{"id":3741,"date":"2019-05-28T15:45:35","date_gmt":"2019-05-28T15:45:35","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/?p=3741"},"modified":"2019-05-28T16:21:08","modified_gmt":"2019-05-28T16:21:08","slug":"nao-se-trata-apenas-de-migrantes-mensagem-do-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/nao-se-trata-apenas-de-migrantes-mensagem-do-papa-francisco\/","title":{"rendered":"N\u00e3o se Trata Apenas de Migrantes &#8211; Mensagem do Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>A f\u00e9 assegura-nos que o Reino de Deus j\u00e1 est\u00e1, misteriosamente, presente sobre a terra (cf. CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 39); contudo, mesmo em nossos dias, com pesar temos de constatar que se lhe deparam obst\u00e1culos e for\u00e7as contr\u00e1rias. Conflitos violentos, verdadeiras guerras n\u00e3o cessam de dilacerar a humanidade; sucedem-se injusti\u00e7as e discrimina\u00e7\u00f5es; tribula-se para superar os desequil\u00edbrios econ\u00f3micos e sociais, de ordem local ou global. E quem sofre as consequ\u00eancias de tudo isto s\u00e3o sobretudo os mais pobres e desfavorecidos.<\/p>\n<p>As sociedades economicamente mais avan\u00e7adas tendem, no seu seio, para um acentuado individualismo que, associado \u00e0 mentalidade utilitarista e multiplicado pela rede medi\u00e1tica, gera a \u00abglobaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a\u00bb. Neste cen\u00e1rio, os migrantes, os refugiados, os desalojados e as v\u00edtimas do tr\u00e1fico de seres humanos aparecem como os sujeitos emblem\u00e1ticos da exclus\u00e3o, porque, al\u00e9m dos inc\u00f3modos inerentes \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o, acabam muitas vezes alvo de ju\u00edzos negativos que os consideram como causa dos males sociais. A atitude para com eles constitui a campainha de alarme que avisa do decl\u00ednio moral em que se incorre, se se continua a dar espa\u00e7o \u00e0 cultura do descarte. Com efeito, por este caminho, cada indiv\u00edduo que n\u00e3o se enquadre com os c\u00e2nones do bem-estar f\u00edsico, ps\u00edquico e social fica em risco de marginaliza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, a presen\u00e7a dos migrantes e refugiados \u2013 como a das pessoas vulner\u00e1veis em geral \u2013 constitui, hoje, um convite a recuperar algumas dimens\u00f5es essenciais da nossa exist\u00eancia crist\u00e3 e da nossa humanidade, que correm o risco de entorpecimento num teor de vida rico de comodidades. Aqui est\u00e1 a raz\u00e3o por que \u00abn\u00e3o se trata apenas de migrantes\u00bb, ou seja, quando nos interessamos por eles, interessamo-nos tamb\u00e9m por n\u00f3s, por todos; cuidando deles, todos crescemos; escutando-os, damos voz tamb\u00e9m \u00e0quela parte de n\u00f3s mesmos que talvez mantenhamos escondida por n\u00e3o ser bem vista hoje.<\/p>\n<p><em> <a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/pope_2013_centroastalli_001_170116090836.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3743 aligncenter\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/pope_2013_centroastalli_001_170116090836.jpg\" alt=\"\" width=\"729\" height=\"485\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/pope_2013_centroastalli_001_170116090836.jpg 960w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/pope_2013_centroastalli_001_170116090836-300x200.jpg 300w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/pope_2013_centroastalli_001_170116090836-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 729px) 100vw, 729px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00abTranquilizai-vos! Sou Eu! N\u00e3o temais!\u00bb<\/em> (Mt 14, 27).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>N\u00e3o se trata apenas de migrantes: trata-se tamb\u00e9m dos nossos medos<\/strong>.<\/p>\n<p>As maldades e torpezas do nosso tempo fazem aumentar \u00abo nosso receio em rela\u00e7\u00e3o aos \u201coutros\u201d, aos desconhecidos, aos marginalizados, aos forasteiros (\u2026). E isto nota-se particularmente hoje, perante a chegada de migrantes e refugiados que batem \u00e0 nossa porta em busca de prote\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e um futuro melhor. \u00c9 verdade que o receio \u00e9 leg\u00edtimo, inclusive porque falta a prepara\u00e7\u00e3o para este encontro\u00bb (Homilia, Sacrofano, 15 de fevereiro de 2019). O problema n\u00e3o est\u00e1 no facto de ter d\u00favidas e receios. O problema surge quando estes condicionam de tal forma o nosso modo de pensar e agir, que nos tornam intolerantes, fechados, talvez at\u00e9 \u2013 sem disso nos apercebermos \u2013 racistas. E assim o medo priva-nos do desejo e da capacidade de encontrar o outro, a pessoa diferente de mim; priva-me duma ocasi\u00e3o de encontro com o Senhor (cf. Homilia na Missa do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, 14 de janeiro de 2018).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0<\/em><em>\u00abSe amais os que vos amam, que recompensa haveis de ter? N\u00e3o fazem j\u00e1 isso os publicanos?\u00bb <\/em>(Mt 5, 46).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>N\u00e3o se trata apenas de migrantes: trata-se da caridade.<\/strong><\/p>\n<p>Atrav\u00e9s das obras de caridade, demonstramos a nossa f\u00e9 (cf. Tg 2, 18). E a caridade mais excelsa \u00e9 a que se realiza em benef\u00edcio de quem n\u00e3o \u00e9 capaz de retribuir, nem talvez de agradecer. \u00abEm jogo est\u00e1 a fisionomia que queremos assumir como sociedade e o valor de cada vida. (\u2026) O progresso dos nossos povos (\u2026) depende sobretudo da capacidade de se deixar mover e comover por quem bate \u00e0 porta e, com o seu olhar, desabona e exautora todos os falsos \u00eddolos que hipotecam e escravizam a vida; \u00eddolos que prometem uma felicidade ilus\u00f3ria e ef\u00e9mera, constru\u00edda \u00e0 margem da realidade e do sofrimento dos outros\u00bb (Discurso na C\u00e1ritas diocesana de Rabat, Marrocos, 30 de mar\u00e7o de 2019).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0<\/em><em>\u00abMas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao p\u00e9 dele e, vendo-o, encheu-se de compaix\u00e3o\u00bb (Lc 10, 33)<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>N\u00e3o se trata apenas de migrantes: trata-se da nossa humanidade.<\/strong><\/p>\n<p>O que impele aquele samaritano \u2013 um estrangeiro, segundo os judeus \u2013 a deter-se \u00e9 a compaix\u00e3o, um sentimento que n\u00e3o se pode explicar s\u00f3 a n\u00edvel racional. A compaix\u00e3o toca as cordas mais sens\u00edveis da nossa humanidade, provocando um impulso imperioso a \u00abfazer-nos pr\u00f3ximo\u00bb de quem vemos em dificuldade. Como nos ensina o pr\u00f3prio Jesus (cf. Mt 9, 35-36; 14, 13-14; 15, 32-37), ter compaix\u00e3o significa reconhecer o sofrimento do outro e passar, imediatamente, \u00e0 a\u00e7\u00e3o para aliviar, cuidar e salvar.<\/p>\n<p>Ter compaix\u00e3o significa dar espa\u00e7o \u00e0 ternura, ao contr\u00e1rio do que tantas vezes nos pede a sociedade atual, ou seja, que a reprimamos. \u00abAbrir-se aos outros n\u00e3o empobrece, mas enriquece, porque nos ajuda a ser mais humanos: a reconhecer-se parte ativa dum todo maior e a interpretar a vida como um dom para os outros; a ter como alvo n\u00e3o os pr\u00f3prios interesses, mas o bem da humanidade\u00bb (Discurso na Mesquita \u00abHeydar Aliyev\u00bb de Baku, Azerbeij\u00e3o, 2 de outubro de 2016).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/cq5dam.web_.800.800.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3748\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/cq5dam.web_.800.800.jpg\" alt=\"\" width=\"797\" height=\"475\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/cq5dam.web_.800.800.jpg 797w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/cq5dam.web_.800.800-300x179.jpg 300w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/cq5dam.web_.800.800-768x458.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 797px) 100vw, 797px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0<\/em><em>\u00abLivrai-vos de desprezar um s\u00f3 destes pequeninos, pois digo-vos que os seus anjos, no C\u00e9u, veem constantemente a face de meu Pai que est\u00e1 no C\u00e9u\u00bb<\/em> (Mt 18, 10).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>N\u00e3o se trata apenas de migrantes: trata-se de n\u00e3o excluir ningu\u00e9m.<\/strong><\/p>\n<p>O mundo atual vai-se tornando, dia ap\u00f3s dia, mais elitista e cruel para com os exclu\u00eddos. Os pa\u00edses em vias de desenvolvimento continuam a ser depauperados dos seus melhores recursos naturais e humanos em benef\u00edcio de poucos mercados privilegiados. As guerras abatem-se apenas sobre algumas regi\u00f5es do mundo, enquanto as armas para as fazer s\u00e3o produzidas e vendidas noutras regi\u00f5es, que depois n\u00e3o querem ocupar-se dos refugiados causados por tais conflitos. Quem sofre as consequ\u00eancias s\u00e3o sempre os pequenos, os pobres, os mais vulner\u00e1veis, a quem se impede de sentar-se \u00e0 mesa deixando-lhe as \u00abmigalhas\u00bb do banquete (cf. Lc 16, 19-21). \u00abA Igreja \u201cem sa\u00edda\u201d (&#8230;) sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar \u00e0s encruzilhadas dos caminhos para convidar os exclu\u00eddos\u00bb (Exort. ap. Evangelii gaudium, 24). O desenvolvimento exclusivista torna os ricos mais ricos e os pobres mais pobres. Verdadeiro desenvolvimento \u00e9 aquele que procura incluir todos os homens e mulheres do mundo, promovendo o seu crescimento integral, e se preocupa tamb\u00e9m com as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/images-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3752 aligncenter\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-content\/uploads\/images-1.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"183\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0<\/em><em>\u00abQuem quiser ser grande entre v\u00f3s, fa\u00e7a-se vosso servo; e quem quiser ser o primeiro entre v\u00f3s, fa\u00e7a-se o servo de todos\u00bb (Mc 10, 43-44).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>N\u00e3o se trata apenas de migrantes: trata-se de colocar os \u00faltimos em primeiro lugar.<\/strong><\/p>\n<p>Jesus Cristo pede-nos para n\u00e3o cedermos \u00e0 l\u00f3gica do mundo, que justifica a prevarica\u00e7\u00e3o sobre os outros para meu proveito pessoal ou do meu grupo: primeiro eu, e depois os outros! Ao contr\u00e1rio, o verdadeiro lema do crist\u00e3o \u00e9 \u00abprimeiro os \u00faltimos\u00bb. \u00abUm esp\u00edrito individualista \u00e9 terreno f\u00e9rtil para medrar aquele sentido de indiferen\u00e7a para com o pr\u00f3ximo, que leva a trat\u00e1-lo como mero objeto de com\u00e9rcio, que impele a ignorar a humanidade dos outros e acaba por tornar as pessoas medrosas e c\u00ednicas. Porventura n\u00e3o s\u00e3o estes os sentimentos que muitas vezes nos assaltam \u00e0 vista dos pobres, dos marginalizados, dos \u00faltimos da sociedade? E s\u00e3o tantos os \u00faltimos na nossa sociedade! Dentre eles, penso sobretudo nos migrantes, com o peso de dificuldades e tribula\u00e7\u00f5es que enfrentam diariamente \u00e0 procura \u2013 por vezes, desesperada \u2013 dum lugar onde viver em paz e com dignidade\u00bb (Discurso ao Corpo Diplom\u00e1tico, 11 de janeiro de 2016). Na l\u00f3gica do Evangelho, os \u00faltimos v\u00eam em primeiro lugar, e n\u00f3s devemos colocar-nos ao seu servi\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0<\/em><em>\u00abEu vim para que tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia\u00bb (Jo 10, 10).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>N\u00e3o se trata apenas de migrantes: trata-se da pessoa toda e de todas as pessoas.<\/strong><\/p>\n<p>Nesta afirma\u00e7\u00e3o de Jesus, encontramos o cerne da sua miss\u00e3o: procurar que todos recebam o dom da vida em plenitude, segundo a vontade do Pai. Em cada atividade pol\u00edtica, em cada programa, em cada a\u00e7\u00e3o pastoral, no centro devemos colocar sempre a pessoa com as suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es, incluindo a espiritual. E isto vale para todas as pessoas, entre as quais se deve reconhecer a igualdade fundamental. Por conseguinte, \u00abo desenvolvimento n\u00e3o se reduz a um simples crescimento econ\u00f3mico. Para ser aut\u00eantico, deve ser integral, quer dizer, promover todos os homens e o homem todo\u00bb (S\u00c3O PAULO VI, Enc. Populorum progressio, 14).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00abPortanto, j\u00e1 n\u00e3o sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidad\u00e3os dos santos e membros da casa de Deus\u00bb (Ef 2, 19).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>N\u00e3o se trata apenas de migrantes: trata-se de construir a cidade de Deus e do homem.<\/strong><\/p>\n<p>Na nossa \u00e9poca, designada tamb\u00e9m a era das migra\u00e7\u00f5es, muitas s\u00e3o as pessoas inocentes que caem v\u00edtimas da \u00abgrande ilus\u00e3o\u00bb dum desenvolvimento tecnol\u00f3gico e consumista sem limites (cf. Enc. Laudato si\u2019, 34). E, assim, partem em viagem para um \u00abpara\u00edso\u00bb que, inexoravelmente, atrai\u00e7oa as suas expetativas. A sua presen\u00e7a, por vezes inc\u00f3moda, contribui para desmentir os mitos dum progresso reservado a poucos, mas constru\u00eddo sobre a explora\u00e7\u00e3o de muitos. \u00abTrata-se ent\u00e3o de vermos, n\u00f3s em primeiro lugar, e de ajudarmos os outros a verem no migrante e no refugiado n\u00e3o s\u00f3 um problema a enfrentar, mas um irm\u00e3o e uma irm\u00e3 a serem acolhidos, respeitados e amados; trata-se duma oportunidade que a Provid\u00eancia nos oferece de contribuir para a constru\u00e7\u00e3o duma sociedade mais justa, duma democracia mais completa, dum pa\u00eds mais inclusivo, dum mundo mais fraterno e duma comunidade crist\u00e3 mais aberta, de acordo com o Evangelho\u00bb (Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2014).<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, a resposta ao desafio colocado pelas migra\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas pode-se resumir em quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar. Mas estes verbos n\u00e3o valem apenas para os migrantes e os refugiados; exprimem a miss\u00e3o da Igreja a favor de todos os habitantes das periferias existenciais, que devem ser acolhidos, protegidos, promovidos e integrados. Se pusermos em pr\u00e1tica estes verbos, contribu\u00edmos para construir a cidade de Deus e do homem, promovemos o desenvolvimento humano integral de todas as pessoas e ajudamos tamb\u00e9m a comunidade mundial a ficar mais pr\u00f3xima de alcan\u00e7ar os objetivos de desenvolvimento sustent\u00e1vel que se prop\u00f4s e que, caso contr\u00e1rio, dificilmente ser\u00e3o ating\u00edveis.<\/p>\n<p>Por conseguinte, n\u00e3o est\u00e1 em jogo apenas a causa dos migrantes; n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 deles que se trata, mas de todos n\u00f3s, do presente e do futuro da fam\u00edlia humana. Os migrantes, especialmente os mais vulner\u00e1veis, ajudam-nos a ler os \u00absinais dos tempos\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p>Atrav\u00e9s deles, o Senhor chama-nos a uma convers\u00e3o, a libertar-nos dos exclusivismos, da indiferen\u00e7a e da cultura do descarte. Atrav\u00e9s deles, o Senhor convida-nos a reapropriarmo-nos da nossa vida crist\u00e3 na sua totalidade e contribuir, cada qual segundo a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o, para a constru\u00e7\u00e3o dum mundo cada vez mais condizente com o projeto de Deus.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o os meus votos que acompanho com a ora\u00e7\u00e3o, invocando, por intercess\u00e3o da Virgem Maria, Nossa Senhora da Estrada, abundantes b\u00ean\u00e7\u00e3os sobre todos os migrantes e refugiados do mundo e sobre aqueles que se fazem seus companheiros de viagem.<\/p>\n<p>Vaticano, 27 de maio de 2019.<\/p>\n<p>[Francisco PP]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s! A f\u00e9 assegura-nos que o Reino de Deus j\u00e1 est\u00e1, misteriosamente, presente sobre a terra (cf. CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. 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