaramos adotar a cultura do di\u00e1logo como caminho; a colabora\u00e7\u00e3o comum como conduta; o conhecimento m\u00fatuo como m\u00e9todo e crit\u00e9rio. N\u00f3s \u2013 crentes em Deus, no encontro final com Ele e no seu Julgamento \u2013, a partir da nossa responsabilidade religiosa e moral e atrav\u00e9s deste Documento, rogamos a n\u00f3s mesmos e aos l\u00edderes do mundo inteiro, aos art\u00edfices da pol\u00edtica internacional e da economia mundial, para se comprometerem seriamente na difus\u00e3o da toler\u00e2ncia, da conviv\u00eancia e da paz; para intervirem, o mais breve poss\u00edvel, a fim de se impedir o derramamento de sangue inocente e acabar com as guerras, os conflitos, a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e o decl\u00ednio cultural e moral que o mundo vive atualmente\u201d.<\/p>\n<p>Celebramos este exemplo magn\u00edfico de ponte constru\u00edda entre margens t\u00e3o distantes. Mesmo que o abismo da desconfian\u00e7a e das feridas hist\u00f3ricas seja grande, \u00e9 sempre poss\u00edvel construir uma ponte de aproxima\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo. O gesto do Sumo Pont\u00edfice Francisco reclama que o imitemos na nossa fam\u00edlia, comunidade e grupo de trabalho e conviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Manuel Moruj\u00e3o, sj<\/p>\n<p>Rede Mundial de ora\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quanto mais as margens est\u00e3o separadas, maior tem que ser a ponte para as unir. Maior tamb\u00e9m precisa de ser a coragem e a arte para construir tal ponte. As observa\u00e7\u00f5es que vou fazer n\u00e3o pertencem ao campo da engenharia civil, mas sim \u00e0 arquitetura humana, inspirada pela f\u00e9. 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