EDITORIAL

É difícil encontrar um exemplo de preconceito mais profundamente enraizado na sociedade europeia do que o que existe contra as populações ciganas e que continua tão presente em muitos dos nossos concidadãos em toda a Europa e também em Portugal. EDITORIAL É difícil encontrar um exemplo de preconceito mais profundamente enraizado na sociedade europeia do que o que existe contra as populações ciganas e que continua tão presente em muitos dos nossos concidadãos em toda a Europa e também em Portugal. Os cristãos têm, por coerência com a sua fé, o dever de proteger a população cigana do racismo sistemático, regular e repetitivo de que esta continua a ser vítima. É necessário acabar com todas as injustiças e sofrimentos que se foram acumulando, não só ao longo dos últimos anos, mas ao longo de muitas gerações. Oficialmente os ciganos são considerados cidadãos iguais aos outros, mas, na prática, se fizermos uma análise à realidade, vemos que estes não gozam dos mesmos direitos fundamentais que são reconhecidos aos outros cidadãos. Continuam a existir grandes preconceitos e discriminações em questões como a educação, emprego, habitação, saúde, e mesmo a nível político é praticamente inexistente uma representação cigana. Esta realidade leva a que muitos continuem a viver em grande indigência e a ter pouca possibilidade de chegar a uma vida melhor, a uma real integração social. Na verdade, a exclusão provoca um tipo de isolamento que favorece o anticiganismo e o xenofobismo, tão presentes nas sociedades do nosso tempo. Seria belo poder afirmar que, com o passar do tempo, a vida dos ciganos tem encontrado um maior espaço de dignidade dentro da sociedade e das comunidades cristãs, porém, não é assim, cada vez mais assistimos ao desprezo e à rejeição desta minoria, com uma justificação que, ao mesmo tempo que comprova a injustiça e o sofrimento da comunidade cigana, manifesta a falta de valores e de ética em que a sociedade maioritária está assente. As condições de injustiça e de fragilidade em que se encontram os ciganos deveriam ser uma forte interpelação para a Igreja, que é chamada a intervir como sinal de solidariedade, respeito e amor pelos mais fracos, consciente de que é na fraqueza humana que se manifesta a força e a graça de Deus (cf. 2Cor 12, 9). Em contexto de celebração pascal, celebração da esperança trazida por Jesus aos mais frágeis, apesar do negativo da situação de vida dos ciganos, há que continuar a acreditar na possibilidade de construção dum mundo mais justo e mais fraterno, onde todos vejam a sua dignidade verdadeiramente respeitada, onde se realiza o “Reino” do amor, da justiça e da paz, anunciado por Jesus. P. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M. Ùltima hora: na reunião do CCIT realizado de 8 a 10 de Abril, foi deliberado que a reunião do CCIT de 2012 será em Março, em Fátima.