{"id":678,"date":"2005-08-09T00:00:00","date_gmt":"2005-08-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-15T17:26:31","modified_gmt":"2015-03-15T17:26:31","slug":"mensagem-d-antonio-vitalino-dantas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/mensagem-d-antonio-vitalino-dantas\/","title":{"rendered":"Mensagem  &#8211;  D. Ant\u00f3nio Vitalino Dantas"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO di\u00e1logo intercultural fecunda uma sociedade integrada\u201d<br \/>\n33\u00aa Semana de Migra\u00e7\u00f5es  &#8211;  8 a 14 Agosto 2005<br \/>\n____________________<br \/>\nN\u00f3madas da aldeia global<br \/>\n\u00c9 lugar comum dizer-se que vivemos na aldeia global, onde tudo se divulga simultaneamente, chega ao conhecimento de todos e produz reac\u00e7\u00f5es semelhantes nos habitantes do pequeno Cosmos. No entanto, os efeitos residuais em cada pessoa s\u00e3o diferentes: uns aproveitam e sentem-se bem, enquanto outros ficam inseguros, insatisfeitos; uns alegram-se com os actos de terrorismo e outros protegem-se dele; uns t\u00eam mais que suficiente para uma vida c\u00f3moda no canto da aldeia e outros passam mal no outro canto; os que t\u00eam fazem turismo no canto onde se vive mal e os outros espreitam no outro, para conseguir o mesmo bem-estar.<br \/>\nE assim andamos, de um lado para outro, nesta aldeia, sem conseguirmos que a globaliza\u00e7\u00e3o seja tamb\u00e9m para todos em todas as dimens\u00f5es: do saber, da economia, da solidariedade, da liberdade e da paz.<br \/>\nOs E\/Imigrantes s\u00e3o pessoas<br \/>\nNesta aldeia muitas vezes esquecemo-nos que os habitantes s\u00e3o pessoas e que t\u00eam uma igual dignidade fundamental. N\u00e3o pode haver uns que s\u00e3o mais pessoas que outros, embora, na pr\u00e1tica, isso aconte\u00e7a. Para enfrentar os problemas que a globaliza\u00e7\u00e3o faz surgir \u00e9 preciso partir da verdade fundamental: todos s\u00e3o pessoas e sujeitos de iguais direitos e deveres. Por isso, temos de considerar e acolher os migrantes, sejam pobres ou ricos, pessoas \u00e0 procura de trabalho ou de lazer, trabalhadores ou turistas, como nossos semelhantes e interlocutores. Entrar em di\u00e1logo com eles e dar respostas adequadas, conscientes do princ\u00edpio fundamental da cultura crist\u00e3: \u201cn\u00e3o fa\u00e7as aos outros aquilo que n\u00e3o gostarias que te fizessem a ti\u201d. Ou ent\u00e3o aqueloutra recomenda\u00e7\u00e3o do Antigo Testamento: \u201clembra-te que tamb\u00e9m tu foste estrangeiro em terras do Egipto\u201d (cf. Dt 5, 15 e 10,19).<br \/>\nAcolher o outro \u00e9 factor de enriquecimento<br \/>\nNa mensagem para o 91\u00ba Dia Mundial do Migrante e Refugiado, escrita pelo saudoso Papa Jo\u00e3o Paulo II, em 24 de Novembro de 2004, l\u00ea-se que \u201catrav\u00e9s do contacto com o outro se descobre o seu segredo e se contribui para um maior conhecimento m\u00fatuo\u201d. Pelo di\u00e1logo intercultural v\u00e3o-se esbatendo as barreiras e as agress\u00f5es e constr\u00f3i-se uma sociedade pac\u00edfica, onde as diferen\u00e7as \u00e9tnicas, lingu\u00edsticas, religiosas e culturais s\u00e3o factor de enriquecimento das pessoas e da sociedade. N\u00e3o se trata \u201cde assimilar o estrangeiro, mas de integr\u00e1-lo na nossa conviv\u00eancia\u201d, deixando de ver nele apenas um concorrente ou um factor de progresso econ\u00f3mico, para ter nele um amigo, um irm\u00e3o que caminha ao nosso lado e connosco luta por um mundo mais justo e fraterno.<br \/>\n\u00c9 preciso ultrapassar os limites da toler\u00e2ncia, que muitas vezes \u00e9 indiferen\u00e7a e se traduz em consequ\u00eancias negativas na conviv\u00eancia humana, para passar \u00e0 atitude do di\u00e1logo acolhedor do outro, \u00e0 simpatia que respeita as diferen\u00e7as e as interpela para as compreender e integrar e, em alguns casos, esbater e superar numa s\u00edntese cultural de outra dimens\u00e3o, que pode ser o princ\u00edpio de uma nova cultura. N\u00e3o devemos considerar as culturas como bens est\u00e1ticos e imut\u00e1veis, mas como caminhos fecundantes da evolu\u00e7\u00e3o social.<br \/>\nDa sociedade multicultural desenraizada \u00e0 cidade integrada e pac\u00edfica<br \/>\nSem cair num sincretismo cultural ou religioso, os di\u00e1logos intercultural, ecum\u00e9nico e interreligioso ajudar\u00e3o a construir uma nova sociedade, uma nova civiliza\u00e7\u00e3o, baseada no amor e no respeito da pessoa humana. \u00c9 para esta atitude que apela a mensagem papal. Ela ser\u00e1 aurora duma sociedade aberta e solid\u00e1ria, universalista, global em todos os sentidos, conforme a vis\u00e3o do profeta Isa\u00edas, que no ex\u00edlio antevia um povo formado de todos os povos e de todas as l\u00ednguas, reunido em volta de um \u00fanico Deus e Senhor (Is 66).<br \/>\nSe enveredarmos por este caminho, temos futuro. Mas resta-nos um longo caminho a percorrer. Como crist\u00e3os somos fermento dessa nova sociedade, testemunhas da esperan\u00e7a, peregrinos do Reino de Deus, sentinelas duma nova aurora.<br \/>\nBeja, 22 de Julho de 2005<br \/>\n\u2020 Ant\u00f3nio Vitalino, Bispo de Beja<br \/>\nPresidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O di\u00e1logo intercultural fecunda uma sociedade integrada<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-678","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/678","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=678"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/678\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1300,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/678\/revisions\/1300"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=678"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=678"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=678"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}