EDITORIAL

Ao longo dos últimos anos temos ouvido falar tanto de ciganos e de estratégias de política social adoptadas, assim como dos milhões de euros gastos em projectos, a nível europeu e nacional, que nos leva a pensar sobre o porquê se ter caminhado tão pouco na inclusão real desta etnia na Europa e, mais concretamente, em Portugal. A União Europeia, mais uma vez, está a lançar um plano de estratégias para a inclusão dos ciganos até 2020. EDITORIAL Ao longo dos últimos anos temos ouvido falar tanto de ciganos e de estratégias de política social adoptadas, assim como dos milhões de euros gastos em projectos, a nível europeu e nacional, que nos leva a pensar sobre o porquê se ter caminhado tão pouco na inclusão real desta etnia na Europa e, mais concretamente, em Portugal. A União Europeia, mais uma vez, está a lançar um plano de estratégias para a inclusão dos ciganos até 2020. Será agora que vamos assistir a uma estratégia que inclua verdadeiramente os ciganos? Ou será que, mais uma vez, vamos assistir a um gastar das verbas em reuniões e estudos que, quando terminam, já esgotaram os meios disponíveis para os pôr em acto? O sistema sócio/político e económico da sociedade europeia quer moldar todos, adaptando-os ao estilo da sociedade maioritária, mesmo com o risco de anular a identidade, cultura e forma de vida de alguns povos. As minorias, que têm uma identidade étnica e cultural forte profundamente enraizada nas suas tradições ancestrais, não se deixam moldar facilmente e, por isso, no geral, ficam excluídas dentro da sociedade. No caso dos ciganos não é possível uma inclusão que anule a sua identidade e forma de vida, pois seria um verdadeiro atentado aos direitos humanos e um empobrecimento do universo humano e cultural da própria Europa. O sucesso das estratégias a serem definidas tem de contar com os ciganos como principais actores da sua inclusão, caso contrário corre o risco do insucesso de tantas iniciativas e estratégias promovidas ao longo dos anos. A pertença e a construção duma sociedade europeia, que se quer mais justa e fraterna, tem de ser um empenho de todos, independentemente da sua origem étnica, cultural ou religiosa: o importante é que esta seja construída com base no respeito pela dignidade e identidade cultural da pessoa, e seja centrada na igualdade de direitos de todos os cidadãos, a fim de ninguém se sentir excluído ou marginalizado, mas acolhido e amado, à imagem do amor e acolhimento de Deus que, como diz S. Paulo “não faz acepção de Pessoas” (Rm 2, 11). P. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M.