{"id":4002,"date":"2020-01-28T13:03:06","date_gmt":"2020-01-28T13:03:06","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/?p=4002"},"modified":"2020-01-28T13:14:43","modified_gmt":"2020-01-28T13:14:43","slug":"75o-aniversario-de-libertacao-do-campo-de-exterminio-de-auschwitz-birkenau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/75o-aniversario-de-libertacao-do-campo-de-exterminio-de-auschwitz-birkenau\/","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o da CCEE e COMECE: n\u00e3o ao anti-semitismo e manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da verdade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Declara\u00e7\u00e3o do Presidente do Conselho das Confer\u00eancias Episcopais Europeias (CCEE) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>e do Presidente da Comiss\u00e3o das Confer\u00eancias Episcopais da Uni\u00e3o Europeia (COMECE)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por ocasi\u00e3o\u00a0 do 75\u00ba ANIVERS\u00c1RIO DE LIBERTA\u00c7\u00c3O DO CAMPO EXTERM\u00cdNIO NAZI ALEM\u00c3O AUSCHWITZ-BIRKENAU<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 se passaram 75 anos desde a liberta\u00e7\u00e3o do campo de concentra\u00e7\u00e3o alem\u00e3o de Auschwitz-Birkenau (27\/01\/1945), e este local ainda inspira terror.<\/p>\n<ol>\n<li>Era o maior campo de concentra\u00e7\u00e3o nazi, aberto em 1940 nos territ\u00f3rios polacos ocupados. Inicialmente destinado a polacos (Auschwitz), foi significativamente expandido na \u00e1rea da vizinha Brzezinka (Auschwitz-Birkenau) e nos anos entre 1942-1945 &#8211; como parte da &#8220;Solu\u00e7\u00e3o Final&#8221; (Endl\u00f6sung) &#8211; tornou-se um local de exterm\u00ednio em massa do povo judeu. No campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz-Birkenau, os nacional-socialistas alem\u00e3es assassinaram mais de um milh\u00e3o de judeus, dezenas de milhares de polacos (70-75.000), ciganos (21.000), russos (15.000) e v\u00e1rios milhares de prisioneiros de outras nacionalidades. Devido \u00e0 grande quantidade de v\u00edtimas judias, \u00e9 o maior local de genoc\u00eddio em massa do mundo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Auschwitz tornou-se um s\u00edmbolo de todos os campos de concentra\u00e7\u00e3o alem\u00e3es e mesmo de todos os locais de exterm\u00ednio. \u00c9 como o auge do \u00f3dio contra os seres humanos com um elevado n\u00famero de mortos no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que a tese sobre a desigualdade fundamental das pessoas chega aos seus limites finais. Aqui, os nazistas tomaram o poder de decidir quem \u00e9 humano e quem n\u00e3o \u00e9. Aqui, a eutan\u00e1sia se encontrou com a eugenia. Auschwitz-Birkenau \u00e9 o resultado de um sistema baseado na ideologia do nacional-socialismo, que significava atropelar a dignidade do ser humano que \u00e9 feito \u00e0 imagem de Deus. Outro totalitarismo, o comunismo, agiu de maneira bastante semelhante, atingindo tamb\u00e9m o n\u00famero de milh\u00f5es de mortes.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Hoje, centenas de milhares de pessoas visitam este campo a cada ano. Os \u00faltimos tr\u00eas papas tamb\u00e9m estiveram entre os visitantes.<\/li>\n<\/ol>\n<p>S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II visitou Auschwitz-Birkenau durante sua primeira peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0 Pol\u00f3nia (7 de junho de 1979). Ele atravessou o port\u00e3o do campo coberto com a inscri\u00e7\u00e3o &#8220;Arbeit macht frei&#8221;, passou um momento na cela da morte de S\u00e3o Maximiliano Maria Kolbe e rezou no p\u00e1tio do bloco 11, onde os prisioneiros foram baleados. Depois foi a Brzezinka, onde celebrou a Eucaristia. Em sua homilia, ele disse: &#8220;E eu paro em particular convosco, queridos participantes desta reuni\u00e3o, em frente \u00e0 pedra que ostenta a inscri\u00e7\u00e3o na l\u00edngua hebraica. Essa inscri\u00e7\u00e3o evoca a mem\u00f3ria das pessoas cujos filhos e filhas foram destinados ao exterm\u00ednio total. Essas pessoas s\u00e3o origin\u00e1rias de Abra\u00e3o, que \u00e9 &#8220;o Pai de nossa f\u00e9&#8221; (cf. Rm 4:12), como disse Paulo de Tarso.<\/p>\n<p>Essas pessoas, que receberam este mandamento de Deus: &#8220;N\u00e3o matar\u00e1s&#8221;, experimentaram em si mesmas, em grau especial, o que significa matar. [&#8230;] Uma na\u00e7\u00e3o nunca pode desenvolver-se \u00e0s custas de outra, \u00e0s custas da escravid\u00e3o da outra, \u00e0s custas da conquista, ultraje, explora\u00e7\u00e3o e morte\u201d.<\/p>\n<p>O papa Bento XVI atravessou o port\u00e3o do campo sozinho (28 de maio de 2006) e, durante a cerim\u00f3nia no Monumento Internacional do Mart\u00edrio das Na\u00e7\u00f5es, proferiu um discurso no qual declarou: \u201cComo Jo\u00e3o Paulo II, segui o caminho pelas l\u00e1pides que, em v\u00e1rias l\u00ednguas, lembram as v\u00edtimas deste lugar. H\u00e1 uma na l\u00edngua hebraica. Os potentados do Terceiro Reich queriam esmagar todo povo judeu; exclu\u00ed-lo da lista de povos da terra. &#8230; Afinal, aqueles criminosos cru\u00e9is, com a aniquila\u00e7\u00e3o desse povo, pretendiam matar aquele Deus que chamou Abra\u00e3o, que falando no Sinai estabeleceu os crit\u00e9rios orientadores da humanidade que permanecem v\u00e1lidos para sempre. &#8230; Com a destrui\u00e7\u00e3o de Israel, com a Sho\u00e1, eles queriam, afinal, tamb\u00e9m destruir a raiz na qual a f\u00e9 crist\u00e3 se baseia, substituindo-a definitivamente por uma f\u00e9 de sua pr\u00f3pria inven\u00e7\u00e3o, f\u00e9 no governo do homem, o governo dos poderosos. &#8230; Sim, por tr\u00e1s dessas l\u00e1pides est\u00e1 oculto o destino de in\u00fameros seres humanos. Eles agitam nossa mem\u00f3ria, agitam nosso cora\u00e7\u00e3o. Eles n\u00e3o querem provocar \u00f3dio em n\u00f3s: eles realmente nos mostram o qu\u00e3o terr\u00edvel \u00e9 a obra do \u00f3dio. &#8221;<\/p>\n<p>O Papa Francisco, durante sua visita ao antigo campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz-Birkenau (29\/07\/2016), seguiu os passos de seus dois antecessores. Ele n\u00e3o fez nenhum discurso, mas sua presen\u00e7a silenciosa era muito eloquente. No livro memorial, ele escreveu: \u201cSenhor, tenha piedade de seu povo. Senhor, pedimos perd\u00e3o por tanta crueldade. \u201dEle concluiu sua visita com uma ora\u00e7\u00e3o no Monumento ao Mart\u00edrio das Na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>H\u00e1 alguns dias, o Papa Francisco fez um apelo: \u201cQue o anivers\u00e1rio da crueldade indescrit\u00edvel que a humanidade experimentou h\u00e1 setenta e cinco anos atr\u00e1s nos convoque a parar, ficar em sil\u00eancio e lembrar. Precisamos fazer isso, para n\u00e3o ficarmos indiferentes \u201d (Discurso a uma delega\u00e7\u00e3o do\u201c Simon Wiesenthal Center \u201d, 20 de janeiro de 2020).<\/li>\n<\/ol>\n<p>O 75\u00ba anivers\u00e1rio da liberta\u00e7\u00e3o do campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz-Birkenau, no esp\u00edrito das palavras do Papa Francisco, obriga-nos a lutar expressamente contra todos os atos que violam a dignidade humana: racismo, xenofobia e anti-semitismo. Neste anivers\u00e1rio, apelamos ao mundo moderno pela reconcilia\u00e7\u00e3o e pela paz, pelo respeito, pelo direito de cada na\u00e7\u00e3o \u00e0 exist\u00eancia e \u00e0 liberdade, \u00e0 independ\u00eancia, \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria cultura. N\u00e3o podemos permitir que a verdade seja ignorada ou manipulada para necessidades pol\u00edticas imediatas. Esse apelo \u00e9 extremamente importante agora, pois &#8211; apesar da dram\u00e1tica experi\u00eancia do passado &#8211; o mundo em que vivemos permanece exposto a novas amea\u00e7as e novas manifesta\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia. Guerras cru\u00e9is, genoc\u00eddios, persegui\u00e7\u00f5es e diferentes formas de fanatismo persistem, embora a hist\u00f3ria nos ensine que a viol\u00eancia nunca leva \u00e0 paz, mas, pelo contr\u00e1rio, gera mais viol\u00eancia e morte.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Deve lembrar-se que, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, a reconcilia\u00e7\u00e3o entre na\u00e7\u00f5es parecia humanamente imposs\u00edvel, e, ainda assim, unidos no amor de Jesus Cristo, fomos capazes de perdoar e pedir perd\u00e3o. Isso \u00e9 demonstrado pela carta de 1965 que os bispos polacos escreveram aos bispos alem\u00e3es. A experi\u00eancia passada ensina como \u00e9 importante e ben\u00e9fico construir uma Europa de na\u00e7\u00f5es reconciliadas e perdoadas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>No dia 27 de janeiro, \u00e0s 15h, ou seja, no momento em que o campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz-Birkenau foi libertado, acenderemos velas e faremos uma ora\u00e7\u00e3o pelas pessoas, de todas as nacionalidades e religi\u00f5es, mortas nos campos de exterm\u00ednio e por suas fam\u00edlias. Que as nossas ora\u00e7\u00f5es aumentem a reconcilia\u00e7\u00e3o e a fraternidade, das quais a hostilidade, os conflitos destrutivos e os mal-entendidos alimentados s\u00e3o o oposto. Que a for\u00e7a do amor de Jesus Cristo prevale\u00e7a em n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>Cardeal Angelo BAGNASCO<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><em>Presidente da CCEE<\/em><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt;\"><strong>Cardeal Jean-Claude HOLLERICH\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt;\"><em>Presidente da COMECE<\/em><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o livre\u00a0 &#8211; OCPM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O 75\u00ba anivers\u00e1rio da liberta\u00e7\u00e3o do campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz-Birkenau, no esp\u00edrito das palavras do Papa Francisco, obriga-nos a lutar expressamente contra todos os atos que violam a dignidade humana: racismo, xenofobia e anti-semitismo.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4003,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[58,57,5],"tags":[],"class_list":["post-4002","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ccee","category-comece","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4002","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4002"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4002\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4005,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4002\/revisions\/4005"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4003"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4002"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4002"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4002"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}