{"id":389,"date":"2006-10-15T23:18:00","date_gmt":"2006-10-15T23:18:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-15T17:32:41","modified_gmt":"2015-03-15T17:32:41","slug":"desporto-e-turismo-duas-forcas-vitais-para-a-compreensao-mutua-a-cultura-e-o-desenvolvimento-dos-paises","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/desporto-e-turismo-duas-forcas-vitais-para-a-compreensao-mutua-a-cultura-e-o-desenvolvimento-dos-paises\/","title":{"rendered":"&#8220;Desporto e turismo: duas for\u00e7as vitais para a compreens\u00e3o m\u00fatua, a cultura e o desenvolvimento dos pa\u00edses&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>MENSAGEM DO PAPA JO\u00c3O PAULO II<br \/>\nPARA O DIA MUNDIAL DO TURISMO 2004<br \/>\n (27 de Setembro)<\/p>\n<p>1. Na circunst\u00e2ncia do pr\u00f3ximo Dia Mundial do Turismo, que se celebrar\u00e1 no dia 27 do pr\u00f3ximo m\u00eas de Setembro, \u00e9-me grato dirigir-me a todas as pessoas que exercem o seu trabalho neste sector da actividade humana, para oferecer  algumas  reflex\u00f5es  que  ponham em evid\u00eancia os aspectos positivos  do  turismo.  Como  j\u00e1  indiquei noutras circunst\u00e2ncias, ele contribui para incrementar o relacionamento entre pessoas e povos que, quando \u00e9 cordial, respeitoso e solid\u00e1rio, constitui como que uma porta aberta para a paz e a conviv\u00eancia.<br \/>\nCom efeito, muitas das situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, pelas quais a humanidade est\u00e1 a passar nos nossos dias, encontram a sua raiz na incompreens\u00e3o e inclusivamente  na  rejei\u00e7\u00e3o  dos  valores  e  da identidade das culturas diversas. Por isso, muitas vezes elas poderiam ser ultrapassadas mediante um melhor conhecimento rec\u00edproco. Neste contexto, penso tamb\u00e9m  nos  milh\u00f5es  de  emigrantes, que  devem  participar  na  sociedade que  os  recebe,  fundamentando-se  sobretudo  no  apre\u00e7o  e  no  reconhecimento  da  identidade  de  cada  pessoa ou grupo.<br \/>\nPor conseguinte, o Dia Mundial do Turismo n\u00e3o s\u00f3 oferece de novo a oportunidade de afirmar a contribui\u00e7\u00e3o positiva do turismo para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo e pac\u00edfico, mas tamb\u00e9m de reflectir profundamente sobre as condi\u00e7\u00f5es concretas em que ele \u00e9 gerido e praticado.<br \/>\nA este prop\u00f3sito, a Igreja n\u00e3o pode deixar de reiterar uma vez mais o n\u00facleo da sua vis\u00e3o do homem e da hist\u00f3ria. Com efeito, o princ\u00edpio supremo que  deve  reger  a  conviv\u00eancia  humana \u00e9  o  respeito  pela  dignidade  de  cada indiv\u00edduo, criado \u00e0 imagem de Deus e, por  conseguinte,  irm\u00e3o  de  todos  os outros.<br \/>\nEste princ\u00edpio deveria orientar toda a actividade pol\u00edtica e econ\u00f3mica, como se desejou ressaltar na Doutrina Social da Igreja, e inspirar tamb\u00e9m a conviv\u00eancia cultural e religiosa.<br \/>\n2. No corrente ano, o tema do Dia \u00e9:  &#8220;Desporto e turismo:  duas for\u00e7as vitais para a compreens\u00e3o m\u00fatua, a cultura e o desenvolvimento dos pa\u00edses&#8221;. Desporto e turismo fazem refer\u00eancia sobretudo ao tempo livre, em que se devem fomentar actividades que contribuam para o desenvolvimento f\u00edsico e espiritual. N\u00e3o obstante, existem numerosas situa\u00e7\u00f5es em que o turismo e o desporto se entrela\u00e7am de maneira espec\u00edfica e se  condicionam  reciprocamente, como quando o desporto se transforma precisamente  no  motivo determinante para os  deslocamentos tanto dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds como no estrangeiro.<br \/>\nCom efeito, o desporto e o turismo est\u00e3o estreitamente vinculados nos grandes acontecimentos desportivos, em que participam os pa\u00edses de uma determinada regi\u00e3o ou do mundo inteiro, como nos Jogos Ol\u00edmpicos, que n\u00e3o devem renunciar \u00e0 sua elevada voca\u00e7\u00e3o de vivificar os ideais da conviv\u00eancia, da compreens\u00e3o e da amizade. Todavia, tamb\u00e9m em muitos outros casos menos espectaculares, como nas actividades desportivas no \u00e2mbito escolar ou nas associa\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio bairro ou da pr\u00f3pria localidade. Noutros casos, praticar um determinado desporto \u00e9 o que motiva a programa\u00e7\u00e3o de uma viagem ou das pr\u00f3prias f\u00e9rias. Trata-se, pois, de um fen\u00f3meno que diz respeito tanto aos desportistas elit\u00e1rios, aos seus respectivos grupos e seguidores, como aos clubes sociais mais modestos e tamb\u00e9m a muitas fam\u00edlias, jovens, crian\u00e7as e, finalmente, a quantos fazem do exerc\u00edcio f\u00edsico um dos motivos importantes da sua viagem.<br \/>\nTratando-se de uma actividade humana que se refere a tantas pessoas, n\u00e3o causa admira\u00e7\u00e3o o facto de que, n\u00e3o obstante a nobreza das finalidades proclamadas, se produzam tamb\u00e9m em muitos casos absusos e desvios. N\u00e3o se pode ignorar, entre outros fen\u00f3menos, o mercantilismo exacerbado, a competi\u00e7\u00e3o  agressiva,  a  viol\u00eancia  contra  as pessoas e as coisas, at\u00e9 chegar \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente ou \u00e0 ofensa contra a dignidade cultural de quem acolhe.<br \/>\n3. O Ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo apresentava aos crist\u00e3os de Corinto a imagem do atleta para explicar a vida crist\u00e3, como exemplo de esfor\u00e7o e de const\u00e2ncia (cf. 1 Cor 9, 24-25). Com efeito, a pr\u00e1tica correcta do desporto deve ser acompanhada da temperan\u00e7a e da educa\u00e7\u00e3o \u00e0 ren\u00fancia; com muita frequ\u00eancia, ela exige inclusivamente um bom esp\u00edrito de grupo, atitudes de respeito, apre\u00e7o pelas qualidades do pr\u00f3ximo, honestidade no jogo e humildade para reconhecer os limites pessoais. Em s\u00edntese, o desporto, especialmente nas suas formas menos competitivas, convida a uma celebra\u00e7\u00e3o festiva e \u00e0 uma conviv\u00eancia caracterizada pela amizade.<br \/>\nTamb\u00e9m o crist\u00e3o pode encontrar no desporto uma ajuda para desenvolver as virtudes cardeais fortaleza, temperan\u00e7a, prud\u00eancia e justi\u00e7a na corrida pela coroa &#8220;imarcesc\u00edvel&#8221;, como escreve S\u00e3o Paulo.<br \/>\n4. Sem d\u00favida, o turismo deu um impulso poderoso \u00e0 pr\u00e1tica do desporto. As  facilidades  que  ele  oferece,  e  inclusivamente as numerosas actividades que ele promove ou patrocina por sua pr\u00f3pria iniciativa, incrementaram de modo  concreto  o  n\u00famero  daqueles que apreciam o desporto e que o praticam no seu tempo livre. Desta forma, multiplicaram-se as ocasi\u00f5es de encontro entre diferentes povos e culturas, num clima de bom entendimento e de harmonia.<br \/>\nPor isso, sem deixar de prestar a devida aten\u00e7\u00e3o aos desvios que, lamentavelmente, continuam a verificar-se, desejo exortar de maneira encarecida e com renovada esperan\u00e7a, a promo\u00e7\u00e3o de &#8220;um desporto que salvaguarde os mais fr\u00e1geis e n\u00e3o exclua ningu\u00e9m, liberte os jovens do risco da apatia e da indiferen\u00e7a, e suscite neles um sadio esp\u00edrito de competi\u00e7\u00e3o; um desporto que seja um factor de emancipa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses mais pobres e contribua para eliminar a intoler\u00e2ncia e para construir um mundo mais fraternal e solid\u00e1rio; um desporto que contribua para fazer com que a vida seja amada e a fim de que se eduque para o sacrif\u00edcio, o respeito e a responsabilidade, levando \u00e0 plena valoriza\u00e7\u00e3o de cada um&#8221; (Discurso por ocasi\u00e3o do Jubileu dos Desportistas, 28 de Outubro de 2000, n. 3).<br \/>\nCom estas considera\u00e7\u00f5es, convido as pessoas que desempenham actividades relacionadas com o mundo do desporto no \u00e2mbito do turismo, os desportistas e todos os que praticam o desporto nas suas viagens, a dar continuidade aos seus esfor\u00e7os, em vista de alcan\u00e7ar estes nobres objectivos, enquanto invoco sobre cada um deles as abundantes b\u00ean\u00e7\u00e3os divinas.<br \/>\nVaticano, 30 de Maio de 2004, Solenidade de Pentecostes.<br \/>\nJO\u00c3O PAULO II<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem do Papa para o Dia Mundial do Turismo 2004<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-389","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/389","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=389"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/389\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1424,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/389\/revisions\/1424"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}