{"id":4049,"date":"2020-03-13T16:58:40","date_gmt":"2020-03-13T16:58:40","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/?p=4049"},"modified":"2020-03-13T16:58:40","modified_gmt":"2020-03-13T16:58:40","slug":"quarentena-forcada-quaresma-reforcada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/quarentena-forcada-quaresma-reforcada\/","title":{"rendered":"Quarentena for\u00e7ada. Quaresma refor\u00e7ada!"},"content":{"rendered":"<header id=\"main-header\" class=\"\" data-height-onload=\"91\" data-height-loaded=\"true\" data-fixed-height-onload=\"91\">\n<div class=\"container clearfix et_menu_container\"><\/div>\n<div class=\"et_search_outer\">\n<div class=\"container et_search_form_container\">\n<form class=\"et-search-form\" role=\"search\" action=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/\" method=\"get\">Mar 12, 2020 &#8211; 16:36<\/form>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div id=\"et-main-area\">\n<div id=\"main-content\">\n<div class=\"container\">\n<div id=\"content-area\" class=\"clearfix\">\n<div id=\"left-area\">\n<article id=\"post-165163\" class=\"et_pb_post post-165163 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-opiniaohome category-opiniao tag-covid-19 tag-quaresma\">\n<div class=\"entry-content\">\n<p><em>Padre Amaro Gon\u00e7alo Ferreira Lopes<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_165161\" class=\"wp-caption alignright fbx-instance\"><a class=\"fbx-link\" href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/amaro_goncalo_1500.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-165161 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/amaro_goncalo_1500-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" aria-describedby=\"caption-attachment-165161\" \/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-165161\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n<\/div>\n<p>Penso que a n\u00f3s, pastores, n\u00e3o nos basta comunicar aos fi\u00e9is algumas regras de procedimento, de tipo higi\u00e9nico-sanit\u00e1rio ou lit\u00fargico. Isso \u00e9 bem-vindo e faz falta. Mas \u00e9 preciso mais; \u00e9 preciso oferecer ao santo povo de Deus uma interpreta\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do momento cr\u00edtico que estamos a viver, uma leitura dos sinais, para realmente crescermos na f\u00e9, caminharmos na esperan\u00e7a e testemunharmos o amor. Precisamos de oferecer percursos e recursos alternativos, para que a aus\u00eancia e a dist\u00e2ncia f\u00edsica da Igreja se torne presen\u00e7a espiritual de uma comunidade que tece os seus la\u00e7os de f\u00e9 de modo mais profundo, permanecendo unida como ramos na videira. Deste modo, aproveitaremos este tempo especial da quarentena for\u00e7ada, como tempo favor\u00e1vel para uma Quaresma refor\u00e7ada e, portanto, para uma P\u00e1scoa verdadeiramente de renascimento e de vida nova. \u00a0Vai neste sentido, a Mensagem, que dirijo aos meus paroquianos, que \u00e9 fruto da minha leitura e das leituras destes dias.<\/p>\n<h3><strong>Mensagem do P\u00e1roco de Nossa Senhora da Hora<\/strong><\/h3>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s:<\/p>\n<p>A Quaresma de 2020 est\u00e1 a ser marcada excecionalmente pela pandemia do COVID-19.<\/p>\n<p>Talvez a experi\u00eancia deste\u00a0<em>mal comum<\/em>\u00a0nos revele a import\u00e2ncia do bem comum, hoje t\u00e3o esquecido e escarnecido. Desta emerg\u00eancia pode, de facto, extrair-se uma bela li\u00e7\u00e3o de solidariedade: \u201c<em>a tua vida \u00e9 tamb\u00e9m a minha vida, e eu pr\u00f3prio, com as minhas for\u00e7as, colaboro na constru\u00e7\u00e3o do bem comum<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Por isso mesmo, evitemos abrir brechas na barragem de conten\u00e7\u00e3o comum do coronav\u00edrus, com escolhas irrespons\u00e1veis, e obede\u00e7amos \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es restritivas, comportando-nos com cautela e responsabilidade, pensando cada um para si mesmo: \u201c<em>ao proteger-me, protejo os mais fracos, os mais expostos: idosos, adultos fr\u00e1geis, crian\u00e7as doentes<\/em>\u201d. As restri\u00e7\u00f5es, obriga\u00e7\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, que a Dire\u00e7\u00e3o Geral de Sa\u00fade, ou outras entidades do Estado, atentas ao bem comum, nos fazem, s\u00e3o mesmo para ser assumidas e levadas a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixemos, por\u00e9m, que a pandemia deste v\u00edrus nos arraste para as\u00a0<em>trevas do medo<\/em>, de modo que o necess\u00e1rio distanciamento f\u00edsico n\u00e3o nos afaste ainda mais dos outros, transformando o pr\u00f3ximo, o irm\u00e3o, o outro, em \u201c<em>inimigo<\/em>\u201d ou \u201c<em>concorrente<\/em>\u201d do mercado ou do super-mercado. Em vez do medo, esta pandemia desperte em todos n\u00f3s o\u00a0<em>santo temor de Deus<\/em>, isto \u00e9, o sentido da minha responsabilidade, pois tenho de responder diante de Deus pelo que fa\u00e7o da minha vida e da vida dos meus irm\u00e3os.<\/p>\n<p>\u00c9 esse o sentido de qualquer cancelamento, mesmo com sacrif\u00edcio pessoal e comunit\u00e1rio, de muitas iniciativas que fazem parte do programa habitual das nossas vidas e at\u00e9 do programa espiritual da Quaresma (cf. Ap\u00eandice com medidas).<\/p>\n<h3><strong>\u00a0I.\u00a0<\/strong><strong>N\u00e3o cancelemos a Quaresma<\/strong><\/h3>\n<p>Por nada deste mundo, esta Quaresma deve ser cancelada. N\u00e3o h\u00e1 \u201c<em>f\u00e9rias<\/em>\u201d, nem suspens\u00e3o da gra\u00e7a e do dever da nossa rela\u00e7\u00e3o fiel com Deus e com os outros. Pelo contr\u00e1rio, a Quaresma dos crist\u00e3os \u00e9 claramente refor\u00e7ada na sua necessidade e oportunidade, pelas medidas e condicionamentos desta imperativa \u201c<em>quarenta sanit\u00e1ria geral<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Come\u00e7\u00e1mos a Quaresma, na quarta-feira de Cinzas, escutando o grito de convers\u00e3o, no apelo veemente do profeta Joel: \u201c<em>ordenai um jejum, reuni o povo, proclamai uma solenidade (\u2026) \u00a0Os sacerdotes comecem a dizer: \u00abpoupai, Senhor, o vosso Povo, n\u00e3o nos entregueis ao opr\u00f3brio e ao esc\u00e1rnio das na\u00e7\u00f5es\u00bb<\/em>\u201d (<em>Jl\u00a0<\/em>2,12-18). O nosso profeta Jonas desafiou, no mesmo estilo, os habitantes de N\u00ednive, a uma quarentena, para evitar o exterm\u00ednio de toda a cidade. Pediu\u00a0<em>jejum e ora\u00e7\u00e3o<\/em>, como meios e sinais de convers\u00e3o. E at\u00e9 o Rei se associou a este apelo, revestindo-se simbolicamente de um traje grosseiro, sentando-se sobre a cinzas (cf.\u00a0<em>Jn<\/em>\u00a03,1-10).<\/p>\n<p>Creio que podemos acolher estes tempos de inseguran\u00e7a e precariedade, diante do \u201c<em>inimigo<\/em>\u201d que nos amea\u00e7a, como as\u00a0<em>verdadeiras cinzas<\/em>, que impomos sobre a nossa vida, para assumirmos finalmente os nossos limites, atravessarmos os desertos do sil\u00eancio e da sobriedade, e assim nos encontrarmos e encaminharmos juntos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 luz fulgurante da P\u00e1scoa. Se acolhermos estas cinzas feitas de limites, ren\u00fancias, medos, cansa\u00e7os, doen\u00e7a, sofrimento, morte, ent\u00e3o poderemos entrar numa consci\u00eancia maior, a de sermos envolvidos e respons\u00e1veis uns pelos outros. Esta \u00e9 a base do viver civil e do viver crist\u00e3o. Em cada um de n\u00f3s est\u00e1 o tra\u00e7o de cada pessoa; em cada vida entram, de variadas maneiras, todas as vidas humanas.<\/p>\n<p>\u00c9 este, pois, um\u00a0<em>tempo favor\u00e1vel<\/em>\u00a0(cf. 2\u00a0<em>Cor<\/em>\u00a06,2) para compreendermos como o cont\u00e1gio do v\u00edrus do pecado, isto \u00e9, do nosso ego\u00edsmo, da nossa indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos outros e da nossa dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o a Deus, n\u00e3o \u00e9 menos contagioso e perigoso, no plano mais alto da nossa vida crist\u00e3, que o COVID-19. \u00c9 agora mais f\u00e1cil perceber como cada a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o pessoais t\u00eam sempre efeitos sociais. Por isso, at\u00e9 o mais escondido pecado pessoal \u00e9 tamb\u00e9m e sempre um pecado social. Mudemos de vida. O mundo n\u00e3o muda se eu n\u00e3o mudar!<\/p>\n<p>Gostaria que viv\u00eassemos este tempo, n\u00e3o como um\u00a0<em>insuport\u00e1vel intervalo<\/em>\u00a0nas nossas vidas, mas como um\u00a0<em>tempo de gra\u00e7a<\/em>, que nos revela, com clareza, as ambiguidades, os erros e pecados da nossa vida pessoal e comunit\u00e1ria, mas que tamb\u00e9m evidencia os sinais do amor humano-divino, que \u00e9 sempre mais forte do que o pecado e a morte.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h3><strong>II. Reconhe\u00e7amos os sinais da nossa desordem<\/strong><\/h3>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o, com particular evid\u00eancia e viol\u00eancia, manifesta os sintomas profundos das suas graves anomalias. Coloc\u00e1mos de p\u00e9 um sistema social onde a \u00faltima palavra, no fim, parece ser dada ao neg\u00f3cio, e n\u00e3o ao bem comum, onde a pol\u00edtica n\u00e3o tem for\u00e7a suficiente para fazer coisas \u00f3bvias. O inesperado v\u00edrus Wuhan perturba os h\u00e1bitos de todos, do mundo rico em particular: despovoa as pra\u00e7as, deixa os avi\u00f5es no ch\u00e3o, cria novos muros, obriga a diminuir as rela\u00e7\u00f5es sociais no trabalho, na escola ou em clubes desportivos, refreia o com\u00e9rcio, aumenta o medo pessoal e coletivo, gera psicose, desencadeia a corrida para acumular alimentos, impede empresas de trabalhar a alta velocidade e provavelmente por\u00e1 em risco tanta mobilidade. E assim por diante\u2026 basta abrir qualquer site de informa\u00e7\u00f5es para inventariar os danos do pequeno v\u00edrus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>III. Captemos os sinais da gra\u00e7a de Deus<\/strong><\/h3>\n<p>Como em tudo, h\u00e1 males que v\u00eam por bem. E precisamos de aprender a ler o que Deus escreve direito, por estas linhas tortas deste nosso tempo: n\u00e3o podemos viver transformando tudo em bens econ\u00f3micos. Em momentos como estes, damo-nos conta de que o rei capitalista vai nu, e que tamb\u00e9m se vive de contempla\u00e7\u00e3o, de beleza, de rela\u00e7\u00f5es, de sapi\u00eancia. Vivemos tamb\u00e9m de vidas doadas para curar os outros, como s\u00e3o aquelas destes her\u00f3is modernos que s\u00e3o os m\u00e9dicos e os enfermeiros, que sufocam o medo para dedicar-se com abnega\u00e7\u00e3o a quem est\u00e1 fr\u00e1gil e doente.<\/p>\n<p>Eis uma s\u00e9rie de pequenas-grandes melhorias do COVID19, que vale a pena reconhecer:<\/p>\n<ol>\n<li>O desenvolvimento de pesquisas m\u00e9dicas, que envolve investigadores e todo o mundo num esfor\u00e7o coletivo louv\u00e1vel.<\/li>\n<li>A abnega\u00e7\u00e3o de muitos trabalhadores, no campo da sa\u00fade, que saudamos e agradecemos.<\/li>\n<li>A modera\u00e7\u00e3o da linguagem e a superior qualidade do discurso das figuras p\u00fablicas: pol\u00edticos, atores, pol\u00edticos, jornalistas e jogadores de futebol.<\/li>\n<li>A relativiza\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia do espet\u00e1culo desportivo, que se tornou em tantos casos uma religi\u00e3o de substitui\u00e7\u00e3o, com as suas \u00abliturgias\u00bb, os seus \u00abdeuses\u00bb, os seus \u00abpapas\u00bb e as suas \u00abcatedrais\u00bb.<\/li>\n<li>Uma desintoxica\u00e7\u00e3o do excesso da publicidade, que perde relevo e interesse, em favor da informa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>O tratamento s\u00e9rio de assuntos que realmente interessam, na comunica\u00e7\u00e3o social. N\u00e3o \u00e9 tempo de conversa fiada.<\/li>\n<li>A intriga e a bisbilhotice diminuem em benef\u00edcio do apelo e do testemunho.<\/li>\n<li>Governos e institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o finalmente a trabalhar de maneira concertada na luta contra as not\u00edcias falsas.<\/li>\n<li>Afrouxam os cord\u00f5es das bolsas de muitas institui\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e financeiras em todo o mundo, percebendo-se que a vida vale mais que o lucro.<\/li>\n<li>E, por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante, o humor est\u00e1 a crescer nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e redes sociais e, acima de tudo, na autoironia. \u00c9 um bom ant\u00eddoto contra o medo.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h3><strong>IV. Aproveitemos uma d\u00fazia de oportunidades virtuosas<\/strong><\/h3>\n<p>Sugiro aos meus paroquianos algumas oportunidades virtuosas, decorrentes da atual pandemia, para a viv\u00eancia desta Quaresma de 2020:<\/p>\n<ol>\n<li><strong><em>Exercitemos a virtude pessoal da humildade<\/em><\/strong>, reconhecendo que n\u00e3o sou omnipotente nem superior \u00e0s for\u00e7as da natureza, vencendo a presun\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o sou mais imune e mais civilizado que todos os outros. A minha exist\u00eancia n\u00e3o depende apenas de mim; n\u00e3o sou eu o dono da vida. Basta um v\u00edrus para a colocar em risco.<\/li>\n<li><strong><em>Cultivemos a humildade cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica<\/em><\/strong>, perante os seus grandes progressos, que s\u00e3o dons a cultivar e a agradecer, mas n\u00e3o s\u00e3o deuses a adorar. A sa\u00fade e o bom funcionamento, hoje, das c\u00e9lulas do meu corpo s\u00e3o um dom a redescobrir; nada \u00e9 dado como adquirido ou devido. O que nos salva, pois, n\u00e3o \u00e9 o poder econ\u00f3mico, ou o progresso da ci\u00eancia ou as maravilhas da t\u00e9cnica, mas sim o amor de uns pelos outros.<\/li>\n<li><strong><em>Ponhamos em pr\u00e1tica uma fraternidade solid\u00e1ria<\/em><\/strong>, como antiv\u00edrus contra a superficialidade, a indiferen\u00e7a, a autossufici\u00eancia e o narcisismo, que tantas vezes me fazem p\u00f4r a mim pr\u00f3prio no centro de tudo; e por isso mesmo, esquecendo que tudo \u00e9 dom. Isto implica redescobrir os outros como irm\u00e3os, conscientes de que\u00a0<em>todos dependemos de todos<\/em>. Percebemos como o curso normal da vida depende de tantas rela\u00e7\u00f5es sociais ocultas. Afinal ningu\u00e9m se basta a si pr\u00f3prio e, nesta barca, do mundo globalizado em que vivemos, ningu\u00e9m se salva sozinho. Todos somos respons\u00e1veis pela bem de todos.<\/li>\n<li><strong><em>Valorizemos a fam\u00edlia e a nossa casa como lugares mais seguros<\/em><\/strong>. O facto de se passar mais tempo \u2018em casa\u2019, neste \u201crecolher obrigat\u00f3rio\u201d n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma penit\u00eancia e pode ser uma b\u00ean\u00e7\u00e3o. Aprofundemos a qualidade do di\u00e1logo e da presen\u00e7a em fam\u00edlia. Mantenhamo-nos em contacto com os ausentes, os emigrantes, os distantes, os doentes, os idosos, em nossa casa, nos hospitais e lares. S\u00e3o estes que mais sofrem as medidas de conten\u00e7\u00e3o da propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus.<\/li>\n<li><strong><em>Redescubramos a import\u00e2ncia dos afetos, com aqueles que nos s\u00e3o mais pr\u00f3ximos<\/em>,<\/strong>\u00a0com os que partilham a mesma casa, o mesmo meio de transporte, o mesmo espa\u00e7o de trabalho. A solid\u00e3o for\u00e7ada ensina-nos o valor e o pre\u00e7o das rela\u00e7\u00f5es humanas. A imposta dist\u00e2ncia superior a um metro revela-nos a beleza e a nostalgia das dist\u00e2ncias breves.<\/li>\n<li><strong><em>Eduquemo-nos para uma certa abstin\u00eancia dos afetos, corrigindo os excessos e a banaliza\u00e7\u00e3o de alguns gestos, como os beijos e abra\u00e7os<\/em><\/strong>. Isto pode ajudar-nos a valorizar a import\u00e2ncia de uma gestualidade comunicativa aut\u00eantica, de uma comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o verbal, que tamb\u00e9m vive e convive a partir do sil\u00eancio, da discri\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 de um simples olhar atento.<\/li>\n<li><strong><em>Optemos por um estilo de vida mais s\u00f3brio, menos focado no consumo, mais centrado no essencial<\/em>.<\/strong>\u00a0Nem s\u00f3 de p\u00e3o, vive o Homem e muito menos vive da moda, dos corantes e conservantes e de produtos a\u00e7ucarados ou manipulados.<\/li>\n<li><strong><em>Libertemo-nos do desejo alienante de uma vida vivida em regime de divers\u00e3o cont\u00ednua<\/em>.<\/strong>\u00a0\u00c9 uma boa oportunidade para corrigir um certo estilo de vida pag\u00e3, que se contenta com \u201cp\u00e3o\u201d na mesa e \u201ccirco\u201d na pra\u00e7a.<\/li>\n<li><strong><em>Redescubramos a beleza e a riqueza da leitura<\/em>,<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m da B\u00edblia ou da medita\u00e7\u00e3o di\u00e1ria do Evangelho, para desenvolver a abertura do cora\u00e7\u00e3o a Deus e o encontro pessoal com Cristo.<\/li>\n<li><strong><em>Aprendamos a fazer do nosso \u201cquarto\u201d lugar e aposento de ora\u00e7\u00e3o<\/em>,<\/strong>\u00a0aproveitando esta oportunidade para rezarmos um pouco mais, e a s\u00f3s, para meditarmos, para exercitarmos a\u00a0<em>ora\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o<\/em>, para al\u00e9m da recita\u00e7\u00e3o das ora\u00e7\u00f5es feitas de cor e rezadas nas nossas Igrejas. Este \u00e9 o momento de cada um reentrar em si, de voltar \u00e0 interioridade, ao seu\u00a0<em>cora\u00e7\u00e3o,<\/em>\u00a0que se abre diante do mist\u00e9rio da vida e do mist\u00e9rio de Deus. Ao lavar as m\u00e3os, por exemplo, rezemos o Pai-Nosso, purifiquemos o nosso cora\u00e7\u00e3o, dizendo estas ou palavras semelhantes: \u201c<em>lavai-me, Senhor, de toda a iniquidade e purificai-me de todo o pecado<\/em>\u201d (<em>Sl\u00a0<\/em>50,2).<\/li>\n<li><strong><em>Fa\u00e7amos da nossa casa uma \u201ccasa de ora\u00e7\u00e3o\u201d e da nossa fam\u00edlia uma verdadeira \u201cIgreja Dom\u00e9stica\u201d<\/em>.<\/strong>\u00a0Se n\u00e3o pudermos participar na Eucaristia, para nos protegermos a n\u00f3s e aos outros do cont\u00e1gio do Maligno, podemos viver este \u201c<em>jejum<\/em>\u201d para despertar em n\u00f3s a nossa fome do P\u00e3o da Vida. Se n\u00e3o podemos adorar no Templo, aproveitemos para o fazer, a partir do mais \u00edntimo de n\u00f3s mesmos, \u201c<em>em esp\u00edrito e em verdade<\/em>\u201d (<em>Jo\u00a0<\/em>4,23). N\u00e3o deixemos passar o nosso Domingo \u201c<em>vazio de Deus<\/em>\u201d. Aben\u00e7oemos a mesa, com uma breve ora\u00e7\u00e3o. Se pudermos, ao domingo, rezemos um pouco mais em fam\u00edlia. E por que n\u00e3o sentarmo-nos todos, em fam\u00edlia, para acompanhar a transmiss\u00e3o da Missa pela TV ou pelas redes sociais?<\/li>\n<li><strong><em>Vivamos mais a gra\u00e7a do tempo presente<\/em><\/strong>, sem querer controlar absolutamente tudo; fa\u00e7amos tudo como se tudo dependesse de n\u00f3s e confiemos tudo \u00e0s m\u00e3os de Deus, como se tudo dependesse d\u2019Ele.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tenho muito claro para mim: quem n\u00e3o aproveitar esta inesperada Quaresma de 2020 certamente n\u00e3o aproveitar\u00e1 Quaresma nenhuma da sua vida. Porque esta \u00e9 mesmo Quaresma. \u00c9 uma Quaresma para todos, crentes e n\u00e3o crentes. Pelo que agora sim, \u201ctodos aqui renasce(re)mos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>V. Oremos<\/strong><\/h3>\n<p>Finalmente, proponho-vos a recita\u00e7\u00e3o di\u00e1ria desta prece, sugerida pelo Papa Francisco a Nossa Senhora, entre n\u00f3s invocada como Senhora da Hora, de todas as horas e desta hora especialmente. N\u00e3o nos cansemos de rezar.<\/p>\n<p><em>\u00d3 Maria,<\/em><br \/>\n<em>Nossa Senhora da Hora:<\/em><br \/>\n<em>Tu resplandeces sempre no nosso caminho<\/em><br \/>\n<em>como sinal de salva\u00e7\u00e3o e de esperan\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><em>Confiamo-nos a Ti, sa\u00fade dos enfermos,<\/em><br \/>\n<em>que junto da Cruz foste associada \u00e0 dor de Jesus,<\/em><br \/>\n<em>mantendo firme a tua f\u00e9.<\/em><\/p>\n<p><em>Tu, Salva\u00e7\u00e3o do Povo de Deus,<\/em><br \/>\n<em>sabes bem do que mais precisamos<\/em><br \/>\n<em>e estamos seguros de que prover\u00e1s<\/em><br \/>\n<em>para que, tal como em Can\u00e1 da Galileia,<\/em><br \/>\n<em>possa voltar a alegria e a festa<\/em><br \/>\n<em>depois deste momento de prova\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Ajuda-nos, M\u00e3e do Divino Amor,<\/em><br \/>\n<em>a conformar-nos com a vontade do Pai<\/em><br \/>\n<em>e a fazer aquilo que Jesus nos disser,<\/em><br \/>\n<em>Ele que tomou sobre si os nossos sofrimentos<\/em><br \/>\n<em>e carregou as nossas dores<\/em><br \/>\n<em>para nos conduzir, por meio da cruz,<\/em><br \/>\n<em>\u00e0 gl\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00c1men<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c0 Vossa prote\u00e7\u00e3o nos acolhemos,<\/em><br \/>\n<em>Santa M\u00e3e de Deus.<\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o desprezeis as nossas s\u00faplicas,<\/em><br \/>\n<em>n\u00f3s que estamos na prova\u00e7\u00e3o,<\/em><br \/>\n<em>e livrai-nos de todos os perigos,<\/em><br \/>\n<em>\u00f3 Virgem gloriosa e bendita!<\/em><\/p>\n<p><em>Padre Amaro Gon\u00e7alo Ferreira Lopes<\/em><br \/>\n<em>Senhora da Hora, 12 de mar\u00e7o de 2020<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mar 12, 2020 &#8211; 16:36 Padre Amaro Gon\u00e7alo Ferreira Lopes Foto Ag\u00eancia Ecclesia Penso que a n\u00f3s, pastores, n\u00e3o nos basta comunicar aos fi\u00e9is algumas regras de procedimento, de tipo higi\u00e9nico-sanit\u00e1rio ou lit\u00fargico. Isso \u00e9 bem-vindo e faz falta. 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