{"id":4240,"date":"2020-11-02T10:25:03","date_gmt":"2020-11-02T10:25:03","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/?p=4240"},"modified":"2020-11-02T10:28:12","modified_gmt":"2020-11-02T10:28:12","slug":"nice-um-quase-ultimato-as-liderancas-religiosas-e-politicas-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/nice-um-quase-ultimato-as-liderancas-religiosas-e-politicas-na-europa\/","title":{"rendered":"Nice: um quase ultimato \u00e0s lideran\u00e7as religiosas e politicas na Europa"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\">Comunicado do Observat\u00f3rio para a Liberdade Religiosa<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\">(acolhido na \u00e1rea de Ci\u00eancia das Religi\u00f5es da Universidade Lus\u00f3fona)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Nice: Um quase ultimato \u00e0s lideran\u00e7as religiosas e pol\u00edticas na Europa<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A estrat\u00e9gia do terror manifesta-se de novo e ainda na Europa. Como o Observat\u00f3rio para a Liberdade Religiosa (OLR) referiu noutras ocasi\u00f5es, &#8220;n\u00e3o importa o lugar onde o horror se ergue com aquele formato da cobardia que o torna s\u00f3 aparentemente triunfante. Ser\u00e1 sempre um lugar onde se acoitam os assassinos&#8221; (24.05.2017).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o importa se \u00e9 Nice ou qualquer outra terra sem nome.<strong>\u00a0Religi\u00f5es que fazem o Ser humano no primado da \u00e9tica, da rela\u00e7\u00e3o e da consci\u00eancia, n\u00e3o d\u00e3o a ningu\u00e9m o direito de atentar sem vislumbre m\u00ednimo de respeito pela vida humana.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cEstes que matam arriscam-se a n\u00e3o merecer outros e n\u00e3o t\u00eam o direito de reivindicar um qualquer Outro, porque, como dizem crentes da mesma religi\u00e3o que alegadamente professam, n\u00e3o h\u00e1 um Outro que os justifique. Assassinos s\u00e3o assassinos, mesmo que mudem de nome, roupa, pron\u00fancia ou arma. Agem pela instrumentaliza\u00e7\u00e3o de interesses dominados pelo \u00f3dio e pela subjuga\u00e7\u00e3o. Quem mata assim anda perdido num corredor de \u00f3dios, mas representa tamb\u00e9m um desafio de humanidade, porque ao Ser humano, sobretudo em contexto religioso, nenhuma express\u00e3o de \u00f3dio deve ficar indiferente\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na declara\u00e7\u00e3o conjunta \u201cA\u00a0FRATERNIDADE HUMANA EM PROL DA PAZ MUNDIAL E DA CONVIV\u00caNCIA COMUM\u201d (Abu Dabhi, 04.02.2019),\u00a0o Papa Francisco e o Gr\u00e3o Im\u00e3 de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, defendem que \u201co primeiro e mais importante objetivo das religi\u00f5es \u00e9 o de crer em Deus, honr\u00e1-Lo e chamar todos os homens a acreditarem\u201d, num dom \u201cque ningu\u00e9m tem o direito de tirar, amea\u00e7ar ou manipular a seu bel-prazer\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>O terrorismo que espalha o p\u00e2nico, o terror e o pessimismo \u00e9 \u201cexecr\u00e1vel\u201d, e \u201cn\u00e3o se deve \u00e0 religi\u00e3o \u2013 embora os terroristas a instrumentalizem \u2013 mas tem origem no c\u00famulo de interpreta\u00e7\u00f5es erradas dos textos religiosos, nas pol\u00edticas de fome, de pobreza, de injusti\u00e7a, de opress\u00e3o, de arrog\u00e2ncia\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O processo hist\u00f3rico n\u00e3o isenta de responsabilidades alguns pa\u00edses que hoje s\u00e3o v\u00edtimas desta inquietante express\u00e3o de viol\u00eancia.<strong>\u00a0<\/strong>\u00c9 necess\u00e1rio \u201cinterromper o apoio aos movimentos terroristas atrav\u00e9s do fornecimento de dinheiro, de armas, de planos ou justifica\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m a cobertura medi\u00e1tica, e considerar tudo isto como crimes internacionais que amea\u00e7am a seguran\u00e7a e a paz mundial. \u00c9 preciso condenar tal terrorismo em todas as suas formas e manifesta\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Citamos, na \u00edntegra, o que os l\u00edderes, crist\u00e3o e mu\u00e7ulmano, declaram com firmeza:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cAs religi\u00f5es nunca incitam \u00e0 guerra e n\u00e3o solicitam sentimentos de \u00f3dio, hostilidade, extremismo nem convidam \u00e0 viol\u00eancia ou ao derramamento de sangue. Estas calamidades s\u00e3o fruto de desvio dos ensinamentos religiosos, do uso pol\u00edtico das religi\u00f5es e tamb\u00e9m das interpreta\u00e7\u00f5es de grupos de homens de religi\u00e3o que abusaram \u2013 nalgumas fases da hist\u00f3ria \u2013 da influ\u00eancia do sentimento religioso sobre os cora\u00e7\u00f5es dos homens para os levar \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o daquilo que n\u00e3o tem nada a ver com a verdade da religi\u00e3o, para alcan\u00e7ar fins pol\u00edticos e econ\u00f3micos mundanos e m\u00edopes. Por isso, pedimos a todos que cessem de instrumentalizar as religi\u00f5es para incitar ao \u00f3dio, \u00e0 viol\u00eancia, ao extremismo e ao fanatismo cego e deixem de usar o nome de Deus para justificar atos de homic\u00eddio, de ex\u00edlio, de terrorismo e de opress\u00e3o. Pedimo-lo pela nossa f\u00e9 comum em Deus, que n\u00e3o criou os homens para assassinarem ou lutarem uns com os outros, nem para serem torturados ou humilhados na sua vida e na sua exist\u00eancia. Com efeito Deus, o Todo-Poderoso, n\u00e3o precisa de ser defendido por ningu\u00e9m e n\u00e3o quer que o Seu nome seja usado para aterrorizar as pessoas\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Papa e o im\u00e3 de Al-Azhar destacam ainda \u201ca convic\u00e7\u00e3o de que os verdadeiros ensinamentos das religi\u00f5es\u201d est\u00e3o ancorados nos \u201cvalores da paz\u201d, apoiando \u201cos valores do conhecimento m\u00fatuo, da\u00a0<em>fraternidade humana<\/em>\u00a0e da conviv\u00eancia comum\u201d, restabelecendo \u201ca sabedoria, a justi\u00e7a e a caridade\u201d e despertando \u201co sentido da religiosidade entre os jovens, para defender as novas gera\u00e7\u00f5es a partir do dom\u00ednio do pensamento materialista, do perigo das pol\u00edticas da avidez do lucro desmesurado e da indiferen\u00e7a baseadas na lei da for\u00e7a e n\u00e3o na for\u00e7a da lei\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se \u201ca liberdade \u00e9 um direito de toda a pessoa\u201d, ent\u00e3o \u201ccada um goza da liberdade de credo, de pensamento, de express\u00e3o e de a\u00e7\u00e3o\u201d, por isso \u00e9 inaceit\u00e1vel \u201cfor\u00e7ar as pessoas a aderir a uma determinada religi\u00e3o ou a uma certa cultura, bem como impor um estilo de civiliza\u00e7\u00e3o que os outros n\u00e3o aceitam\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Os investigadores do Observat\u00f3rio para a Liberdade Religiosa entendem que \u00e9 inequ\u00edvoca a urg\u00eancia de refor\u00e7ar, em particular na Europa multicultural e multireligiosa, por via das multifacetadas estruturas de cren\u00e7a e forma\u00e7\u00e3o c\u00edvica, a compreens\u00e3o da religi\u00e3o, da f\u00e9 e da espiritualidade, na rela\u00e7\u00e3o dialogante com a raz\u00e3o e a cidadania.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Epis\u00f3dios como o ocorrido em Nice representam um quase ultimato \u00e0s lideran\u00e7as pol\u00edticas e religiosas \u2013 locais, nacionais e regionais \u2013 para que, paralelamente a adequadas pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a, incentivem a educa\u00e7\u00e3o para a conviv\u00eancia e o respeito, valorizando o fen\u00f3meno religioso, as religi\u00f5es e viv\u00eancias religiosas, em pluralidade e diversidade. As escolas, como as pr\u00f3prias comunidades religiosas, podem e devem ser espa\u00e7o e ter tempo para esta pedagogia do encontro e do di\u00e1logo, na base do conhecimento m\u00fatuo.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Este \u00e9 um dos princ\u00edpios do OLR, que\u00a0nasceu por iniciativa c\u00edvica e acad\u00e9mica e tem como miss\u00e3o \u201cacompanhar e facilitar processos de di\u00e1logo cultural, especificamente o di\u00e1logo entre estruturas de cren\u00e7a, na forma de religi\u00f5es e\/ou espiritualidades, promovendo o respeito pelas diferen\u00e7as e a responsabilidade social, para uma cidadania plena e ativa, tendo como principal miss\u00e3o a observa\u00e7\u00e3o do Fen\u00f3meno Religioso, no respeito pelo princ\u00edpio das liberdades associativa, individual e de consci\u00eancia\u201d (Carta de Princ\u00edpios do OLR, 2014).<\/p>\n<ol start=\"29\">\n<li style=\"font-weight: 400;\">10.2020<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os investigadores do OLR<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Alexandre Honrado<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Joaquim Franco<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Paulo Mendes Pinto<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Rui Lomelino de Freitas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunicado do Observat\u00f3rio para a Liberdade Religiosa (acolhido na \u00e1rea de Ci\u00eancia das Religi\u00f5es da Universidade Lus\u00f3fona) \u00a0 Nice: Um quase ultimato \u00e0s lideran\u00e7as religiosas e pol\u00edticas na Europa A estrat\u00e9gia do terror manifesta-se de novo e ainda na Europa. 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