{"id":3673,"date":"2019-04-24T14:31:54","date_gmt":"2019-04-24T14:31:54","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/?p=3673"},"modified":"2019-04-24T14:31:54","modified_gmt":"2019-04-24T14:31:54","slug":"mulheres-portuguesas-no-luxemburgo-para-la-do-estigma-da-empregada-de-limpeza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/mulheres-portuguesas-no-luxemburgo-para-la-do-estigma-da-empregada-de-limpeza\/","title":{"rendered":"Mulheres portuguesas no Luxemburgo, para l\u00e1 do estigma da empregada de limpeza"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/ptelo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3675\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/ptelo.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"100\" \/><\/a>S\u00e3o sete exemplos de mulheres portuguesas no Gr\u00e3o-Ducado, longe do estere\u00f3tipo da empregada de limpeza. Os testemunhos foram recolhidos no livro &#8220;Olhares sobre a hist\u00f3ria e o quotidiano das mulheres no Luxemburgo desde 1940&#8221;, que dedica um cap\u00edtulo \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o portuguesa no feminino e vai ser apresentado este domingo em Dudelange.<\/strong><\/p>\n<p>Aline Schiltz \u00e9 provavelmente a luxemburguesa mais portuguesa do Gr\u00e3o-Ducado. A ge\u00f3grafa luxemburguesa vive h\u00e1 anos entre o Luxemburgo e Lisboa, fala fluentemente portugu\u00eas, tal como as duas filhas, e \u00e9 uma das especialistas na imigra\u00e7\u00e3o lusa no pa\u00eds. Come\u00e7ou com uma tese sobre o Fiolhoso, a aldeia mais luxemburguesa de Portugal, e \u00e9 autora de v\u00e1rios estudos sobre os portugueses, incluindo uma tese de doutoramento em que analisa a mobilidade entre os dois pa\u00edses. \u00c9 ela que assina o cap\u00edtulo sobre as mulheres portuguesas no Gr\u00e3o-Ducado, que integra o livro &#8220;Olhares sobre a hist\u00f3ria e o quotidiano das mulheres no Luxemburgo desde 1940&#8221;, uma iniciativa da associa\u00e7\u00e3o CID-Femmes, com a coordena\u00e7\u00e3o da historiadora Sonja Kmec, professora na Universidade do Luxemburgo.<\/p>\n<p>Para o fazer, Aline Schiltz ouviu sete mulheres que t\u00eam em comum a experi\u00eancia de serem imigrantes portuguesas no Luxemburgo. No mais, tudo as distingue: a mais nova tem 37 anos, a mais velha 67; h\u00e1 quem tenha chegado ao Luxemburgo em 1967 e quem s\u00f3 c\u00e1 viva desde 2015; e quem tenha chegado com tr\u00eas anos, mas tamb\u00e9m com 55.<\/p>\n<p>Para a ge\u00f3grafa, o perfil das mulheres portuguesas no pa\u00eds est\u00e1 longe de ser homog\u00e9neo. &#8220;Pelo menos 50.000 mulheres e raparigas de origem portuguesa vivem atualmente no Luxemburgo. Por isso, haveria pelo menos 50.000 hist\u00f3rias para contar&#8221;, aponta Aline Schiltz no livro, que vai ser apresentado este domingo no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cdmh.lu\/db\/4\/1438116853590\">Centro de Documenta\u00e7\u00e3o sobre as Migra\u00e7\u00f5es Humanas<\/a>, em Dudelange.<\/p>\n<p>A investigadora \u00e9 avessa a clich\u00e9s. Para ela, a express\u00e3o &#8220;portuguesas do Luxemburgo&#8221; evoca &#8220;estere\u00f3tipos sociais ancorados na sociedade luxemburguesa h\u00e1 d\u00e9cadas&#8221;, incluindo &#8220;a imagem da empregada de limpeza&#8221;. E se admite que grande parte das mulheres portuguesas no pa\u00eds ainda hoje &#8220;trabalha nos servi\u00e7os de limpeza&#8221;, considera o termo redutor. &#8220;Cada vida \u00e9 \u00fanica. Por detr\u00e1s de cada &#8216;empregada de limpeza&#8217;, esconde-se uma realidade muito mais complexa&#8221;, aponta.<\/p>\n<p>Aline Schiltz n\u00e3o esconde que o objetivo do seu contributo para o livro \u00e9 &#8220;quebrar os &#8216;clich\u00e9s&#8217; associados \u00e0 &#8216;portuguesa&#8217;, mostrando a diversidade de hist\u00f3rias de vida&#8221; e &#8220;a singularidade de cada experi\u00eancia migrat\u00f3ria&#8221;, mas &#8220;expondo ao mesmo tempo os pontos comuns que as &#8216;portuguesas&#8217; partilham&#8221;, explica.<\/p>\n<p>O texto explora sobretudo as barreiras que as mulheres portuguesas tiveram de enfrentar, entre a condi\u00e7\u00e3o feminina &#8211; a exemplo da severidade do pai de uma das mulheres ouvidas, de &#8220;mentalidade portuguesa \u00e0 antiga&#8221; &#8211; e o estigma de ser estrangeira no pa\u00eds. Para uma das mulheres, que chegou ao Luxemburgo em crian\u00e7a, ser imigrante trouxe consigo a dura &#8220;aprendizagem de ser diferente&#8221;: chorava por n\u00e3o ser convidada para as festas de anivers\u00e1rio dos meninos luxemburgueses e ouviu termos pejorativos na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.wort.lu\/pt\/sociedade\/aline-schiltz-o-luxemburgo-sofreu-um-processo-de-lusificac-o-diz-investigadora-550965470c88b46a8ce55a55\">Aline Schiltz: \u201cO Luxemburgo sofreu um processo de lusifica\u00e7\u00e3o\u201d, diz investigadora<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que os estere\u00f3tipos t\u00eam vida longa, atestam-no duas lusodescendentes ouvidas no livro, que cresceram no Luxemburgo e falam luxemburgu\u00eas, al\u00e9m das outras l\u00ednguas no pa\u00eds. Ambas fizeram estudos superiores (como de resto todas as mulheres ouvidas), mas continuam a &#8220;bater-se por ser plenamente reconhecidas&#8221;. &#8220;Tenho de me justificar no quotidiano: sim, eu sei, sou uma mulher de origem portuguesa; n\u00e3o, n\u00e3o gosto de fazer limpezas&#8221;, conta uma das mulheres citadas, ironizando: &#8220;\u00c0s vezes tenho m\u00e1 consci\u00eancia: trabalho em part-time, dedico tempo aos meus tempos livres, e tenho uma empregada de limpeza!&#8221;.<\/p>\n<p>Como um fio condutor, a quest\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o das mulheres e as barreiras associadas \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o atravessa o cap\u00edtulo dedicado \u00e0s portuguesas do Luxemburgo. O que pesou mais na constru\u00e7\u00e3o da identidade, ser mulher &#8211; para mais oriundas de um pa\u00eds tradicionalmente machista, como Portugal &#8211; ou estrangeira? S\u00e3o luxemburguesas ou portuguesas, ou &#8220;estrangeiras em todo o lado&#8221;? A resposta \u00e9 diferente para cada uma das sete mulheres ouvidas: tudo depende da \u00e9poca em que chegaram ao pa\u00eds, da evolu\u00e7\u00e3o dos costumes e da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Apesar disso, a ge\u00f3grafa aponta que &#8220;os estere\u00f3tipos que qualificam os portugueses parecem ser a maior barreira social&#8221;: as mulheres s\u00e3o &#8220;julgadas com base em imagens sociais que lhes s\u00e3o associadas&#8221;, &#8220;em vez de pela sua personalidade&#8221;. E recorda um caso aned\u00f3tico contado por uma das mulheres, casada com um luxemburgu\u00eas, diplomada e habituada a &#8220;ler imenso&#8221;. Apesar disso, numa festa de Natal, a &#8220;av\u00f3 luxemburguesa&#8221; ofereceu livros a todas as mulheres da fam\u00edlia, exceto a ela. Para sua surpresa, a portuguesa recebeu luvas de cozinha.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.wort.lu\/pt\/luxemburgo\/a-f-brica-de-macons-e-empregadas-de-limpeza-5bb4b1ea182b657ad3b9460a\">A f\u00e1brica de \u2019ma\u00e7ons\u2019 e empregadas de limpeza<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O caso inspirou o t\u00edtulo do cap\u00edtulo assinado por Aline Schiltz. &#8220;<em>Luvas de cozinha para o Natal &#8211; As &#8216;portuguesas&#8217; no Luxemburgo contam as suas vidas<\/em>&#8221; vai ser analisado e discutido numa confer\u00eancia que tira as mulheres portuguesas da cozinha para as p\u00f4r em primeiro plano. Uma iniciativa importante, quando se sabe que os estudos sobre a emigra\u00e7\u00e3o deixaram muito anos as mulheres na sombra. &#8220;Apesar de as mulheres terem a maioria das vezes uma posi\u00e7\u00e3o passiva quanto \u00e0 decis\u00e3o migrat\u00f3ria, atribui-se-lhes no entanto uma grande responsabilidade no desenrolar deste projeto de vida&#8221;, aponta Aline Schiltz. E s\u00e3o elas, segundo v\u00e1rios estudos citados no livro, que parecem ser &#8220;mais abertas aos modos de vida &#8216;mais modernos&#8217; dos pa\u00edses de acolhimento&#8221;, mas tamb\u00e9m &#8220;mais \u00e1geis a interagir com a sociedade de acolhimento, a aprender a l\u00edngua do pa\u00eds, a tratar dos assuntos correntes e a adotar novas formas de vida&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Paula Telo Alves<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o sete exemplos de mulheres portuguesas no Gr\u00e3o-Ducado, longe do estere\u00f3tipo da empregada de limpeza. 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