Editorial

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O Ano da Fé, iniciado solenemente na celebração dos 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II em Roma, e em Portugal, na Peregrinação aniversária de 12 e 13 de outubro em Fátima, é um momento propício para os cristãos em geral e as estruturas da Igreja em particular fazerem uma reflexão centrada em si mesmas, sobre a forma como vivem, encarnam e transmitem a fé na linha do Concílio que apresenta a Igreja, na Gaudim et spes, como “Serva da Humanidade” , e na Lúmen Gentium, como “Comunhão”.

 

Cinquenta anos passados desde o início do Concílio, ainda hoje, não assumido na sua plenitude, o espírito de simplicidade e humildade é manifestado no serviço e acolhimento de toda humanidade, a começar pelos mais pobres e excluídos. É nesta linha que é importante que a Igreja em Portugal se repense a si mesma, abrindo-se ao serviço e acolhimento de todos, se quiser realmente ser a Igreja de Jesus Cristo que veio para “servir e não para ser servido e para dar a sua vida por todos” (Mc 10, 45), e não apenas por alguns.

É mais fácil manter um tipo de Igreja instalada, que existe quase exclusivamente para as celebrações dos tempos litúrgicos e mantendo tradições que não comprometem. Contudo, não foi uma igreja assim que Jesus instituiu, mas sim uma Igreja verdadeiramente missionária que sai de si mesma e vai ao encontro de todos para lhes anunciar o mistério de salvação de Cristo, ou seja uma Igreja que existe para cumprir o mandato missionário de Jesus de ir por todo o mundo anunciar o evangelho e baptizar todos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. (cf Mt 28, 19-20).

Seria tão bonito que a Igreja aproveitasse este Ano da Fé para regressar às suas raízes, ou seja, para recuperar o espírito que a animou nos seus primórdios e que foi reassumido no Concílio Vaticano II, abrindo-se ao serviço e acolhimento dos pobres e marginalizados, salientando-se de forma particular os mais pobres dos pobres, marginalizados pelas sociedades e por muitos sectores da Igreja, entre eles as comunidades ciganas, caso contrário, o Ano da Fé, não passará de mais um evento, onde se fazem umas celebrações bonitas, se publicam uns livros, se gasta dinheiro com seminários, conferências e encontros, mas, na verdade, não tocou o coração da Igreja nem contribuiu para um caminho de conversão a Cristo pobre e humilde.

P. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M.