{"id":516,"date":"2007-02-05T13:34:15","date_gmt":"2007-02-05T13:34:15","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-15T17:31:45","modified_gmt":"2015-03-15T17:31:45","slug":"na-senda-da-mobilidade-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/na-senda-da-mobilidade-sustentavel\/","title":{"rendered":"&#8220;Na senda da Mobilidade sustent\u00e1vel&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><P align=justify><B>Conclus\u00f5es do II Encontro Internacional da Pastoral da Estrada<\/P><\/B><br \/>\n<P align=justify><B><\/P><\/B><br \/>\n<P align=justify>Publicamos o comunicado final do II Encontro Internacional da Pastoral da Estrada que ocorreu no Vaticano de 1 a 2 de dezembro e que foi distribu\u00eddo pela institui\u00e7\u00e3o organizadora, o Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes<br \/>\n<P align=justify>* * * <BR><BR>Conselho Pontif\u00edcio da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes <BR><BR>II encontro Internacional de Pastoral da Estrada <BR><BR>Cidade do Vaticano, 1 \u2013 2 de dezembro de 2006 <BR><BR><BR>\u201cNa estrada da mobilidade sustent\u00e1vel\u201d <BR><BR>documento final<\/P><br \/>\n<P align=justify><B>I. O evento<\/B> <BR><BR><BR>O II Encontro Internacional de Pastoral da Estrada realizou-se nos dias 1 e 2 de dezembro de 2006, na sede do Conselho Pontif\u00edcio da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes, no Pal\u00e1cio s\u00e3o Calixto, Cidade do Vaticano. <BR><BR>Participaram 5 bispos, v\u00e1rios diretores nacionais ou Representantes das Confer\u00eancias Episcopais, e peritos, de 21 pa\u00edses, quer dizer: Alemanha, Argentina, Austr\u00e1lia, \u00c1ustria, B\u00e9lgica, Bol\u00edvia, B\u00f3snia-Herzeg\u00f3vina, Brasil, Chile, Cro\u00e1cia, Eslov\u00eania, Espanha, Fran\u00e7a, \u00cdndia, Inglaterra, Irlanda, Pol\u00f4nia, Rep\u00fablica tcheca e rom\u00eania, e um representante do Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM). Estavam presentes tamb\u00e9m delegados da \u201cDie Akademie Bruderhilfe-familienf\u00fcrsorge\u201d e da Associa\u00e7\u00e3o Nacional italiana dos soci\u00f3logos. Foi digna de nota a presen\u00e7a de um capel\u00e3o-agente da pastoral da ferrovia na It\u00e1lia e de tr\u00eas expoentes da pastoral dos \u201chabitantes\u201d de rua (os meninos, as mulheres de rua e os sem abrigo). <BR><BR>A mensagem do Santo Padre Bento XVI enviada aos congressistas foi particularmente encorajante. expressando sincera aprecia\u00e7\u00e3o pela iniciativa \u201cvoltada para aprofundar e estimular a a\u00e7\u00e3o pastoral a favor dos que operam ou se encontram ou vivem na rua\u201d, o Papa desejou \u201cque a aten\u00e7\u00e3o eclesial seja sempre alimentada de constante amor e de prop\u00f3sitos generosos de exemplar testemunho da f\u00e9 crist\u00e3\u201d. <BR><BR>O Presidente do Conselho Pontif\u00edcio, Sua emin\u00eancia o Sr. Cardeal Renato Raffaele martino, saudou os congressistas e ressaltou o fato que para defender a vida \u00e9 necess\u00e1rio observar as regras do tr\u00e2nsito, pois a infra\u00e7\u00e3o das mesmas \u201cleva a graves perdas de vidas humanas\u201d. Todavia, dada \u00e0 presen\u00e7a de diversas categorias que pertencem a este setor, especificou que o Encontro pretende oferecer a ocasi\u00e3o para refletir sobre as \u201cnecessidades pastorais do setor, nas suas v\u00e1rias express\u00f5es,&#8230; e procurar dar-lhes respostas adequadas\u201d. Todavia ser\u00e1, de modo particular \u201ccom a troca de experi\u00eancias\u201d, que se poder\u00e1 compreender \u201cquais s\u00e3o os meios mais apropriados para assistir os viajantes, os encarregados do transporte, e os habitantes de rua\u201d. <BR><BR>O Arcebispo Agostino Marchetto, Secret\u00e1rio do dicast\u00e9rio, introduziu os trabalhos e ligou \u201co apostolado da estrada ao sinal dos tempos [que \u00e9] a mobilidade humana\u201d, a qual tem dois grandes aspectos: migra\u00e7\u00e3o e itiner\u00e2ncia. Ele elencou sucessivamente os destinat\u00e1rios desta pastoral, isto \u00e9 \u201cos motoristas e os acompanhantes, assim como os que trabalham para eles\u201d, sem esquecer, por\u00e9m, os \u201chabitantes de rua\u201d, isto \u00e9 os meninos e as mulheres e os sem abrigo. Definindo a caracter\u00edstica da pastoral da estrada e da ferrovia como \u201co olhar e a a\u00e7\u00e3o do Bom Samaritano\u201d, ela dever\u00e1 tornar-se concretamente \u201cem presen\u00e7a de acolhida e de servi\u00e7o, no amplo sentido da palavra\u201d. Enfim o Arcebispo Marchetto prop\u00f4s novamente o objetivo do encontro, aquele de \u201cre-situar, com perspectiva real, social, o nosso empenho espec\u00edfico\u201d no contexto do \u201cdever evangelizador e de promo\u00e7\u00e3o da vida humana\u201d, com \u201cproposta renovada de valores \u00e9ticos e crist\u00e3os\u201d. <BR><BR>As sess\u00f5es do primeiro dia, dedicado \u00e0 pastoral dos profissionais e usu\u00e1rios da estrada e dos trabalhadores nos servi\u00e7os a eles destinados, foram iniciadas com a interven\u00e7\u00e3o do Arcebispo em\u00e9rito de Sens-Auxerre, S.E. Dom Georges Gilson. Ele individuou entre as revolu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas do nosso tempo a inven\u00e7\u00e3o do motor de explos\u00e3o e o de rea\u00e7\u00e3o, importantes para transportar pessoas e coisas. Isto tem \u201cdecuplicado a nossa capacidade de correr, de deslocar-se, de viajar\u201d. Todavia, \u00e9 o homem patr\u00e3o do autom\u00f3vel, e n\u00e3o o motor; ele tem a autoridade de decidir autonomamente a qual velocidade andar, e, de respeitar ou n\u00e3o, o c\u00f3digo da estrada. O homem assume assim a responsabilidade para si mesmo, para a pr\u00f3pria vida e para a dos outros, e em rela\u00e7\u00e3o ao ambiente. portanto \u00e9 necess\u00e1rio educar para a mobilidade \u201csustent\u00e1vel\u201d, a fim de garantir a seguran\u00e7a nas estradas e a solidariedade social, como tamb\u00e9m de acolher o mandamento do Senhor \u201camai-vos uns aos outros como eu vos amei\u201d. <BR><BR>Sucessivamente foram apresentadas as experi\u00eancias espanhola, brasileira e alem\u00e3 em mat\u00e9ria. <BR><BR>O irm\u00e3o Juan rivera, FSC, Diretor Nacional da pastoral da estrada na Espanha, apresentou detalhadamente e com profundidade, a hist\u00f3ria, o empenho atual e os desafios de tal pastoral no seu pa\u00eds. Ela envolve, com a Confer\u00eancia episcopal, cada uma das dioceses colaborando-se frutuosamente com as institui\u00e7\u00f5es civis ligadas ao mundo dos transportes. A import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o e anima\u00e7\u00e3o desta pastoral \u00e9 cada vez mais consciente tamb\u00e9m por parte dos profissionais leigos. enfim, o Irm\u00e3o Rivera desejou o desenvolvimento desta pastoral em todas as dioceses e uma colabora\u00e7\u00e3o profunda com outras Reparti\u00e7\u00f5es da Confer\u00eancia episcopal. <BR><BR>A experi\u00eancia brasileira, apresentada pelo Rev. Pe. Marian Litewka, CM, encontra na Eucaristia o ponto de partida e o \u00e1pice da pastoral da estrada nacional, por\u00e9m a presen\u00e7a da Igreja se exprime tamb\u00e9m \u201cnas viagens (dos agentes pastorais) e durante as visitas \u00e0s estruturas de servi\u00e7o situadas ao longo da estrada\u201d. Entre os objetivos destas visitas existe a necessidade de \u201ccriar um ambiente de amizade nas estradas\u201d e de \u201cvalorizar&#8230; quem vive e trabalha no ambiente estradal\u201d, como ensina o Evangelho. Concretamente, celebra-se a Santa Missa no p\u00e1tio de um estabelecimento rodovi\u00e1rio, que os trabalhadores da estrada consideram seu \u201cpr\u00f3prio solo\u201d. Ou tamb\u00e9m se celebra dentro do caminh\u00e3o-capela, com o povo presente entorno. <BR><BR>O monsenhor Wolfgang Miehle, Diretor Nacional para as migra\u00e7\u00f5es da Confer\u00eancia episcopal alem\u00e3, fixou-se sobre a pastoral dos caminhoneiros. Por outro lado salientou a solid\u00e3o que eles sentem no decurso do trabalho, pois percorrem longas dist\u00e2ncias sozinhos, por dias e at\u00e9 mesmo por semanas. Por isso existem tamb\u00e9m dificuldades de consolidar as rela\u00e7\u00f5es sociais, no seio da pr\u00f3pria fam\u00edlia. Al\u00e9m do mais os caminhoneiros t\u00eam duras condi\u00e7\u00f5es de trabalho, ao limite da explora\u00e7\u00e3o, pelo qual podem ser considerados verdadeiramente pobres, e para eles a Igreja deve fazer uma escolha preferencial. Todavia, eles s\u00e3o sens\u00edveis ao cuidado pastoral, que deve ser caracterizado pelo ir l\u00e1 onde se encontram, nos estacionamentos e autogrill. Portanto, os pastores e agentes pastorais dever\u00e3o ser encontrados nos lugares alcan\u00e7\u00e1veis \u201cestrada fazendo\u201d. Experi\u00eancia positiva em tal contexto \u00e9 o \u201cKanal K\u201d, telefone amigo para os caminhoneiros, criado por iniciativa da Comiss\u00e3o da pastoral administrativa no sul da Alemanha, atrav\u00e9s do qual o caminhoneiro pode p\u00f4r-se em contacto com um sacerdote ou outro agente pastoral. Ainda, por exemplo, se considera uma ocasi\u00e3o particularmente oportuna a presen\u00e7a de igrejas ao longo das auto-estradas, al\u00e9m do \u201ccaminh\u00e3o eclesial\u201d no autogrill. <BR><BR>Tamb\u00e9m as ferrovias s\u00e3o estradas, por\u00e9m de ferro. Monsenhor Oliveiro Pelliccioni, Capel\u00e3o da \u201cesta\u00e7\u00e3o Termini\u201d de Roma, tra\u00e7ou para os congressistas a hist\u00f3ria da respectiva pastoral na It\u00e1lia, ilustrando os seus objetivos. Criada como pastoral empresarial, ela destina-se antes de tudo aos ferrovi\u00e1rios, para acompanh\u00e1-los na sua particular atividade operativa mais com a presen\u00e7a e a \u201ccompanhia\u201d, que com as palavras. isto \u00e9, o Capel\u00e3o, ou o agente pastoral, deve ser por si \u201cum amigo, um irm\u00e3o\u201d, em condi\u00e7\u00f5es de assimilar a sua linguagem e as suas aspira\u00e7\u00f5es, sabendo escutar com estima e confian\u00e7a, doando o pr\u00f3prio tempo, sem julgar, estabelecendo rela\u00e7\u00f5es e estando constantemente atualizado sobre os problemas de tal ambiente. \u201cNo respeitoso reconhecimento das compet\u00eancias dos leigos\u201d o Capel\u00e3o re\u00fane \u201cos fi\u00e9is mediante a Palavra e a Eucaristia\u201d. <BR><BR>No segundo dia tratou-se da pastoral para os habitantes da estrada: os meninos e as mulheres de rua, e os sem abrigo. Tr\u00eas especialistas comunicaram com vigor e inspira\u00e7\u00e3o as suas experi\u00eancias referentes ao assunto. Elas tamb\u00e9m testemunharam a solid\u00e3o daqueles que vivem na rua, diversa e talvez mais dolorosa, exprimindo alegria pelo fato de estar em contacto com as suas comunidades. <BR><BR>A Dra. Chiara Amirante, presidente da associa\u00e7\u00e3o Novos Horizontes, apresentou de modo muito tocante o trabalho pastoral que a sua associa\u00e7\u00e3o desenvolve a favor dos meninos e das mulheres de rua, n\u00e3o somente para uma ajuda assistencial, mas levando-os especialmente a responder ao amor Daquele que deu a sua vida para n\u00f3s vencendo a morte. Os mesmos podem envolver-se com a pastoral a ponto de tornar-se ap\u00f3stolos de evangeliza\u00e7\u00e3o e de esperan\u00e7a na rua. <BR><BR>Pela Comunidade de Santo eg\u00eddio falou a Dra. Francesca Zuccari, ilustrando o seu empenho a favor das pessoas sem teto e dos meninos de rua, seguindo o exemplo do Bom Samaritano. A Comunidade opera desta forma, n\u00e3o somente na It\u00e1lia e na Europa, mas tamb\u00e9m na \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina e \u00c1sia. <BR><BR>A Irm\u00e3 eugenia Bonetti, M.C., apresentou a sua decenal experi\u00eancia de pastoral a favor das mulheres e das menores v\u00edtimas do tr\u00e1fico de seres humanos e de explora\u00e7\u00e3o nas ruas, e enfatizou o empenho das congrega\u00e7\u00f5es religiosas femininas dedicadas \u00e0 esta pastoral para libertar e ajudar tais pessoas a reconstruir a sua vida. Al\u00e9m disso, desejou que tamb\u00e9m as congrega\u00e7\u00f5es masculinas se empenhem para a recupera\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas e a re-educa\u00e7\u00e3o dos \u201cconsumidores de sexo\u201d. <BR><BR>Enfim, interveio brevemente o Rev. Pe. Christopher Riley, salesiano, colocando em comum a sua rica experi\u00eancia de recupera\u00e7\u00e3o dos meninos de rua na Austr\u00e1lia, recomendando coragem e perseveran\u00e7a, sem nunca se entregar, ao cumprimento deste empenho pastoral. <BR><BR>A partilha foi continuada e aprofundada nos trabalhos de grupo, sobre os seguintes temas: \u201cEstrada e ferrovia\u201d e \u201cHabitantes de rua\u201d. <BR><BR><B>II. Conclus\u00f5es<\/B> <BR><BR>No misterioso designo da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, Deus atinge o homem na sua condi\u00e7\u00e3o de viandante, de procurador do Absoluto, autocomunicando-se por suas vias e chamando-o \u00e0 comunh\u00e3o de amor com Ele, origem e cumprimento de todo bem. Deus se revela como libertador de um povo oprimido e necessitado de liberdade e luz, de verdade, de ordem para encontrar o sentido do seu viver e a resposta ao seu errar. Isto \u00e9, encontra-se na \u00e9poca do \u00eaxodo o paradigma da condescend\u00eancia de Deus e a resposta do homem que deixa a terra do ex\u00edlio para retornar na sua p\u00e1tria, a terra prometida, ali atra\u00eddo pela revela\u00e7\u00e3o de Jahv\u00e9. <BR><BR>Desta forma est\u00e1 emblematicamente representada a exist\u00eancia do homem, colocada entre o desejo de verdadeira liberdade e a sua pr\u00f3pria incoer\u00eancia e incapacidade de alcan\u00e7\u00e1-la sozinho. Deus doa a sua Alian\u00e7a como sinal de paz e de seguran\u00e7a, de felicidade e beleza, confirmando ao homem a possibilidade de sair da escravid\u00e3o das coisas, de uma sociedade alienante, do peso da autonomia absoluta, para confiar-se cientemente na benevol\u00eancia encorajante de Deus, na novidade de ser seus \u201cfilhos\u201d. <BR><BR>A Igreja, portanto, segue o caminho do homem com interesse, com solicitude, segundo a vontade de Deus em Cristo. Onde est\u00e1 o homem, com as suas alegrias e as suas dores, ali est\u00e1 a Igreja, com a sua presen\u00e7a pastoral. A aten\u00e7\u00e3o eclesial rumo \u00e0 mobilidade n\u00e3o se exaure por\u00e9m numa presen\u00e7a gen\u00e9rica, mas se manifesta no proclamar o Evangelho, atrav\u00e9s do testemunho, da palavra, da a\u00e7\u00e3o pastoral nos lugares e ambientes onde os homens e as mulheres contempor\u00e2neas conduzem formas espec\u00edficas de vida, geradas atrav\u00e9s do compromisso de responsabilidade no trabalho ou na tentativa de sobreviver. <BR><BR>Nesta perspectiva, a \u201crua\u201d torna-se cifra da vida e define um modo de ser homem e mulher numa sociedade projetada na velocidade e na mudan\u00e7a, na competi\u00e7\u00e3o e no consumo, deixando na indiferen\u00e7a ou na deriva quem n\u00e3o corre, quem n\u00e3o compete e n\u00e3o consome, quem \u00e9 explorado ou habita na rua, por exemplo. O homem atua assim o seu ser \u201cviandante\u201d, que vem de longe e vai longe, tamb\u00e9m pelas ruas. Com os meios de transporte eles mudam de aspecto e se tornam um bem no uso de quem, viandante, arrisca de transformar-se em \u201cm\u00f3vel\u201d, em \u201cauto-m\u00f3vel\u201d, que se conduz de modo falsamente aut\u00f4nomo. <BR><BR>Neste trajeto a pessoa, que desenvolve a sua profiss\u00e3o percorrendo por longos per\u00edodos de tempo as auto-estradas (s\u00e3o os caminhoneiros, por exemplo), corre o perigo de encontrar-se particularmente em solid\u00e3o, longe da fam\u00edlia e da sua dignidade. Por isto a Igreja, educadora e m\u00e3e, nas dioceses, com as equipes diocesanas e os delegados paroquiais, junto \u00e0s v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es, aos movimentos e \u00e0s comunidades eclesiais, aplica a pastoral do encontro para tornar presente Cristo nos lugares de trabalho e divertimento, conjugando pastoral espec\u00edfica e ordin\u00e1ria, territorial, como manifesta\u00e7\u00e3o de profunda comunh\u00e3o. <BR><BR>Portanto, o Senhor Jesus acompanha o homem todos os dias de sua vida, gra\u00e7as \u00e0 Igreja presente nas comunidades, nas escolas, nos aeroportos, nas esta\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias, rodovi\u00e1rias e nas estradas, com a pastoral do encontro e da acolhida, l\u00e1 onde o homem ou a mulher vive cotidianamente, ou p\u00e1ra, a fim de retomar o trabalho e o caminho. De fato o fundamento da sua obra pastoral \u00e9 a consci\u00eancia que qualquer coisa que se fa\u00e7a aos pequenos se faz ao pr\u00f3prio Cristo. A Igreja, portanto, reconhece a dignidade e os direitos tamb\u00e9m dos \u201chabitantes\u201d de rua \u2013 quais s\u00e3o os meninos e as mulheres de rua, e os sem abrigo \u2013 porque igualmente eles s\u00e3o criados a imagem e semelhan\u00e7a de Deus. Renova-se assim a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres, a fim de que possam viver respeitados e com renovado sentido de responsabilidade. <BR><BR>Tendo, em conta pois, a religiosidade popular, \u00e0 luz de \u201cJesus viandante\u201d e da Igreja peregrina, se constata a aten\u00e7\u00e3o aos Santos ligados \u00e0 estrada e a invoca\u00e7\u00e3o ao acompanhamento e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o. As capelas e os santu\u00e1rios edificados ao longo das estradas e das auto-estradas, e as capelas m\u00f3veis nas \u00e1reas de paradas, s\u00e3o destinadas a acolher o peregrino moderno, como pontos importantes de refer\u00eancia religiosa e humana. <BR><BR>A f\u00e9, tamb\u00e9m na sua express\u00e3o da piedade popular, eleva o homem da banalidade e caducidade do cotidiano para a beleza do divino, que se manifesta nas simples e tamb\u00e9m intensas modalidades da devo\u00e7\u00e3o. Os Santos, que a venera\u00e7\u00e3o popular escolheu como amigos e irm\u00e3os pr\u00f3ximos a n\u00f3s no caminho, se colocam sobre as estradas do homem in itinere e o conduzem a bom fim, \u00e0 meta. <BR><BR>O homem \u201cm\u00f3vel\u201d que tra\u00e7a em justa autonomia um caminho de liberdade, com uma real responsabilidade para si pr\u00f3prio e para os outros, est\u00e1 atento, para evitar as provoca\u00e7\u00f5es do nosso tempo que tendem a promover uma cultura do excesso, ber\u00e7o de um ego\u00edsmo desenfreado e prejudicial. <BR><BR>Em todo caso, a pastoral da estrada resulta complexa, tamb\u00e9m pela variedade dos seus destinat\u00e1rios, e portanto \u00e9 imposs\u00edvel desenvolv\u00ea-la cada um por sua pr\u00f3pria conta. Por isso a Igreja tem outrossim um papel de \u201crede\u201d, sobretudo em defesa da vida e da dignidade humana. Ela \u00e9 comunidade que se exprime atrav\u00e9s dos carismas e minist\u00e9rios, e seus membros s\u00e3o chamados a desenvolver um trabalho pastoral para que, por meio deles, Deus possa ainda e sempre intervir na hist\u00f3ria da humanidade, em Cristo, por obra do Esp\u00edrito Santo. O Senhor da hist\u00f3ria salva na hist\u00f3ria. <BR><BR><B>III. Recomenda\u00e7\u00f5es<\/B> <BR><BR>Pelas raz\u00f5es acima expressas se recomenda, <BR><BR>* a favor dos motoristas e dos profissionais do transporte rodovi\u00e1rio e ferrovi\u00e1rio, de: <BR><BR>&#8211; aprofundar a aten\u00e7\u00e3o pastoral para a mobilidade segura, sustent\u00e1vel, que respeite a vida, o homem, a sua dignidade, os seus direitos e o seu destino; <BR><BR>&#8211; promover um conhecimento partilhado, favorecendo o di\u00e1logo entre todos os atores sociais que se ocupam de mobilidade: <BR><BR>&#8211; intensificar os contactos com os meios de comunica\u00e7\u00e3o social para convid\u00e1-los a uma an\u00e1lise mais cuidadosa das mensagens cotidianas e de torn\u00e1-los aliados numa obra de educa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m com refer\u00eancia \u00e0 estrada; <BR><BR>&#8211; tutelar o direito dos profissionais e dos trabalhadores da estrada para que tenham condi\u00e7\u00f5es seguras de trabalho; <BR><BR>&#8211; criar lugares e ocasi\u00f5es de encontro com os profissionais da estrada, porqu\u00ea estes sentem mais a solid\u00e3o e a dist\u00e2ncia da fam\u00edlia dos que viajam de carro por exig\u00eancias pessoais ou familiares; <BR><BR>&#8211; desenvolver tais encontros nos espa\u00e7os que os interessados consideram \u201cseus\u201d, como s\u00e3o os grandes lugares para as paradas, sem esquecer os autogrill; <BR><BR>&#8211; tornar os encontros momentos nos quais se vive mais intensamente e espiritualmente, com possibilidade de crescer na f\u00e9; <BR><BR>&#8211; incluir entre os trabalhadores da rodovia e da ferrovia tamb\u00e9m aqueles que s\u00e3o empregados nas estruturas que prestam servi\u00e7os de v\u00e1rios tipos aos viajantes e aos seus meios de transporte. <BR>* Tendo tamb\u00e9m presente as conclus\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es do I Congresso Internacional para a pastoral dos meninos de rua (Roma, 25-26 de outubro de 2004) e do I Encontro Internacional de pastoral para a liberta\u00e7\u00e3o das mulheres de rua (Roma, 20-21 de junho de 2005)<\/P><br \/>\n<P align=justify>(www.vatican.va\/roman_curia\/pontifical_councils\/migrants\/documents_1\/rc_pc_migrants_doc_20210605_Iinc-past-don-strada-findoc_po.html) no que diz respeito aos \u201chabitantes\u201d de rua, se recomenda de: <BR>&#8211; considerar que a situa\u00e7\u00e3o dos meninos e das mulheres de rua, e dos sem abrigo, \u00e9 de total vulnerabilidade; <BR><BR>&#8211; responder \u00e0 sua inexpressa necessidade de salva\u00e7\u00e3o e de seguran\u00e7a, indo ao seu encontro onde est\u00e3o, na rua, e n\u00e3o somente esperando-os nos centros de escuta; <BR><BR>&#8211; qualificar tais centros de modo que sejam verdadeiramente lugares de acolhida, de solidariedade e de fam\u00edlia alargada, onde se encontram respostas \u00e0s exig\u00eancias do esp\u00edrito e n\u00e3o somente \u00e0quelas materiais; <BR><BR>&#8211; ajud\u00e1-los a descobrir a sua pr\u00f3pria dignidade e a recuperar um n\u00edvel adequado de auto-estima; <BR><BR>&#8211; am\u00e1-los, respeit\u00e1-los, estar pr\u00f3ximos, a ponto de \u201ccham\u00e1-los pelo nome\u201d, de modo a restituir-lhes uma vida mais humana; desta forma, eles aprender\u00e3o por sua vez a amar-se e a ajudar os outros; <BR>&#8211; dar uma fam\u00edlia a quem n\u00e3o a tem, ou talvez n\u00e3o a teve nunca, sobretudo aos meninos de rua; <BR>&#8211; ajudar a reintegrar-se na sociedade; <BR><BR>&#8211; n\u00e3o obrig\u00e1-los a seguir programas pr\u00e9-estabelecidos, mas criar o que responda \u00e0s suas exig\u00eancias; <BR><BR>&#8211; organizar atividades para os jovens em perigo e formar associa\u00e7\u00f5es apropriadas de modo que a rua perca aquela atra\u00e7\u00e3o que, apesar de tudo, tem; <BR><BR>&#8211; trabalhar nos lugares de proveni\u00eancia dos meninos e das mulheres de rua, sobretudo para destruir as causas da sua situa\u00e7\u00e3o desgra\u00e7ada; <BR><BR>&#8211; preparar uma pastoral de presen\u00e7a, acolhida e acompanhamento, dando respostas concretas \u00e0s necessidades que se apresentam; <BR><BR>&#8211; realizar uma integra\u00e7\u00e3o entre pastoral espec\u00edfica e territorial; <BR><BR>&#8211; dialogar e colaborar \u201cem rede\u201d com outros organismos eclesiais e n\u00e3o eclesiais, governamentais e n\u00e3o governamentais, com os \u00f3rg\u00e3os do Estado (minist\u00e9rios, parlamento, pol\u00edcia, c\u00e1rceres, etc.), a fim de poder, se poss\u00edvel, mudar a realidade n\u00e3o s\u00f3 de modo tempor\u00e1rio mas definitivo; <BR><BR>&#8211; trabalhar para a instru\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o escolar e para os valores; <BR><BR>&#8211; individuar agentes pastorais aptos, e form\u00e1-los adequadamente; <BR><BR>&#8211; partilhar experi\u00eancias e conhecimentos com outros agentes pastorais; <BR><BR>&#8211; sensibilizar os bispos e as dioceses, as associa\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas e os movimentos, para este tipo de pastoral espec\u00edfica; <BR><BR>&#8211; utilizar, com a devida prud\u00eancia, as estruturas paroquiais \u2013 se dispon\u00edveis \u2013 para a assist\u00eancia material e espiritual dos meninos e das mulheres de rua e dos sem abrigo; <BR><BR>&#8211; reconhecer as diferen\u00e7as culturais, e outras, nos ambientes nos quais se opera, nas v\u00e1rias partes do mundo; <BR><BR>&#8211; sensibilizar ao fen\u00f4meno dos \u201chabitantes\u201d da rua e informar sobre a a\u00e7\u00e3o empreendida para oferecer solu\u00e7\u00f5es aos problemas que deles derivam; <BR><BR>&#8211; continuar a obra de sensibiliza\u00e7\u00e3o nos confrontos da sociedade e das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, \u00e0s quais compete fundamentalmente o dever de intervir; <BR><BR>&#8211; trabalhar para uma mudan\u00e7a de mentalidade rumo a estas novas formas de pobreza, explora\u00e7\u00e3o e escravid\u00e3o, empenhando-se para fazer descobrir o valor e a dignidade da pessoa humana, al\u00e9m das suas condi\u00e7\u00f5es objetivas ou tempor\u00e1rias de vida; <BR><BR>&#8211; tomar em considera\u00e7\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o de um adequado web-site para facilitar informa\u00e7\u00f5es e troca de experi\u00eancias neste importante campo de aten\u00e7\u00e3o humana e pastoral. <BR><BR><BR><I>[Tradu\u00e7\u00e3o distribu\u00edda pelo Conselho Pontif\u00edcio da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes] <\/I><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>II Encontro da Pastoral da Estrada<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-516","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/516","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=516"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/516\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1402,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/516\/revisions\/1402"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}