Editorial

CARAVANA 105 - EDITORIAL

CARAVANA 105 - EDITORIAL

O SOS que abre este número da Caravana, dispensa quaisquer outras palavras; apenas nos convida ao silêncio e, certamente, que nos causa uma profunda lágrima de compaixão, daquela compaixão de que Jesus tantas vezes deu exemplo, para não dizer que moldou toda a sua vida até sofrer e morrer por nós e que tão insistentemente nos convidou a exercitar. A parábola do Samaritano que o Papa Francisco tão profundamente desenvolve na encíclica Fratelli Tutti, chamando-nos insistentemente a atenção para as atitudes de “passar ao lado” vs. “encher-se de compaixão”, aplica-se inteiramente a esta chaga do nosso Alentejo, que o é igualmente do nosso Portugal supostamente democrático, social e inclusivo; só supostamente: na prática veja-se o que passa, ano após anos, década após década, com estas dezenas de ciganos ignorados, excluídos, emaranhados num misto de teorias burocráticas e de desprezo factual, de supostas boas vontades inibidas quando se trata de tomar decisões que de facto resolvam os problemas das pessoas.

 

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CARAVANA 104 - EDITORIAL

CARAVANA 104 - EDITORIAL

Lições, reconhecimento

Muitas vezes estas linhas são dedicadas a tantas injustiças que tão frequentemente são cometidas contra as pessoas e as populações ciganas. Hoje queríamos levantar esta voz para condenar os crimes hediondos que foram cometidos em janeiro contra profissionais de saúde no Hospital de Famalicão e particularmente para exortar as Associações de ciganos a atuar e a levantar a voz para que lamentáveis situações como estas não só não se repitam, como não seja possível que o enquadramento em que ocorreram possa voltar a provocá-las. Infelizmente só existe atualmente em Portugal um mediador hospitalar cigano, no Hospital de D. Estefânia em Lisboa.

 

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CARAVANA 103 – EDITORIAL

CARAVANA 103 – EDITORIAL

O ABISMO

Este número da Caravana refere as excelentes iniciativas da UE, através da sua Agência para os Direitos Fundamentais (FRA), no âmbito da participação das organizações da sociedade civil (OSC), com relevo  para as OSC ciganas, no novo Enquadramento da UE para a  Igualdade, Inclusão e Participação dos Ciganos 2021-2030 e sobretudo para o impulso que está a dar ao incremento do cumprimento dos direitos humanos a nível regional e local através da notável iniciativa das Cidades dos Direitos Humanos em cujo Relatório, lamentavelmente, apenas uma cidade portuguesa é nomeada: Braga. Neste número são ainda relatadas iniciativas a que o Papa Francisco, graças ao Espírito Santo que o inspira, exemplarmente já nos habituou, e ainda os excelentes exemplos da Câmara Municipal de Mourão e os casos de sucesso de um cigano e de uma cigana e da Associação TECHARI.

Então porquê o título dramático deste editorial? Repare-se na fotografia que é realçada nesta primeira página: uma barraca de ciganos nómadas compulsivos nos arredores de Évora, que apesar de terem todos os seus laços sociais institucionais – escolas, saúde, segurança social – em  Évora donde são naturais, é-lhes negado por este município o direito e inscrever-se na lista de futuros, potenciais candidatos a uma habitação condigna, porque “não são de cá”, e são periódica e sistematicamente escorraçados de município em município, como se não tivessem direito a viver, a ser portugueses, a ter direitos sequer. A culpa é sempre dos outros, nossa é que não é; não cumprem os requisitos feitos, não queremos julgar intenções, mas apetece pensar, precisamente para os excluir.

 

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CARAVANA 102 – EDITORIAL

CARAVANA 102 – EDITORIAL

Este número da Caravana está focado na ousadia do Papa Francisco, na sua parrésia, termo que ele tanto gosta de utilizar. Num bairro da Eslováquia onde, com assinaláveis exceções, ninguém queria entrar, o Papa Francisco foi visitar ciganos ignorados pela sociedade. E depois da visita falou com entusiasmo de como foi ao encontro dos ciganos, de como falou com eles e os ouviu. O Papa Francisco foi assim dar exemplo urbi et orbi, do que é ser cristão: inclusivo e não exclusivo; de que não  se pode proclamar como cristão e católico quem opta, tantas vezes publicamente, por discursos de ódio e de discriminação e ou com o seu voto, ou com as suas atitudes, ou com as suas teorias, por excluir alguém, ou ignorar alguém, ou categorizar alguém que já está nas margens da sociedade, como a excluir da sociedade, a não ser ajudado, a não ser apoiado nos seus esforços pela dignidade à qual, como o cristianismo ensina, todos sem exceção têm direito.

 

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CARAVANA 101 – EDITORIAL

CARAVANA 101 – EDITORIAL

Como este número da Caravana reflete, tantas forças se têm reunido para defender os direitos das pessoas e das comunidades ciganas, quer ao nível interno, quer ao da União Europeia, que alguns resultados hão de surgir para repor a justiça e para incrementar a fraternidade entre as várias populações culturais no nosso país, entre as quais se destacam, pelas amargas consequências da discriminação e da exclusão, as populações de cultura cigana.  Entre as realizações referidas neste número, destaca-se a iniciativa da Associação Habita, de elaborar uma “Carta aberta sobre a habitação das pessoas ciganas”, com data de 25 de abril, na qual colaborou um número inédito de associações e de pessoas ciganas, o que revela a potencialidade de mobilização dos próprios representantes das comunidades ciganas.

 

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