{"id":43,"date":"2002-07-11T00:00:00","date_gmt":"2002-07-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-05-22T15:42:32","modified_gmt":"2015-05-22T15:42:32","slug":"sazonais-temporarios-portugueses-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/sazonais-temporarios-portugueses-na-europa\/","title":{"rendered":"Sazonais tempor\u00e1rios portugueses na Europa"},"content":{"rendered":"<p>Sazonais tempor\u00e1rios Portugueses<br \/>\nTentativa duma avalia\u00e7\u00e3o das evolu\u00e7\u00f5es em Fran\u00e7a<br \/>\n1) Evolu\u00e7\u00e3o nestes \u00faltimos anos da imigra\u00e7\u00e3o portuguesa em Fran\u00e7a.<br \/>\n\u00b7 Perfil das pessoas : Os imigrantes sazonais de hoje, s\u00e3o de uma idade mais jovem, e do mundo rural. Para as temporadas curtas h\u00e1 tamb\u00e9m alguns estudantes. H\u00e1 sempre homens sozinhos, mas h\u00e1 cada vez mais a presen\u00e7a de casais porque, homens e mulheres podem trabalhar com igualdade de sal\u00e1rio. Encontramos tamb\u00e9m casais com filhos, nascidos em Fran\u00e7a ou em Portugal.<br \/>\nQuando v\u00eam pela primeira vez eles t\u00eam um projecto a realizar pelo qual eles querem<br \/>\nganhar dinheiro. Raros s\u00e3o os que v\u00eam sem projecto. S\u00f3 por curiosidade.<br \/>\n\u00b7 Tempo da estadia: Varia segundo o tipo de trabalho: de 1 a 10 meses. Quando o tempo do contrato \u00e9 curto eles procuram fazer v\u00e1rios contratos seguidos, com patr\u00f5es diferentes, por vezes em v\u00e1rias regi\u00f5es.<br \/>\n\u00b7 Condi\u00e7\u00f5es de trabalho: O primeiro trabalho \u00e9 quase sempre um trabalho de manobra, de colheita. Estes trabalhos s\u00e3o f\u00edsicos, cansativos e comportam duras rela\u00e7\u00f5es, com os patr\u00f5es e entre eles. Os patr\u00f5es querem o m\u00e1ximo de rendimento: &#8220;H\u00e1 patr\u00f5es que tratam-nos como c\u00e3es.&#8221;<br \/>\nDe alguns anos para c\u00e1 os hor\u00e1rios quotidianos passaram de 10 -12h \u00e0 9 -10h, isto faz com que alguns sazonais n\u00e3o venham mais.<br \/>\nSegundo o tipo de trabalho, a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 feita \u00e0 empreitada ou rendimento e mesmo por hora(o trabalho por empreitada favorece a comportamentos mais individuais e isolados.) Na maior parte do tempo os sazonais s\u00f3 defendem os seus direitos quando a situa\u00e7\u00e3o torna-se insuport\u00e1vel.<br \/>\n\u00b7 Condi\u00e7\u00f5es de vida: Sem generalizar, os alojamentos, muitas vezes s\u00e3o mal adaptados \u00e0 uma vida de fam\u00edlia. Certos s\u00e3o mesmos insalubres. Os sazonais aceitam o provis\u00f3rio que dura. A princ\u00edpio eles aceitam o alojamento que o empregador prop\u00f5e. Ele pode ser gratuito ou bastante barato, mas tamb\u00e9m indecente. Isolado no meio das estufas ele cria uma grande depend\u00eancia frente ao patr\u00e3o. Em seguida para adquirir mais independ\u00eancia os sazonais procuram um alojamento fora do lugar de trabalho.<br \/>\nOs s\u00e1bados \u00e0 tarde \u00e9 quase sempre consagrado \u00e0s compras e os domingos \u00e0 visita aos outros sazonais. As compras s\u00e3o bem estudadas para fazer o m\u00e1ximo de economia mesmo se actualmente facilita-se um pouco mais. Os contactos com a popula\u00e7\u00e3o local s\u00e3o poucos.<br \/>\n\u00b7 Como faz-se o recrutamento? As rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o a base do recrutamento. As vezes o empregador pede a um de seus oper\u00e1rios para recrutar ou ainda o trabalhador encarrega algu\u00e9m da sua fam\u00edlia ou a um conhecido de o fazer. Alguns fazem-se pagar por fazer este trabalho. Por vezes h\u00e1 muita concorr\u00eancia, inveja entre fam\u00edlias portuguesas, sem que n\u00f3s saibamos o porqu\u00ea.<br \/>\nAlguns sazonais t\u00eam tamb\u00e9m um trabalho em Portugal: eles deixam este trabalho por um per\u00edodo de 1,2,3 meses e depois voltam a retom\u00e1-lo. Constatamos a presen\u00e7a de ag\u00eancias espanholas que fornecem \u00e0s empresas sazonais provenientes da Am\u00e9rica do Sul.<br \/>\n\u00b7 Regi\u00f5es de origem: Norte e centro de Portugal, s\u00e3o muito poucos os sazonais que v\u00eam do sul do pa\u00eds<br \/>\n2) Evolu\u00e7\u00e3o do n\u00famero dos sazonais de origem portuguesa.<br \/>\nEst\u00e1vel, ainda que observa-se uma pequena baixa em certas regi\u00f5es ou em certos trabalhos, por exemplo: nos morangos na regi\u00e3o de Lot et Garonne(47).<br \/>\nAs raz\u00f5es dos sazonais n\u00e3o mais voltarem, seriam:<br \/>\n&#8211; H\u00e1 trabalho em Portugal e o n\u00edvel de vida melhorou.<br \/>\n&#8211; Menos horas de trabalho faz abaixar o sal\u00e1rio mensal.<br \/>\n&#8211; Parece que os jovens n\u00e3o aceitam t\u00e3o bem o trabalho na agricultura<br \/>\n&#8211; &#8230;<br \/>\nSazonais de outras nacionalidades est\u00e3o presentes e fazem concorr\u00eancia: Malgrebinos, pa\u00edses do leste europeu e mesmo da Am\u00e9rica do sul via ag\u00eancias espanholas.<br \/>\n3.1- Nossas procura\u00e7\u00f5es e o que nos impressiona na vida dos sazonais.<br \/>\n3.1.1- A vida de fam\u00edlia: os casais, por vezes, esperam muito tempo antes de ter o<br \/>\nprimeiro filho, alguns vivem sem os seus filhos; os contactos com a fam\u00edlia em Portugal tornam-se dif\u00edceis devido \u00e0 dist\u00e2ncia. As condi\u00e7\u00f5es de trabalho, do alojamento nem sempre favorecem o respeito da pessoa humana.<br \/>\n3.1.2- A vida, muitas vezes, est\u00e1 centralizada no ganhar dinheiro. Uma vez constru\u00edda a casa em Portugal por vezes pensa-se em comprar uma em Fran\u00e7a. \u00c9 o quanto mais se tem mais se deseja.<br \/>\n3.1.3- A fraca integra\u00e7\u00e3o social provoca um certo aborrecimento, mas tamb\u00e9m um h\u00e1bito de n\u00e3o fazer parte de um grupo social.<br \/>\n3.1.4- A aquisi\u00e7\u00e3o de uma mentalidade de passagem, voltada para um futuro idealizado.<br \/>\n3.1.5- Por vezes a viol\u00eancia faz-se presente no casal.<br \/>\n3.2- Os sazonais portugueses conseguem viver, desabrochar toda sua riqueza em Fran\u00e7a?<br \/>\n&#8211; Eles t\u00eam necessidade da conviv\u00eancia, por isso deslocam-se e rendem visitas<br \/>\nmutuamente.<br \/>\n&#8211; T\u00eam grande capacidade em adaptar-se a um novo trabalho, o que os ajuda no quadro profissional, provocando por vezes severas concorr\u00eancias com seus colegas.<br \/>\n&#8211; No trabalho s\u00e3o muito estimados devido \u00e0 seriedade com que o realizam.<br \/>\n&#8211; Segundo o seu temperamento eles mostram uma grande capacidade em adaptarem-se a novas situa\u00e7\u00f5es.<br \/>\n&#8211; Eles apreendem uma nova l\u00edngua, e conhecem um novo pa\u00eds.<br \/>\n&#8211; A conta no banco tamb\u00e9m aumenta.<br \/>\n&#8211; Manifestam uma grande solidariedade nos momentos de desgra\u00e7a, infelicidade, desastre.<br \/>\n&#8211; O isolamento provoca facilmente o fechar-se em si mesmos.<br \/>\n&#8211; O ambiente social em que vivem (Fran\u00e7a) n\u00e3o favorece uma f\u00e1cil integra\u00e7\u00e3o.<br \/>\n4- Qual a sorte dos sazonais?<br \/>\n4.1- Alguns acabam por residir em Fran\u00e7a por qu\u00ea?<br \/>\n&#8211; H\u00e1 sempre uma preocupa\u00e7\u00e3o frente ao futuro. O que vamos fazer e o que viremos a ser no dia do amanh\u00e3? Quando \u00e9 que vamos deixar de trabalhar na Fran\u00e7a?<br \/>\n&#8211; Eles acabam por residir mais facilmente em Fran\u00e7a quando o trabalho \u00e9 est\u00e1vel.<br \/>\n&#8211; Quando as crian\u00e7as come\u00e7aram ir \u00e0 escola em Fran\u00e7a, torna-se mais dif\u00edcil voltar a Portugal<br \/>\n&#8211; Quando o sal\u00e1rio for melhor, como tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es de vida.<br \/>\n&#8211; Quando o casamento se realiza em Fran\u00e7a<br \/>\n4.2- S\u00e3o eles membros activos na sociedade e na Igreja?<br \/>\n&#8211; Quando as crian\u00e7as frequentam \u00e0 escola eles seguem activamente a escolaridade.<br \/>\n&#8211; H\u00e1 muitas associa\u00e7\u00f5es portuguesas e muito activas.<br \/>\n&#8211; No trabalho assumem responsabilidades, tornam-se chefes de equipa e por vezes muito exigentes.<br \/>\n&#8211; Outros criam a sua pr\u00f3pria empresa.<br \/>\n&#8211; Na Igreja pouco a pouco assumem responsabilidades.<br \/>\n&#8211; Assumem responsabilidades se algu\u00e9m os estimulam. (integram)<br \/>\n&#8211; Os filhos frequentam o catecismo.<br \/>\n&#8211; Implicam-se muito para preparar a festa do 13 de maio. (Festa de Nossa Senhora de F\u00e1tima.)<br \/>\n&#8211; A comunidade crist\u00e3 francesa n\u00e3o ajuda, n\u00e3o se preocupa perante a presen\u00e7a dos imigrantes e a forma de express\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o viva como em Portugal.<br \/>\n&#8211; Uma grande quest\u00e3o \u00e9 posta \u00e0 Igreja em Fran\u00e7a, ela ainda n\u00e3o encontrou uma maneira de acolher e convidar os imigrantes.<br \/>\n4.3- Os residentes porque regressam a Portugal?<br \/>\n&#8211; S\u00e3o poucos os que voltam antes de ter a reforma.<br \/>\n&#8211; Regressam quando h\u00e1 grandes conflitos, grande decep\u00e7\u00e3o, algo que acontece na fam\u00edlia.<br \/>\n4.4- Por quais raz\u00f5es os sazonais deixam de vir?<br \/>\n&#8211; Quando o objectivo foi alcan\u00e7ado.<br \/>\n&#8211; Quando as crian\u00e7as alcan\u00e7am a idade escolar.<br \/>\n&#8211; Outros dizem que n\u00e3o ganham o suficiente na Fran\u00e7a.<br \/>\n&#8211; Eles voltam para criar sua pr\u00f3pria actividade em Portugal, outros para retomar o seu antigo trabalho.<br \/>\n5- Quais descobertas fazem eles na Fran\u00e7a?<br \/>\n&#8211; Conhecem um novo pa\u00eds.<br \/>\n&#8211; Encontram pessoas de outras nacionalidades<br \/>\n&#8211; Encontram-se com pessoas mu\u00e7ulmanas.<br \/>\n&#8211; O papel da mulher \u00e9 diferente.<br \/>\n&#8211; Descobrem o sentimento de ser estrangeiro<br \/>\n&#8211; Aprendem uma outra maneira de trabalhar<br \/>\n&#8211; Tomam consci\u00eancia de serem explorados<br \/>\n&#8211; Descobrem a legisla\u00e7\u00e3o e os direitos sociais;<br \/>\n&#8211; &#8220;Consegui um futuro para mim que nunca tinha imaginado.&#8221;<br \/>\n&#8211; Uma Igreja que os desencaminha e tamb\u00e9m uma outra forma de Igreja.<br \/>\n5.1- O que desejar\u00edamos, para eles em Portugal, a n\u00edvel de sociedade?<br \/>\n&#8211; Uma pergunta: Na Fran\u00e7a eles adqueriram uma &#8220;mentalidade de passagem&#8221;, de retorno ao pa\u00eds eles retomam o seu lugar na sociedade? \u00c9 poss\u00edvel faz\u00ea-lo?<br \/>\n&#8211; Que uma Europa social se concretiza pouco a pouco.<br \/>\n5.2- O que desejar\u00edamos para eles, em Portugal, da parte da Igreja?<br \/>\n&#8211; Que a Igreja possa encontr\u00e1-los para que sejam membros activos, particularmente<br \/>\nnaquilo que descobriram com a imigra\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8211; Que suas descobertas, mas tamb\u00e9m suas priva\u00e7\u00f5es sejam valorizadas.<br \/>\n&#8211; Que haja encontros com outros sazonais para que possam falar e aprofundar aquilo que viveram. Os Sazonais vivem anos com a preocupa\u00e7\u00e3o principal, de ganhar dinheiro, seria importante interrogarem-se junto a eles: O que \u00e9 a pessoa humana? Qual o sentido da nossa vida?&#8230;<br \/>\n&#8211; As comunidades crist\u00e3s, em Fran\u00e7a n\u00e3o se preocupam com os sazonais. Se a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 id\u00eantica a Portugal, devemos interrogar-nos sobre a abertura da Igreja, das nossas comunidades, sobre aqueles que passam e que partem.<br \/>\n6.- Quais descobertas n\u00f3s fizemos, ao estar pr\u00f3ximos dos sazonais portugueses?<br \/>\nTrabalhadores que n\u00e3o est\u00e3o preparados a viverem ac\u00e7\u00f5es colectivas.<br \/>\n&#8211; Pessoas muito discretas.<br \/>\n&#8211; Nossa forma de Igreja \u00e9 feita para pessoas est\u00e1veis, e n\u00e3o para pessoas que se movem.(imigrantes) E ainda mais, a passagem de Portugal, pa\u00eds crist\u00e3o, para a Fran\u00e7a pa\u00eds leigo e secularizado n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil.<br \/>\n&#8211; Esta gente vive uma grande parte da sua vida secretamente: N\u00e3o revela tudo aquilo que se pode viver de dificuldades, todas as quest\u00f5es complicadas que ocupam os esp\u00edritos. A imigra\u00e7\u00e3o deve ser um \u00eaxito.<br \/>\n&#8211; \u00c9 necess\u00e1rio muito tempo partilhado com eles para que se instalem boas rela\u00e7\u00f5es e para que cres\u00e7a a amizade.<br \/>\n&#8211; N\u00f3s temos uma dimens\u00e3o Europeia de Igreja a descobrir, a inventar&#8230;<br \/>\nParis 11\/07\/2002<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Servi\u00e7o Nacional da Pastoral dos Migrantes de Fran\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-43","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1614,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43\/revisions\/1614"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}