{"id":3990,"date":"2019-12-03T14:58:18","date_gmt":"2019-12-03T14:58:18","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/?p=3990"},"modified":"2019-12-03T15:40:52","modified_gmt":"2019-12-03T15:40:52","slug":"emergencia-climatica-e-migracoes-que-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/emergencia-climatica-e-migracoes-que-futuro\/","title":{"rendered":"Emerg\u00eancia clim\u00e1tica e migra\u00e7\u00f5es \u2013 Que futuro?"},"content":{"rendered":"<p>Por Ana Varela, advocacy officer<\/p>\n<p>No \u00faltimo s\u00e1bado, 30, ap\u00f3s mais uma greve clim\u00e1tica que levou milhares de pessoas \u00e0s ruas em todo o mundo, ironicamente no mesmo dia do\u00a0<em>Black Friday<\/em>, e a dois dias da COP 25, realizou-se na Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian a Confer\u00eancia Internacional \u201cRefugiados Clim\u00e1ticos \u2013 Que Futuro?\u201d. Este f\u00f3rum, foi realizado no \u00e2mbito do Projeto\u00a0<em>No Border<\/em>, dedicado \u00e0 inclus\u00e3o de refugiados na cidade de Lisboa e reuniu cientistas e especialista em migra\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais e decisores pol\u00edticos. O Diretor-Geral da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional das Migra\u00e7\u00f5es, Ant\u00f3nio Vitorino, gravou uma mensagem v\u00eddeo para este evento onde valorizou os avan\u00e7os que t\u00eam sido alcan\u00e7ados, em particular desde o ano passado com a assinatura do Pacto Global para as Migra\u00e7\u00f5es, mas encorajou os pa\u00edses a fazer mais e melhor.<\/p>\n<p>A Confer\u00eancia lan\u00e7ou aos participantes uma pergunta, que \u00e9 tamb\u00e9m uma inquieta\u00e7\u00e3o: Que futuro?\u00a0Que desafios enfrentamos e como os podemos ultrapassar num\u00a0mundo onde a emerg\u00eancia clim\u00e1tica \u00e9 j\u00e1 uma realidade com implica\u00e7\u00f5es cr\u00edticas na mobilidade humana. Fen\u00f3menos de evolu\u00e7\u00e3o lenta, tais como a eros\u00e3o costeira relacionada com a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar e secas prolongadas, intervaladas com chuvas intensas, a par de fen\u00f3menos naturais com um elevado poder de devasta\u00e7\u00e3o (como os ciclones Idai e Kenneth em Mo\u00e7ambique), atingem cada vez mais frequentemente pa\u00edses e territ\u00f3rios. Mas a amea\u00e7a \u00e9 global e afeta-nos a todos, colocando tamb\u00e9m muitos ecossistemas e a biodiversidade em risco.<\/p>\n<p>Mas, porque falamos afinal em emerg\u00eancia clim\u00e1tica? De acordo com os dados apresentados pelo Professor Carlos Antunes da Faculdade de Ci\u00eancias de Lisboa:<\/p>\n<ul>\n<li>Porque o CO2 na atmosfera est\u00e1 a aumentar 500 vezes mais r\u00e1pido do que no ciclo interglacial (25 ppm\/d\u00e9cada em vez de 5 ppm\/mil\u00e9nio);<\/li>\n<li>Porque a temperatura m\u00e9dia global est\u00e1 a aumentar 40 vezes mais r\u00e1pido do que no ciclo interglacial (0.25\u00aaC\/d\u00e9cada em vez de 0.5\u00baC\/mil\u00e9nio);<\/li>\n<li>Porque a subida do n\u00edvel m\u00e9dio do mar est\u00e1 a acelerar e poder\u00e1 atingir a taxa de 2-3 metros em 2100, devido \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o do degelo na Ant\u00e1rtida e na Gronel\u00e2ndia, continuando a subir nos s\u00e9culos seguintes.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Apesar da situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, ainda \u00e9 poss\u00edvel agir em conjunto para reduzir o impacto da a\u00e7\u00e3o humana. Mas, de acordo com o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Ambiente, para se conseguir atingir o objetivo de manter o aumento de temperatura abaixo dos 1,5 graus Celsius, teremos que ser muito ambiciosos. At\u00e9 2030 o mundo tem de reduzir anualmente 7,6% das suas emiss\u00f5es de gases de estufa.<\/p>\n<p>Enquanto isso, as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas j\u00e1 atingem milh\u00f5es de pessoas, for\u00e7ando-as a sair das suas casas, sendo o n\u00famero de deslocados por raz\u00f5es clim\u00e1ticas superior ao n\u00famero de deslocados por persegui\u00e7\u00e3o ou conflitos armados. Apesar de as altera\u00e7\u00f5es do clima\u00a0<a href=\"http:\/\/www.internal-displacement.org\/global-report\/grid2019\/\">afetarem essencialmente pessoas em pa\u00edses mais pobres e menos resilientes<\/a>, na \u00c1sia e em \u00c1frica, t\u00eam impacto a n\u00edvel global.<\/p>\n<p>Em Portugal, h\u00e1 muitas regi\u00f5es costeiras que est\u00e3o em risco, prevendo-se a inunda\u00e7\u00e3o de diversas localidades ao longo da costa, para mais breve do que poder\u00edamos esperar, afetando as popula\u00e7\u00f5es que a\u00ed residem. A este respeito, alguns especialistas aconselham a retirada das pessoas das \u00e1reas costeiras afetadas ou inv\u00e9s de as manter e proteger, o que \u00e9 mais arriscado e dispendioso.<\/p>\n<p><strong>Este combate pressup\u00f5e coragem, determina\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7as no estilo de vida, que muitos n\u00e3o est\u00e3o ainda preparados a adotar.<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, a maioria das pessoas desloca-se internamente para outras regi\u00f5es no seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Mas, em situa\u00e7\u00f5es mais graves, atravessam as fronteiras para os pa\u00edses vizinhos. De entre aqueles que fogem de pa\u00edses pobres apenas uma pequenas percentagem chega aos pa\u00edses ocidentais. Estas pessoas for\u00e7adas a deslocar-se t\u00eam necessidades de prote\u00e7\u00e3o semelhantes \u00e0s dos refugiados protegidos pelo direito internacional (os refugiados individualmente perseguidos e os refugiados de guerra), tais como acesso a bens essenciais, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, trabalho, reagrupamento familiar. Por\u00e9m, a prote\u00e7\u00e3o destes deslocados continua ainda a depender (demasiadamente) da \u00e9tica e boa vontade dos pa\u00edses vizinhos ou de acolhimento, deixando-os expostas a todo o tipo de riscos e explora\u00e7\u00e3o (sexual, laboral, trafico). O desaparecimento de pa\u00edses que est\u00e3o a submergir no pac\u00edfico (Maldivas, Kiribati e Tuvalu) poder\u00e1 gerar no futuro um n\u00famero incalcul\u00e1vel de ap\u00e1tridas. Que prote\u00e7\u00e3o e estatuto ter\u00e3o? Estas e outras quest\u00f5es merecem reflex\u00e3o aprofundada. J\u00e1 existem ferramentas que podem e est\u00e3o a ser usadas por alguns pa\u00edses a n\u00edvel nacional \u00a0e regional enquanto se vai fazendo caminho, a n\u00edvel global, sobre esta problem\u00e1tica. Embora as negocia\u00e7\u00f5es sejam lentas e dif\u00edceis, particularmente no contexto pol\u00edtico atual com a emerg\u00eancia de partidos com um discurso xen\u00f3fobo em v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o nos podemos esquecer que qualquer pessoa pode tornar-se subitamente num deslocado interno ou refugiado. Pelo que todos os avan\u00e7os na prote\u00e7\u00e3o destas pessoas n\u00e3o apenas s\u00e3o desej\u00e1veis como muito necess\u00e1rios. Assim, na sequ\u00eancia da realiza\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia deste s\u00e1bado, ser\u00e3o elaboradas recomenda\u00e7\u00f5es a decisores pol\u00edticos com contributos de diversas partes interessadas. O trabalho em rede e em parceria \u00e9 fundamental para que haja avan\u00e7os, sem esquecer as causas.<\/p>\n<p>Em 2018, os desastres naturais representaram preju\u00edzos para a economia mundial de mais de 300 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, para al\u00e9m da perda de vidas humanas. Mas face \u00e0 ina\u00e7\u00e3o de muitos pa\u00edses ricos perante a atual emerg\u00eancia (os membros do G20 coletivamente s\u00e3o respons\u00e1veis por 78% da emiss\u00e3o de gases de efeito estufa) fica a percep\u00e7\u00e3o de que se est\u00e1 antes a optar por ir atr\u00e1s do preju\u00edzo ao inv\u00e9s de apostar na mitiga\u00e7\u00e3o e combate \u00e0s causas do problema. Este combate pressup\u00f5e coragem, determina\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7as no estilo de vida, que muitos n\u00e3o est\u00e3o ainda preparados a adotar. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel continuar nesta estrat\u00e9gia de nega\u00e7\u00e3o, de medo e de muros, pensando em construir diques para conter a \u00e1gua do mar e fortalezas para conter os migrantes. \u00c9 urgente tamb\u00e9m quebrar o dogma de que n\u00e3o existem alternativas ao modelo econ\u00f3mico vigente. Pois \u201cesta economia mata\u201d, o planeta e os seus habitantes.<\/p>\n<p>Sempre atento aos sinais dos tempos, o Papa Francisco convocou para mar\u00e7o do pr\u00f3ximo ano um encontro mundial com jovens economistas de boa vontade, sob o tema \u201cA economia de Francisco\u201d. Este encontro \u00e9 inspirado em S. Francisco de Assis e procura um novo modelo de desenvolvimento, mais justo e sustent\u00e1vel, focando no bem comum e sem deixar ningu\u00e9m de fora.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/pontosj.pt\/opiniao\/emergencia-climatica-e-migracoes-que-futuro\/?fbclid=IwAR0WTJx3jjvgQXqetjGYxMaSRhkHL9mqxiQm5ejYDYfVoQVVG6dMlybrsVA\">https:\/\/pontosj.pt\/opiniao\/emergencia-climatica-e-migracoes-que-futuro\/?fbclid=IwAR0WTJx3jjvgQXqetjGYxMaSRhkHL9mqxiQm5ejYDYfVoQVVG6dMlybrsVA<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7a hoje uma nova cimeira do clima, a COP25, em Madrid. \u00c9 preciso fazer mais e melhor.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3991,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[39,55,7,29],"tags":[],"class_list":["post-3990","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-migrantes","category-recortes","category-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3990","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3990"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3990\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3992,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3990\/revisions\/3992"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3991"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3990"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3990"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3990"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}