Editorial

CARAVANA 102 – EDITORIAL

CARAVANA 102 – EDITORIAL

Este número da Caravana está focado na ousadia do Papa Francisco, na sua parrésia, termo que ele tanto gosta de utilizar. Num bairro da Eslováquia onde, com assinaláveis exceções, ninguém queria entrar, o Papa Francisco foi visitar ciganos ignorados pela sociedade. E depois da visita falou com entusiasmo de como foi ao encontro dos ciganos, de como falou com eles e os ouviu. O Papa Francisco foi assim dar exemplo urbi et orbi, do que é ser cristão: inclusivo e não exclusivo; de que não  se pode proclamar como cristão e católico quem opta, tantas vezes publicamente, por discursos de ódio e de discriminação e ou com o seu voto, ou com as suas atitudes, ou com as suas teorias, por excluir alguém, ou ignorar alguém, ou categorizar alguém que já está nas margens da sociedade, como a excluir da sociedade, a não ser ajudado, a não ser apoiado nos seus esforços pela dignidade à qual, como o cristianismo ensina, todos sem exceção têm direito.

 

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CARAVANA 101 – EDITORIAL

CARAVANA 101 – EDITORIAL

Como este número da Caravana reflete, tantas forças se têm reunido para defender os direitos das pessoas e das comunidades ciganas, quer ao nível interno, quer ao da União Europeia, que alguns resultados hão de surgir para repor a justiça e para incrementar a fraternidade entre as várias populações culturais no nosso país, entre as quais se destacam, pelas amargas consequências da discriminação e da exclusão, as populações de cultura cigana.  Entre as realizações referidas neste número, destaca-se a iniciativa da Associação Habita, de elaborar uma “Carta aberta sobre a habitação das pessoas ciganas”, com data de 25 de abril, na qual colaborou um número inédito de associações e de pessoas ciganas, o que revela a potencialidade de mobilização dos próprios representantes das comunidades ciganas.

 

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CARAVANA 100 - EDITORIAL

CARAVANA 100 - EDITORIAL

Este número da Caravana, não podia deixar de ser uma edição charneira entre o passado, o presente e o futuro da vida das comunidades ciganas no seio das outras culturas que as acolheram e/ou onde vivem. O passado começa por estar representado na celebração dos 50 anos do célebre Congresso Internacional de Londres de 1971, que ocorreu no passado dia 8 de abril. Aí foi de alguma forma proclamada pelos próprios representantes internacionais ciganos, a “constituição” do povo cigano enquanto detentor de uma identidade cultural própria, aí foi adotado o nome de Roma ou Rroma, foi escolhida a sua bandeira e aprovado o seu hino Gelem Gelem em Romani: Caminha, Caminha. Mas o passado das populações ciganas tem outros aspetos infelizmente bem dramáticos, como o testemunha o extenso artigo de Rafael Jesus que este número da Caravana começa a publicar.

 

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CARAVANA 99 – EDITORIAL

CARAVANA 99 – EDITORIAL

A Caravana aproxima-se rapidamente do nº 100 da 3ª Série. A capa deste número é, intencionalmente, um grito. Tal como temos “gritado” tantas vezes no decorrer da já longa história da Caravana que ecoa de alguma forma o trabalho da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos, há 47 anos.

O grito deste número é bem evidente. Em pleno Natal, como é possível que seres humanos como nós, nossos irmãos em Cristo, vivam, em pleno século XXI, abandonados, escorraçados, excluídos, ignorados, exceto pelo bom “Samaritano” que se chama Fernando Moital que os conhece pessoalmente, que há muitos anos os assiste, como o bom Samaritano assistiu o homem assaltado e maltratado da parábola de Jesus? Segundo Fernando Moital, são dez as famílias ciganas nómadas compulsivas que estavam, neste Natal, acampadas em Évora, tendo cerca de 50 crianças, entre as quais estão as três crianças da foto. Ainda segundo Fernando Moital, haverá entre 30 e 40 agregados nas mesmas condições, presentemente no Alentejo.

 

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CARAVANA 97 – EDITORIAL

CARAVANA 97 – EDITORIAL

A OPÇÃO PELOS POBRES

A opção da Igreja pelos pobres (Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, nº 198) tornou-se real, visível e paradigmática nas notícias a que damos relevo neste número, protagonizadas pelo Cardeal Turkson, um dos colaboradores mais próximos do Papa Francisco e portanto mais em comunhão com os anseios do seu coração, movidos pelo Espírito que o inspira. Nem sempre esta opção é tornada realidade, pelo menos em todas as suas vertentes culturais. Entretanto há exemplos notáveis das sinergias que podem ser geradas pela colaboração entre uma entidade oficial, uma grande instituição de desenvolvimento social, uma importante instituição de apoio social e uma associação cigana, como foi o caso de Beja. Este é um exemplo dos resultados que uma associação cigana pode obter na prática e no terreno quando sabe solicitar e congregar apoios e financiamento. Importa ainda realçar a notável notícia de como uma Câmara municipal, a de Almeirim, soube atuar para dar emprego a ciganos contrariando fantasmas e  inércias, mas em vez disso atuando, fazendo, realizando.

 

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