O Jornal da Nossa Terra (15 mar)

O Jornal da Nossa Terra (15 mar)

A edição deste Jornal é inteiramente dedicada aos ciganos de Moura. No presente nº da Caravana vamos apresentar alguns excertos desta edição, continuando-os nos próximos números.

O Jornal da Nossa Terra (nº 7) (JNT) deu a conhecer os resultados do inquérito à comunidade cigana do Concelho de Moura, o qual foi realizado no final de 2020.

 

Começando por dedicar a introdução aos “Ciganos em Viajem”, o JNT cita Beaudelaire e Manuel Alegre e diz que “ao longo de quase 100 páginas, traçamos a complexa realidade de uma das comunidades ciganas mais rurais e isoladas do país, afetada por situações de pobreza e exclusão social preocupantes. A partir da apresentação dos resultados do inquérito às famílias ciganas do concelho de Moura, no âmbito do projeto Mediadores municipais e interculturais de Moura (CMMoura/ADCMoura/ACM), são diagnosticados os problemas e identificados os avanços conseguidos e as áreas que requerem um maior investimento em política pública passível de desencadear processos de mudança.” E o JNT conclui: “em suma, uma edição do JNT que ambiciona (dar a) conhecer o Outro para melhor compreendê-lo e, com isso, mudar mentalidades.”

 

Segundo o Relatório sobre Racismo, Xenofobia e Discriminação Étnico-Racial em Portugal, de 2019, «...estima-se (porque não há dados oficiais) que (Moura) é o concelho do país com maior percentagem de população das comunidades ciganas em relação à população cigana». Os ciganos de Moura continuam particularmente vulneráveis à pobreza e à exclusão. Sem dúvida que há um longo caminho a percorrer no que se refere, por um lado, a efetivação da igualdade de oportunidades e, por outro, ao aproveitamento pleno das vantagens inerentes a essas mesmas oportunidades pela comunidade cigana de Moura, rumo ao seu empoderamento e à concretização de projetos de vida que interrompam ciclos de pobreza tidos como incontornáveis. As novas gerações começam a estar despertas para esta realidade, e mais preparadas que as anteriores para os desafios dos novos tempos.

De entre os desafios, o da aposta na escolarização e formação, com modelos e práticas que incorporem devidamente a diversidade cultural, é certamente o mais crítico e decisivo neste processo de mudança. A continuidade e o sucesso dos percursos escolares e formativos dos ciganos, no quadro de uma participação multicultural, traduzem-se, não apenas, em mais possibilidades de acesso ao mercado de trabalho, associado a perspetivas de vida condignas e de bem-estar, mas também em empoderamento e exercício da cidadania, indispensável para a reivindicação de direitos sociais e para o (re)conhecimento e afirmação da cultura cigana pelos próprios.

(Continua no próximo número