{"id":40,"date":"2003-05-01T00:00:00","date_gmt":"2003-05-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-05-22T15:38:48","modified_gmt":"2015-05-22T15:38:48","slug":"a-igreja-e-as-deslocacoes-humanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/a-igreja-e-as-deslocacoes-humanas\/","title":{"rendered":"A Igreja e as desloca\u00e7\u00f5es humanas"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA Igreja e as desloca\u00e7\u00f5es humanas\u201d faz 25 anos<br \/>\nAssinala-se no dia 4 de Maio os 25 anos um importante documento do Magist\u00e9rio sobre as Migra\u00e7\u00f5es. \u00c9 o terceiro, ap\u00f3s a Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cExsul Fam\u00edlia\u201d de Pio XII (1952) que precede o Vaticano II e a Carta apost\u00f3lica de Paulo VI \u201c Pastoralis Migratorum Cura\u201d (1969) que acolhe as novas intui\u00e7\u00f5es pastorais a aplicar ao fen\u00f3meno da mobilidade em acelerada evolu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPaulo VI, por ocasi\u00e3o do Congresso Europeu das Migra\u00e7\u00f5es de 1973, tinha ousado afirmar que \u201c \u00e0 mobilidade do mundo moderno deve corresponder a mobilidade pastoral da Igreja\u201d. Pode ver-se nisso um apelo a reconhecer algum imobilismo e sedentarismo da Igreja, face \u00e1s grandes mudan\u00e7as que naquela altura se faziam sentir e que hoje encontram na Globaliza\u00e7\u00e3o a maior inquieta\u00e7\u00e3o deste inicio de mil\u00e9nio.<br \/>\n\u201cIgreja e as desloca\u00e7\u00f5es humanas\u201d, apesar de n\u00e3o ter a presun\u00e7\u00e3o de dizer coisas novas, a carta tenta atrav\u00e9s de uma linguagem acess\u00edvel reafirmar algumas orienta\u00e7\u00f5es e conte\u00fados teol\u00f3gicos. Muitos deles ainda a necessitar \u201cconsciencializa\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o\u201d por parte da Igreja em Portugal pois n\u00e3o entraram at\u00e9 agora nas \u201cboas pr\u00e1ticas\u201d pastorais. De maneira especial, urgem numa altura em que os desafios migrat\u00f3rios obrigam a um novo olhar, a partir da nova situa\u00e7\u00e3o de sermos, desde h\u00e1 30 anos, simultaneamente igreja de partida e de destino (n.17).<br \/>\nO \u00e2mbito da pastoral da mobilidade, segundo o Magist\u00e9rio (n.1), inclui v\u00e1rios grupos de pessoas marcadas pela mobilidade: emigrantes, imigrantes, deslocados, refugiados, mar\u00edtimos, ciganos e outras minorias \u00e9tnicas, os turistas, os artistas do circo, os estudantes estrangeiros, os trabalhadores da estrada, de aeroportos e portos mar\u00edtimos. Enfim, todos os que vivem da mobilidade terrestre, mar\u00edtima e a\u00e9rea e, por isso, sofrem os efeitos nefastos causados pela mobilidade \u201cfor\u00e7ada\u201d ou at\u00e9 escolhida por livre decis\u00e3o. Em Portugal, em muitos destes \u00e2mbitos urge uma renova\u00e7\u00e3o e maior investimento de pessoas e meios para que a presen\u00e7a da Igreja atinja a todos evangelize.<br \/>\nA Igreja, conhecendo o impacto da mobilidade sobre a vida e mentalidade da pessoa e da fam\u00edlia, na sua solicitude por todas pessoas e grupos em situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o quer que aqueles que deixam a sua terra ou vivem em v\u00e1rias terras fiquem exclu\u00eddos do an\u00fancio do Evangelho. Sabe-se quanto a migra\u00e7\u00e3o compromete a pr\u00e1tica religiosa, rompe os la\u00e7os entre a f\u00e9 e a cultura, entre a f\u00e9 e a vida, e desagrega a unidade da consci\u00eancia pessoal e pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es religiosas da f\u00e9 herdada na par\u00f3quia natal (n.8).<br \/>\nContudo, esta carta de Paulo VI, come\u00e7a por apresentar uma leitura muito positiva do fen\u00f3meno das desloca\u00e7\u00f5es humanas, vendo-o como um sinal dos tempos, um apelo \u00e0 mudan\u00e7a, um convite \u00e0 Igreja a realizar a pr\u00f3pria identidade e a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o, e um caminho de despojamento cultural que a igreja tem vindo a realizar ao longo da hist\u00f3ria rumo \u00e0 universalidade da fraternidade crist\u00e3 (n.6). As migra\u00e7\u00f5es, diz o Papa, comportam a esperan\u00e7a de um futuro melhor, a necessidade de superar males e a aspira\u00e7\u00e3o \u00e0 unidade e fraternidade (n.9).<br \/>\nRefere ainda que \u201cas migra\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma ocasi\u00e3o para exercitar plenamente os privil\u00e9gios conexos com a voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 mais do que os seus deveres, a saber: a generosidade, o altru\u00edsmo e a criatividade\u201d. Nem todas as comunidades crist\u00e3s t\u00eam ainda esta convic\u00e7\u00e3o ao observar o que se vai fazendo quanto ao acolhimento e compreens\u00e3o para com os emigrantes e imigrantes. Muitos parecem pensar que este fen\u00f3meno \u00e9 transit\u00f3rio, \u00e9 uma realidade de passagem e, por isso, n\u00e3o se comprometem com ele. Tamb\u00e9m pelo facto de que as migra\u00e7\u00f5es colocam quest\u00f5es exigentes sobre o di\u00e1logo entre a Igreja e o Mundo, entre a f\u00e9 e a promo\u00e7\u00e3o dos direitos e deveres humanos (n.11), entre religiosidade e secularismo (n.8), entre aud\u00e1cia no an\u00fancio da Palavra e situa\u00e7\u00f5es de pecado estrutural e de injusti\u00e7a (n.6).<br \/>\nPor fim, uma palavra sobre a igreja local nas suas express\u00f5es: diocese e par\u00f3quia. Diz a carta no n\u00famero 16 que \u201ca organiza\u00e7\u00e3o do acolhimento, na harmonia de caridade, incita as par\u00f3quias e serem cada vez mais comunidades, n\u00e3o agrupamentos an\u00f3nimos ou simples esta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o espiritual\u201d. A par\u00f3quia permanece o lugar de catecumenato para os crist\u00e3os em situa\u00e7\u00e3o de mobilidade. Quantas delas se t\u00eam interessado pela forma\u00e7\u00e3o dos brasileiros, dos africanos e dos ucranianos? Cada um deles proveniente de uma situa\u00e7\u00e3o religiosa t\u00e3o diferente e que aqui pode acontecer o \u201ckair\u00f3s\u201d libertador e Portugal tornar-se a terra de encontro destes homens e mulheres com o Deus b\u00edblico que ama libertando.<br \/>\nToda a par\u00f3quia \u00e9 casa de acolhimento para quem est\u00e1 de passagem e em todo o lugar de passagem deve existir uma presen\u00e7a de Igreja.<br \/>\n\u00c9 importante entender que toda a Igreja \u00e9 correspons\u00e1vel pelas migra\u00e7\u00f5es e n\u00e3o continuar a delegar aos d\u00e9beis secretariados diocesanos de migra\u00e7\u00f5es ou a um ou outro especialista as respostas pastorais (n.20). As migra\u00e7\u00f5es s\u00e3o parte integrante da catequese, da prega\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e solidariedade. Com a mobilidade crescente entre Continentes e a livre circula\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia \u00e9 preciso preparar bem os crist\u00e3os para que possam viver a pr\u00f3pria f\u00e9 em contextos sociais, situa\u00e7\u00f5es laborais e ecum\u00e9nicas (n. 15) diferentes daquelas onde nasceram e cresceram.<br \/>\nEste documento e suas implica\u00e7\u00f5es pastorais ir\u00e1 merecer por parte da OCPM e SDPM uma particular reflex\u00e3o por ocasi\u00e3o das pr\u00f3ximas Jornadas Pastorais das Migra\u00e7\u00f5es a realizar, no Funchal, de 14 a 18 de Julho.<br \/>\n* Rui Pedro <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bodas de Prata deste Documento do Magist\u00e9rio da Igreja<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-40","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1610,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40\/revisions\/1610"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}