{"id":3561,"date":"2019-02-13T15:49:52","date_gmt":"2019-02-13T15:49:52","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/?p=3561"},"modified":"2019-02-13T15:59:51","modified_gmt":"2019-02-13T15:59:51","slug":"eu-sou-porque-tu-es","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/eu-sou-porque-tu-es\/","title":{"rendered":"Eu sou porque tu \u00e9s"},"content":{"rendered":"<p><strong>Numa iniciativa in\u00e9dita, o Parlamento Europeu acolheu a Academia Ubuntu de jovens l\u00edderes, um projeto portugu\u00eas, que os eurodeputados Carlos Coelho e Carlos Zorrinho apoiaram, enquanto contributo inovador para pensar a educa\u00e7\u00e3o para a cidadania.<\/strong><\/p>\n<p>Quase 30 jovens de v\u00e1rios continentes (Portugal, Espanha, Guin\u00e9-Bissau, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, Angola, Col\u00f4mbia, Filipinas, Peru e Venezuela) trocaram experi\u00eancias de lideran\u00e7a e contaram hist\u00f3rias de vidas vulner\u00e1veis que faziam prever outro desfecho.<\/p>\n<p>Na l\u00edngua bantu, ubuntu exprime a consci\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o entre o indiv\u00edduo e a comunidade &#8211; eu sou porque tu \u00e9s &#8211; e inspirou Mandela na sua pol\u00edtica de reconcilia\u00e7\u00e3o nacional e de constru\u00e7\u00e3o da paz. N\u00e3o se trata de abdicar de si, mas antes promover o autoconhecimento, a confian\u00e7a e uma resili\u00eancia perante as dificuldades que leve \u00e0 empatia com os outros. Em vez de muros, surgem pontes.<\/p>\n<p>Os projetos comunit\u00e1rios apresentados formam uma longa cadeia de educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o-formal que nos deixa impressionados pela sua din\u00e2mica. As academias de jovens l\u00edderes ubuntu come\u00e7aram h\u00e1 dez anos e foram criando uma cadeia de formadores que passou continentes e continua a progredir.<\/p>\n<p>Em Portugal, o projeto chega agora ao contexto escolar em territ\u00f3rios marcados pela pobreza e pela exclus\u00e3o. Um dos professores contou a experi\u00eancia de lidar com alunos que fogem da escola porque ficam sempre para tr\u00e1s e se sentem humilhados. Os estudos mostram que as dificuldades n\u00e3o decorrem de menos capacidades de aprendizagem, mas de fragilidades sociais e emocionais. A escola tem de dotar os alunos de ferramentas que lhes permitam desenvolver-se como pessoas e cidad\u00e3os perante um futuro que apenas adivinhamos.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Dam\u00e1sio, no seu \u00faltimo livro, &#8220;A estranha ordem das coisas&#8221; (2017), explicava o fasc\u00ednio da ci\u00eancia pela descoberta de que os organismos vivos, incluindo os humanos, se constroem segundo algoritmos que servem para fazer funcionar a sua m\u00e1quina gen\u00e9tica. Como anuncia a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, a intelig\u00eancia artificial permitir\u00e1 replicar os humanos e at\u00e9 copiar emo\u00e7\u00f5es. Nada que n\u00e3o comecemos a descortinar neste admir\u00e1vel mundo novo de algoritmos ao servi\u00e7o de interesses hegem\u00f3nicos.<\/p>\n<p>Cada vez mais a escola tem de promover o conhecimento de cada um e do outro, desenvolver os recursos da intelig\u00eancia emocional e estimular a imagina\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das artes &#8211; tudo para que o Mundo n\u00e3o deixe de pertencer aos humanos.<\/p>\n<p><em>*<\/em><\/p>\n<p><em>Ana Paula Laborinho &#8211; PROFESSORA UNIVERSIT\u00c1RIA<\/em><\/p>\n<p>https:\/\/www.jn.pt\/opiniao\/ana-paula-laborinho\/interior\/eu-sou-porque-tu-es&#8211;10560872.html?fbclid=IwAR3DBVllwgGe6Tz1j2Fb9gsD3IJpwxcXaC3lTSQSRxOR9_fsPRuSvew6PSA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa iniciativa in\u00e9dita, o Parlamento Europeu acolheu a Academia Ubuntu de jovens l\u00edderes, um projeto portugu\u00eas, que os eurodeputados Carlos Coelho e Carlos Zorrinho apoiaram, enquanto contributo inovador para pensar a educa\u00e7\u00e3o para a cidadania. 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