EDITORIAL - CARAVANA 64

EDITORIAL

 

Com a crise económica que o mundo atravessa, sentida mais profundamente no velho Continente, sente-se que estamos a viver ‘uma crise dos direitos humanos’ em toda a Europa, na qual se salienta um aumento de práticas de descriminação e anti-ciganismo que exigem uma intervenção estratégica urgente, por parte das entidades detentoras do destino das sociedades.

Em Portugal, desde sempre, a população cigana tem vivido uma realidade de rejeição, alimentada pela falta de conhecimento da sua cultura, e modo de vida. Apesar de usufruir de cidadania no País, a maioria dos ciganos são considerados cidadãos de ‘segunda classe’, gerando-se, de ambas as partes, desconfianças que levam à criação de barreiras que parecem intransponíveis.

Todo o trabalho, reflexão, encontros e outras iniciativas, promovidos pela sociedade e pela Igreja têm tido como centro de reflexão a realidade de marginalização e exclusão dos ciganos e têm sido um meio de sensibilização, alerta e de definição de estratégias que ajudem a ultrapassar as barreiras, sendo disto exemplo o recente encontro Europeu do Comité Católico Internacional para os ciganos, que se realizou em Fátima no final do passado mês de março.

É neste contexto do mundo presente, gerador de marginalidade e exclusão, onde os direitos humanos são cada vez menos respeitados, que lançamos o repto a todos os cidadãos portugueses, particularmente aos cristãos e aos ciganos, para darem as mãos a fim de poderem dar um passo significativo que leve à saída da relação de suspeita e desconfiança entre ciganos e não-ciganos e permita passar a uma relação de verdadeira confiança. De facto, a superação das situações de desconfiança e discriminação só acontecerá através de gestos concretos de solidariedade, caridade e amor cristãos, que têm que ter por base o respeito mútuo.