{"id":76,"date":"2000-04-01T00:00:00","date_gmt":"2000-04-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-05-22T14:45:19","modified_gmt":"2015-05-22T14:45:19","slug":"e-o-tempo-foi-chamado-a-santidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/e-o-tempo-foi-chamado-a-santidade\/","title":{"rendered":"E o Tempo foi chamado \u00e0 Santidade"},"content":{"rendered":"<p>A liturgia da Igreja, desde os tempos mais remotos, sempre treinou incansavelmente os seus fi\u00e9is para a \u201csantifica\u00e7\u00e3o\u201d do amanhecer, do acontecer, do anoitecer, do adormecer, do morrer e do viver.<br \/>\nChega at\u00e9 a chamar-lhe a \u201cLiturgia das Horas\u201d. Liturgia esta que \u00e9 proposta de modo particular a todos aqueles que se consagram ao servi\u00e7o do Reino nos muitos minist\u00e9rios que co-existem na Igreja.<br \/>\nFazer de cada hora, de cada esta\u00e7\u00e3o do ano, de cada mudan\u00e7a louvor, adora\u00e7\u00e3o e s\u00faplica inquieta ao Deus Criador, ao Sol que p\u00f5e a n\u00fa as trevas da noite, \u00e9 continuar a tradi\u00e7\u00e3o dos salmistas da B\u00edblia. \u00c9 continuar o caminho de tantos peregrinos da ora\u00e7\u00e3o, do trabalho e da caridade. Horas de alegria e de tristeza, horas de luta e de resigna\u00e7\u00e3o, horas de luz e de obscuridade&#8230;<br \/>\nNa B\u00edblia o tempo hist\u00f3rico constr\u00f3i-se como catedral do Deus da tenda e do ex\u00edlio doloroso do seu povo. A cronologia torna-se tribula\u00e7\u00e3o e luta! A ilac\u00e7\u00e3o que colhemos \u00e9 que Deus prefere o tempo ao espa\u00e7o como lugar da sua teofania!<br \/>\nNeste m\u00eas de Dezembro anda tudo e todos numa grande az\u00e1fama. O \u201cbug 2000\u201d tornou-se a grande aventura e o grande neg\u00f3cio. O fim do mundo \u00e9 identificado com o fim do mil\u00e9nio. Os astros entraram em rota de colis\u00e3o e, se calhar, \u00e9 desta vez que vai acontecer a chuva de estrelas, desde h\u00e1 muito prometida. A campanha medi\u00e1tica recorda-nos com insist\u00eancia de que aqueles minutos podem tornar-se fatais. Na verdade, pode ser um fado dif\u00edcil de cantar&#8230;<br \/>\nE eu interrogo-me: mas afinal chegou ou n\u00e3o a hora do novo mil\u00e9nio? Atravessamos ou n\u00e3o a fronteira do tempo? Ano 2000, princ\u00edpio do fim ou fim do princ\u00edpio?<br \/>\nDizem, sobretudo, algumas ag\u00eancias tur\u00edsticas, que a \u201cpassagem\u201d est\u00e1 a\u00ed e trar\u00e1 algo de excitante, de c\u00f3smico, de m\u00e1gico, de divino e que, por isso, quanto mais ex\u00f3tico e fren\u00e9tico f\u00f4r o lugar escolhido, mais o mil\u00e9nio marcar\u00e1 a nossa vida.<br \/>\nOutros, mais entendidos, dizem que n\u00e3o haver\u00e1 nenhuma passagem pois j\u00e1 ultrapassamos o limiar do novo mil\u00e9nio, e a emo\u00e7\u00e3o ficou an\u00f3nima. Poucos se aperceberam do primeiro minuto do mil\u00e9nio.<br \/>\nEnfim, para quem (eu e tu!) faz do tempo uma ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao Deus que Se incarnou no tempo e do tempo ressuscitou, todo o dia, ano, s\u00e9culo, mil\u00e9nio \u00e9 \u201csinal\u201d e \u201clugar\u201d do encontro com Ele. Para n\u00f3s, crist\u00e3os, todos os adventos levam \u00e0 pobreza e \u00e0 simplicidade do mist\u00e9rio do Deus feito homem acontecido em Bel\u00e9m! Todos os \u00eaxodos, por mais tr\u00e1gicos que sejam, conduzem \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o pascal do morto que ressuscita! Para n\u00f3s, crist\u00e3os que nos inspiramos \u00e0 din\u00e2mica da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, todos os minutos de ver, julgar e agir, quer a n\u00edvel pessoal quer em grupo, \u00e0 luz do Evangelho preparam na hist\u00f3ria dos homens, aquela \u201chora\u201d em que Jesus vir\u00e1 na sua gl\u00f3ria para julgar com o Amor do Pai toda a cria\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDe facto, a sucess\u00e3o do tempo e da hist\u00f3ria \u00e9 mais uma Sua criatura porque nela Ele guia, ama, liberta e abra\u00e7a o seu povo.<br \/>\nNa f\u00e9 recordar \u00e9 comemorar e comemorar \u00e9 reviver. A mem\u00f3ria \u00e9 actualiza\u00e7\u00e3o da viv\u00eancia onde a realidade comunga da utopia e o passado se enxerta no futuro. Somos o povo de Deus que anseia pela justi\u00e7a social, pela paz, pela igualdade de oportunidades entre todos os povos e pessoas, por um mundo reconciliado, por uma economia de comunh\u00e3o. Ser povo \u00e9 sofrer com quem sofre, \u00e9 alegrar-se com quem est\u00e1 alegre, \u00e9 perder-se com quem est\u00e1 perdido. Ser\u00e1 como consci\u00eancia de um Povo peregrino e Povo liberto que ter\u00e1 sentido a celebra\u00e7\u00e3o do Grande Jubileu que a Igreja muito timidamente tem vindo a preparar desde h\u00e1 tr\u00eas anos.<br \/>\nGrande Jubileu da Incarna\u00e7\u00e3o 2000, sim!, mas para sair dos adros das igrejas; para transpor as portas santas de dentro para fora proclamando Jesus Cristo; para cansar os p\u00e9s em romarias aos \u201csantu\u00e1rios\u201d onde hoje os homens sofrem a viola\u00e7\u00e3o dos seus direitos; para sermos indulgentes uns com os outros na comunidade; para purificarmos a mem\u00f3ria pedindo perd\u00e3o ao Mundo; para exaltarmos a mem\u00f3ria de todos aqueles que fizeram do baptismo um estilo de vida liberta e libertadora para os seus irm\u00e3os no sil\u00eancio de um lar, de uma f\u00e1brica, de uma par\u00f3quia, de um leito.<br \/>\nGrande Jubileu 2000, sim! para continuarmos em Igreja a praticar a miseric\u00f3rdia, o ecumenismo e a reconcilia\u00e7\u00e3o, como nos continua a repetir o Santo Padre, da maneira a apressarmos a vinda do Reino messi\u00e2nico na vida do dia-a-dia e nas estruturas socio-pol\u00edticas do nosso mundo.<br \/>\nRui Pedro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Medita\u00e7\u00e3o: &#8220;Recordar o tempo do Jubileu 2000&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-76","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1601,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76\/revisions\/1601"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/ocpm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}