Editorial

EDITORIAL CARAVANA

 

Na actualidade, com a crise económica que grassa no mundo, e que afecta particularmente a Europa, onde o número de pobres cresce de forma assustadora, são muitos os analistas, economistas, políticos…, que propõem receitas e mais receitas para ultrapassar a crise, as quais, no fundo, têm vindo a agravar, ainda mais, as situações de pobreza e de marginalização de grandes faixas das populações dos países envolvidos.

As receitas apresentadas para a solução da crise passam sempre pelos grandes interesses económicos daqueles que estão a esgotar o planeta dos seus recursos naturais e a contribuir para o empobrecimento dos países e dos povos. É impressionante a falta de ética e de moralidade de quem guia os destinos da economia global e das políticas económicas nacionais.

 

A solução desta e de todas as crises só acontecerá quando os interesses económicos forem substituídos pelo respeito pelo ser humano. Quando a preocupação não for engordar os cofres daqueles que se apropriaram dos bens da terra, que foram criados por Deus para todos, mas em promover o bem de todos e de cada ser humano, respeitando a sua dignidade e os seus direitos fundamentais, promovendo os meios que permitam à pessoa aceder aos bens necessários para construir uma vida digna e feliz.

Chegou o tempo de exigir aos que nos governam que nunca mais avaliem a qualidade da vida das sociedades e dos povos pelos “níveis de consumo de bens materiais supérfluos” que são fruto da exploração da “mãe terra” e de tantos pobres do mundo; que as sociedades e a vida dos povos sejam avaliadas pelos valores humanos, culturais, pela forma como se vive a dignidade e o respeito pela diferença étnica e cultural; a forma como se integra nas sociedades os pobres e marginalizados, devolvendo-lhes a dignidade humana a que têm direito.

Chegou a hora dos pobres e marginalizados erguerem o seu clamor, exigindo justiça, exigindo, mesmo os não crentes, a construção de sociedades baseadas no modelo do reino da paz e da justiça anunciado por Jesus, que é o único modelo social que verdadeiramente promove a igualdade e dignidade de todo o ser humano, por ser fundado na certeza de fé de que todos os homens são irmãos, por serem todos filhos de Deus.

P. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M.