Ecclesia (13 jan)

Ecclesia (13 jan)

Portugal: Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos alerta para «abismo» dos «sem-abrigo»

Francisco Monteiro denuncia problema do acesso à habitação nesta comunidade

A Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC), organismo da Conferência Episcopal Portuguesa, alertou para o “abismo” que está na “miséria absoluta” dos sem-abrigo desta comunidade, exemplificando com “nómadas compulsivos”  em Évora a quem é negado o acesso à habitação.

“Apesar de terem todos os seus laços sociais institucionais – escolas, saúde, segurança social – em Évora, donde são naturais, é-lhes negado por este município o direito e inscrever-se na lista de futuros potenciais candidatos a uma habitação condigna, porque ‘não são de cá’” afirma Francisco Monteiro (FM), diretor-executivo da ONPC, no editorial do jornal ‘A CARAVANA’.

 

FM alerta para que os “ciganos nómadas compulsivos” nos arredores de Évora “são periódica e sistematicamente escorraçados de município em município”, como se não tivessem direito a viver, “a ser portugueses, a ter direitos sequer”.

 

“O abismo está na miséria absoluta destes sem abrigo, não por pobreza apenas, mas por uma intencional exclusão étnica”, refere FM que considera que se fossem imigrantes, refugiados, o enquadramento, as simpatias, os apoios oficiais, políticos e, “sobretudo, factuais seriam completamente outros, e ainda bem”.

O abismo é o “menosprezo” de mais de uma centena de portugueses, a lentidão, as hesitações, as elucubrações políticas, técnicas, legislativas, estratégicas ou de imagem cujos resultados são “a continuação por décadas do sofrimento, da miséria, da injustiça, da exclusão”.

No âmbito do movimento de realojamento de milhares de pessoas em Portugal pondo fim às barracas*, FM recorda que também uma Câmara Municipal “decidiu realojar os ciganos” na mesma cidade e a isso chama-se “decisão, consciência social”, e questiona para quando essa forma de “governar a nível nacional, regional e local”.

* São mencionados um Governo e a Câmara de um Conselho no que se refere à substituição de barracas por realojamento (NR).