Mensagem para o dia da Memória do Beato Zeferino Giménez

Vaticano, 2 de agosto de 2021

Mensagem para o dia da Memória do Beato Zeferino Giménez

Como é bem conhecido, a Igreja celebra hoje a memória do Beato Zeferino Giménez Malla, o cigano que foi fuzilado em Barbastro em 1936 por tentar salvar um sacerdote. Na vida de Pelé, como é popularmente conhecido pelos ciganos, encontram-se refletidos os valores centrais da vida cristã. Era conhecido pela sua vida de oração, pela sua caridade constante; tinha também um dom natural para aconselhar. Como disse S. João Paulo II na sua beatificação, no dia 4 de maio de 1997, “foi, acima de tudo, um homem de profundas convicções religiosas” (cf. Homilia de S. João Paulo II na cerimónia solene da beatificação de Ceferino Giménez e companheiros mártires em 4 de maio de 1997, 4).

Certamente que frequentar os sacramentos e a sua devoção mariana foram a base de tal atitude vital. Mas também o foi o preservar os valores tradicionais da cultura cigana, como a promoção da vida, a centralidade da família, o sentido religioso da vida, o acolhimento incondicional, a conceção humana do trabalho e a alegria de viver. No entanto, este ano quero frisar dois aspetos essenciais da vida do Beato Zeferino Giménez.

“Pelé” exercia o seu ofício de comerciante de animais, com um respeito exemplar pelos animais, semelhante ao de S. Francisco de Assis, a quem seguia como Terceiro Franciscano, como se “tivesse entrado em comunicação com tudo o que foi criado” (Cf. Encíclica Laudato si’, 2015, 11), ensinando aos jovens ciganos a conhecer esses animais (Cf. Encíclica Laudato si’, 2015, 33). No entanto, não era daquelas pessoas que se regia pela “incoerência de quem luta contra o tráfico de animais (…) mas que se desinteressa dos pobres” (Cf.  Encíclica Laudato si’, 2015, 91).

 

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CARAVANA 101 – EDITORIAL

CARAVANA 101 – EDITORIAL

Como este número da Caravana reflete, tantas forças se têm reunido para defender os direitos das pessoas e das comunidades ciganas, quer ao nível interno, quer ao da União Europeia, que alguns resultados hão de surgir para repor a justiça e para incrementar a fraternidade entre as várias populações culturais no nosso país, entre as quais se destacam, pelas amargas consequências da discriminação e da exclusão, as populações de cultura cigana.  Entre as realizações referidas neste número, destaca-se a iniciativa da Associação Habita, de elaborar uma “Carta aberta sobre a habitação das pessoas ciganas”, com data de 25 de abril, na qual colaborou um número inédito de associações e de pessoas ciganas, o que revela a potencialidade de mobilização dos próprios representantes das comunidades ciganas.

 

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CARTA ABERTA SOBRE A HABITAÇÃO DAS PESSOAS CIGANAS

CARTA ABERTA SOBRE A HABITAÇÃO DAS PESSOAS CIGANAS

Por iniciativa da Associação Habita, um extenso grupo de Associações ciganas e outras individualidades e instituições ciganas ou não, redigiram a seguinte Carta Aberta que foi publicada no dia 25 de abril no Público e enviada a membros do Governo e a outras entidades nacionais e estrangeiras.

Exigimos o Direito à Habitação Digna das Pessoas Ciganas/Rroma em Portugal: Reparação, já!


Após 46 anos das promessas de Abril - igualdade, liberdade e direitos constitucionais para todas as pessoas - sabemos que muitas ficaram por cumprir. No entanto, ressaltamos que a desigualdade no acesso à saúde, educação, trabalho e habitação de qualidade por parte das comunidades Ciganas/Rroma é particularmente gritante na democracia portuguesa.

 

Há demasiado tempo que se sabe da precariedade habitacional que as pessoas Ciganas/Rroma enfrentam nas mais diversas latitudes do país. Muitas vivem em barracas de madeira e lona ou em casas autoconstruídas sem acesso a água, luz, saneamento básico ou recolha de lixo; outras vivem em habitação pública, tantas vezes em sobrelotação e segregadas do restante tecido urbano.

 

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PRIMEIRA COORDENADORA DA UE PARA O ANTI-RACISMO

PRIMEIRA COORDENADORA DA UE PARA O ANTI-RACISMO

ERGO* - News (internet) 17 maio

Hoje a Comissão Europeia nomeou Michaela Moua (MM) como a primeira Coordenadora Anti-Racismo de sempre.

 

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IGUALDADE, INCLUSÃO E PARTICIPAÇÃO DOS CIGANOS NA UE, CONFERÊNCIA PROMOVIDA PELA PRESIDÊNCIA PORTUGUESA DA UE

IGUALDADE, INCLUSÃO E PARTICIPAÇÃO DOS CIGANOS NA UE, CONFERÊNCIA PROMOVIDA PELA PRESIDÊNCIA PORTUGUESA DA UE

A Presidência Portuguesa do Conselho da UE, promoveu em 15 de abril, uma conferência online, sobre o tema “Trabalhando juntos pelos direitos dos Ciganos”. O objetivo foi desenvolver ações na luta contra o racismo, na promoção dos direitos fundamentais e da redução das desigualdades e no combate a todas as formas de discriminação. Os promotores afirmam que acelerar os esforços para reforçar a igualdade dos ciganos e a sua inclusão e participação na UE é mais crucial que nunca, no cenário de desafios crescentes no contexto da pandemia do Covid-19 e de incidentes de anticiganismo e de discurso de ódio. Concretamente, pretendeu-se analisar o contributo da Recomendação do Conselho sobre a igualdade, a inclusão e a participação dos Ciganos para o aprofundamento do compromisso da UE no aumento da promoção dos direitos dos ciganos.

 

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