{"id":3935,"date":"2019-10-09T16:00:36","date_gmt":"2019-10-09T16:00:36","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/?p=3935"},"modified":"2019-10-09T16:00:36","modified_gmt":"2019-10-09T16:00:36","slug":"observacoes-sobre-migracao-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/observacoes-sobre-migracao-em-portugal\/","title":{"rendered":"Observa\u00e7\u00f5es sobre migra\u00e7\u00e3o em Portugal"},"content":{"rendered":"<p><strong>Observa\u00e7\u00f5es sobre a migra\u00e7\u00e3o em Portugal<\/strong><\/p>\n<p>A convite da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es (OCPM) e da Caritas Portuguesa, na data de 23 a 29 de setembro\/2019, fizemos um giro por algumas regi\u00f5es e dioceses de Portugal. O programa inclu\u00eda a visita \u00e0 sede da Confer\u00eancia Episcopal, em Lisboa, para entrevista com a r\u00e1dio ecclesia e com a r\u00e1dio renascen\u00e7a; espa\u00e7o aberto no programa \u201ctarde em fam\u00edlia\u201d, do canal Can\u00e7\u00e3o Nova de televis\u00e3o, no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima; lan\u00e7amento do livro \u201cMala da Partilha\u201d, na Assembleia Legislativa de Santar\u00e9m e, na mesma cidade, reuni\u00e3o com um grupo de agentes pastorais da diocese, com a presen\u00e7a do bispo; visita a uma escola polit\u00e9cnica da cidade de Bragan\u00e7a, celebra\u00e7\u00e3o em Amora, diocese de Set\u00fabal&#8230;<\/p>\n<p>Dessa experi\u00eancia resultam algumas observa\u00e7\u00f5es no que diz respeito ao tema da mobilidade humana. A primeira tem a ver com a hist\u00f3ria de Portugal como pa\u00eds de emigra\u00e7\u00e3o, seja esta origin\u00e1ria do territ\u00f3rio continental ou das ilhas atl\u00e2nticas. Ao longo dos s\u00e9culos, tem sido um povo em frequente di\u00e1spora, como tantos outros pelo mundo. In\u00fameras pessoas e fam\u00edlias deixaram o seu territ\u00f3rio, trocando-o por pa\u00edses como o Brasil, a Venezuela, os Estados Unidos, o Canad\u00e1, a Alemanha, a Inglaterra, a Fran\u00e7a, a Su\u00ed\u00e7a, Luxemburgo, B\u00e9lgica, \u00c1frica do Sul, Angola, Mo\u00e7ambique, Austr\u00e1lia, entre outros.<\/p>\n<p>Atualmente, enquanto a popula\u00e7\u00e3o de Portugal oscila em torno de 10 milh\u00f5es de habitantes, estima-se em cerca de 5 milh\u00f5es o n\u00famero de portugueses que residem fora do pa\u00eds. Muitos deixaram a pr\u00f3pria terra com o sonho de construir um futuro menos prec\u00e1rio, tanto nos pa\u00edses centrais e mais desenvolvidos da Europa e Am\u00e9rica do Norte quanto em outras na\u00e7\u00f5es emergentes. Outros, s\u00f3s ou acompanhados pela fam\u00edlia, tentavam escapar ao recrutamento militar e \u00e0s guerras pela manuten\u00e7\u00e3o das col\u00f4nias africanas. Conv\u00e9m n\u00e3o esquecer que Portugal foi o \u00faltimo pa\u00eds a abandonar o sistema de colonialismo. Com isso, durante algumas d\u00e9cadas, sangrou sua juventude, ou nos referidos combates ou na fuga para escapar a eles.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, contudo, especialmente com o fim da ditadura militar e do colonialismo, por uma parte, e com os vultosos investimentos da Uni\u00e3o Europeia, por outra, Portugal vem se tornando um pa\u00eds de atra\u00e7\u00e3o, para o qual afluem consider\u00e1vel n\u00famero de imigrantes. Entre os lugares de origem, destacam-se, em primeiro lugar, as ex-col\u00f4nias, hoje pa\u00edses lus\u00f3fonos da \u00c1frica: Angola, Mo\u00e7ambique, Cabo Verde, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, Guin\u00e9. Mas tamb\u00e9m t\u00eam entrado em Portugal boa quantidade de brasileiros, romenos, ucranianos e de outros pa\u00edses do leste europeu. Para n\u00e3o poucos deles, Portugal \u00e9 visto como lugar de passagem, trampolim para outros pa\u00edses da Europa e at\u00e9 para os Estados Unidos.<\/p>\n<p>A grande maioria desses migrantes trabalha na constru\u00e7\u00e3o civil, no emprego dom\u00e9stico ou nos servi\u00e7os em geral, tais como limpeza p\u00fablica e privada, cuidado com idosos e\/ou doentes, restaurantes e hot\u00e9is, lojas e bares, hortifrutigranjeiros, e assim por diante. Outros aventuram-se por conta pr\u00f3pria, como aut\u00f4nomos, tanto no microcom\u00e9rcio quanto na venda ambulante dos mais diversos tipos de produtos. Um exemplo emblem\u00e1tico da presenta de estrangeiros em Portugal: das 700 crian\u00e7as inscritas esse ano na catequese da Par\u00f3quia Bem-aventurado Jo\u00e3o Batista Scalabrini, em Amora, diocese de Set\u00fabal, na grande Lisboa, ao redor da metade s\u00e3o filhas de imigrantes ou imigrantes elas mesmas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 ilustrativo o caso de uma escola polit\u00e9cnica da cidade de Bragan\u00e7a, ao norte de Portugal, na fronteira com a Espanha. Ali promovemos um encontro com cerca de uma centena de alunos e professores. Esse estabelecimento de ensino contava no momento com nada menos do que 2 mil alunos, distribu\u00eddos em mais de 70 etnias distintas. Os alunos originam-se, entre outros lugares, das regi\u00f5es lus\u00f3fonas do continente africano, dos pa\u00edses do leste europeu, da Am\u00e9rica Latina e do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p><em>Pe. Alfredo J. Gon\u00e7alves, cs \u2013 Rio de Janeiro, 2 de outubro de 2019<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Observa\u00e7\u00f5es sobre a migra\u00e7\u00e3o em Portugal A convite da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es (OCPM) e da Caritas Portuguesa, na data de 23 a 29 de setembro\/2019, fizemos um giro por algumas regi\u00f5es e dioceses de Portugal. 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